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domingo, 19 de setembro de 2021

FAIXA A FAIXA: Gueppardo, a música é a lei

FOTO: Divulgação

Strong

A breja Strong é uma cerveja complexa. Normalmente, elas são refermentadas na garrafa, muito efervescente e com uma espuma densa e cremosa. Essas qualidades combinam perfeitamente com o novo álbum dos gaúchos do Gueppardo, I am the law, com seus temas marcantes.

O disco conta com oito faixas que até não estão tão na cara dos anos 1.980 quanto os dois antecessores, mas ainda assim nos remete ao bom e velho hard/heavy dos bons tempos. Destaco a Beyond and far, When I'm gone e a faixa-título.  

SP&BC conversou com o baixista Rafael Yadek, através de um aplicativo de mensagens, em que o músico nos passou algumas informações importantes sobre o trabalho e o momento do quarteto.

Antes de continuar, é preciso esclarecer de que não se trata de uma entrevista propriamente dita, tanto que aqui contém a opinião do blog sobre o lançamento. Porém, sim, trata-se da estreia de um novo quadro por aqui, o Faixa a Faixa. E os próprios responsáveis pela obra comentam sobre as composições.

A formação do Gueppardo sofreu algumas mudanças desde a última vez deles no blog (leia aqui). "Tivemos duas mudanças de lá pra cá", explica Yadek. Thiago Gutierres registrou os vocais do recente petardo enquanto que na "bateria tivemos uma rápida passagem de Julio Sasquatt que gravou o disco", saindo pouco tempo depois. Em seu lugar, atualmente, está Lucas Rodrigues. Na guitarra, claro, segue Pery Rodriguez.

O CD saiu através de uma parceria dos selos Dr Rock, Hurricane e Metal on metal, da Espanha. E, caso o fã queira procurar os três títulos editados da banda nas plataformas digitais sentirá falta do anterior, que saiu pela Classic Metal. Pelo menos por enquanto. São "questões de direitos autorais, mas isso já foi resolvido e logo subiremos o Execução Sumária (2.019), também", disse o baixista.

"Outro motivo foi que quisemos dar ênfase ao novo trabalho que consideramos nosso melhor disco até agora", explica o músico, algo que SP&BC concorda plenamente. Afinal, as músicas se apresentam mais maduras, consistentes e com riffs mais "na cara".

Yadek comemora "os feedbacks positivos sobre a produção do Sebastian Carsin, com quem a banda sempre gravou e produziu todo seu material", além da do público que, igualmente, aprovou o álbum. 

"Temos agendadas algumas datas", responde o músico sobre os planos para o futuro próximo que reserva dois shows em Assunção, no Paraguai, "pela primeira vez", nos dias 1 e 2 de outubro. "Também filmaremos mais videoclipes para músicas do disco I Am the Law. Paralelamente a isso, seguimos trabalhando em novas composições para o álbum seguinte. E claro, somos uma banda que gosta de tocar muito ao vivo, então estamos aguardando com paciência que essa pandemia cesse para poder voltar a pegar estrada para nos apresentar por aí o máximo que der".

Faixa a Faixa - I am the law

Hora, então, de abrir nossa cerveja e conferir o Faixa a Faixa do novo trabalho da banda de Porto Alegre (RS) Gueppardo. Thiago Gutierres (v) foi quem comentou cada uma das músicas:

"Beyond and far é uma continuação de Fronteira Final (2.017) em estilística e motivo. Fala da união entre todos os rockers e as lembranças da luta diária. Juntos somos mais fortes!"

"I am the law fala sobre liderança, a força que o Metal impera. Fala também sobre o despertar de todo o poder que temos dentro de nós. Invencível, desbravador, libertador. Eu sou a lei, nós somos a lei".

"Price to pay fala da coragem e força que precisamos ter após cada queda. Às vezes, precisamos deixar que as coisas tomem seu rumo, mas não perder o controle. Cada vez nos esforçamos mais e mais, lutando cada dia. Tem ligação direta com Beyond..., mas aqui ao invés de a batalha coletiva é sobre a pessoal".

"When I’m gone trás à tona a incerteza que a paixão cria. A não reciprocidade, a rejeição, o orgulho e o medo do fogo se apagar de um dia para o outro. É o clássico momento em que notamos que amamos algo ou alguém só após ter perdido".

"Forgotten Dreams fala dos amigos perdidos mundo afora e dos sonhos não realizados. Da luta para manter a esperança viva em realizá-los e poder cruzar todas as estradas para o show continuar".

"Lights of freedom é uma carta de amor velada a beleza da noite na cidade e na estrada. Antes de um show, parar e observar as luzes das metrópoles pode ser inebriante e o brilho delas na paisagem nos liberta".

"Midnight city é o momento de apostar, de não fazer cerimônias, e lembrar que o Metal pode nos levar aos extremos, sejam eles bons ou ruins. Fala de libertar sua rebeldia, das insanidades da vida noturna, e das marcas que a estrada nos deixa".

"End of the line não é o fim da linha. É uma mensagem. É um grito de guerra para todos se levantarem e fazerem sua parte na luta contra um sistema que tenta nos controlar, sutilmente, a cada dia. Mas assim como no início do álbum Beyond... nos lembra de que somos mais fortes juntos, End.. pede para ouvirmos a voz que clama dentro de nós para não ficarmos mais parados e atacar com muito Metal".

quinta-feira, 12 de agosto de 2021

REVIEWS: Pandemia no Brasil

Russian Imperial Stout

Antes de iniciar vamos a uma breve explicação. Já faz algum tempo que não temos um texto novo aqui no SP&BC. Fato é que a vida ficou mais corrida por motivos particulares. De todo modo, o blog não vai morrer, pelo contrário, mas a periodicidade está complicada. Assim, vamos encurtar os comentários para falar de mais bandas e aproveitar o tempo. E, também, todos sabem que se é comentado aqui significa que o SP&BC aprova.

Assim como para apreciar essas obras abri uma breja Russian Imperial Stout, com aromas de cacau e café e espuma cremosa persistente. Uma cerveja forte, da família das poter, com maltes tostados, que combina perfeitamente com os CDs que vamos falar.

Começando pelo sensacional novo álbum da Dorsal Atlântica que já nasceu clássico! Pandemia, feito na base do crowdfunding, em que se arrecada verba junto aos fãs visando o lançamento, é conceitual e trata do atual momento em que vivemos aqui em nosso país, afundado não somente pela pandemia global do novo coronavírus, mas também pela política e na, digamos, falta de boa vontade de boa parte da população.

O som é aquele metal pesado com muito bom gosto e as letras, bem, mais claras impossíveis. Provocante. Rebelde. Direto. Enfim, Carlos Lopes soltou o verbo que estava entalado em sua garganta e nos refletir sobre tudo o que está a nossa volta. É para pensar, entender e curtir. O disco conta com uma arte gráfica primorosa e com capa dupla.


 

Fabiano Negri - Reborn

O multi-instrumentista campineiro de hard rock Fabiano Negri (ex-Rei Lagarto, entre outros) colocou no mercado, via Big Can, a segunda parte de Reborn e, portanto, fomos brindados a nos deliciar com mais um CD, agora completo com ambas as partes, de qualidade acima da média. Ambos estão nas plataformas digitais.

Achei a primeira parte levemente superior, no entanto, ao ouvir as 11 faixas como um trabalho único, o que de fato é, percebe-se um direcionamento coeso e que demonstra que o músico tem muita lenha para queimar ainda. Aposentadoria só aos 65 anos, hein.


Freesome - Get me goin' (single)

Keep on naked foi um bom EP editado lá em 2018 pelo Freesome. Se a pandemia não tivesse atrapalhado, possivelmente teríamos um novo disco do quinteto, contudo, mesmo com as dificuldades impostas pelo momento atual, a banda não se intimidou e soltou este single, uma música divertida, daqueles rocks tipo arena. 

Freesome
Bom pegar uma Weiss e colocar Get me goin' para rolar na sua plataforma digital favorita. E que logo venha o próximo EP. O aperitivo foi aprovado!

 

Voodoo Shyne - Instinct me / Through her womb (singles)

Já o Voodoo Shyne está com dois excelentes singles novos, Instinct me e Through Her Womb (para ouvir clique aqui), também disponíveis nas plataformas digitais. A segunda, a mais nova, é uma balada, em que o próprio música a classificou como o "Black Sabbath encontrando Pink Floyd no Planet Caravan". Acho que podemos ficar com essa descrição.

Outros trabalhos que pintaram por aqui e agradaram bastante. O já veterano Brave, com The Oracle, algo que vai na linha do power metal. A faixa título é uma das melhores do disco. Cuidado para não ficar com ela na cabeça devido a seu refrão grudento. Muto bom!

O Warshipper, faz death metal, que não é bem a minha praia, mas Barren... tem lá seus atrativos. Caso idêntico ao Hammathaz, que demonstra muita garra em The-One. Apoie nossa cena, curta, compartilhe, espalhe para os amigos. E não fique ouvindo somente os clássicos, pois ainda há novas bandas ou nomes que ainda não são conhecidos, mas que produzem excelentes títulos.

domingo, 11 de abril de 2021

10, 20, 30... Accept em 40 anos: simplesmente heavy metal

 


Bitter

Enfim, chegou a vez da banda alemã Accept figurar no 10, 20, 30..., um dos quadros mais legais do SP&BC. Com o lançamento de Too mean to die, vasculhamos a discografia do quinteto e encontramos Breaker, de 1.981, para nos ajudar a trilhar e entender a evolução dos caras.

Para nos acompanhar, em um dia abafado, diga-se, resolvi escolher uma Bitter, enquanto escrevo, lupulada, mas não tanto forte, apenas 3,9% de teor alcoólico, pois para ouvir as vozes de ambos trabalhos as bem lupuladas combinam perfeitamente!


Breaker

A ideia do 10, 20, 30... é, justamente, fazer um apanhado dos primórdios com a atualidade da carreira de determinada banda pontuando a cada 10 anos, quando há lançamentos, naturalmente.

E quando percebemos que o Accept seria uma postagem possível confessamos um sorriso de orelha a orelha. Afinal, Breaker é, de fato do início da carreira, o terceiro álbum dos alemães e, apesar de ainda estarem lapidando o som para o ápice que foram os três seguintes, Restless and Wild (1.982), Balls to the wall (1.983), e Metal Heart (1.985), este aqui não fica devendo em nada aos mecionados.

Quando adolescente, quem nunca colocou Son of a bitch no volume mais alto só para incomodar, ou "brigar" com o mundo mesmo, que atire a primeira pedra. A exceção da balada Breaking up again, todas as demais faixas apresentam as melodias fáceis e divertidas, riffs poderosos, refrãos grudentos, e um vocal inconfundível digno de Pato Donald, ou seja, tudo como manda a cartilha do bom heavy metal.

Neste LP estavam na formação Udo Dirkschneider, vocal, Wolf Hoffmann, guitarra, Jorg Fischer, guitarra, Peter Baltes, baixo, e Stefan Kaufmann, bateria. Fica a dica.


Too mean to die

O décimo sexto álbum de estúdio do Accept até parece que virou um projeto do guitarrista Hoffmann, pois foi único que permaneceu até hoje na banda. E guardadas as devidas proporções, o mais novo disco dos alemães é uma verdadeira paulada sonora. Tão bom quanto o anterior, The rise of chaos (leia resenha aqui) e, com certeza, estará em várias listas dos melhores do ano de 2.021.

É uma pena não podermos assistir aos shows como fazíamos até pouco tempo atrás, com aglomeração, pois ouvir esse novo trabalho executado em cima de um palco seria, no mínimo, gratificante.

O bom é que os músicos, ainda bem, não pararam de trabalhar e estão produzindo normalmente sons inéditos e lançando os CDs. Afinal, todo mundo precisa trabalhar, não é só o profissional que fica atrás de uma mesa, ou balcão, ou pega no pesado, mas os artistas de modo geral, que dependem de aglomeração, precisam pagar as contas também, então, fica em casa, amiguinho; vá trabalhar, mas sem "rolê". Não vá às festas clandestinas, etc. Quando tudo isso passar, todos vão ganhar!

Para finalizar, os músicos que gravaram este excelente petardo foram, além do já citado Hoffman, Mark Tornillo, nos vocais - ainda me impressiono com uma certa semelhança com Udo, mas competentíssimo - Uwe Lulis, guitarra, Philip Shouse, guitarra - sim, usaram três guitarras dessa vez -, Martin Motnik, baixo, e Christopher Williams, bateria.

domingo, 21 de fevereiro de 2021

Que aposentadoria, que nada - Fabiano Negri mais ativo que nunca


Munich Helles

Bem maltada, cor dourada, amargor equilibrado e sutil, a Munich Helles foi escolhida para essa audição pois, como surgiu em 1895, claro, na Alemanha, para concorrer com a Pilsen, da Bohemia, não deixa de representar uma certa tradição. Tradição essa que acaba configurando o novo trabalho de Fabiano Negri, o EP Reborn, via Big Can Productions (EUA). 

Em 2.020, noticiamos que o músico campineiro estava se despedindo da carreira (leia aqui). "Eu estava realmente cansado de produzir novo material e não sair do lugar", explica no release que acompanha o material promocional do lançamento. Entretanto, para nossa sorte, surgiu um novo selo no meio do caminho. Só que dos Estados Unidos.

É uma pena que o reconhecimento, tardio, diga-se, venha da Terra do Tio Sam. Porém, o que importa é que ela veio e cá estamos nós diante da primeira parte de Reborn. Sim, teremos mais, ainda bem! A segunda é prometida para meados de 2.021. A divisão serve "para que as pessoas tenham mais tempo de assimilar o trabalho", conta Negri. 

São 6 faixas no total, sendo que a faixa-título ganhou uma versão acústica e encerra o track list. O período conturbado pelo qual passou o multi-instrumentista desde antes do início das composições rederam temas "positivos, reflexivos e diretos", segundo o próprio. O som é aquele hard rock já característico - daí a tradição do início do texto -, levemente mais pesado que o anterior, The Fool's Path (2.020).

Desta vez, Negri gravou todos os instrumentos em seu estúdio caseiro, no interior paulista, além de mixar e masterizar no mesmo local. A única participação externa, digamos assim, foi a de seu filho, Ian, tocando baixo e percussão na excelente Gazing. Todas são boas, mas a minha favorita é justamente o primeiro single, Inside out.

Quem sabe agora, com o interesse de fora, os fãs da boa música no Brasil não abram os olhos e valorizem mais nossos artistas independentes. Apoie a música nacional. O rock nunca vai morrer e sem essa de que não há boas músicas novas. Basta procurar!

Serviço:

Site: www.fabianonegri.com

Facebook: www.facebook.com/fabianonegrisolo.com


domingo, 24 de janeiro de 2021

RETROSPECTIVA 2.020: O que rolou e o que podemos esperar de 2.021



Mesmo não havendo shows, músicos trabalharam bastante em ótimos lançamentos

Acredito que em nenhum outro ano fazer um apanhado do que chegou até o público foi tão importante como agora. Isso porque... bem, todos sabemos como foi 2.020. Existem até anúncios de shows em 2.021, inclusive um Rock in Rio, porém, sinceramente, não acho que role até que estejamos bem seguros quanto a essa pandemia.

Contudo, há de se comemorar que não foi por conta de isolamento que ficamos sem curtir músicas novas. Alguns trabalhos passaram pelo SP&BC enquanto que alguns ainda não. Assim, é uma boa oportunidade para  se fazerem presentes em nosso blog - mesmo que em poucas palavras. Separei três estilos de cervejas mais do que tradicionais para acompanhar essa viagem: Witbier, Session Ipa e Pilsen, pois elas combinam com cada um dos citados aqui.

Começando com o Príncipe das Trevas, que lançou um álbum exatamente 10 anos após o anterior. Ordinary man (leia a resenha aqui) mostrou que Ozzy Osbourne tem muita lenha para queimar. Ainda. Só não gostei da participação do Post Malone. Não dá para ser perfeito.

Esse último ano quase marcou a despedida do cenário musical do campineiro Fabiano Negri. Felizmente quase, diga-se. Porque The fool's path (veja a opinião completa aqui) é, simplesmente, o melhor trabalho nacional do período e não poderia, jamais, significar o derradeiro. Aí que o selo estadunidense Big Can Production o procurou e então surgiu o convite para lançar um disco nos Estados Unidos. Reborn sai no final de janeiro, mas já tem single disponível em seu canal no YouTube, Inside out e Dying city. Outra pedrada está por vir.


Não deu tempo para comentar sobre o último CD do AC/DC, Power up, quando a banda foi homenageada no "10, 20, 30..." (veja aqui). Então, vale comentar neste momento que o álbum realmente é muito bom! Trouxe o quinteto de volta com tudo e ainda com membros antigos que estavam afastados. Grata surpresa!

Outro nome clássico que editou um novo trampo foi o inglês Deep Purple, que soltou Whoosh!. Chega a ser surpreendente como eles, após tantos anos, conseguem manter o nível nas composições.

Falando um pouco sobre singles, que estão bem na moda e que nos garante sempre a perspectiva de novas músicas, algumas bandas passaram por SP&BC neste formato, em qualquer plataforma que seja, uma das vantagens da Internet.

O Metalmad DC, por exemplo, lançou Colheita maldita, Beijo da morte e Olhos de Medusa (veja) mostrando que o futuro disco vai ser matador. E já neste ano saiu Alma seca, outra verdadeira pedrada! Procure pelos caras no canal oficial no YouTube.

Já o Voodoo Shyne veio com Unique (no mesmo texto do Metalmad DC) e A perefect match. Continua afiado e com aquela identidade característica. Também já tem outra nova, a recente, diferente e ótima Love corrupts myself to death. Nas plataformas digitais. O novo álbum, a julgar por essas faixas, promete.

O Fenrir's Scar no brindou com Curse of mankind (clique aqui), The enemy inside e Break the wheel mostrando a força do underground que não pode parar. Alias, o rock não é nada sem o underground, então, amigo roqueiro, vamos prestigiá-lo! A dupla paulista segue firme trabalhando e tomara que CD autointitulado não demore.

Também recomendo o grande King Bird, que veio com Alive, revisited and isolated, mostrando um pouco do que produziu durante os anos em versões ao vivo. Imperdível! 

Primal Fear arrebentou em Metal Commando, enquanto que o Vanderberg surpreendeu com 2020.

E o Sepultura, então? Quadra é um dos registros mais fortes desde que Derrick Green assumiu os vocais do grupo e mostra o quarteto em ótima forma para desespero das viúvas de Max. 

Para fechar, sir Paul McCartney mandou McCartney III e só vou dizer que é difícil parar de ouvir. Sensacional! E que 2.021 deixe a todos vacinados e prontos para voltar a um bom show de rock n'roll com muita aglomeração!

Claro que o ano contou com muitos outros lançamentos. Os que não gostei, conforme a linha editorial, não foram citados. Outros faltaram espaço. Cabe a cada um fazer sua pesquisa e não deixar que o nosso estilo favorito se enfraqueça. Algumas dicas estão aí. Aponte as suas.

sábado, 19 de dezembro de 2020

10, 20, 30... Especial 1.990: O último em evidência do hard rock



Ipa Maracujá

Nem sempre consigo atingir o objetivo pleno deste quadro no blog em que apresentamos uma mesma banda com seus lançamentos em exatos 10 anos de diferença comemorando aniversários cheios. E quando for o caso, uma pincelada sobre o novo disco. Nesse caso teríamos álbuns editados em 2.010, 2.000, enfim, daí por diante. Em 2.020 já tivemos, seguindo essa risca, Ozzy Osbourne, AC/DC - uma pena eu não esperar um pouco mais para comentar sobre o belo Power up -, Judas Priest e Iron Maiden. 

Assim, como alguns nomes importantes dentro do hard/heavy se enquadram na explicação acima, mas possuem trabalhos altamente relevantes, resolvi escolher alguns títulos aleatórios. Percebi na pesquisa inicial que já havia duas publicações na coluna Classics, da Valhalla, assinadas por mim, de bolachas datadas de 1.990. Daí só escolhi um novo, que não deu tempo de fazer anteriormente, para completar, e estava feita a escolha.

Essa pesquisa aconteceu enquanto saboreava uma Ipa Maracujá, que não é exatamente uma Fruit Beer, mas sim uma breja que ganha características frutadas no aroma e sabor por conta dos tipos de insumos usados em sua fabricação. E encontramos várias Ipas com essa adição de frutas no mercado bem interessantes. Uma, inclusive, que até leva o nome de uma das bandas mais queridas do metal.

Vamos ao que interessa. A seguir confira os textos sobre Heartbreak station, do Cinderella, Tattoed millionaire, do Bruce Dickinson, ambos originalmente publicados na Rock Hard/Valhalla #28 e #44, respectivamente, e Flesh & blood, do Poison, este exclusivo do SP&BC. Curiosidade é que este foi o último ano de alta do hard rock, estilo que viveu seu auge nos anos 1.980 e que sofreu com o surgimento da onda grunge. "Ah, mas o Bruce..." Tattoed... é hard, embora não glam, mas é hard, não heavy.



CINDERELLA - Heartbreak Station

Chegou a hora de prestar homenagem a uma das melhores bandas da era hard/galm dos anos 1.980. O conto de fadas do rock deve muito a Jon Bon Jovi, que os viu em um clube na Filadélfia em meados daquela década. Mas obviamente que se o quarteto não fosse realmente bom o suficiente nada teria dado certo. Depois de Night songs (1.986), e Long cold winter (1.988), agora é a vez do country Heartbreak station. Assim como os outros anteriores possuíam uma, digamos, base distinta entre si, este é inspiradíssimo no country, o que fica claro em One for rock and roll. Quando o LP saiu, o primeiro single foi a faixa-título, uma linda balada, porém que denunciava tal inclinação. Até eu levei um – bom – tempo para aceitá-lo, entretanto, não se pode negar a veia rock em The more things change, Love’s got me doin’ time e Love gone bad, por exemplo, sem falar na viagem de Dead man’s road (não deixe de conhecer esta), a divertida Shelter Me. Enfim, vale o álbum todo!  Infelizmente, comercialmente falando, não foi um grande sucesso, talvez por ser diferente, mas turnês gigantescas não faltaram e o nome do grupo se manteve no auge ainda por um período razoável. Atualmente, o conjunto norte-americano está parado, sendo que o guitarrista Jeff LaBar e o baixista Eric Brittingham passaram pelo Naked Beggars enquanto que o líder, guitarrista e vocalista Tom Keifer está em carreira solo com dois ótimos discos lançados [N. do R.: Dados atualizados]. No Brasil, Heartbreak Station não foi lançado em CD, o que dificulta sua aquisição devido ao – salgado – preço do dólar, mas vale cada centavo. (VA)


BRUCE DICKINSON - Tattoed Millionaire

A carreira solo do vocalista do Iron Maiden começou quase que por acidente. A princípio, 1989 seria um ano de férias para os ingleses, porém perguntaram a Bruce Dickinson se ele teria alguma composição para a trilha do filme A Hora do Pesadelo V. Sem pensar muito ele respondeu afirmativamente. Como isso não condizia com a verdade, ele convidou seu antigo amigo guitarrista, Janick Gers (ex-Ian Gillan Band), para a empreitada. Não demorou muito e surgiu Bring your daughter... To the Slaughter. Com o tempo foram nascendo outras até que a dupla se deu conta que já tinha um álbum pronto nas mãos. Ironicamente, a faixa citada acabou entrando em No Prayer For The Dying, aquele que seria o então próximo disco da Donzela. Os dez temas de Tattoed millionaire não se parecem em nada com o Maiden, tendo uma linha mais hard rock e igualmente diferente do que Dickinson faria no restante de seus trabalhos solos. A "sonzeira" já começa logo na abertura com a enérgica Son Of A Gun. A segunda é a faixa-título, um dos hits do LP e a única que ainda é executada até hoje nos shows; foi uma pena ela não ter entrado no ao vivo Scream for me Brazil. Born in ‘58 foi outro hit. Gypsy road possui uma levada mais, digamos, calma e precede outro petardo, Dive! Dive! Dive! Um dos grandes momentos do disco acaba sendo o cover de All the young dudes, de David Bowie. Na seqüência, o encerramento com as interessantes Licking’ the gun, Zulu Lulu e No lies. Em 2.005, este álbum foi relançado em CD duplo, sendo que no segundo constam várias faixas raras, ao vivo, lados B de singles e a versão original de Bring Your Daughter..., que Steve Harris, o chefão do Iron Maiden, na época, proibiu que saísse nesta bolacha porque era uma música excelente para o grupo principal. (VA)




POISON - Flesh & blood

Poderíamos dizer que este é o disco que contém Something to believe in, um enorme hit aqui no Brasil, principalmente. Contudo seria pouco e injusto com uma das grandes obras do hard/glam. Primeiro que o Poison é uma das maiores referências do estilo. Depois que um play que em seu track list exibe Unskinny bop, Life goes on, Ride the wind e a faixa-título, só para escolher algumas, além da citada, já não pode ser tratado com indiferença.

O terceiro álbum do quarteto, lançado em 21 de junho de 1.990, ainda contava com a formação clássica: Bret Michaels, vocal, Bobby Dall, baixo, Riki Rocket, bateria, e C.C. Deville, guitarra. Alcançou o segundo lugar nas paradas e vendeu oito milhões de cópias ao redor do mundo. Um verdadeiro multiplatinado. Rendeu várias turnês com a participação em grandes festivais, como o Monsters of Rock daquele ano. Esse giro de dois anos serviu de base para o primeiro ao vivo dos caras, Swallow this live (1.991).

Após esse auge, um entra e sai e volta de guitarristas aconteceu, inclusive com a passagem de Richie Kotzen, que gravou Native Tongue (1.993). Mas quem comandou as seis cordas no Brasil, no saudoso Hollywood Rock, em 1.995, foi Blues Saracero. Um gigante um pouco adormecido, mas que vale a pena ser redescoberto. Fica a dica!

domingo, 25 de outubro de 2020

ARTIGO: Adeus a um dos gênios da guitarra

FOTO: Perfil oficial no Facebook Van Halen

Dark Strong Ale

Neste artigo vamos fazer uma breve homenagem a um dos maiores guitarristas que este mundo já viu. Então, nada mais justo do que uma breja de gala, uma Dark Strong Ale com seu teor alcoólico na casa dos 10%, para ouvir, aprender, reverenciar, enfim, captar tudo, ou quase, pelo menos o que se conseguir, de que Edward Lodewijk van Halen, que nos deixou no último dia 6 de outubro, produziu ao longo dos seus 65 anos.

O Van Halen foi formado... Ah, isso encontramos em qualquer endereço digno de confiança pela Internet. O que pretendo aqui é tão somente contar o estrago que a banda fez nesse então jovem aspirante a jornalista, ainda nos anos 1.980. A minha maneira de homenagear esse estupendo músico. Depois de Jimi Hendrix, possivelmente, o que mais influenciou nas seis cordas.

Meu irmão, que nem é roqueiro, até meio sem querer, foi me dando pistas ao longo do meu crescimento. Primeiro quando conheci Michael Jackson. Thriller saiu em 1.982 e não me lembro ao certo, claro, quando ouvi pela primeira vez, contudo não me esqueço de como virou febre no Brasil e, claro, a criançada delirava cantando e dançando as músicas do rei do pop.

Não tenho certeza de qual foi a primeira que ouvi - só lembrando de que eu nem sabia o que era rock na época - mas certamente me apaixonei por Beat it. Ali, talvez, o gosto pelo rock and roll já se tornava exposto, afinal o solo de Eddie deixava a música singular. Foi uma das primeiras melodias que gravei na memória.

Seguindo a vida, foi meu irmão que me alertou, assim como no caso anterior, de que aquela música que Marty McFly colocara no walkman para seu pai ouvir naquela cena em que você sabe qual é do filme De volta para o futuro, se tratava de Van Halen. E eu só perguntando: mas quem diabos é Van Halen? Pobre criança...

O tempo passou, descobri o ritmo que nortearia a minha vida na segunda metade daquela década, mas foi somente quando peguei o Van Halen I na mão, emprestado por um amigo, que eu descobri, realmente, o que todas essas referências, entre outras, significavam. Aquele disco editado em 1.978 com apoio de Gene Simmons (Kiss) explicou tudo!

A abertura com Runnin' with the devil foi até que normal, mas quando Eruption ecoou nos alto-falantes, pronto. A partir daquele momento entendi toda a idolatria em torno do guitarrista. Falar que ele revolucionou seu instrumento é chover no molhado. Todo mundo sabe disso, inclusive que ele popularizou a técnica do tapping, criada por Paganini, em que arpejos rápidos são tocados com ambas as mãos no braço da guitarra, que Ace Frehley já fazia, aliás, mas não daquela forma.

E os modelos de guitarra Frankstein, então? Virou marca registrada do quarteto. Tanto que um desenho daquele já te remete instantaneamente ao criador. Um verdadeiro influenciador de música.

Para finalizar, lembro de que ele não precisou seguir carreira solo e nem transformar sua banda, que por sinal liderava ao lado do irmão Alex (bateria), em meros coadjuvantes para que seu talento sobressaísse. A qualidade era notada igualmente com a construção das músicas.

O mundo ficou mais sem graça. R.I.P Eddie van Halen!