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domingo, 26 de novembro de 2023

Def Leppard e Alice Cooper, clássicos acima de tudo

 

American Ipa

Terceira parte do projeto que disponibiliza meu trabalho junto à revista Valhalla (2003-2008). Ainda na #21, a de estreia, e uma das que eu assinei mais textos. É a última dessa edição com resenhas, nas próximas teremos uma entrevista e uma Bio.

Escolhi para saborear uma American Ipa, uma breja que, por ser uma receita estadunidense ela acaba casando com os estilos das bandas aqui. Ah, mas o Def Leppard é inglês. Sim, mas o som é bem visando o mercado da terra do Tio Sam, não?

E, falando na bebida mais amada dos brasileiros, dá uma olhada aqui na Amazon um especial com cerveja artesanal que separei para você! Boa Leitura!

DEF LEPPARD

On Through The Night

(1980)

Apesar do primeiro single deste trabalho de estreia do Def Leppard se intitular “Hello America”, podemos incluí-lo entre os melhores disco da NWOBHM. Uma boa justificativa para sua aparição nesta seção é a expressiva marca de um milhão de cópias vendidas em todo o mundo na época. Os músicos renegam até hoje o rótulo de Nova Onda do Metal Britânico e, de fato, após o segundo LP, o quinteto foi “modernizando” seu som até se tornar uma banda de Hard Rock, o que não é demérito nenhum, pelo contrário, a partir do terceiro disco, Pyromania – ou pop, como queiram atualmente, como em X, o mais recente CD. Porém, é impossível negar o peso que contém On Through The Night, além das belas canções, como a citada no início, “Wasted”, “I Don’t Matter” e outras. Talvez um dos responsáveis por essa sonoridade seja o produtor Tom Allom, que já trabalhou com o Judas Priest. A formação contava com uma dupla de guitarristas diferente da atual: o finado Steve Clark e o posteriormente despedido, em 1982, Pete Willis. Completando o time que gravou esta pérola Rick Allen (D), Joe Elliott, como diz no encarte, “Throat” (Garganta) e Rick Savage (B). Para quem está duvidando basta conferir. (VA)

 

ALICE COOPER

Killer

(1971)

Este, lançado em novembro de 1970, é o quarto álbum do Alice Cooper Group, a primeira fase do cantor norte-americano de mesmo nome – já que a partir em 1974, pouco depois dos shows no Brasil, a banda de formação estabilizada, com Glen Buxton (G), Michael Bruce (G/K), Dennis Dunaway (B) e Neal Smith (D), acabou e Cooper seguiu uma carreira solo. Killer é tido por muitos como o seu melhor trabalho. Afinal, é dele “Under My Wheels”, que possivelmente só perde em popularidade para “I’m Eighteen”, do Love It To Death (71), “Desesperado”, dedicada a Jim Morrison (The Doors) e “Dead Babies”, os maiores hits do play, isso sem falar no restante da bolacha que não deixa nada a desejar, em faixas como “You Drive Me Nervous” e “Yeah, Yeah, Yeah”! Não deu outra, disco de ouro na cabeça! Na capa, a já famosa jibóia Kachina, presença constante nos shows do conjunto. A produção foi assinada pelo competente Bob Ezrin (Kiss). Claro que após a separação, Alice Cooper variou bem seu Hard Rock ficando cada vez mais pesado a partir do fim dos anos 80, mas a influência por ele exercida na música pesada desde esses tempos é enorme, tanto musical quanto visualmente, basta conferir nomes como Kiss e Twisted Sister. Um verdadeiro mestre! (VA)

 

KINGDOM COME

Independent

Hellion – nac.

6.5

O Kingdom Come é uma figurinha carimbada dentro da cena Hard Rock, tanto que nos seus bons tempos, no fim dos anos 80, foram comparados ao Led Zeppelin. Inativos desde o início desta década, agora ressurgem com este Independent. Eles ou o faz-tudo Lenny Wolf? Sim, Wolf escreveu, tocou, cantou, produziu e mixou o álbum. Isso talvez explique o título do play. Apenas Martin Langer foi contratado para a bateria/samplers. Sabiamente “I Can Feel It” abre o CD, pois é a melhor faixa, o que não quer dizer muita coisa. O que se segue é uma música mais cadenciada, triste, “down” mesmo e com influências de eletrônica. “Mother” é uma balada acústica muito chata! No restante alguns momentos interessantes, mas não chegam a empolgar. Chama a atenção que um alemão cante “America – inside my heart/Things song's for you – with my love”, no refrão de “America”. Muito curioso! Resumindo: esperava mais. (VA)

 

LABRYRINTH

Labryrinth

Century Media – nac.

8.5

Após três anos um pouco distante devido a problemas com a antiga gravadora e a saída do guitarrista Olaf Thorsen para se dedicar integralmente ao Vision Divine, os italianos do Labyrinth atacam com este álbum auto-intitulado. E o resultado é muito bom! Há, inclusive, músicas que buscam outros rumos no som da banda, embora não tão diferentes assim, como “Livin’ In A Maze” e “Just Soldier (Stay Down)”, bem rápidas, e “This World”. “When I Will Fly Far”, que é uma balada, quando a ouvi pela primeira vez me fez conferir se o CD-player não havia trocado de disco, pois seu início não se assemelha em nada com as outras nove composições. Porém, fique sossegado porque o Power Metal praticado pelo grupo está ali, intacto. “Slave To The Night” e “Synthetic Paradise” são outros destaques. “Neverending Rest” é uma outra balada que tirará lágrimas até do fã mais radical. Apreciadores do Labyrinth precisam tê-lo em suas respectivas discotecas. Demais admiradores de um bom Metal feito com bastante feeling e o trabalho de guitarra priorizado também irão gostar! (VA)

 

SONATA ARCTICA

Winterheart’s Guild

Universal – nac.

8.5

Se existe uma banda da nova safra do Metal Melódico que sabe explorar muito bem os gostos dos seus fãs e, ainda assim, arrumar mais alguns, essa banda é a finlandesa Sonata Arctica. Senão vejamos. Após o debut Eclipta (99) veio um mini-CD. Na cola do segundo trabalho, Silence (01), lançaram um ao vivo. Convenhamos, é um tempo relativamente curto para um ao vivo, concorda? Nossa sorte é que o grupo é muito bom e merece todo o sucesso que está tendo. Este Winterheart’s Guild mostra uma boa evolução em relação à estréia em todos os sentidos. Os clichês do estilo se encontram ao longo de seus 10 temas com uma diferença: as letras. Ou o prezado leitor conhece um outro conjunto do gênero que abusa de temas tristes? Sim, o The Dark Ride, do Helloween, era “dark” também, mas já não se pode dizer que se tratava de um álbum Melódico, certo? Não há música ruim no play e, de quebra, “Broken” talvez seja a melhor composição da carreira do quarteto. No que se refere a “performance” dos músicos, ninguém deixou a desejar. Como um atrativo a mais, Jens Johansson (K), do Stratovarius, participa de quatro faixas. (VA)

 

MERCURY TIDE

Why?

Century Media – nac.

7.5

Enfim chega à redação o primeiro trabalho do novo projeto do ex-vocalista, que aqui também toca guitarra, do saudoso Angel Dust, Dirk Thurisch. Porém, primeiramente devemos adotar um critério para analisar este álbum. E o escolhido foi: não compará-lo à sua banda anterior, afinal são outros músicos e outras idéias – embora embaladas em um mesmo Power Metal. Thurisch se cercou de bons profissionais e produziu um bom CD. Ok, algumas passagens lentas soam bem burocráticas e acabam por “quebrar” a intensidade da bolacha, ao invés de servirem como um momento de descanso ou simplesmente “enfeitar” a composição. Não que temas meio Psicodélicos, daquelas mais cadenciadas que crescem no “chorus”, não sejam boas, mas em Why? essa idéia não encaixou legal, talvez pelo excesso. Uma pena, pois há refrões que com certeza serão cantados a plenos pulmões nos shows. Confira “Souls Of The Ocean” e comprove. Destaques: “Back To Reality”, “Set Me Free” e a faixa-título, a melhor. (VA)

domingo, 26 de abril de 2020

Nefasta: da mitologia romana para os copos brasileiros


"Cada rótulo é uma personagem feminina com essa 'coisa' mais rock'n'roll, sanguinolenta"

Empresa familiar une história e rock à cultura cervejeira


Que a cerveja artesanal é um produto diferenciado, todos sabem. A tendência ao rock and roll e um conceito definido, com todas as suas inspirações, são apenas algumas das características que nos fazem, entre amigos, abordar assuntos sobre a cultura cervejeira, por exemplo, entre outros.


E essa história de conceito vem desde a criação do nome para o negócio, importante para qualquer empresa, diga-se, e que, invariavelmente, influencia tanto seus estilos produzidos quanto seus rótulos. Um exemplo de tudo isso é a Nefasta, cervejaria de Florianópolis, que esteve no Festival Brasileiro da Cerveja, em março, em Blumenau.

"Somos de Florianópolis, mas a fábrica fica em São José, cidade vizinha", apresenta a sommerlier Gabriela Drehmer, em uma exclusiva ao blog SB&BC. O grupo conta com a fábrica, bares e uma "loja de insumos para quem faz cerveja em casa. Na região somos os únicos com essa estrutura", completa frisando que se trata de uma empresa familiar no mercado desde 2.016.


"Nefasta é uma deusa da mitologia romana, a deusa da destruição", conta sobre o conceito a profissional. "Ela quem guia todas as outras cervejas que são: Desertora, Condenada, Fugitiva, Foragida. Todos esses adjetivos no feminino que remetem a mulheres contraventoras, rebeldes". Ou seja, mais roqueiro impossível. Para informação, Desertora, a American Ipa, é a mais vendida do portfólio.

Contudo, nada faria sentido se os rótulos, como a capa de um disco, não seguissem essa linha. "Cada um é uma personagem com essa 'coisa' mais rock and roll, sanguinolenta. As pessoas se identificam, gostam da nossa identidade dessa pegada no feminino, ser representada na cerveja de uma maneira diferente do que sempre foi. Um feminino forte, que vai se rebelando", comemora Drehmer.

Observando um dos rótulos, aliás, nos trás uma curiosidade. "Six, Six, Six é uma American Pale Ale com seis tipos de lúpulos diferentes", explica não escondendo que, também há uma certa ligação com uma banda inglesa pouco conhecida. "Sim, não tem como não", responde a pergunta fatal sobre o Iron Maiden e a faixa-título do disco de 1.982, The number of the beast.

"É um dos poucos nomes que não seguem essa linha", conta mais sobre essa breja e inclusive que o batismo foi feito pelo cervejeiro que a criou "como alusão a esses seis lúpulos. Ela conversa com as outras porque é diabólica, é tão ardida, uma mulher com chifres de diabo, sangue escorrendo. É a mais diabólica que temos na nossa carta", finaliza.

Sobre o festival em si, em 2.020 foi a segunda edição da participação com um stand somente da empresa. "A primeira vez foi em 2.018 quando ganhamos a medalha de prata com a Exilada", na categoria Viena. "Estávamos em um stand coletivo junto com mais três cervejarias. No ano passado estávamos com o nosso próprio espaço" lembra.

Carros que já carregam chopeiras são bastante usados pelas empresas do setor. A Nefasta não abre mão do seu. "Participamos de muitos festivais, tanto em Floripa quanto na região e outras cidades do estado. E como participamos de muitos eventos, pensamos em uma maneira prática de carregar toda a parafernália", explica a ideia Drehmer. "O carro é uma solução muito legal, além de muito criativo com a Nefasta toda plotada" gerando curiosidade, o que acaba atraindo o público.

segunda-feira, 5 de março de 2018

Fabiano Negri, o incansável do rock

American Pale Ale



Considero que cervejas a serem apreciadas com calma perfeitas para discos que devem ser ouvidos atentamente. Tirando o lugar comum da frase, é isso que esse novo trabalho do workaholic campineiro Fabiano Negri exige: audição cuidadosa para reflexão.

Dessa forma, a escolha de uma APA para acompanhar as 10 faixas de The Lonely Ones (Independente, Nac.) em aproximadamente 40 minutos de música é a harmonização perfeita. Um pouco mais aromática que sua originária IPA, também encorpada, porém com lúpulos voltados para os gosto estadunidense.

O vigésimo segundo álbum do ex-Rei Lagarto em exatos 22 anos de carreira (!) é um disco conceitual a respeito de uma pessoa depressiva e com dificuldade de socialização e em se desenvolver dentro de uma sociedade ainda mais doente.

Talvez por ser tratar de uma visão pessoal em uma discussão extremamente pesada a inspiração veio de forma acústica, no melhor estilo intimista violão e voz. No trabalho, ele expõe sua "visão do que pude absorver sobre o mundo dessas pessoas solitárias, cujos sérios problemas ainda são vistos como frescura. Esse formato fez com que a música ficasse direta, com atenção especial para melodias e letras" explica Negri no release.

E para escrever esses temas, o trabalho de campo foi fundamental. "Tive contato com esses problemas através de alunos, amigos, família e por experiências pessoais", continua o documento que acompanha o álbum distribuído à imprensa.

O disco, gravado no estúdio Minster, em Campinas (SP), de Ricardo Palma, que também o produziu ao lado do multi-instrumentista e professor de música, será lançado no próximo dia 10, mas nas plataformas digitais já consta o single Last stand, a primeira do track list. Recomendo!

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

40 anos de Alive II

(Reprodução) Ao vivo, mas nem tanto

American Pale Ale



Chegou o momento de prestar tributo a mais um trabalho/grupo importantíssimo dentro do cenário roqueiro mundial. Sim, no último dia 14 de outubro completamos 40 anos de Alive II, da banda estadunidense Kiss. O, talvez, disco ao vivo mais contestado e ao mesmo tempo adorado da história. Não esquecendo que Crazy Nights completou aniversário recentemente, em setembro, e Carnival of souls completa duas décadas em 28 de outubro.

E claro, como de praxe aqui no SP&BC, vamos conferir lançamentos que em 2.017 completam 30 e 20 anos também. Ontem eu tomei uma APA e na hora em que me sentei para escrever essas linhas a primeira breja que me veio a cabeça foi essa, que harmonizou muito bem.

Nos idos de 2.003, nas edições #22 e #23, assinei uma biografia do quarteto nova-iorquino e agora eu disponibilizo o trecho em que eu falo da época em que esses álbuns foram lançados. Fato ao invés da tradicional resenha e quem não teve oportunidade de ler na época, pode se deliciar com essa amostra grátis.

Alive II

(...) A turnê (N. do R.: Love Gun) percorreu boa parte dos Estados Unidos e alguns lugares do Canadá, o que significou uma união de turnês natural, já que em novembro nascia Alive II. Este segundo duplo ao vivo trazia cinco músicas inéditas no lado “B” do disco dois.

A parte que dá nome ao trabalho foi gravada em três datas, de 26 a 28 de abril do mesmo 1.977, no Forum, de Los Angeles. Porém, Beth foi extraída de uma apresentação no Japão. (...) As acusações: overdubs e a primeira vez que um dos próprios integrantes não gravara suas partes. Não se sabe o por quê, mas Ace, segundo consta, tocou apenas em Rocket Ride, composta por ele, ficando a cargo de Bob Kulick o restante da parte de estúdio.

O semestre inicial de 1.978 agendou mais cinco concertos em Tóquio, de 28 de março a 2 de abril, encerrando as apresentações daquele ano.

Crazy Nights

(...) Com Crazy Nights, de 18 de setembro de 1.987, o som era praticamente o mesmo, ou seja, hard rock influenciado pelo que as outras bandas do estilo faziam, mas de tendências Pop; Simmons ainda preocupado com a telona e Stanley à frente de tudo; e mulheres significando o mesmo que diversão. Algum destaque para Crazy, crazy nights e a balada Reason to live.

Coliseu, Jackson, Mississipi, 13 de novembro. Ponto de partida de mais um giro pelas terras ianques após mais de um ano longe dos palcos. Com  a “Crazy Nights Tour” o Kiss volta ao Japão, em abril de 1.988, para cinco datas em Nagoya, Osaka, Yokohama e Tóquio – duas – finalizando-a.

Carnival of souls: The final sessions

(...) Em outubro, já pensando no que fazer dali em diante, decidem liberar Carnival Of Souls: The Final Sessions, álbum gravado e renegado pela banda, ainda com Kulick e Singer. Na coletiva para a “Kiss Expo”, Eric (Singer. N. do R.: evento ocorrido em Limeira em 2.003) disse que “Gene, Paul, Bruce e eu estávamos ouvindo muito Alice In Chains, Stone Temple Pilots e Soundgarden, o que rolava na época, e nos deixamos influenciar. Só que não ficou bom”. Apenas Eric e Bruce gravaram os instrumentos devido a Gene e Paul estarem totalmente voltados para a “Reunion Tour”. É Grunge puro. “Acho que ele não é ruim, mas não é um disco do Kiss”, completa Singer. 

Detalhe: (Tommy) Thayer, produtor executivo em You Want The Best… e Greatest Hits, co-assina Childhood’s End ao lado de Kulick e Simmons. Como o CD ficou arquivado durante um bom tempo, um pirata intitulado Head, com alguns títulos de músicas diferentes e três faixas a menos, chegou ao conhecimento dos fãs por conta de uma fita roubada.

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Velhas Virgens, uma trintona ainda contando

(DIVULGAÇÃO) Casa fazia parte da rotina de baladas dos líderes

Banda paulistana conta com seis cervejas no mercado



Paulo de Carvalho (Paulão), voz e gaita, Juliana Kosso, voz, Alexandre "Cavalo" Dias, guitarra, Filipe Cirilo dos Santos, guitarra, Tuca Paiva, baixo, e Simon Brow, bateria. Essa é a atual formação das Velhas Virgens que acabou de lançar o pacote CD e DVD 30 Anos ao vivo no Love Story (Gabaju Rec., Nac.) para, evidentemente, comemorar as três décadas na estrada.

Falar em atual formação, apesar de tantas mudanças no line up, é até injusto com os músicos, pois, exceto o "novo guitarrista Filipe 'Fil' Cirilo, o restante já está junto há mais de 10 anos", explica Alexandre "Cavalo" em entrevista exclusiva ao SP&BC.

"Desde o começo a ideia era gravar no Love Story", conta Cavalo a respeito do local do show. "A gente queria um lugar que remetesse à noite paulistana e o Love fez parte da minha vida e da do Paulão por muitos anos", continua ele dizendo que, naquela época, entravam na casa depois das baladas, saindo somente com o nascer do sol. "Eram tempos boêmios em que o fígado permitia".

Assim, até virar sugestão para os empresários do sexteto não demorou muito. "Quando contamos para os nossos parceiros, Júlio e Carol, da 74 Entretenimentos, eles adoraram a ideia. Entraram em contato com o Love Story, que cedeu a casa gentilmente. Foi um trabalho longo, mas o produto final ficou ótimo! Sem dúvida é o nosso DVD de melhor qualidade técnica", conclui o músico empolgado.

Qualidade que pode ser conferida em streaming, a plataforma usada por 10 entre 10 grupos independentes para a divulgação de seus trabalhos. Cavalo justifica a distribuição "para todos os tipos de streamings, inclusive os gratuitos" porque "funciona muito bem. O alcance das músicas aumenta e eles pagam de acordo com as ouvidas".

"Hoje tudo está na nuvem", disserta o músico sobre esse novo formato. "Você nem precisa armazenar nada para ter acesso a milhões de músicas. Acho isso genial e, ao mesmo, tempo perigoso. Genial porque fica tudo ao alcance e perigoso, pois torna o conhecimento raso, rápido e volátil".

E qual o papel, então, do selo das Velhas, a Gabaju Records? Segundo Cavalo, ele segue com outros produtos. "Fazemos desde camisetas, chinelos e até livros e HQs. E vendemos algumas coisas ainda no físico. Acredito que nosso próximo disco de estúdio saia na forma de singles e depois em vinil e fita cassete. Vamos ter todas as músicas em todas as mídias". 
"Queremos voltar em breve a Pomerode"

Esse próximo álbum é prometido para breve, com a gravação de "novidades ainda este ano. Um música para o novo show e pelo menos uma para o Carnavelhas", projeto de Carnaval das VV.

Abrindo um parênteses, fita cassete, para quem é mais novo e não conhece, é uma pequena caixa com uma fita magnética usada para gravação e reprodução de áudio, bastante popular até início desse século.

E fazendo turnês desde 1.994, qual o balanço desse longo tempo de estrada? "São mais de 20 anos saindo pelo país e tocando em todos os cantos possíveis e, muitas vezes, impossíveis. Foi isso que nos fez ter público em qualquer lugar do país", responde. Ele conclui salientando que o "modo como se consome música está diferente. Tem gente que está se aproveitando disso e outros estão ficando para trás", fazendo o alerta da necessidade de adaptação à nova realidade do mercado.

"O show ao vivo é de onde vem o maior rendimento dos artistas e também está passando por reformulação", cita o guitarrista outra mudança. "Há um novo público com novas exigências", sendo que existe uma grande quantidade de artistas "e um público ávido por novidades. Tem música para todos os gostos só procurar". 

Mas os fãs não estão mais preocupados com os clássicos? "Claro que depois de 30 anos quem vai ao show tem suas preferência" responde em relação as VV. "É obrigação do arista se renovar e se reinventar. Vamos fazer músicas novas e elas entrarão no show novo. E, com o tempo, vemos quais permanecem".

E para sobreviver no meio disso tudo, afinal, as contas vencem todos os meses, os integrantes possuem outros trabalhos, musicais ou não. Por exemplo, Cavalo administra a Gabaju, é roteirista de quadrinhos, escreve livros e faz projetos culturais, além de produzir a banda e outras de que participa; Paulão é redator do SBT; Tuca tem uma cervejaria, a Rusticana e administra o bar; Juliana é professora de canto; Cavalo, Paulão e Tuca promovem o Workchopp, "uma palestra cantante" em que os músicos falam "sobre carreira, cerveja e outros assuntos picantes", além, é claro, de fazerem um som acústico".

O bar se chama  Rockin' Beer e fica em "uma garagem nos confins da Zona Norte de São Paulo". Segundo o guitarrista, "era para ser só o estoque quando a gente também distribuía. Virou um bar logo depois. Vendemos cervejas artesanais brasileiras e promovemos eventos. Raramente tocamos lá. Muito pequeno. Mas reunimos o bloco de Carnaval das Velhas e outras coisas legais. Estamos de mudança para outro endereço no Centro de São Paulo".

Já dentro do quesito - inúmeros - outros projetos musicais, Juliana Kosso canta em uma banda que faz clássicos do rock e leva seu nome; Paulão mantém o Cuelho de Alice hibernando; o Estranhos no Paraíso, de Cavalo, Juliana e o produtor Paulo Anhaia (Paul X, ex-Monster) está na "berlinda", de acordo com o guitarrista, que "ainda toca no Roberto Embriagado com o Mario Bortolotto, onde fazemos covers do Roberto Carlos".
"Há um novo público ávido por novidades"

As Velhas Virgens tocaram perto de Timbó (SC), sede do blog, mais precisamente em Pomerode, em 2.016. "Tocar no sul é muito bom porque você encontra um público que entende de rock e reconhece a linguagem", se recorda o músico. "O show em Pomerode não foi diferente. Gente interessante e interessada! Queremos voltar em breve para lançamento do novo DVD. Aliás, pode nos chamar!". Recado dado, promotores.

Então vamos falar da nova tour. "É um set com as músicas escolhidas pelo público e mais algumas homenagens que estamos fazendo para gente que participou dos nossos discos. Tocamos Marcelo Nova e Camisa de Vênus, Roger e Ultraje, Rita Lee, Titãs, Raimundos, Made in Brazil e uma versão especial de Retalhos de Cetim, do Benito di Paula, com arranjo para blues que está um espetáculo! Vocês precisam conferir esse show novo".

Vale ressaltar que Digão, vocalista e guitarrista dos Raimundos, participa no DVD em Toda puta mora longe e a faixa com Benito di Paula, A última partida de bilhar, é bônus no track list.

Alguém falou de cerveja?


O bate-papo está bom até aqui, no entanto precisamos matar a sede. Sendo assim, a pauta agora é a relação das Velhas Virgens com a bebida mais amada do mundo. "Nosso primeiro rótulo saiu há seis anos e já é 'disco de ouro', com mais de 100 mil garrafas vendidas", disseca o assunto Cavalo comparando ambos os mercados. Na época em que ainda se vendia muitos discos, pré-dowloads, o artista alcançava tal prêmio ao atingir aquela marca.

A primeira breja produzida "foi uma IPA, a chamamos de Indie Man". Por sinal, esta continua como a campeã de vendas. Ele continua dizendo que se tratava de "um sonho antigo ter nossa linha de cervejas". Como dentro da banda havia o responsável pelas receitas, no caso, Tuca, o passo seguinte foi encontrar "o parceiro certo" para produzir. Coube então ao Rodrigo Silveira, da Cervejaria Invicta, de Ribeirão Preto (SP), a função de lançá-las.

"Temos seis rótulos hoje", enumera o portfólio detalhando-o: "uma em homenagem ao Charlie Brown Jr, feita em parceria com o Xande (filho do Chorão), uma American Ale sensacional"; a anteriormente citada "Indie Man; Whitie Dog, Witbier com sabor de limão rosa e semente de coentro; Mr. Brownie, uma Brown Ale com fava de baunilha e aveia; Beijos de Corpo, uma Fruit Beer com amoras pretas; e o lançamento Greenie, uma cerveja de trigo bem lupulada".

Essa mistura de música e cerveja ainda rendeu outros frutos. O projeto Todo dia a cerveja salva a minha vida (2.014) é um álbum e um rótulo feitos na base do crowdfunding, o financiamento coletivo. "Foi o nosso segundo de muito sucesso" conta Cavalo sobre o processo de ajuda dos fãs para editar discos. O primeiro foi o igualmente comemorativo CD/DVD Rockin Beer Tour 25 anos

Para os fãs contribuintes havia alguns prêmios que "as pessoas adoravam como vir e cantar Abre essas pernas com a gente em estúdio e ganhar a versão pessoal da música em CD e vídeo, entre outros". Apesar de "legal", o músico afirma que "esse tipo de projeto dá um trabalho monstruoso. Não pretendemos fazer outro tão cedo".

No caso da cerveja, a banda alterou o rótulo da Whitie Dog para o mesmo da capa do álbum. A breja saiu com uma tiragem de 4 mil garrafas. "Nossos novos rótulos tem um QR code", se empolga ao comentar sobre a modernidade. Com esse código, é possível "ouvir um 'CD' falando de cerveja com músicas escolhidas pela banda inteiramente grátis. O projeto se chama Liberte o Rock da Garrafa".

Sobre preferência, Cavalo diz que a que mais gosta é a "Witbeer, uma cerveja um pouco mais leve e cítrica. E também das escuras e amargas. Das Velhas eu bebo todas com gosto. As receitas do Tuca são muito boas", completa fazendo o merchandising.