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domingo, 19 de setembro de 2021

FAIXA A FAIXA: Gueppardo, a música é a lei

FOTO: Divulgação

Strong

A breja Strong é uma cerveja complexa. Normalmente, elas são refermentadas na garrafa, muito efervescente e com uma espuma densa e cremosa. Essas qualidades combinam perfeitamente com o novo álbum dos gaúchos do Gueppardo, I am the law, com seus temas marcantes.

O disco conta com oito faixas que até não estão tão na cara dos anos 1.980 quanto os dois antecessores, mas ainda assim nos remete ao bom e velho hard/heavy dos bons tempos. Destaco a Beyond and far, When I'm gone e a faixa-título.  

SP&BC conversou com o baixista Rafael Yadek, através de um aplicativo de mensagens, em que o músico nos passou algumas informações importantes sobre o trabalho e o momento do quarteto.

Antes de continuar, é preciso esclarecer de que não se trata de uma entrevista propriamente dita, tanto que aqui contém a opinião do blog sobre o lançamento. Porém, sim, trata-se da estreia de um novo quadro por aqui, o Faixa a Faixa. E os próprios responsáveis pela obra comentam sobre as composições.

A formação do Gueppardo sofreu algumas mudanças desde a última vez deles no blog (leia aqui). "Tivemos duas mudanças de lá pra cá", explica Yadek. Thiago Gutierres registrou os vocais do recente petardo enquanto que na "bateria tivemos uma rápida passagem de Julio Sasquatt que gravou o disco", saindo pouco tempo depois. Em seu lugar, atualmente, está Lucas Rodrigues. Na guitarra, claro, segue Pery Rodriguez.

O CD saiu através de uma parceria dos selos Dr Rock, Hurricane e Metal on metal, da Espanha. E, caso o fã queira procurar os três títulos editados da banda nas plataformas digitais sentirá falta do anterior, que saiu pela Classic Metal. Pelo menos por enquanto. São "questões de direitos autorais, mas isso já foi resolvido e logo subiremos o Execução Sumária (2.019), também", disse o baixista.

"Outro motivo foi que quisemos dar ênfase ao novo trabalho que consideramos nosso melhor disco até agora", explica o músico, algo que SP&BC concorda plenamente. Afinal, as músicas se apresentam mais maduras, consistentes e com riffs mais "na cara".

Yadek comemora "os feedbacks positivos sobre a produção do Sebastian Carsin, com quem a banda sempre gravou e produziu todo seu material", além da do público que, igualmente, aprovou o álbum. 

"Temos agendadas algumas datas", responde o músico sobre os planos para o futuro próximo que reserva dois shows em Assunção, no Paraguai, "pela primeira vez", nos dias 1 e 2 de outubro. "Também filmaremos mais videoclipes para músicas do disco I Am the Law. Paralelamente a isso, seguimos trabalhando em novas composições para o álbum seguinte. E claro, somos uma banda que gosta de tocar muito ao vivo, então estamos aguardando com paciência que essa pandemia cesse para poder voltar a pegar estrada para nos apresentar por aí o máximo que der".

Faixa a Faixa - I am the law

Hora, então, de abrir nossa cerveja e conferir o Faixa a Faixa do novo trabalho da banda de Porto Alegre (RS) Gueppardo. Thiago Gutierres (v) foi quem comentou cada uma das músicas:

"Beyond and far é uma continuação de Fronteira Final (2.017) em estilística e motivo. Fala da união entre todos os rockers e as lembranças da luta diária. Juntos somos mais fortes!"

"I am the law fala sobre liderança, a força que o Metal impera. Fala também sobre o despertar de todo o poder que temos dentro de nós. Invencível, desbravador, libertador. Eu sou a lei, nós somos a lei".

"Price to pay fala da coragem e força que precisamos ter após cada queda. Às vezes, precisamos deixar que as coisas tomem seu rumo, mas não perder o controle. Cada vez nos esforçamos mais e mais, lutando cada dia. Tem ligação direta com Beyond..., mas aqui ao invés de a batalha coletiva é sobre a pessoal".

"When I’m gone trás à tona a incerteza que a paixão cria. A não reciprocidade, a rejeição, o orgulho e o medo do fogo se apagar de um dia para o outro. É o clássico momento em que notamos que amamos algo ou alguém só após ter perdido".

"Forgotten Dreams fala dos amigos perdidos mundo afora e dos sonhos não realizados. Da luta para manter a esperança viva em realizá-los e poder cruzar todas as estradas para o show continuar".

"Lights of freedom é uma carta de amor velada a beleza da noite na cidade e na estrada. Antes de um show, parar e observar as luzes das metrópoles pode ser inebriante e o brilho delas na paisagem nos liberta".

"Midnight city é o momento de apostar, de não fazer cerimônias, e lembrar que o Metal pode nos levar aos extremos, sejam eles bons ou ruins. Fala de libertar sua rebeldia, das insanidades da vida noturna, e das marcas que a estrada nos deixa".

"End of the line não é o fim da linha. É uma mensagem. É um grito de guerra para todos se levantarem e fazerem sua parte na luta contra um sistema que tenta nos controlar, sutilmente, a cada dia. Mas assim como no início do álbum Beyond... nos lembra de que somos mais fortes juntos, End.. pede para ouvirmos a voz que clama dentro de nós para não ficarmos mais parados e atacar com muito Metal".

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Rock gaúcho underground


Rock, cerveja, putaria e churrasco, a receita do Cartel

APA



Imagine o Tankard, banda de thrash metal alemã que fala sobre cerveja. Poderíamos até sugerir que seria uma que encara bem o espírito do blog SP&BC. Entretanto, uma formação oriunda de Porto Alegre (RS), denominada Cartel da Cevada, é a bola da vez - embora aqui ficamos somente entre cerveja e rock, bem explicado.

Com um som rasgado, sujo e adicionando elementos regionais, para situar o amigo rock'n'roll, mal comparando, seria como se o Carro Bomba ao seu estilo cantasse letras feitas pelas Velhas Virgens e adicionasse o tema churrasco.

Na estrada desde 2.004 e atualmente contando com Igor Assunção, vocal e guitarra, Nando Rosa, guitarra, Leo Bacchi, baixo, Alberto Andrade, bateria, e Santto Nerva encarando uma fantasia de "O Diabo", o Cartel da Cevada foi uma das atrações do River Rock (leia aqui), de Indaial, em setembro último.

Após o show, nós - entenda Programa Lendas do Rock - fomos bater um papo com o líder do grupo, Igor Assunção para conhecer mais sobre mais esse nome do nosso rico underground. Ah, devido às circunstâncias, as tradicionais perguntas sobre qual cerveja combina com determinada banda ficaram de fora. Porém a que recomendei, na verdade, é a opinião do entrevistado.


Fazer som autoral no Brasil.
Cara, tem que se desdobrar, não é fácil. Mas fazemos o que amamos, o que compomos. É um estilo de vida. Por que tocamos? Nem sabemos exatamente, a palavra é amor mesmo. É bem difícil, temos que nos reinventar o tempo todo, nos aperfeiçoar e conseguir recursos para conseguir gravar os discos. Nesse mais recente, Cartélico Volume 1: Fronteira, trago e querência, tivemos apoio da Secretaria de Cultura de Porto Alegre. Para isso fizemos um projeto que foi aprovado. Para lançar tivemos uma "vaquinha virtual", o crowdfunding. E todo valor de merchandising que a banda tem foram os fãs que nos ajudaram. Da mesma forma, no final do ano passado gravamos um DVD e o custo para gravá-lo foi [outra] "vaquinha virtual", afinal, o Brasil não é o pais do rock’n’roll. É um país de varias outras coisas, mas com certeza não é do rock’n’roll e nem do metal. No entanto somos felizes pelos fãs que temos.
Política é importante, mas o Cartel da Cevada é para se divertir

Letras.
Quando começamos, na época do primeiro disco, éramos uma gurizada tocando sobre festa, putaria, cerveja, churrasco, que era o que fazíamos para nos divertir. Nos outros trabalhos fomos amadurecendo e criando uma outra identidade. E sempre brincamos com o sotaque gaudério [N. do R.: algo como gaúcho de nascença], na maneira de contar as histórias, os contos, "causos" etc. E nesse álbum mais recente há alguns conflitos psicológicos. Algumas criticas que não são nem veladas à sociedade em que vivemos. Sempre prezamos pela cerva com os amigos, rock, pelo churrasco porque a vida é muito sofrida. Claro que nos importamos com a situação política, mas o som do Cartel é para as pessoas se divertirem, extravasarem.

Rock gaudério?
Nos chamam de rock bagual [N. do R.: do Sul do Brasil]. Já nos chamaram de rock gaudério, rock gaúcho. Fazemos rock’n’roll mesmo, sujo, pesado, "bagaceira"; tentamos nos divertir.

Não tocar em rádio.
Em um cenário mainstream não temos espaço. Ainda existe o jabá. O mercado é dividido assim. Querendo ou não, é um negócio e se a pessoa tem grana para investir em seu negócio, ok. No independente gaúcho a galera é muito antenada com o marketing digital, internet e trabalham bem. Tivemos que aprender, nos adaptar, pois fazíamos de um jeito, mudou, enfim. Tem rolado, sem muito investimento, afinal são os fãs que nos ajudam. E temos algumas bandas excelentes como Catarse, Ácida, do Rio Grande do Sul, que trabalham bem isso. A estrada é muito importante, haja visto o [festival] River hoje, que estava lotado. Muito bom, principalmente essa união de todas as tribos.

Cerveja.
Uma IPA ou APA bem amargas, de preferência. Inclusive produzimos duas cervejas, uma IPA, chamada A Barbada, e uma American Salt Pale Ale, a Fronteira, uma homenagem ao título do nosso novo disco que se chama Fronteira, trago e querencia. Nos aventuramos nesse universo cervejeiro fazendo umas cervas. Vou mandar umas para o blog para você provar [N. do R.: estamos esperando].