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quinta-feira, 12 de agosto de 2021

REVIEWS: Pandemia no Brasil

Russian Imperial Stout

Antes de iniciar vamos a uma breve explicação. Já faz algum tempo que não temos um texto novo aqui no SP&BC. Fato é que a vida ficou mais corrida por motivos particulares. De todo modo, o blog não vai morrer, pelo contrário, mas a periodicidade está complicada. Assim, vamos encurtar os comentários para falar de mais bandas e aproveitar o tempo. E, também, todos sabem que se é comentado aqui significa que o SP&BC aprova.

Assim como para apreciar essas obras abri uma breja Russian Imperial Stout, com aromas de cacau e café e espuma cremosa persistente. Uma cerveja forte, da família das poter, com maltes tostados, que combina perfeitamente com os CDs que vamos falar.

Começando pelo sensacional novo álbum da Dorsal Atlântica que já nasceu clássico! Pandemia, feito na base do crowdfunding, em que se arrecada verba junto aos fãs visando o lançamento, é conceitual e trata do atual momento em que vivemos aqui em nosso país, afundado não somente pela pandemia global do novo coronavírus, mas também pela política e na, digamos, falta de boa vontade de boa parte da população.

O som é aquele metal pesado com muito bom gosto e as letras, bem, mais claras impossíveis. Provocante. Rebelde. Direto. Enfim, Carlos Lopes soltou o verbo que estava entalado em sua garganta e nos refletir sobre tudo o que está a nossa volta. É para pensar, entender e curtir. O disco conta com uma arte gráfica primorosa e com capa dupla.


 

Fabiano Negri - Reborn

O multi-instrumentista campineiro de hard rock Fabiano Negri (ex-Rei Lagarto, entre outros) colocou no mercado, via Big Can, a segunda parte de Reborn e, portanto, fomos brindados a nos deliciar com mais um CD, agora completo com ambas as partes, de qualidade acima da média. Ambos estão nas plataformas digitais.

Achei a primeira parte levemente superior, no entanto, ao ouvir as 11 faixas como um trabalho único, o que de fato é, percebe-se um direcionamento coeso e que demonstra que o músico tem muita lenha para queimar ainda. Aposentadoria só aos 65 anos, hein.


Freesome - Get me goin' (single)

Keep on naked foi um bom EP editado lá em 2018 pelo Freesome. Se a pandemia não tivesse atrapalhado, possivelmente teríamos um novo disco do quinteto, contudo, mesmo com as dificuldades impostas pelo momento atual, a banda não se intimidou e soltou este single, uma música divertida, daqueles rocks tipo arena. 

Freesome
Bom pegar uma Weiss e colocar Get me goin' para rolar na sua plataforma digital favorita. E que logo venha o próximo EP. O aperitivo foi aprovado!

 

Voodoo Shyne - Instinct me / Through her womb (singles)

Já o Voodoo Shyne está com dois excelentes singles novos, Instinct me e Through Her Womb (para ouvir clique aqui), também disponíveis nas plataformas digitais. A segunda, a mais nova, é uma balada, em que o próprio música a classificou como o "Black Sabbath encontrando Pink Floyd no Planet Caravan". Acho que podemos ficar com essa descrição.

Outros trabalhos que pintaram por aqui e agradaram bastante. O já veterano Brave, com The Oracle, algo que vai na linha do power metal. A faixa título é uma das melhores do disco. Cuidado para não ficar com ela na cabeça devido a seu refrão grudento. Muto bom!

O Warshipper, faz death metal, que não é bem a minha praia, mas Barren... tem lá seus atrativos. Caso idêntico ao Hammathaz, que demonstra muita garra em The-One. Apoie nossa cena, curta, compartilhe, espalhe para os amigos. E não fique ouvindo somente os clássicos, pois ainda há novas bandas ou nomes que ainda não são conhecidos, mas que produzem excelentes títulos.

domingo, 21 de fevereiro de 2021

Que aposentadoria, que nada - Fabiano Negri mais ativo que nunca


Munich Helles

Bem maltada, cor dourada, amargor equilibrado e sutil, a Munich Helles foi escolhida para essa audição pois, como surgiu em 1895, claro, na Alemanha, para concorrer com a Pilsen, da Bohemia, não deixa de representar uma certa tradição. Tradição essa que acaba configurando o novo trabalho de Fabiano Negri, o EP Reborn, via Big Can Productions (EUA). 

Em 2.020, noticiamos que o músico campineiro estava se despedindo da carreira (leia aqui). "Eu estava realmente cansado de produzir novo material e não sair do lugar", explica no release que acompanha o material promocional do lançamento. Entretanto, para nossa sorte, surgiu um novo selo no meio do caminho. Só que dos Estados Unidos.

É uma pena que o reconhecimento, tardio, diga-se, venha da Terra do Tio Sam. Porém, o que importa é que ela veio e cá estamos nós diante da primeira parte de Reborn. Sim, teremos mais, ainda bem! A segunda é prometida para meados de 2.021. A divisão serve "para que as pessoas tenham mais tempo de assimilar o trabalho", conta Negri. 

São 6 faixas no total, sendo que a faixa-título ganhou uma versão acústica e encerra o track list. O período conturbado pelo qual passou o multi-instrumentista desde antes do início das composições rederam temas "positivos, reflexivos e diretos", segundo o próprio. O som é aquele hard rock já característico - daí a tradição do início do texto -, levemente mais pesado que o anterior, The Fool's Path (2.020).

Desta vez, Negri gravou todos os instrumentos em seu estúdio caseiro, no interior paulista, além de mixar e masterizar no mesmo local. A única participação externa, digamos assim, foi a de seu filho, Ian, tocando baixo e percussão na excelente Gazing. Todas são boas, mas a minha favorita é justamente o primeiro single, Inside out.

Quem sabe agora, com o interesse de fora, os fãs da boa música no Brasil não abram os olhos e valorizem mais nossos artistas independentes. Apoie a música nacional. O rock nunca vai morrer e sem essa de que não há boas músicas novas. Basta procurar!

Serviço:

Site: www.fabianonegri.com

Facebook: www.facebook.com/fabianonegrisolo.com


domingo, 24 de janeiro de 2021

RETROSPECTIVA 2.020: O que rolou e o que podemos esperar de 2.021



Mesmo não havendo shows, músicos trabalharam bastante em ótimos lançamentos

Acredito que em nenhum outro ano fazer um apanhado do que chegou até o público foi tão importante como agora. Isso porque... bem, todos sabemos como foi 2.020. Existem até anúncios de shows em 2.021, inclusive um Rock in Rio, porém, sinceramente, não acho que role até que estejamos bem seguros quanto a essa pandemia.

Contudo, há de se comemorar que não foi por conta de isolamento que ficamos sem curtir músicas novas. Alguns trabalhos passaram pelo SP&BC enquanto que alguns ainda não. Assim, é uma boa oportunidade para  se fazerem presentes em nosso blog - mesmo que em poucas palavras. Separei três estilos de cervejas mais do que tradicionais para acompanhar essa viagem: Witbier, Session Ipa e Pilsen, pois elas combinam com cada um dos citados aqui.

Começando com o Príncipe das Trevas, que lançou um álbum exatamente 10 anos após o anterior. Ordinary man (leia a resenha aqui) mostrou que Ozzy Osbourne tem muita lenha para queimar. Ainda. Só não gostei da participação do Post Malone. Não dá para ser perfeito.

Esse último ano quase marcou a despedida do cenário musical do campineiro Fabiano Negri. Felizmente quase, diga-se. Porque The fool's path (veja a opinião completa aqui) é, simplesmente, o melhor trabalho nacional do período e não poderia, jamais, significar o derradeiro. Aí que o selo estadunidense Big Can Production o procurou e então surgiu o convite para lançar um disco nos Estados Unidos. Reborn sai no final de janeiro, mas já tem single disponível em seu canal no YouTube, Inside out e Dying city. Outra pedrada está por vir.


Não deu tempo para comentar sobre o último CD do AC/DC, Power up, quando a banda foi homenageada no "10, 20, 30..." (veja aqui). Então, vale comentar neste momento que o álbum realmente é muito bom! Trouxe o quinteto de volta com tudo e ainda com membros antigos que estavam afastados. Grata surpresa!

Outro nome clássico que editou um novo trampo foi o inglês Deep Purple, que soltou Whoosh!. Chega a ser surpreendente como eles, após tantos anos, conseguem manter o nível nas composições.

Falando um pouco sobre singles, que estão bem na moda e que nos garante sempre a perspectiva de novas músicas, algumas bandas passaram por SP&BC neste formato, em qualquer plataforma que seja, uma das vantagens da Internet.

O Metalmad DC, por exemplo, lançou Colheita maldita, Beijo da morte e Olhos de Medusa (veja) mostrando que o futuro disco vai ser matador. E já neste ano saiu Alma seca, outra verdadeira pedrada! Procure pelos caras no canal oficial no YouTube.

Já o Voodoo Shyne veio com Unique (no mesmo texto do Metalmad DC) e A perefect match. Continua afiado e com aquela identidade característica. Também já tem outra nova, a recente, diferente e ótima Love corrupts myself to death. Nas plataformas digitais. O novo álbum, a julgar por essas faixas, promete.

O Fenrir's Scar no brindou com Curse of mankind (clique aqui), The enemy inside e Break the wheel mostrando a força do underground que não pode parar. Alias, o rock não é nada sem o underground, então, amigo roqueiro, vamos prestigiá-lo! A dupla paulista segue firme trabalhando e tomara que CD autointitulado não demore.

Também recomendo o grande King Bird, que veio com Alive, revisited and isolated, mostrando um pouco do que produziu durante os anos em versões ao vivo. Imperdível! 

Primal Fear arrebentou em Metal Commando, enquanto que o Vanderberg surpreendeu com 2020.

E o Sepultura, então? Quadra é um dos registros mais fortes desde que Derrick Green assumiu os vocais do grupo e mostra o quarteto em ótima forma para desespero das viúvas de Max. 

Para fechar, sir Paul McCartney mandou McCartney III e só vou dizer que é difícil parar de ouvir. Sensacional! E que 2.021 deixe a todos vacinados e prontos para voltar a um bom show de rock n'roll com muita aglomeração!

Claro que o ano contou com muitos outros lançamentos. Os que não gostei, conforme a linha editorial, não foram citados. Outros faltaram espaço. Cabe a cada um fazer sua pesquisa e não deixar que o nosso estilo favorito se enfraqueça. Algumas dicas estão aí. Aponte as suas.

domingo, 12 de abril de 2020

Fabiano Negri: despedida no melhor estilo


Stout



Como escrevi este texto no domingo de Páscoa, depois de comer chocolates acompanhado de uma Stout, resolvi continuar com esse estilo de cerveja para ouvir e, enfim, resenhar The fool’s path, o último trabalho do artista solo campineiro de hard rock Fabiano Negri, lançado recentemente. E uma breja de alta fermentação, malte torrado e na casa do 7,5% de teor alcoólico acabou casando diretamente com a proposta do álbum. Refletir sobre nossa trajetória. Ou no caso, a dele.

O professor, músico, compositor, produtor e multi-instrumentista anunciou em suas redes sociais que este seria seu último disco. Depois de 25 anos de carreira e trinta CDs editados entre carreira solo e as bandas Rei Lagarto, Dusty Old Fingers e Unsuspected Soul Band, The fool’s path se mostra uma reflexão de tudo isso. Um trabalho conceitual que já de cara se mostra um dos melhores, se não o melhor, de sua extensa discografia.

A capa, assinada por Emerson Penerari, mostra uma pessoa, talvez, presa no topo de um penhasco, o que já nos leva a imaginar sobre o conteúdo da obra, o "caminho do tolo", em uma tradução livre. No release, Negri explica esse conceito: "O ‘tolo’ tem dois significados. Fala do tolo que insistiu 25 anos numa missão praticamente impossível e o tolo da carta do tarô, que indica uma guinada na vida, abandonando um caminho para recomeçar de forma diferente, mas sem saber se é certo ou errado”.

Dizer que quem faz arte independente no Brasil não é valorizado é chover no molhado, infelizmente. Assunto abordado diversas vezes no SP&BC, inclusive. Basta procurar pelas inúmeras entrevistas no blog. Fato é que, talvez por tudo isso, Negri achou melhor pendurar o microfone  e se dedicar a outros projetos. Quem perde é somente a cena nacional!

Falando da obra em si, são 10 músicas estupendas! Não, não estou puxando o saco do meu conterrâneo. Quem me conhece sabe que jamais faria isso. De todos os discos que resenhei para a revista Valhalla, por exemplo, concedi apenas um 10. Caso ainda estivesse lá, este seria o segundo da minha carreira.

Não vou destacar faixas, pois cada uma se encaixa perfeitamente dentro da proposta e conta uma parte importante da história. Claro que temos os riffs grudentos, refrãos de fácil assimilação em que basta uma ouvida para sairmos cantando a plenos pulmões, tudo muito bem produzido e gravado, como sempre aliás. Além de em alguns momentos lembrarmos do saudoso Rei Largato.

Uma curiosidade. Outro dia compartilhei em uma rede social uma faixa com a letra traduzida de  um dos singles, a balada Changing times, para anunciar que The fool's... figuraria por aqui. Curiosamente, minha sogra, que não gosta de rock - da minha família só eu mesmo (risos) - comentou que gostou da música e, principalmente, da letra, por ser bem verdadeira.

The crew

The fool's path foi gravado no Estúdio Minster, de propriedade do meu amigo de longa data Ricardo Palma, que tocou baixo, mixou e masterizou, enquanto que Cesar Pinheiro se encarregou da bateria. O que sobrou, que não foi pouco, ficou por conta de Fabiano Negri: composição, produção, guitarra, teclado e voz.

O álbum não estará em nenhuma prateleira de loja, até porque atualmente isso é bem raro, e, infelizmente, apenas alguns temas serão disponibilizados nas plataformas digitais. Portanto, o acesso ao CD será apenas através das redes sociais de Negri. E se apresse, pois o prazo para pedidos estava se esgotando.

Pois é, meu velho, se despedir assim, com um disco tão bom é covardia. Por outro lado, a parada é por cima, da melhor maneira que um artista pode despedir-se de seus fãs.

Serviço

segunda-feira, 5 de março de 2018

Fabiano Negri, o incansável do rock

American Pale Ale



Considero que cervejas a serem apreciadas com calma perfeitas para discos que devem ser ouvidos atentamente. Tirando o lugar comum da frase, é isso que esse novo trabalho do workaholic campineiro Fabiano Negri exige: audição cuidadosa para reflexão.

Dessa forma, a escolha de uma APA para acompanhar as 10 faixas de The Lonely Ones (Independente, Nac.) em aproximadamente 40 minutos de música é a harmonização perfeita. Um pouco mais aromática que sua originária IPA, também encorpada, porém com lúpulos voltados para os gosto estadunidense.

O vigésimo segundo álbum do ex-Rei Lagarto em exatos 22 anos de carreira (!) é um disco conceitual a respeito de uma pessoa depressiva e com dificuldade de socialização e em se desenvolver dentro de uma sociedade ainda mais doente.

Talvez por ser tratar de uma visão pessoal em uma discussão extremamente pesada a inspiração veio de forma acústica, no melhor estilo intimista violão e voz. No trabalho, ele expõe sua "visão do que pude absorver sobre o mundo dessas pessoas solitárias, cujos sérios problemas ainda são vistos como frescura. Esse formato fez com que a música ficasse direta, com atenção especial para melodias e letras" explica Negri no release.

E para escrever esses temas, o trabalho de campo foi fundamental. "Tive contato com esses problemas através de alunos, amigos, família e por experiências pessoais", continua o documento que acompanha o álbum distribuído à imprensa.

O disco, gravado no estúdio Minster, em Campinas (SP), de Ricardo Palma, que também o produziu ao lado do multi-instrumentista e professor de música, será lançado no próximo dia 10, mas nas plataformas digitais já consta o single Last stand, a primeira do track list. Recomendo!

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Fenrir's Scar: a boa cicatriz do rock

(Divulgação/FB) Não podemos reclamar da cena e esperar que ela mude sozinha

Banda consegue melhor repercussão com álbum no formato 'streaming' que físico



A banda de Campinas, no interior de São Paulo, Fenrir's Scar surgiu em 2.014 e lançou seu debut autointitulado no fim do ano passado (leia a resenha do CD aqui). Esse pouco tempo aparente não significa que estejamos diante de uma formação que apresente um trabalho pouco inspirado e sem experiência. Absolutamente. Nesse bate-papo com os vocalistas Desireé Rezende e André Baida conhecemos melhor seus planos, atualidades, dificuldades e, claro, suas cervejas.  

Gostaria que apresentasse o Fenrir’s Scar para nós, por favor.
Desireé Rezende: Primeiramente, obrigada pelo convite e pela oportunidade de poder divulgar mais o Fenrir’s Scar. A ideia da banda começou em 2.014 quando mostrei algumas letras que havia feito para o André, que já tinha algumas músicas prontas. Então começamos a trabalhar juntos. Um pouco antes de gravarmos as nossas demos convidamos os membros do grupo, Ildécio [Santos, bateria], Paulo [Victor, guitarra], Gabriel [Rezende, baixo], Graziely [Maria, teclado] e o Vinicius [Prado, guitarra], que deixou a banda ano passado. Nos conhecemos há bastante tempo e tocamos juntos em outras bandas.


Nome da banda é importante, claro. Mas porque a escolha de um tão “difícil”? [N.do R.: Fenrir vem da mitologia nódica e se trata de um lobo-monstro acorrentado pelos deuses, que se libertou e devorou Odin]
André Baida: O nome surgiu inspirado na música Fenrir’s last howl [N. do R.: a última do CD] da minha antiga banda de power metal CounterParts. Quando sai da banda, tinha em mente que levaria o nome Fenrir comigo para algum projeto futuro que tivesse. 



A ideia do dueto vocal vem desde o início? Mesmo não sendo exatamente um Nightwish, embora tenha alguma influência, nunca existiu um medo de as pessoas já julgarem que o som seria naquela linha?

Desireé: Sim, a ideia do dueto vocal vem desde o início. Nightwish é uma das minhas bandas favoritas, com certeza pode ter sido uma influência mesmo que inconsciente (risos). Mas acredito que vocalmente e musicalmente nos assemelhamos mais algo a linha do Lacuna Coil. Era algo que me preocupava sim, as comparações, mas infelizmente acho que [elas existem] em qualquer vertente do metal e, porque não, da música como um todo. 

Como está a recepção a essa estreia, nesses poucos meses de lançamento?
Desireé: Muito boa e isso é muito gratificante para a gente! Tanto do público quanto da crítica. Figuramos entre os 20 álbuns mais votados por escolha popular no site da Roadie Metal e isso me deixou bastante feliz, ver que o público realmente gostou e votou na gente.

André: Tem sido muito bacana! Tanto aqui, quanto fora do Brasil. Muito foda ver que a nossa música está se conectando com muita gente! Gratificante pra dizer o mínimo.

A qualidade da gravação de uma maneira geral impressiona. Desde o início planejavam gravar no Minster, estúdio de Campinas de propriedade de Ricardo Palma, e ter Fabiano Negri (ex-Rei Lagarto, solo) como produtor?

Desireé: Sim, a ideia sempre foi trabalhar com o Fabiano e no Minster. Conhecemos o trabalho do Fabiano há anos, ele foi professor de quase todos os integrantes da banda e sabemos da qualidade que ele tem, como músico, professor e produtor. E desde que ele lançou o Maybe we will have a good time... For the last time que também foi gravado no Minster, tínhamos a ideia de gravar lá.

André: Eu toquei na banda de apoio do Fabiano por quase dois anos e foram os dois anos que eu mais abri a mente como músico. Tinha certeza que queria a produção dele no CD. Com certeza repetiremos a dose no próximo!



From porcelain to ivory é a mais pop do álbum, pelo menos para mim. Tanto que acabou virando o clipe. Havia a ideia de uma faixa assim ou simplesmente saiu?
Desireé: Simplesmente saiu (risos). Não fizemos nenhuma música pensando que poderia ser mais pop. Ao longo das gravações fomos percebendo que algumas eram mais pop que as outras. Mas a ideia dela virar clipe foi só quando o álbum ficou pronto, inclusive a partir do feedback que recebemos do público com relação a essa faixa.
Lançar disco independente requer muito investimento

Aproveitando, como é o processo de composição da banda?
Desireé: O processo de composição é basicamente entre eu e o André. Ou eu escrevo uma letra e mostro para ele, que faz a música, ou ao contrário, ele me mostra alguma música que fez e eu faço a letra para ela.

O disco foi lançado em formato físico e em streaming, tudo de maneira independente. Qual deles obteve melhor resposta?
André: O streaming com certeza tem tido melhor resposta. É muito mais fácil para as pessoas ouvirem música no celular e no computador hoje em dia do que ouvirem em um aparelho de som. Sem contar na burocracia e tempo de comprar e receber o CD pelos correios. Acaba sendo muito mais rápido e prático para as pessoas ouvirem digitalmente. Mesmo assim, temos vendido vários álbuns físicos. Grande parte deles no nosso show de lançamento.

Como é o trampo de lançar um álbum independente, informação útil para quem ainda engatinha no meio?
Desireé: É bem difícil. Nenhum de nós tem a música como profissão principal. E todo investimento para gravar foi fruto das economias minhas e do André. Tivemos bastante trabalho também entre pré-produção e gravação, que levou pouco mais de um ano. Como disse, nós temos outras profissões e conciliar a nossa agenda com a do estúdio e do Fabiano acabou levando um tempo também.


Planejam lançar no exterior?
André: Com certeza, estamos em busca de uma distribuidora na Europa e nos Estados Unidos. Apesar de já termos vendido alguns CDs para o exterior, leva muito tempo para eles chegarem ao público.


Qual faixa anda fazendo mais sucesso entre o público?
Desireé: From porcelain to ivory tem feito bastante sucesso com o público, Beneath the skin, Caliban e Dark eyes também têm tido uma repercussão muito boa com o público.

Como está a agenda de shows? Esse caso do André, que está passando por um problema de saúde agora, acabou afetando a rotina de vocês de que forma? Estão de férias?
Desireé: Sim, por conta desse problema de saúde do André não temos nenhum show marcado até ele se recuperar cem por cento.
André: É bem complicado, mas estou aproveitando esse tempo pra adiantar as composições do nosso próximo disco.

Como anda a cena por aí? Pessoal reclama bastante de Campinas.
Desireé: A cena é muito difícil para quem faz música autoral, ainda mais em um estilo como o nosso, que não é tão popular no metal. Inclusive sofre até algum tipo de preconceito. Mas temos em mente algo para tentar levantar mais a cena quando o André se recuperar e organizar nossos próprios festivais. Não podemos simplesmente reclamar que a cena está ruim e esperar que mude. Temos que fazer nossa parte, tentar mudar. Se não der certo, pelo menos podemos dizer que tentamos.

Vamos abrir uma cerveja?


O blog adota a linha de unir duas paixões dos roqueiros: música e cerveja. Vocês gostam de cerveja artesanal? Qual o estilo preferido (Pilsen, Weiss, Ipa, Stout etc.)?
Desireé: Não costumo beber muito cervejas artesanais, mas no geral gosto mais de Weiss.

Já imaginou um rótulo de cerveja do Fenrir’s Scar? Qual estilo seria?
André: Nunca tinha parado pra pensar nisso, mas seria muito legal (risos). O rótulo acho que seria legal ter o logo da banda, o nosso FS... Um lobo e alguma runa nórdica também seria bacana. O estilo dela, acho que poderia ser Weiss.

Algum recado para os fãs?
Desireé: Muito obrigada mais uma vez por toda força e apoio que nos tem dado! Significa muito pra gente ter vocês “vestindo a camisa” e apoiando a banda.
André: Muito obrigado pelo apoio e por terem tido a curiosidade da dar o play na nossa música! Significa muito pra gente. Nos vemos em breve!!

Obrigado pela entrevista e parabéns pelo álbum!
Desireé: Obrigada você Vagner e ao Som Pesado & Boa Cerveja pelo espaço e força que dão para as bandas independentes como nós!
André: Eu que agradeço, Vagner!! Obrigado por todos os seus anos prestigiando o metal nacional!!

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Fenrir's Scar e a mitologia nórdica na cena nacional

English Bitter/Pale Ale



Sempre tento harmonizar banda e estilos de cerveja da mesma nacionalidade, mas como ainda não temos uma escola tipicamente brasileira, embora não demore a surgir uma devido ao que já existe no mercado, e meio que sem querer peguei uma English Bitter - ou se preferir, EPA - que é escura e mais amarga. E bingo, casou perfeitamente. Dessa forma, só curtir então o rock pesado com dois vocalistas, um homem e uma mulher.

Posto isso, sei que você deve estar pensando em algo na linha Nightwish, certo? Errado. Lacuna Coil e Within Temptation? Pode ser. Segundo o release são algumas das referências, sim, porém é fato que o Fenrir's Scar, com este autointitulado debut (Independente, Nac.), lançado em outubro, é uma grata revelação do interior paulista em 2.017. A banda conseguiu imprimir seu próprio estilo nas 10 faixas que somam aproximadamente 50 minutos no CD.

Aliás, além do formato físico, outro belo trampo em se tratando de capa e encarte, assinada por Wesley Souza, diga-se de passagem, Fenrir's Scar, o álbum, pode ser facilmente encontrado nas plataformas digitais, streaming, inclusive o clipe de From porcelain to ivory, não por acaso a mais comercial do play.

Tente não se empolgar com a já citada From..., Beneath the skin, com aquele dueto vocal - vez ou outra rola uma voz gutural, mas não é a regra aqui -, Caliban, mais hard, Downfall, e Dark eyes.

Depois de tentar descrever o disco, que acabou furando fila no SP&BC, vale registrar que Fenrir vem da mitologia nódica e se trata de um lobo-monstro que foi acorrentado pelos deuses, se libertou e devorou Odin. É um nome difícil, demora para "pegar", no entanto o que importa é o som, e esse "pega" de primeira.

A banda


A formação do Fenrir's Scar é bem estilo Titãs no início de carreira: os vocalistas Desireé Rezende, autora das letras exceto Fenrir's last howl, a cargo de Emerson Penerari, e André Baida, autor das músicas, sendo que a última citada é uma parceria com Rafael Borges; os guitarristas Paulo Victor e Vinícius Prado, este já deixou o grupo; o baixista Gabriel Rezende; a tecladista Graziely Maria, que por sinal dá um show a parte; e o baterista Ildécio Santos.

A produção ficou a cargo de Fabiano Negri (solo) enquanto que a mixagem e masterização por conta de Ricardo Palma (estúdio Minster, em Campinas-SP). Ambos participaram de algumas músicas. Pode até não ser uma revolução, mas tem meu voto para revelação do ano!

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Mesmo quando não está como desejamos, qualquer situação é possível

FN: "Viver de música no Brasil é um tremendo desafio" (Divulgação)

Fabiano Negri segue na contramão do que é fácil ao apostar no novo



Responda rapidamente: Quantos nomes da música underground conseguem ficar na ativa por mais de 20 anos produzindo temas autorais? Difícil, correto? Pois aqui vamos conhecer um que não se intimida com nossos os trágicos momentos atuais, o workaholic FabianoNegri.

When nothing is rigth, anything is possible é o 21º trabalho do artista de Campinas (SP), impondo a impressionante marca de um título, em média, por ano. Esta é a primeira parte do trabalho e pode ser ouvida em streaming nas plataformas Spotify, Deezer e Youtube. A segunda sai em 2.018.

Eu gosto de me manter trabalhando com composição”, explica Negri no início do nosso bate-papo sobre o número de discos editados durante toda a carreira. “Faço porque realmente amo”, continua. Ele afirma que mesmo com a boa média de lançamentos “está cada vez mais difícil” o mercado.

Sobre motivação, o multi-instrumentista disse que já ganhou “algum reconhecimento”, pouco pela árdua tarefa. “Investir tempo e dinheiro nessa área é um suicídio financeiro. O retorno não chega a 10% do investimento”, porém “é sempre um prazer ver as ideias formarem um disco”.

Esse início de entrevista levanta algumas questões que Negri responde sem deixar dúvidas. E a primeira é justamente sobrevivência. “Respiro música 24 horas por dia” esclarece ao afirmar que divide seu tempo entre compor, tocar e dar aulas na Escola de Música Cultura Pop, na sua cidade. “Tenho orgulho em conseguir viver de música no Brasil e não deixar faltar nada para a minha família.  É um tremendo desafio".

"Mercado virtual é a única saída"
Voltando ao disco, quem comprar as cinco faixas ganha uma de bônus e de quebra recebe capa e contracapa, assinadas pelo artista plástico Atila Fabbio. Ou seja, o fã pode ter o EP físico em mãos. 

Negri comenta que essa ideia é uma questão de economia, afinal, “pouca gente compra CD. O mundo musical está mudando, o artista independente precisa se virar para poder sobreviver. Ultimamente, o mercado virtual virou a única saída”, conclui.

O motivo de a segunda parte ganhar edição somente no ano que vem é porque o público atual “não tem paciência para ouvir um disco completo. Se não conseguem fazer isso com bandas consagradas, imagine com um artista que não está na vitrine. Acredito que eu tenha ótimas músicas nesse trabalho e quero que as pessoas ouçam”, diz esperançoso.

Dúvidas esclarecidas, e sobre toda essa influência de outros gêneros nas composições, como o jazz de Absolutely? “Eu adoro jazz e sempre tento colocar alguma coisa do estilo nos meus trabalhos”, responde. “Quando compus essa faixa eu já imaginava exatamente o que eu queria em termos de sonoridade. É uma das músicas que eu mais gosto no disco”.

Continuando a dissecar sobre a faixa, Negri elogia sua banda de apoio, chamando-os de “incríveis”. Assim, vamos destacá-los. Acompanharam-no na gravação Ric Palma (baixo, guitarra, teclado e produtor ao lado de Negri), Cyro Zuzi (bateria) e Rodrigo Andreiuk (piano), este somente em Absolutely. E em The apple and the beast Negri fez tudo sozinho.


Uma praga chamada preguiça


Bom, temos a banda que gravou o álbum, então quando começa a turnê? “Não pretendo fazer shows”, esclarece. “É outra coisa que ficou inviável. Tenho 41 anos e muito tempo de estrada. Não posso aceitar as condições impostas pelo mercado e nem contratar os músicos que quero para fazer uma ou duas apresentações. Seria injusto com eles. Música é prazer, mas precisa ser rentável. É uma profissão como outra qualquer e precisa ser valorizada”.

Depois dessa declaração, a curiosidade em relação à cena do interior paulista e mais precisamente de Campinas, com um milhão de habitantes, nos acomete. E não anima. “Os bares e casas de shows tem agendas focadas em bandas cover ou tributo”, explica. “O espaço fica reduzido para quem está investindo em sua própria música. Tem muita gente compondo e gravando por aqui, mas a maioria fica limitada ao mundo virtual, com apresentações esporádicas aqui e ali. Não dá pra ter uma ‘cena’ forte nessas condições”.

Não é o caso de uma caça às bruxas, no entanto é preciso fazer algo para o rock sobreviver ou sabe-se lá o que pode acontecer. Para Negri, “as pessoas querem ouvir apenas as músicas ‘clássicas’ das bandas ‘clássicas’. Pouca gente está interessada em novidade, mesmo que seja de grupos consagrados”. Bom lembrar que, atualmente é muito mais fácil, graças à Internet. Totalmente diferente dos famigerados anos 1980, por exemplo.

"Bares estão focados nos covers"

“Eu não entendo de onde veio essa preguiça”, continua a debater o tema sugerindo que há muita “coisa boa por aí” e a "ser descoberta. Hoje, eu não vejo muita saída para o artista independente. Nós dependemos do público e a maioria vira as costas. Eles não conseguem entender que um músico que mora na cidade dele – e que não está na vitrine – pode fazer um trabalho tão bom quanto o de bandas consagradas. E não adianta insistir. Você vai acabar sendo ofendido por gente ignorante que sequer deu um play em alguma das suas canções” finaliza. 

Bem, vamos ajudar os preguiçosos, enfim. O que Negri ouve? “Ouço muito coisa. Das bandas internacionais eu destaco o trabalho do Purson e do Blues Pills. Do time nacional o King Bird e o Kamala. Sou um colecionador de discos. Vivo garimpando novidades todos os dias. Ouço tudo o que passa pela minha linha do tempo com muita atenção”.

Dicas dadas, e a antiga banda, o Rei Lagarto? Não tem previsão de retorno aos palcos, salvo em ocasiões especiais, como na comemoração dos 25 anos ocorrida em agosto passado. “Sou muito amigo dos caras e sempre que der a gente vai se reunir para pelo menos um show. Como aconteceu em 2.016 e foi sensacional”, declara.

Já que o Rei Lagarto não vai despertar, Negri deixou um recado aos fãs: “Não ignore um artista desconhecido, jamais. Se você gosta de música, aperte o play para pelo menos dar uma oportunidade desse artista ser ouvido. A forma como se consome música mudou. O mercado musical mudou. Você precisa mudar”.

E a cerveja...


Depois de todos esses problemas elencados, que tal abrirmos uma cerveja e continuarmos apenas com ela e o rock and roll. “Adoro cerveja”, entrega o entrevistado. “Minha predileção vai para a Weiss”, que, coincidentemente, é a mesma opinião do SP&BC.

E se alguém quisesse fabricar uma breja com o rótulo Fabiano Negri, ou mesmo do Rei Lagarto, o que o músico sugeriria? “Com certeza seria uma Weiss com alto teor alcoólico”. Vale ressaltar que as chamadas Weissbier possuem pelo menos 50% de maltes de trigo e as mais alcoólicas desse estilo são as Weizenbock.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Fabiano Negri mostra que é possível


ENGLISH PALE ALE


O mais novo trabalho solo de Fabiano Negri, ex-vocalista da saudosa banda de Campinas (SP) Rei Lagarto, When nothing is rigth, anything is possible (Independente, Nac.) vai bem com uma English Pale Ale. A forte presença de malte, que confere uma certa classe ao estilo, e ser uma cerveja inglesa, nos remete a algumas influências deste EP, como The Who e Beatles.

O disco contém cinco temas que podem ser ouvidos em streaming. Ao comprar as músicas, o fã ganha a sexta de bônus, no caso a bela balada The Apple and the BeastCada uma das seis faixas mostra toda a bagagem do músico adquirida ao longo dos anos, inclusive na composição do jazz (!) Absolutely

E mesmo os flertes com o pop, como nas melodias, e o citado jazz, o som ao longo de aproximadamente meia hora de audição ainda é aquele hard rock competente praticado desde os tempos de sua antiga banda.

Modern Old Times é a primeira, mais pesada e nos faz refletir sobre esse futuro que chega rápido demais para nossas mentes estáticas no passado. Será o próximo vídeo. O primeiro clipe é justamente o da segunda, Dear Captain, que por sinal contém a frase que dá nome ao trabalho. Não sei se é exatamente por isso, mas que você já vai sair cantarolando o refrão de primeira não tenha dúvida!

A balada pesada The Long Run é a próxima e é um respiro dos bons, diga-se, para a sequencia com My Flesh. Esta, aliás, alterna passagens pesadas e calmas, quase psicodélicas. Fechando o trampo estão as comentadas anteriormente AbsolutelyThe Apple... 

Apesar do lançamento apenas virtual, o disco possui uma capa, sim, senhor (veja ilustração acima). A arte foi feita por Atila Fabbio. Na realidade, When... é a apenas a primeira parte do trabalho e a segunda é prometida para o ano que vem. Se o nível for mantido será outro bom exemplo de que ainda há ótimos suspiros de música autoral de qualidade em nosso país. Thanks, God!

Ficha

Fabiano Negri compôs todas as músicas e letras, coproduziu, cantou e tocou guitarra, teclado e percussão. When nothing is rigth, anything is possible foi gravado no estúdio Minster, do meu amigo de longa data Ric Palma, que também produziu e tocou baixo, guitarra e teclado. A bateria ficou por conta de Cyro Zuzi, enquanto que o piano por Rodrigo Andreiuk.