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segunda-feira, 8 de janeiro de 2024

KISS parte 2, a vingança


Dark Strong Ale

Blá, blá, blá. Você já sabe que é mais uma do Projeto Valhalla - já expliquei nas vezes anteriores aqui mesmo no SP&BC. Portanto, fechando o que saiu na #22 da Revista Valhalla Metal Magazine, a segunda parte da Bio do Kiss.

A cerveja, claro, a mesma da primeira edição, pois, como já dito, a Dark Strong Ale é a minha preferida e tem mais de 10% de teor alcoólico. Uma cerveja elegante para uma música idem. E para ficar ainda melhor, trouxe uma página cheia de ofertas na Amazon. Clique aqui e confira, tem frete grátis e até 50% off. Saúde!

30 ANOS DE SEXO, ROCK ‘N’ ROLL E MUITO MAIS...

 SEGUNDA PARTE - A missão continua

por: Vagner Aguiar

 A partir de agora, o prezado leitor acompanha a conclusão da “Biografia” iniciada em nossa edição anterior. Ali, nós tivemos os primeiros 10 anos do quarteto em questão, o estouro, a fase totalmente mascarada. Aqui, acompanharemos os tempos difíceis sem a mesma, bem como a sua volta e... Bem, melhor você mesmo descobrir. Boa leitura!

Vamos lavar a cara?

Em 1983 já existia a MTV, emissora ideal para mostrarem sua mais recente mudança e anunciar a gravadora nova – a banda assinara com a Mercury. O mundo da música, então, estava voltado para o canal musical na tarde de 18 de setembro para poder conhecer os verdadeiros rostos de Gene, Paul, Eric e Vinnie. No mesmo dia, estréia o clipe de “Lick It Up”, música que dá nome ao novo LP. Além de “lavar a cara”, trocam as roupas extravagantes por couro, visual comum no Rock.

Lick It Up é bem aceito e mostra um som focado no Hard da atualidade. Como retribuição, a atenção da mídia, dos fãs – 24o lugar nas paradas – e o nome Kiss no alto novamente. Apenas dois temas não levam a assinatura de Vincent nos créditos, no que se refere às composições.

Diferente das anteriores, essa turnê começou na Europa, mais precisamente Lisboa, Portugal, em 11 de outubro, cobrindo boa parte do lado Ocidental, indo em seguida para seu país natal. Os problemas começaram novamente e o ego de Vincent fez com que Stanley e Simmons o despedissem. Mark Norton, o Mark St. John (7/2/56), um professor de guitarra e virtuoso, porém menos que seu antecessor, é recrutado.

Os problemas insistiam. Gene passou boa parte dos anos 80 interessado em atuar no cinema e a partir dessa época quem levou a banda praticamente nas costas foi Paul. Dessa forma, além de se influenciarem pelas bandas de Hard, então, atuais, o estilo sex simbol do guitarrista se excedeu e os clipes ganharam a participação de inúmeras mulheres apimentando as historinhas. Fora De Controle (Runaway, 84), Miami Vice II (85), Heavy Metal Do Horror (Trick Or Treat, 86), Never Too Young To Die (86), Wanted Or Alive (86) e Red Surf (87) foram os filmes em que o baixista participou.

Assim, a modernização do Hard Rock continuava, culminando em Animalize, que ganhou a luz em 13 de setembro de 1984. St. John grava o disco – dizem que não todas as músicas –, o clipe do único clássico do álbum, “Heaven’s On Fire”, e míseros shows (incompletos por parte dele) afinal, um belo dia descobre que possui um tipo de artrite nas mãos, a Síndrome de Reiter, que o impossibilitara de tocar.

Bruce Kulick na Kiss Expo, em Campinas

Como a agenda não permitia tempo, a solução estava no velho conhecido Kulick. Só que desta vez não era Bob, e sim seu irmão mais novo Bruce (12/12/53). O novo integrante se assustou quando Paul chegou em sua casa e lhe fez o convite, pois pensava que Stanley estaria atrás de seu mano.

Outra vez um giro começando pela Europa, em Brighton, Inglaterra, dia 30 de setembro. Após o final da “Animalize Tour”, em Nova Jersey, em 25 de março de 1985, Bruce já estava confirmado no emprego há tempos. De forças renovadas, mais um disco estava a caminho, afinal a vida do Kiss era igual a tocar-compor-gravar-tocar.

Asylum, lançado em 16 de setembro de 1985, é um LP Hard Pop que não agradou muito. Nos clipes era cada vez maior a participação de mulheres seminuas. Destaques: “Tears Are Falling” e “Uh! All Night”. A turnê voltou a se iniciar nos Estados Unidos, agora no Coliseum, de Little Rock, Arkansas, em 29 de novembro. Sem cruzar fronteiras, o conjunto encerrou a “Asylum Tour” na Pensilvânia, em Pittsburgh, em 12 de abril de 1986.

Pequenas férias e pela primeira vez na carreira o Kiss deixa de lançar um LP, pelo menos, por ano. No álbum seguinte nada mudava. Com Crazy Nights, de 18 de setembro de 1987, o som era praticamente o mesmo, ou seja, Hard Rock influenciado pelo que as outras bandas do estilo faziam, mas de tendências Pop; Simmons ainda preocupado com a telona e Stanley à frente de tudo; e mulheres significando o mesmo que diversão. Algum destaque para “Crazy, Crazy Nights” e a balada “Reason To Live”.

Coliseu, Jackson, Mississipi, 13 de novembro. Ponto de partida de mais um giro pelas terras ianques após mais de um ano longe dos palcos. Com a “Crazy Nights Tour” o Kiss volta ao Japão, em abril de 1988, para cinco datas em Nagoya, Osaka, Yokohama e Tóquio – duas – finalizando-a.

Uma pequena pausa. Sem material novo suficiente a terceira coletânea tomava forma, intitulada Smashes, Thrashes & Hits. Aqui, alguns temas dos anos 80, duas inéditas, “(You Make Me) Rock Hard” e a de respeito “Let’s Put The X In Sex”, além da regravação de “Beth” na voz de Carr.

Desta vez não esperam muito para prosseguir com os shows e depois de duas datas no The Ritz de Nova Iorque, em 12 e 13 de agosto, partem para uma perna na Europa começando no lendário Marquee, em Londres, três dias mais tarde. A próxima parada é o tradicional festival inglês “Monsters Of Rock”, em Donington dia 20, ao lado de Helloween, Guns’N’Roses, Megadeth, Dave Lee Roth e Iron Maiden. Em tempo, o headliner do evento era o Maiden. Após a Alemanha, uma passada pela Hungria para uma apresentação num lugar chamado Kisstadion. Itália, França, Dinamarca, Suécia, Finlândia e Noruega foram as outras sedes da turnê.

 A redenção

Com o final dos compromissos em outubro de 1988 e já que os discos não vendiam bem há alguns anos, o Kiss resolve dar uma bela parada. Simmons continuou atuando e Stanley decidiu fazer uma tour solo, com início em fevereiro do ano posterior. Para esses concertos, na bateria apareceu um sujeito que já havia tocado com Lita Ford, Black Sabbath e se preparava para lançar o debut de sua banda, o Badlands, chamado Eric Singer, cujo verdadeiro nome é Eric Mensinger (12/5/58).

Paul convida Singer para gravar umas demos para o próximo álbum do Kiss. O batera toca em duas músicas, retrabalhadas por Carr na seqüência, que entraram em Hot In The Shade. “Não me lembro quais foram utilizadas”, disse o próprio quando esteve no Brasil em maio último na coletiva para a “Kiss Expo”, realizada em Curitiba (PR) e Limeira (SP).

O nome Tommy Thayer (ex-Black’N’Blue) aparece pela primeira vez num trabalho do grupo. O guitarrista assina, ao lado de Simmons, “Betrayed” e “The Street Giveth And The Street Taketh Away”.

Hot In The Shade, então, ganha o mundo em 17 de outubro de 1989. Gene deixa a carreira cinematográfica de lado e passa a se dedicar mais ao conjunto, o que já melhora bem o resultado final, deixando a sonoridade mais Hard Rock, embora ainda influenciada pelo momento. A balada “Forever” é o primeiro Top Ten Single do conjunto em 10 anos. O clipe de “Rise To It” mostra Paul e Gene se maquiando antes de um show, momentos antes de subir ao palco. Nostalgia desde aqui.

Essa época de “vacas magras” foi definida por Stanley, para o Jornal Hoje, da Globo, em 1999, assim: “Vendemos 10 milhões de cópias nessa fase e isso seria a glória para qualquer outra banda”. Somente em 11 de março o Kiss retornaria as apresentações. Galveston, no Texas, foi o local escolhido. A turnê percorre os EUA até novembro, encerrando-se no Madison Square Garden, em Nova Iorque, no dia 9.

O ano de 1991 foi marcado pela luta de Carr contra o câncer. O baterista chegou até a se submeter a uma operação no coração para retirar um tumor. Neste mesmo tempo, o grupo precisava gravar um tema para a trilha sonora de Dois Malucos No Tempo (Bill & Ted Bogus Journey), no que foi escolhida uma música do Agent, em que Simmons e Stanley modificaram a letra, acrescentando, portanto, o número dois no título, “God Gave Rock‘N’Roll To You II”. Devido ao problema de Eric, Paul convida outro Eric, o Singer, para tocar na faixa. Com uma leve melhora no seu estado de saúde, Carr ainda faz o backing da canção e aparece no clipe, que é uma nostalgia pura, com várias imagens de shows dos tempos com as máscaras.

Eric Carr não resiste ao câncer e falece no dia 24 de novembro de 1991, numa data que pode muito bem ser considerada “a morte da música II”, já que também nela nos deixou Freddie Mercury, do Queen.

Não demorou muito e o Kiss efetiva Singer no posto, entrando em seguida em estúdio para fazer suas partes no próximo álbum. Revenge é editado em 14 de maio de 1992 e alcança a sexta posição na revista Billboard. É o disco de melhor resultado da época sem máscara em todos os sentidos. Rendendo-se ao talento para compor de Vinnie Vincent, o chamam para co-escrever três músicas, trabalhando com Simmons e Stanley em faixas que viraram hits, como “Unholy” e “I Just Wanna”, respectivamente. Outros Sucessos do play: “Domino” e “Take It Off”. Na última faixa, uma homenagem ao saudoso baterista, “Carr Jam ’81”, um antigo solo do músico.

Hora de cair na estrada, mesmo antes do álbum chegar às lojas, em São Francisco, Califórnia, em 25 de abril. Meados do mês seguinte voam para o Reino Unido, com, entre outras, duas datas no estádio de Wembley, em Londres, templo do futebol mundial. Voltam para Canadá/EUA, encerrando a “Revenge Tour” na cidade de Phoenix, Arizona, em 20 de dezembro. Para esses shows, além da pirotecnia, quando executavam “Take It Off” duas modelos seminuas subiam ao palco para desfilarem.

Eric Singer na Kiss Expo, em Limeira (SP)
Exatamente um ano e quatro dias depois do último trabalho o mundo conhecia o terceiro capítulo da saga Alive. Uma comemoração pelos 20 anos na batalha. O CD contém músicas de quase todas as fases, sendo quase metade oriunda dos anos 80. Não emplacou.

Neste ano realizam somente três aparições “on stage”. Não ocorreu bem uma turnê de divulgação de Alive III, e sim alguns concertos, como no Brasil, data única desta vez, no Pacaembu, em São Paulo, em 27 de agosto de 1994, no “Philips Monster Of Rock”, ao lado de Angra, Viper, Raimundos, Dr. Sin, Suicidal Tendencies, Black Sabbath e Slayer. Neste dia, uma parcela do público reclamou a não inclusão do clássico “Rock’N’Roll All Nite” no set list. Porém, bastante coisa antiga se fez presente. Nesta vinda para a América do Sul ainda carimbam o passaporte no Chile e na Argentina.


Ainda no segundo semestre desse ano, o Kiss produz para si mesmo um tributo escolhendo as bandas participantes e as músicas. Em Kiss My Ass podemos ouvir Mighty Mighty Bosstones fazendo “Detroit Rock City”, Extreme com “Strutter”, Garth Brooks tocando “Hard Luck Woman” e Anthrax coverizando “She”, entre outros nomes surpreendentes.

 Sujou de novo?

Tudo tem um princípio. Partindo dessa premissa, pode-se começar a desenhar a reunião da formação original a partir de 1995. Senão vejamos. Dia 17 de junho foi o ponto de partida da “Kiss First Worldwide Convention”, em Los Angeles, como o nome entrega, a primeira convenção com a participação da banda toda. Na turnê, os quatro se apresentam munidos de violões e sem um repertório pré-definido, atendendo assim aos pedidos dos fãs. Voltando especificamente na de Los Angeles, uma ilustre surpresa foi a presença de Peter Criss no local. O antigo batera foi convidado a participar e cantou “Hard Luck Woman”. Não precisa dizer que após rodar os EUA em 23 dias o sucesso foi absoluto.

Curiosamente, no ano anterior, Simmons havia declarado que o Kiss não tinha nenhuma intenção de tocar novamente com Criss e Frehley e que estavam muito bem com o, então, line-up. Entretanto, no curso de um ano, o inevitável convite da MTV para um acústico ocorre e no dia 9 de agosto, no Sony Studios, em Nova Iorque, a banda grava seu programa especial para a emissora. E como era tudo festa, porque não convidar Frehley e Criss para participar? Os dois tocam nas quatro últimas, sendo que Peter escolheu cantar “Beth” enquanto que Ace fez as vezes de vocalista no cover dos Rolling Stones, “2000 Man”, sem a presença de Kulick e Singer. Com a volta de Bruce e Eric para os dois números finais, pela primeira vez o grupo estava com seis integrantes. “Rock’N’Roll All Nite” foi cantada pelos quatro membros originais. Tommy Thayer foi o “production coordinators”.

Problemas entre o canal musical e a banda fizeram com que o MTV Unplugged fosse lançado somente no ano posterior. Nesta época, o conjunto viu um lançamento seu também nas livrarias, o livro Kisstory. Autobiografia contada e autografada pelos próprios.

No Grammy, prêmio musical equivalente ao Oscar, em fevereiro de 1996, o Kiss foi convidado a participar. Porém, não estava nos planos uma aparição da formação original devidamente trajada, como na década de 70. Aí não havia mais como fugir e na coletiva agendada para abril o anúncio oficial da reunião do Kiss com Peter, Ace, Paul e Gene maquiados, prontos para uma turnê, é feito. O palco usado foi inspirado na “Love Gun Tour”. Com essa volta, tempos depois se confirmou a saída de Kulick e Singer.

Como a “Reunion Tour” inicialmente não divulgaria nada, a gravadora resolveu, segundo os líderes da banda, que seria uma boa idéia lançar um álbum. Assim, You Want The Best, You Got The Best saiu em 25 de junho. No CD, quatro músicas de cada um dos dois primeiros Alive e mais quatro “inéditas”, que não entraram nos respectivos duplos, além de uma entrevista com os quatro. Seguindo a tradição, este disco possui inúmeros “concertos”.

Tiger Stadium, Detroit – não por acaso, “Detroit Rock City”, lembra? – foi o local escolhido para o pontapé inicial, três dias depois de You Want The Best... chegar à praça. Ali foi gravado o clipe para “Shout It Out Loud”, o primeiro após o retorno com as máscaras. Dessa vez o “Monsters Of Rock” inglês, em 17 de agosto, coloca o Kiss como atração principal. No restante do cast do festival, nomes como Ozzy Osbourne e Sepultura.

Todos os continentes, por volta de dois milhões de pessoas, viram o Kiss em cerca de 250 apresentações, até julho de 1997. Quanto ao Brasil, bem, nosso país teve que se contentar com a alegria dos hermanos argentinos e chilenos que tiveram o privilégio de vê-los, com o Pantera servindo de banda de abertura. Porém, antes do findar da turnê, a Mercury exigia mais um álbum, o que era inviável por razões óbvias e, também por razões óbvias, selecionam vários clássicos da época de ouro e soltam em 18 de abril Greatest Hits. Nada novo.

Em outubro, já pensando no que fazer dali em diante, decidem liberar Carnival Of Souls: The Final Sessions, álbum gravado, e renegado pela banda, ainda com Kulick e Singer. Na coletiva para a “Kiss Expo”, Eric disse que “Gene, Paul, Bruce e eu estávamos ouvindo muito Alice In Chains, Stone Temple Pilots e Soundgarden, o que rolava na época, e nos deixamos influenciar. Só que não ficou bom”. Apenas Eric e Bruce gravaram os instrumentos devido a Gene e Paul estarem totalmente voltados para a “Reunion Tour”. É Grunge puro. “Acho que ele não é ruim, mas não é um disco do Kiss”, completa Singer. Detalhe: Thayer, produtor executivo em You Want The Best… e Greatest Hits, co-assina “Childhood’s End” ao lado de Kulick e Simmons.

Como o CD ficou arquivado durante um bom tempo, um pirata intitulado Head, com alguns títulos de músicas diferentes e três faixas a menos, chegou ao conhecimento dos fãs por conta de uma fita roubada. Com o Kiss novamente no topo, algo que eles próprios nem pensavam no começo aconteceu: compor um disco novo, após tantos anos. Entre especulações, enfim chega 18 de setembro de 1998 e com ele Psycho Circus. O batera Kevin Valentine (ex-Cinderella), amigo pessoal de Singer e indicado por ele, gravou todas as músicas, menos “Into The Void”, registrada por Criss. Talvez um pedido do próprio compositor, e cantor na faixa, Frehley. Também participaram das gravações Bruce Kulick e Tommy Thayer. Ou seja, o quarteto pouco tocou na bolacha.

Singer, qual você lê?

            O álbum alcança disco de ouro pouco depois do lançamento. O CD também quebra o recorde de Love Gun e atinge a terceira posição nas paradas. “Psycho Circus” instantaneamente vira clássico. “You Wanted The Best” pela primeira vez registra os quatro cantando juntos. Vale conferir igualmente “I Pledge Allegiance To The State Of Rock & Roll”, enquanto que a baladinha cantada por Criss, “I Finally Found My Way”, não alcança bons resultados. Ou seja, tudo que os quatro já fizeram juntos pode-se dizer que está aqui novamente.

            Dessa vez não escapam de um processo de plágio. “Dreamin’”, assinada por Stanley/Kulick, é encarada como “chupada” de “I’m 18”, de Alice Cooper, segundo a Six Palms Music Corp., a editora que detém os direitos da música. Mas, não deu em nada.

Neste mesmo período, lançam a segunda versão da Kisstory, uma nova HQ, Psycho Circus, nome também de um jogo para PC, além de uma série de produtos. Até caixão com o logotipo Kiss criaram.

A turnê iniciou-se no dia de Halloween, 31 de outubro, em Los Angeles. Porém, na data anterior eles aparecem na série de TV Millenium tocando a faixa-título. A mesma passaria pelo Brasil em Porto Alegre, 15 de abril de 1999, e em São Paulo, 17. Além de toda a pirotecnia tradicional, usam efeitos em 3D. Provando toda sua influência, nesse dia, a rádio paulistana Brasil 2000 FM rola Kiss do meio-dia à meia noite, sem parar.

Neste ano chega ao cinema o segundo filme do grupo, Detroit Rock City, que conta a história de quatro fãs que fazem de tudo para ver um show do Kiss. Gravam “Nothing Can Keep Me From You” para a trilha sonora que só não vira clipe porque a película não obteve o sucesso desejado.

Outro fato inusitado foi a edição de março de 1999 da revista Playboy norte-americana trazer Gene Simmons na capa acompanhando jovens usando apenas a maquiagem da banda.

Em junho, Frehley, ao vivo para uma rádio de Nova Iorque, anuncia que a formação mascarada acabaria. Muito sufoco para desmenti-lo. A verdade é que em março de 2000 eles dão a largada à “Farewell Tour”, a dita de despedida com o lançamento de Alive IV, contendo músicas dos anos 80 no set list. A turnê acabou, a banda não e o álbum não saiu.

            Shows marcados para Austrália e Japão em março e abril de 2001. Porém em janeiro Criss não concorda com os valores da renovação de seu contrato e abandona o barco. Para seu lugar veio Eric Singer, usando inclusive a máscara de gato. Ano passado foi a vez de Frehley deixar o quarteto. Agora a revelação do porquê de tantas vezes o nome Tommy Thayer aparecer neste texto: ele assumiu a guitarra e a máscara de Ace.

        Quase todo conjunto importante possui uma caixa. Assim Kiss: The Box Set foi lançado em novembro de 2001, contendo cinco CDs e um livro de 120 páginas, abocanhando disco de ouro.

Stanley, Simmons e Singer gravam “Do You Remember Rock’N’Roll Radio” para o tributo ao Ramones, We’re A Happy Family. “Eu também fiquei muito surpreso com isso, pois Gene e Paul não são fãs de Ramones. Como bandas grandes participariam, como Red Hot Chili Peppers, Metallica, eles acharam que poderia ser legal se participássemos também”, afirmou Singer na “Kiss Expo”. O disco foi editado este ano.

O contrato com a Mercury previa mais um trabalho, assim, no segundo semestre, chega às prateleiras The Very Best Of. Nada a acrescentar. O conjunto deixa a gravadora.

Criss reassumiu as baquetas e tocou, em 28 de fevereiro deste ano, na Austrália, no show com a Orquestra Sinfônica de Melbourne, que contou com 60 músicos usando a maquiagem da banda. Essa apresentação virou o CD The Kiss Symphony: Alive IV e um DVD. Este play marca a estréia do selo do próprio grupo, Kiss Rec., parceria com a Sanctuary. No Brasil, após um relativo atraso a BMG o lançou.

            Paralelamente a esse duplo ao vivo, a Mercury solta outra compilação, 20th Century Master, em maio. A partir de agosto, nova turnê, agora abrindo para o Aerosmith. Enquanto isso, Gene Simmons, Paul Stanley e Peter Criss planejam álbuns solos. Ufa, como 30 anos passam depressa.

domingo, 3 de dezembro de 2023

TERMINOU: KISS, a dinastia do rock

 

FOTO: Divulgação

Dark strong ale

A banda estadunidense de hard rock Kiss fez seu último show - caso não mudem de ideia pela segunda vez - nessa sexta-feira, dia 2 de dezembro, no Madison Square Garden, em Nova Yorque, onde tudo começou. Se bem que a partir de agora vão adotar o formato avatar... Não é segredo para ninguém o quanto sou fã do quarteto. Tem matérias aqui no blog SP&BC, no canal do Youtube e outras mídias ao longo da minha carreira.

Mas uma é muito especial. Trata-se do que você vai ler a seguir. Já é sabido que estou disponibilizando todos os meus trabalhos do período em que fui colaborador da Revista Valhalla (2003-2007). Na primeira edição em que meu nome apareceu nos créditos, a #21, havia essa Biografia sobre os mascarados de NYC.

É um trabalho que me dá tanto orgulho que por isso escolhi uma Dark Strong Ale para acompanhar enquanto o releio junto com você - sim, não mexi uma vírgula sequer para não perder nenhuma característica, mesmo que "datada". Sobre a cerveja, bem, é a minha favorita, altíssimo teor alcoólico, 10%, uma bebida elegante para uma ocasião idem.

A Bio foi uma seção da Valhalla Metal Magazine - tempos depois passaria a se denominar Rock Hard/Valhalla - e foi dividido em duas edições, o que também estou fazendo aqui. Significa então que a segunda vai obedecer a ordem cronológica de textos  imposta ao projeto. Naturalmente precisaria de uma terceira parte para completar essa carreira - aqui cobre-se "apenas" as três primeiras décadas, mas dependendo da aceitação posso atualizar.

Antes de iniciar, vale dizer que na Amazon você encontra muito material de hard rock, inclusive tem uma listinha com CDs até R$ 50. Clica aqui e dá uma conferida. Boa leitura, saúde!!

 

KISS: 30 anos de sexo, Rock’N’Roll e muito mais

Texto: Vagner Aguiar

Responda depressa: Quantas bandas você pode enumerar com 30 anos de existência e ainda na ativa? Difícil, certo? Daí a conclusão de que não é fácil aguentar firme três décadas na batalha. Dessa forma, nada mais justo que um desses representantes ganhe um espaço nesta seção digno de sua importância, ou seja, a “Biografia” do Kiss ocupando duas edições da sua revista favorita. E a primeira parte você acompanha a partir de agora.

Quero ser rockstar!

Haifa, Israel, 25 de agosto de 1949. Local e data do nascimento de Chaim Witz, filho de mãe húngara vinda de um campo de concentração nazista e pai carpinteiro. Nove anos mais tarde, esse então garoto muda-se juntamente com sua mãe divorciada para os Estados Unidos, onde é rebatizado, atendo a partir daí como Eugene Klein, futuro Gene Simmons.

Fã de história em quadrinhos, desenhos animados e filmes de gêneros como terror e ficção científica, ao presenciar os Beatles na TV, em 1964, decide-se pela profissão de músico, apesar de ter-se formado como professor de línguas, pouco depois. Na luta por uma banda, conhece Steve Coronel. Tornam-se parceiros. Coronel conhecia um guitarrista que acreditava ser a pessoa ideal a ocupar o posto que faltava. Porém o baixista Klein e o futuro guitarrista, Stanley Harvey Eisen (20/1/52), mais adiante Paul Stanley, se estranharam duas vezes antes de toparem trabalhar juntos.

A matéria em duas páginas da revista

O primeiro nome escolhido foi Rainbow, no fim de 1970. Entretanto, logo mudam para Wicked Lester. Sob este último epíteto, gravam uma demo que despertou o interesse da Epic em vê-los ao vivo. Esse contato serviu apenas para os chefões do selo pedirem a cabeça de Coronel por achar que seu visual não combinava.

Diz a lenda que, em maio do mesmo ano, a dupla central viu um show do pré-Punk/Glitter New York Dolls, o que norteou todo o conceito da maquiagem. A inspiração para isso também veio de todo o restante dessa mesma onda Glitter, T-Rex, Alice Cooper e outros, além do que Simmons costumava ler/assistir quando menino. Outra lenda reza que Gene foi influenciado pelos Secos & Molhados nas “make up”.

Numa edição de abril de 1972 da revista Rolling Stone, Peter Criscoula (20/12/1947), mais tarde Peter Criss, anuncia algo mais ou menos assim: “Baterista com 11 anos de experiência procura banda disposta a qualquer coisa pelo sucesso”. Mediante tal entusiasmo, Simmons e Stanley convidam o músico para fazer um teste, no qual é aprovado.

Com a banda já completa partem para mostrar novas músicas para a Epic. Nesse início, não tocavam covers, já que, segundo Stanley, para a MTV, como não tinham “dinheiro para comprar discos o jeito era compor músicas. ‘Firehouse’, por exemplo, foi baseada em ‘Fire Brigade’, do inglês The Move, por tê-la ouvido”. Material recusado.

O trio tinha a consciência de que precisava de uma guitarra solo, assim, através de anúncios, marcam uma audição para janeiro de 1973 quando surge uma legião de aspirantes ao cargo. Bob Kulick estava quase aceito, só que o visual – de novo – não ajudava. Paul Daniel Frehley (27/4/51) entrou atrasado já ligando sua guitarra no amplificador. Para que os testes ficassem completos, o trio tocaria “Deuce”, composta pelo baixista, onde Frehley teria que encaixar um solo. Moleza! O emprego era dele, precisando apenas mudar de nome devido haver outro Paul no grupo. Identicamente fácil, só usar um apelido de infância: Ace.

Desse modo se formou a primeira encarnação do Kiss, nome sugerido por Stanley. Nada a ver com Garotos A Serviço De Satã, como foi divulgado no Brasil nos anos 80, era “beijo” mesmo. Ace Frehley, chegado em artes, desenhou o logotipo.

A estréia em palcos ocorreu no Coventry, na cidade natal Nova Iorque, em três datas, de 30 de janeiro a 1o de fevereiro. Menos de cinco pessoas testemunharam cada apresentação dessas. Neil Bogart, dono do então novíssimo selo Casablanca, recebe uma demo do igualmente então novo conjunto. Impressionado, vai assisti-los de perto em agosto de 1973. Garantidos por uma gravadora, a hora de registrar o tão sonhado LP chegava.

Gravado em NYC, em outubro do mesmo ano e lançado em fevereiro de 1974, Kiss já abre com uma composição da dupla Stanley/Simmons: a clássica “Strutter”. Outras poderosas: “Firehouse”, “Cold Gin”, “Deuce” e Black Diamond”. O álbum vendeu devagar, não sendo nenhum estardalhaço, mas até que foi bem ficando entre os 100 da parada.

A foto da capa – uma leve troca de posição e a escandalosa influência de With The Beatles, dos Fab Four – apesar de trazer as quatro caras pintadas mais manjadas da história do Rock com seus respectivos personagens, mostrava que Gene (Demon), além de estar “guardando sua língua” para mais tarde, teria alguns retoques a fazer e que Peter (o Gato, por acreditar ter sete vidas), que somente dessa vez usou um maquiador profissional – eles mesmos cuidam disso –, ficou, digamos, bem diferente da forma conhecida. Paul (Starchild, a estrela no olho fazia referencia ao seu desejo pelo sucesso) e Ace (Space-Ace, o homem que veio do espaço) já possuíam seus traços definidos.

No mesmo mês de fevereiro ocorre o primeiro show fora de Nova Iorque, em Edmonton, Alberta. Por falar em show do Kiss, algo além da música, que sempre é alta, pesada e enérgica. Explosões, bateria levitando, Gene cuspindo fogo e queimando o cabelo várias vezes até acertar o truque, além de vomitar sangue, a guitarra de Ace soltando fumaça enquanto que a de Paul era quebrada no fim do set: isso era uma apresentação do quarteto. Ninguém ousava tanto.

Com a idéia de que poderiam melhorar partem para Los Angeles a fim de gravar o sucessor do debut. Hotter Than Hell chega ao mercado em outubro do mesmo ano. O que mais chama a atenção é uma parceria entre Simmons/Coronel, na faixa “Goin’ Blind”, a primeira quase balada da banda. Registro de clássicos: “Got To Choose”, “Parasite”, “Watchin’ You” e “Let Me Go, Rock’N’Roll”.

A capa indicava algo como “já conquistamos o Japão”, o que não era certo ainda. Os números mostravam uma certa melhora nas vendas, porém nada de alarmante. Mas os shows começavam a lotar, espalhando a fama rapidamente.

Capas das #21 (frente) e #22

Agora vai…

A turnê da estréia emendou com a do segundo trabalho. O dono da Casablanca resolve tomar as rédeas e interrompe a “Hotter Than Hell Tour”, achando que devido a alguns singles se tornarem hits nas rádios, o momento de gravar o terceiro álbum era aquele. Apenas um ano após o LP auto-intitulado, a banda se encontrava num estúdio nova-iorquino novamente. O patrão Bogart, responsável direto por alguns sucessos de outros nomes, assume a produção e “sugere” um hino aos quatro. Stanley: “O presidente de nossa gravadora disse que precisávamos de uma música que expressasse nossa filosofia, que deixasse a galera louca e com a qual ela pudesse se identificar. Eu tive a idéia do refrão ‘I wanna rock’n’roll all night and party everday’ e o Gene fez o resto. Foi assim que ela surgiu”. O hino em questão é “Rock’N’Roll All Nite”.

O mercado conheceria Dressed To Kill em 19 de março de 1975, lançado num show em North Hamptom, na Pensilvânia. Na bolacha, temas dos tempos de Wicked Lester: “She”, escrita por Simmons/Coronel e “Love Her I Can”, composta por Paul. Outros clássicos são “Rock Bottom” e “C’mon And Love Me”. Na foto da capa, feita por Bob Gruen, que já havia dirigido o vídeo “Looking For A Kiss”, dos New York Dolls, os quatro trajando ternos. Beatles na cabeça. Claro que as botas plataforma estavam lá. Já que citamos “vídeo”, o conjunto ganhou o direito de fazer seu primeiro clipe, claro, da sua mais famosa cria, “Rock’N’Roll All Nite”, extraído de um concerto.

As vendas, apesar de aumentarem um pouco, ainda não seriam uma coisa, digamos, extraordinária, porém os shows sempre lotavam. Partindo deste raciocínio, não seria difícil supor que o estouro poderia vir de um álbum ao vivo. Alive! estréia na praça em setembro de 1975 e vende como pipoca em sessão de cinema, por volta de nove milhões de cópias. Alcança a nona posição na parada da Billboard, especializada em paradas, sendo o primeiro Top Ten! É deste duplo a versão imortalizada de “Rock’N’Roll All Nite” que você ouve em quase todas as coletâneas, afinal, o single chegou ao topo das paradas no começo do ano seguinte. Para a produção foi contratado Eddie Kramer (Jimi Hendrix, Led Zeppelin). Há, aqui, acusação de uso de overdubs.

A agenda sempre lotada tomou os Estados Unidos de assalto de uma vez por todas. No final do ano, o selo editou uma caixa contendo os três discos de estúdio intitulada The Originals.

Depois da consagração, a tarefa mais difícil é se manter no alto. Sem problemas, pois o LP seguinte, Destroyer, com algumas “experimentações”, lançado em março de 1976, é um dos mais importantes álbuns, senão o mais, da banda até hoje. Novamente o produtor foi trocado e Bob Ezrin (Alice Cooper) assumiu. Ele até co-escreveu alguns dos clássicos: “Detroit Rock City”, “King Of The Night Time World”, “Shout It Out Loud”, “Beth” e “Do You Love Me”, além de “Great Expectations” e “Flaming Youth”.

Outro marco alcançado com esse disco foi estrear seu concerto fora do país de origem. Isso ocorreu na Inglaterra, em Manchester, dia 13 de maio. Uma apresentação obrigatória foi no famoso Hammersmith Odeon, em Londres, dias 15 e 16. A turnê ainda percorreu Alemanha, França, Holanda, Suécia e Suíça antes de retornar à terra do Tio Sam.

A balada “Beth”, de Peter Criss, atinge o sétimo lugar nas paradas com um milhão de cópias vendidas. É o primeiro single do grupo a ganhar disco de ouro. A banda atinge a popularidade máxima. A força do Kiss Army, o Exército do Kiss, como são chamados os fãs do quarteto, aumentava consideravelmente. Segundo os músicos, o “exército” é devido à fidelidade, facilmente observável até hoje.

Mas, mesmo Destroyer sendo um sucesso absoluto – tempos depois ganharia a platina – o grupo decide voltar à formula antiga no novo trabalho. Rock And Roll Over, editado em 11 de novembro de 1976, vende um milhão de cópias, o que significa o primeiro disco de platina. O single “Hard Luck Woman” atinge a 11ª posição nos charts. Nesse clipe, Criss é o que mais aparece, aliás, pode-se dizer que somente ele aparece. Eddie Kramer volta à produção. Outros clássicos: “I Want You”, “Calling Dr. Love” e “Making Love”.

Como curiosidade, vale o registro que Lester Bangs, um dos maiores jornalistas ligados ao Rock do mundo em todos os tempos, meio que dando uma de profeta, classificou o álbum como “grunge” devido a faixas como “I Want You” e “Making Love”. Esse disco levou a banda pela primeira vez ao Japão. O giro por aqueles lados começou com duas datas em Osaka, 24 e 25 de março de 1977, e encerrou-se com mais quatro na capital Tóquio. Recordes de público foram batidos.

A rotina não cessava e em 30 de junho de 1977 Love Gun chega às lojas contendo preciosidades como o tema-título, “I Stole Your Love”, “Christine Sixteen” e “Plaster Caster”, além de “Shock Me” marcar a estréia de Frehley nos vocais. Com este trampo, a banda chega ao quarto lugar nas paradas, recorde que durou 20 anos.

A concepção do show da “Love Gun Tour” fora muito importante, como veremos mais adiante. A turnê percorreu boa parte dos Estados Unidos e alguns lugares do Canadá, o que significou uma união de turnês natural, já que em novembro nascia Alive II. Este segundo duplo ao vivo trazia cinco músicas inéditas no lado “B” do disco dois.

A parte que dá nome ao trabalho foi gravada em três datas, de 26 a 28 de abril do mesmo 1977, no Forum de Los Angeles. Porém, “Beth” foi extraída de uma apresentação no Japão. Mais duas acusações: overdubs e a primeira vez que um dos próprios integrantes não grava. Não se sabe por que, mas Ace, segundo consta, tocou apenas em “Rocket Ride”, composta por ele, ficando a cargo de Bob Kulick o restante da parte de estúdio.

O semestre inicial de 1978 agendou mais cinco concertos em Tóquio, de 28 de março a 2 de abril, encerrando as apresentações daquele ano. Nessa época, editam o debut em coletânea, Double Platinum, obviamente comemorando a platina dupla conseguida com os oito álbuns anteriores.

Apesar de todo o sucesso, o clima entre o quarteto não era dos melhores. Devido a desavenças, surge a decisão inusitada de lançar quatro trabalhos solos, ou seja, cada membro gravaria suas músicas, da forma e com quem quisessem e com o respaldo do nome Kiss grafado na capa. Esse projeto conheceu o mundo em outubro e entre os músicos convidados, Kulick tocou no de Stanley e Anton Fig (D) no de Frehley. Musicalmente, Ace se saiu melhor – dos quatro singles lançados, um de cada disco, “New York Groove”, do guitarrista obteve melhores resultados –, mas Simmons vendeu mais LPs. Por sinal, juntos eles venderam cinco milhões de cópias. Quase no fim do ano, a Casablanca editou The Best Of The Solo Albuns.

No mesmo ano, saiu a estréia cinematográfica Kiss Meets The Phantom Of The Park. Feito para a TV, o filme eleva os mascarados à condição de super-heróis para enfrentar um vilão cientista que justamente quer substitui-los por réplicas. Outro episódio além da música foi o lançamento da revista em quadrinhos da banda, onde a tinta vermelha usada foi misturada com o sangue dos quatro.

Como se os problemas internos não bastassem, a gravadora insiste numa atualização no som. No meio da onda Disco, sai Dynasty, no ano seguinte. “I Was Made For Loving You”, trilha da película Amor Sem Fim, é um claro exemplo dessa “influência”. O single é o primeiro a atingir o topo das paradas na Europa. No clipe, a guitarra de Frehley mais parece um globo de luz. Boatos dão conta de que Fig gravou algo.

FOTO: VA - Eric Singer

Resultado inédito: a turnê, iniciada em 15 de junho, em Lakeland, na Flórida, dá prejuízo. As apresentações continuam nos Estados Unidos até o fim do ano.

A música comercial ainda ditava a sonoridade do grupo. A próxima bolacha, Unmasked, de junho de 1980, também insinuava que algo iria mudar, afinal a capa mostrava uma história para desmascarar o Kiss, relacionada com o título do LP. Desta vez, Fig grava todas as partes de bateria, porque Peter já estava fora da banda, mas por questões de contrato, o Homem Gato aparece no encarte. Anos mais tarde, numa Kiss Convention, o baterista disse que o problema começou já em 1978 e o dinheiro que ganharam ajudou na falência da formação original.

Voltando ao disco, Kulick ajuda a compor “Naked City”. Para lembrar, “Shandi”. As vendas caem, entretanto continuam num patamar de respeito. Prova de fidelidade dos fãs.

Como Anton Fig era um músico de estúdio, o conjunto decide contratar um novo baterista. Paul Charles Caravelo (12/7/50) fica sabendo através de um amigo que o Kiss precisava de alguém para ocupar o banquinho no lugar de Criss. Teve pouco tempo para juntar todo o material que precisava. Por sorte conseguiu entregar no prazo e assim que entrou no estúdio, em junho de 1980, para o teste, pediu autógrafos. “Poderia não vê-los mais”, justificou. Nesta audição, sua tarefa foi executar “Black Diamond”, “Strutter”, “Detroit Rock City”, “Firehouse” e “Is That You”. Não demorou e seu telefone tocou confirmando sua contratação.

O próximo passo era escolher uma “nova cara” e um outro nome. Eric Carr teve sua primeira maquiagem, de Falcão, recusada. Optou então pela Raposa. “Sou muito esperto”, explicou na época.

A estréia do novo integrante nos palcos ocorre no Palladium, em Nova Iorque, em 25 de julho. Depois da Europa, era a vez do Novíssimo Mundo ver o Kiss ao vivo, com datas na Austrália e na Nova Zelândia fechando a “Unmasked Tour”. Por sinal, a Nova Zelândia, em 30 de dezembro, seria o palco do derradeiro show de Frehley com o Kiss.

Os tempos estavam difíceis e o jeito foi dar uma pequena pausa para compor um novo trabalho. As mudanças continuavam e agora seria na forma de um álbum conceitual, intitulado Music From The Elder, editado em novembro de 1981, versando sobre um menino escolhido para lutar contra as forças do mal. A recepção foi tão ruim que nem turnê para divulgá-lo foi agendada. Até hoje é o único título a não conseguir disco de ouro.

O debut de Eric Carr em estúdio contou com a colaboração de Loud Reed (ex-Velvet Underground) na composição de três faixas: “Dark Light”, “Mr. Blackwell” e a mais famosa “A World Without Heroes”, cujo clipe mostra Simmons, The Demon, derramando uma lágrima. O papo de que é um bom álbum, mas não um do Kiss é repetido até hoje pelos responsáveis pela obra.

Na esperança de manter o nome, digamos, num bom patamar, porém sem material novo suficiente para um full lenght, o jeito é apelar para mais uma coletânea. Killers, na praça em maio de 1982, trazia curiosidades. Começando pela capa, a alteração dos “SS” do logotipo para não parecer nazista – a compilação não foi lançada nos EUA. Os quatro temas inéditos não contaram com o instrumento de Frehley e sim o de Kulick. Assim ficava claro que Ace já não mais se entendia com Stanley e Simmons.

Dois meses mais tarde o grupo entra em estúdio para gravar o novo trabalho Creatures Of The Night. As partes que caberiam a Frehley foram divididas entre Bob e Vincent Cusano (6/8/52), mas a participação de nenhum dos dois está creditada. Com relação à composição das músicas, Cusano co-escreveu “Killer”, a clássica “I Still Love You” e a ultraclássica “I Love It Loud”.

Em Creatures..., no mercado a partir de 10 de outubro de 1982, a sonoridade trazia mais mudanças, sendo agora mais pesada. Apesar de não estar mais na banda, Ace Frehley ainda aparece na capa e no clipe de “I Love It Loud”. Por acaso alguém já percebeu que após o solo de Paul aparecem “do nada” dois cinegrafistas? Na contracapa, uma homenagem a Neil Bogart morto naquele ano. Problemas de imagem fizeram com que o relançamento desse disco, em 1985, tivesse uma foto diferente na capa com Bruce Kulick, que ainda não estava no conjunto. Outros clássicos: “War Machine” e a faixa-título. Embora as vendas sendo boas, bem melhores que as dos dois anteriores, deixou a desejar.

Como Ace não voltou atrás, a solução foi efetivar Cusano, agora Vinnie Vincent. Stanley sugeriu a máscara de Vincent, a esfinge, um pouco diferente do estilo das anteriores. A turnê iniciou-se em 10 de dezembro em Dakota do Norte e percorreu EUA e Canadá até abril do ano subseqüente. Em junho, o Brasil tinha a oportunidade de vê-los ao vivo numa passagem marcante, em três datas. No Maracanã, dia 18, no Rio de Janeiro, o maior público da vida do Kiss: quase 250 mil pessoas. O próximo espetáculo foi no Mineirão, em Belo Horizonte, dia 23, e, finalmente, dia 25, no Morumbi, em São Paulo, o último show de cara pintada. Naquele concerto, outro fato histórico: somente dessa vez a banda repetiu uma música num set, pois os mais de 80 mil fãs se esgoelaram para pedir novamente “I Love It Loud”. Continua.