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segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Cerveja e rock, a fórmula da Küd

(Divulgação) BP: "Buscamos sempre promover a cultura cervejeira em todos os níveis"

Cervejaria de Belo Horizonte busca inspirações nos clássicos do rock


Muito normal você ir até o supermercado, na seção de cervejas especiais e escolher um rótulo da sua banda favorita. Algo como fazíamos em lojas de discos - pois é, perdão pelo clichê, mas o mundo mudou. Chegando lá você encontra não somente a breja roqueira como também uma que é referência a um verdadeiro clássico dos seus ídolos. Aquela canção que já se ouviu trocentas e noventa e nove vezes e não enjoou.

Esse é o diferencial da mineira Cervejaria Küd. A fábrica "começou com a paixão pela cerveja e também pelo rock n’roll", afirma Bruno Parreiras, um dos fundadores da empresa, cujo slogan é "cerveja e rock n’roll", em entrevista exclusiva ao SP&BC. "Cada receita começa a ser desenvolvida através da relação que a gente pode fazer com o estilo escolhido e em qual música a gente pode buscar inspiração", continua explicando todo o conceito da marca. "Tem a ver com o estilo da cerveja, com a escola que aquele estilo tem origem, ou até mesmo uma relação de cada ingrediente com a música que a gente gosta". 

Küd surgiu em 2.008 quando Parreiras ao lado de quatro amigos buscaram informações para entender "sobre os diferentes estilos e cervejas que começavam a aparecer nas prateleiras de algumas lojas especializadas", conta ele, lembrando da influência sofrida ao conhecer sabores de brejas em viagens pelo exterior. "Descobrimos que tinha gente fazendo cerveja em casa e corremos atrás do desafio de fazer a nossa própria e nos aventuramos com a produção artesanal e caseira".

O desafio inicial rendeu frutos já no primeiro ano do início oficial das atividades, em 2.010, com a India Pale Ale, a Kashmir (Led Zeppelin), ganhando o primeiro lugar no Concurso de Cervejas Artesanais da Argentina. Por sinal, essa é a mais vendida do portfólio.

No entanto, há sim um rótulo de banda e neste caso é do Eminence, banda de thrash metal de  Belo Horizonte. Aliás, por enquanto, o único nome nacional da empresa. "Ainda falta ter 'fôlego' para conseguir criar mais cervejas" e fazer referência às bandas brasileiras, se defende Parreiras. Além do pesadão, vários são os estilos de rock homenageados, como grunge, hard, stoner e, claro, Beatles e Rolling Stones. Eis que surge a curiosidade, qual das duas? Ambas, ele dispara e justifica que "cada uma delas em suas diferentes fases possuem obras fantásticas".
BP: "Rock está no nosso DNA"



A capacidade total de produção dos tanques é de 17 mil litros e chama a atenção as denominações que eles recebem, como Black Sabbath, Nirvana, Iron Maiden e AC/DC. Atualmente são 17 na cervejaria que guardam um segredo a sete chaves. "Tem novidade chegando por aí, mas não posso adiantar ainda", aguça nossa curiosidade Parreiras.

E não é por fazer claras referências ao gênero musical que tanto amamos que seja algo restrito ao ele. "Acho que a nossa cerveja pode ser a chance de apresentá-lo para outras pessoas que por algum motivo não tenham tido a chance de conhecê-lo. Esperamos que com isso, tanto o rock quanto a cerveja possam prevalecer através do tempo" completa feliz da vida para sentenciar: "Acredito que tem muita gente fora do ambiente roqueiro comprando nossas cervejas".

Com esse boom cervejeiro dos últimos tempos, o público ficou mais exigente e com isso ele quer saber o que está comprando e conhecendo-o melhor. "O consumidor está buscando valorizar o produto local e o contato 'cara a cara' com quem está fazendo-o", explica Parreiras.

A participação em eventos ligados ao setor, como o Festival Brasileiro da Cerveja, normalmente em março, em Blumenau (SC), é importante "para a exposição da marca no meio de um mercado mais especializado e também possibilita a geração de novos negócios em outros estados ou até mesmo conhecendo novos parceiros", explica. 

Recentemente a Küd participou do 5º Festival Internacional de Cervejas Mondial de La Bière, no Rio de Janeiro. "Estamos iniciando uma operação no estado e buscamos participar para potencializar a marca e também aproximar ainda mais com os nossos clientes e parceiros comerciais", comemora o empresário.

Assunto delicado é preço e ele concorda que é "uma barreira. Mas te falo que aos poucos o consumidor está percebendo que vale a pena a experiência degustativa das cervejas artesanais". Isso acaba afetando a concorrência com as grandes indústrias. "O grande obstáculo é a questão da competição com o preço em alguns pontos de vendas, especialmente nos supermercados, a questão da compra da exclusividade, apesar de que os empresários mais atentos já perceberam que o consumidor quer a diversidade e outro fator que também influencia é o poder econômico que estas indústrias têm no mercado".

E em um mercado concorrido igualmente gera oportunidades. "Novas marcas no mercado geram experimentação de produtos diferentes. Uma hora ou outra o consumidor vai querer arriscar e tomar a nossa cerveja também. E a experimentação gera a possibilidade do consumidor se tornar dono da sua própria vontade e saber escolher aquilo que mais o agrada" conclui.

Dessa forma, o que Parreiras diria ao cervejeiro? "Gostaria de deixar uma referencia à mensagem que o rock já deixou na história. Você pode ser um 'transgressor' no seu hábito de consumo. Seja responsável nas suas escolhas e saiba escolher aquilo que te satisfaz. Não acredite naquilo que te mandam fazer sem antes conhecer bem a história da coisa toda", ou seja, perceber o "valor agregado do produto com qualidade e conceito. Vamos seguir produzindo e valorizando a cultura tanto da cerveja quanto do rock".

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Velhas Virgens, uma trintona ainda contando

(DIVULGAÇÃO) Casa fazia parte da rotina de baladas dos líderes

Banda paulistana conta com seis cervejas no mercado



Paulo de Carvalho (Paulão), voz e gaita, Juliana Kosso, voz, Alexandre "Cavalo" Dias, guitarra, Filipe Cirilo dos Santos, guitarra, Tuca Paiva, baixo, e Simon Brow, bateria. Essa é a atual formação das Velhas Virgens que acabou de lançar o pacote CD e DVD 30 Anos ao vivo no Love Story (Gabaju Rec., Nac.) para, evidentemente, comemorar as três décadas na estrada.

Falar em atual formação, apesar de tantas mudanças no line up, é até injusto com os músicos, pois, exceto o "novo guitarrista Filipe 'Fil' Cirilo, o restante já está junto há mais de 10 anos", explica Alexandre "Cavalo" em entrevista exclusiva ao SP&BC.

"Desde o começo a ideia era gravar no Love Story", conta Cavalo a respeito do local do show. "A gente queria um lugar que remetesse à noite paulistana e o Love fez parte da minha vida e da do Paulão por muitos anos", continua ele dizendo que, naquela época, entravam na casa depois das baladas, saindo somente com o nascer do sol. "Eram tempos boêmios em que o fígado permitia".

Assim, até virar sugestão para os empresários do sexteto não demorou muito. "Quando contamos para os nossos parceiros, Júlio e Carol, da 74 Entretenimentos, eles adoraram a ideia. Entraram em contato com o Love Story, que cedeu a casa gentilmente. Foi um trabalho longo, mas o produto final ficou ótimo! Sem dúvida é o nosso DVD de melhor qualidade técnica", conclui o músico empolgado.

Qualidade que pode ser conferida em streaming, a plataforma usada por 10 entre 10 grupos independentes para a divulgação de seus trabalhos. Cavalo justifica a distribuição "para todos os tipos de streamings, inclusive os gratuitos" porque "funciona muito bem. O alcance das músicas aumenta e eles pagam de acordo com as ouvidas".

"Hoje tudo está na nuvem", disserta o músico sobre esse novo formato. "Você nem precisa armazenar nada para ter acesso a milhões de músicas. Acho isso genial e, ao mesmo, tempo perigoso. Genial porque fica tudo ao alcance e perigoso, pois torna o conhecimento raso, rápido e volátil".

E qual o papel, então, do selo das Velhas, a Gabaju Records? Segundo Cavalo, ele segue com outros produtos. "Fazemos desde camisetas, chinelos e até livros e HQs. E vendemos algumas coisas ainda no físico. Acredito que nosso próximo disco de estúdio saia na forma de singles e depois em vinil e fita cassete. Vamos ter todas as músicas em todas as mídias". 
"Queremos voltar em breve a Pomerode"

Esse próximo álbum é prometido para breve, com a gravação de "novidades ainda este ano. Um música para o novo show e pelo menos uma para o Carnavelhas", projeto de Carnaval das VV.

Abrindo um parênteses, fita cassete, para quem é mais novo e não conhece, é uma pequena caixa com uma fita magnética usada para gravação e reprodução de áudio, bastante popular até início desse século.

E fazendo turnês desde 1.994, qual o balanço desse longo tempo de estrada? "São mais de 20 anos saindo pelo país e tocando em todos os cantos possíveis e, muitas vezes, impossíveis. Foi isso que nos fez ter público em qualquer lugar do país", responde. Ele conclui salientando que o "modo como se consome música está diferente. Tem gente que está se aproveitando disso e outros estão ficando para trás", fazendo o alerta da necessidade de adaptação à nova realidade do mercado.

"O show ao vivo é de onde vem o maior rendimento dos artistas e também está passando por reformulação", cita o guitarrista outra mudança. "Há um novo público com novas exigências", sendo que existe uma grande quantidade de artistas "e um público ávido por novidades. Tem música para todos os gostos só procurar". 

Mas os fãs não estão mais preocupados com os clássicos? "Claro que depois de 30 anos quem vai ao show tem suas preferência" responde em relação as VV. "É obrigação do arista se renovar e se reinventar. Vamos fazer músicas novas e elas entrarão no show novo. E, com o tempo, vemos quais permanecem".

E para sobreviver no meio disso tudo, afinal, as contas vencem todos os meses, os integrantes possuem outros trabalhos, musicais ou não. Por exemplo, Cavalo administra a Gabaju, é roteirista de quadrinhos, escreve livros e faz projetos culturais, além de produzir a banda e outras de que participa; Paulão é redator do SBT; Tuca tem uma cervejaria, a Rusticana e administra o bar; Juliana é professora de canto; Cavalo, Paulão e Tuca promovem o Workchopp, "uma palestra cantante" em que os músicos falam "sobre carreira, cerveja e outros assuntos picantes", além, é claro, de fazerem um som acústico".

O bar se chama  Rockin' Beer e fica em "uma garagem nos confins da Zona Norte de São Paulo". Segundo o guitarrista, "era para ser só o estoque quando a gente também distribuía. Virou um bar logo depois. Vendemos cervejas artesanais brasileiras e promovemos eventos. Raramente tocamos lá. Muito pequeno. Mas reunimos o bloco de Carnaval das Velhas e outras coisas legais. Estamos de mudança para outro endereço no Centro de São Paulo".

Já dentro do quesito - inúmeros - outros projetos musicais, Juliana Kosso canta em uma banda que faz clássicos do rock e leva seu nome; Paulão mantém o Cuelho de Alice hibernando; o Estranhos no Paraíso, de Cavalo, Juliana e o produtor Paulo Anhaia (Paul X, ex-Monster) está na "berlinda", de acordo com o guitarrista, que "ainda toca no Roberto Embriagado com o Mario Bortolotto, onde fazemos covers do Roberto Carlos".
"Há um novo público ávido por novidades"

As Velhas Virgens tocaram perto de Timbó (SC), sede do blog, mais precisamente em Pomerode, em 2.016. "Tocar no sul é muito bom porque você encontra um público que entende de rock e reconhece a linguagem", se recorda o músico. "O show em Pomerode não foi diferente. Gente interessante e interessada! Queremos voltar em breve para lançamento do novo DVD. Aliás, pode nos chamar!". Recado dado, promotores.

Então vamos falar da nova tour. "É um set com as músicas escolhidas pelo público e mais algumas homenagens que estamos fazendo para gente que participou dos nossos discos. Tocamos Marcelo Nova e Camisa de Vênus, Roger e Ultraje, Rita Lee, Titãs, Raimundos, Made in Brazil e uma versão especial de Retalhos de Cetim, do Benito di Paula, com arranjo para blues que está um espetáculo! Vocês precisam conferir esse show novo".

Vale ressaltar que Digão, vocalista e guitarrista dos Raimundos, participa no DVD em Toda puta mora longe e a faixa com Benito di Paula, A última partida de bilhar, é bônus no track list.

Alguém falou de cerveja?


O bate-papo está bom até aqui, no entanto precisamos matar a sede. Sendo assim, a pauta agora é a relação das Velhas Virgens com a bebida mais amada do mundo. "Nosso primeiro rótulo saiu há seis anos e já é 'disco de ouro', com mais de 100 mil garrafas vendidas", disseca o assunto Cavalo comparando ambos os mercados. Na época em que ainda se vendia muitos discos, pré-dowloads, o artista alcançava tal prêmio ao atingir aquela marca.

A primeira breja produzida "foi uma IPA, a chamamos de Indie Man". Por sinal, esta continua como a campeã de vendas. Ele continua dizendo que se tratava de "um sonho antigo ter nossa linha de cervejas". Como dentro da banda havia o responsável pelas receitas, no caso, Tuca, o passo seguinte foi encontrar "o parceiro certo" para produzir. Coube então ao Rodrigo Silveira, da Cervejaria Invicta, de Ribeirão Preto (SP), a função de lançá-las.

"Temos seis rótulos hoje", enumera o portfólio detalhando-o: "uma em homenagem ao Charlie Brown Jr, feita em parceria com o Xande (filho do Chorão), uma American Ale sensacional"; a anteriormente citada "Indie Man; Whitie Dog, Witbier com sabor de limão rosa e semente de coentro; Mr. Brownie, uma Brown Ale com fava de baunilha e aveia; Beijos de Corpo, uma Fruit Beer com amoras pretas; e o lançamento Greenie, uma cerveja de trigo bem lupulada".

Essa mistura de música e cerveja ainda rendeu outros frutos. O projeto Todo dia a cerveja salva a minha vida (2.014) é um álbum e um rótulo feitos na base do crowdfunding, o financiamento coletivo. "Foi o nosso segundo de muito sucesso" conta Cavalo sobre o processo de ajuda dos fãs para editar discos. O primeiro foi o igualmente comemorativo CD/DVD Rockin Beer Tour 25 anos

Para os fãs contribuintes havia alguns prêmios que "as pessoas adoravam como vir e cantar Abre essas pernas com a gente em estúdio e ganhar a versão pessoal da música em CD e vídeo, entre outros". Apesar de "legal", o músico afirma que "esse tipo de projeto dá um trabalho monstruoso. Não pretendemos fazer outro tão cedo".

No caso da cerveja, a banda alterou o rótulo da Whitie Dog para o mesmo da capa do álbum. A breja saiu com uma tiragem de 4 mil garrafas. "Nossos novos rótulos tem um QR code", se empolga ao comentar sobre a modernidade. Com esse código, é possível "ouvir um 'CD' falando de cerveja com músicas escolhidas pela banda inteiramente grátis. O projeto se chama Liberte o Rock da Garrafa".

Sobre preferência, Cavalo diz que a que mais gosta é a "Witbeer, uma cerveja um pouco mais leve e cítrica. E também das escuras e amargas. Das Velhas eu bebo todas com gosto. As receitas do Tuca são muito boas", completa fazendo o merchandising.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Cerveja roqueira, uma nova maneira de beber curtindo música



AB: "Não bebam cervejas pseudo artesanais" (FOTOS: Divulgação)

Mercado artesanal sofre injusta concorrência devido à tributação, segundo Bazzo


A proposta do blog é unir rock e cerveja, ou seja, curtir um bom som apreciando uma boa breja. Então nada mais natural que este mergulhe na cultura cervejeira para que a união desses mundos fique cada vez mais facilitada para o amigo que acompanha o SP&BC. Não por acaso, já existem várias brejas com rótulos de bandas roqueiras. E isso acontece desde 2.010, aproximadamente.

Dessa maneira, nada melhor que um sommelier para falar sobre o assunto. O mestre em estilos de cerveja Alexandre Bazzo, também proprietário da cervejaria artesanal Bamberg, situada em Votorantim, a cerca de 100 km de São Paulo, nos conta um pouco de uma maneira geral sobre a bebida mais amada do mundo e, claro, aquelas em que as bandas de rock estampam os rótulos.

A empresa iniciou as atividades no final de 2.005 e foi batizada com o nome da cidade alemã que forneceu o primeiro malte para o início dos trabalhos. Além dos rótulos roqueiros, a Bamberg produz outros sete tipos da bebida.

SOM PESADO & BOA CERVEJA - Certa vez em um anúncio de emprego da Bamberg, chamou a atenção uma das exigências ser que a pessoa gostasse de rock. Até que ponto esse estilo de música é fundamental em sua empresa?

Alexandre Bazzo - (risos) Era uma brincadeira no anúncio da vaga, mas garanto que quem escutava outros estilos musicais, depois que começou a trabalhar aqui, passou a curtir rock. O rock sempre vence no final (mais risos).


SP&BC - Quando começou esse lance comercial de colocar banda no rótulo de cerveja? Qual sua inspiração? Sabe qual foi a primeira banda no mundo a fazer isso?

Bazzo - Foi natural. A Bamberg sempre seguiu a ideologia punk, do faça você mesmo, de contestar a mesmice, de fazer o diferente. Em paralelo a isso, já conhecia o Sady, batera do Nenhum de Nós e grande estudioso de cerveja [N. do R. Sady Homrick é também colunista de revista sobre o assunto], e em uma conversa surgiu a ideia de homenagear a música Camila, Camila. Começamos a desenvolver o projeto, mas quando estava quase pronta a cerveja, o Paulo Xisto veio aqui na cervejaria e queria retomar a do Sepultura, que eles tinham feito anteriormente em outra cervejaria e esta havia fechado. O Paulo mesmo escolheu o estilo, Weizenbier. Daí lançamos meio que juntas a Bamberg Camila Camila e a Sepultura Weizen.

Através do Sepultura os caras do Raimundos chegaram até nós. Mais tarde o Sady me apresentou ao [baterista] João Barone [do Paralamas do Sucesso] e fizemos a cerveja deles. 
Depois conheci o Badauí num show em que realizaram aqui em Votorantim e também fizemos a cerveja CPM 22.
Para fazer a cerveja converso bastante com a banda, o que eles imaginam, o que eles querem passar para o público com o produto, daí tento encaixar essa história em algum estilo de cerveja, mas todas bandas estão totalmente envolvidas com o processo de escolha do estilo, rótulo, divulgação, etc.
Provavelmente a primeira banda no mundo a fazer cerveja foi o Sepultura, mais uma vez eles foram pioneiros.

SP&BC - Vocês produzem brejas com rótulos para as bandas Paralamas do Sucesso, Nenhum de Nós, Raimundos, CPM 22 e Sepultura, sendo este em dois tipos. Há intenção de convidar outras bandas?
Bazzo - Como contei um pouco acima, a cervejaria já usava uma linguagem rock'n'roll e eles que chegavam até nós pra propor essa parceria. Como sou fã do trabalho de todos não tinha dúvida, topava na hora.
Estamos sempre abertos para outras bandas, só fazemos cervejas de bandas que acredito no trabalho, na mensagem que eles passam e que toquem rock'n'roll. Hoje temos uma dificuldade maior, pois nossa produção está no limite, então tive que recusar excelentes bandas por conta disso.

SP&BC - Dessas, qual é a campeã de vendas?
Bazzo - Todas vendem quase que quantidades iguais, não existe uma campeã.

SP&BC Como funciona, em termos de negócios, essa parceria. As bandas recebem alguma porcentagem sobre vendas?
Bazzo - Algumas optam por receber uma porcentagem, outras não. Na verdade, claro que é um negócio tanto pra nós quanto pra eles, porém nós, a cervejaria e as bandas, entendemos que é mais uma forma de divulgar ambas as marcas do que retorno financeiro, se eu depender da banda pra fazer dinheiro, ou se a banda depender da cerveja pra fazer dinheiro algo está errado. Eu tenho que fazer grana vendendo cerveja e eles músicas. A cerveja pra eles é uma diversão e a música pra mim é uma diversão.

SP&BC - Sobre os tipos, como são feitas as escolhas para os rótulos roqueiros?
Bazzo - A principal coisa é: eles tem que gostar da cerveja deles. Daí antes da elaboração da receita conversamos sobre estilos, algumas vezes degustamos algo para entender melhor. Sempre tem um na banda que já é mais avançado sobre cerveja, então tento encaixar a bebida com a história que queremos contar.

SP&BC - As brejas de grupos não são tipos exclusivos, certo? Por exemplo, um dos tipos do Sepultura é a Weiss, mas a Bamberg tem outro rótulo desse tipo. O líquido é o mesmo ou apresenta diferença?
Bazzo - Algumas vezes é a mesma cerveja nossa com o rótulo da banda, mas a maioria das vezes são receitas exclusivas para o grupo.

SP&BC - Quem não gosta de rock também compra as brejas de bandas? E ao contrário, pessoas adeptas à cultura cervejeira adquirem essas garrafas?
Bazzo - Essa é a brincadeira. Fazer com que uma pessoa que nunca escutou o som pesado do Sepultura, chegue até o quarteto através da cerveja e quem sabe, chega ao som depois. Ou um cara que não bebe cerveja, mas é fã da banda e começa a beber cerveja boa, por causa do grupo. É claro que tem casos de restaurantes ou pessoas que dizem não comprar essa porque não quer vincular com a banda, mas é raro isso.

SP&BC - Roqueiros estão mudando seu hábito e partindo para as artesanais? Caso positivo, isso se deve, principalmente, devido a ver suas bandas favoritas nos rótulos?
Bazzo - Não tenho dúvida: a cerveja artesanal é a cerveja do rock'n'roll! Nosso público é totalmente rock'n'roll, acredito que não seja apenas por causa das bandas, mas no caso da Bamberg, temos a essência punk/rock'n'roll, é natural isso. Não estamos no mainstream, não fazemos o que todo mundo faz, temos atitude, somos independente, acho que isso ajudou até as bandas se identificarem conosco.
AB: "Nosso público é rock'n'roll"

SP&BC - Conhece outro estilo de música que se aventura em estampar um rótulo que não seja rock?
Bazzo - Não conheço, mas deveria ter; se a cervejaria tem uma identidade sertaneja ou [de] samba, manda bala. Nada contra outros estilos de musicas, desde que seja verdadeiro o projeto.

SP&BC - Sobre o evento Bebo Socialmente. Como surgiu a ideia e como funciona? A intenção é inteiramente institucional? E a escolha das bandas?
Bazzo - A ideia era trazer a comunidade local para beber, comer e se divertir com preços justos. Não concordo com a moda na cerveja artesanal de supervalorização, de preços absurdos, não praticamos isso. Daí o Bebo... acontece na rua, não paga para entrar, vendemos chopes com preços baratos e comidas de 5 a 25 reais. Não cobramos cover artístico e todos são bem vindos. Os espaços de comidas e bandas são sempre para empresas, famílias daqui da região [de Votorantim/SP].
Faz dois anos e meio do evento [sic] e ele ganhou uma proporção muito grande; estamos atraindo turistas, promovendo o comércio local, provendo cultura e entretenimento de alta qualidade.
As bandas sou eu quem escolho. O único critério que uso é eu gostar do som, priorizamos bandas autorais; e tem que ser rock'n'roll, quanto mais pesado melhor.

SP&BC - Vocês já ganharam diversos prêmios, inclusive com as cervejas roqueiras. Qual o mais significativo?
Bazzo - São mais de 160 prêmios internacionais, não tem como escolher um significativo, são vários muito importantes e nunca imaginaria que conseguiríamos chegar a ganhar esses prêmios.

SP&BC - Senti falta da Bamberg no Festival Brasileiro de Cerveja, em Blumenau (SC), deste ano. Por que não participaram?
Bazzo - Financeiramente para nós o FBC sai muito caro. Além disso, iríamos com uma equipe daqui da fábrica, o que também prejudica toda nossa rotina interna.

SP&BC - Ainda é muito difícil mostrar para o consumidor que beber menos, mas melhor é bom até para saúde ou o preço é uma barreira enorme?
Bazzo - O consumidor mudou muito de quando começamos. Vivemos um momento fantástico da cerveja artesanal no mundo, o problema maior hoje é o preço, principalmente o overprice [N. do R.: algo como majoração do preços com análise do poder aquisitivo], apenas como marketing.

SP&BC - Quais os desafios das artesanais perante as industriais, mesmo o mercado já mudando bastante?
Bazzo - O principal problema nosso é não ter igualdade de competição com as grandes cervejarias. Nós pagamos 70% de imposto, enquanto as grandes cervejarias pagam 20%. Não queremos privilégios, apenas igualdade de competição.
Outro ponto importante, algumas grandes cervejarias estão comprando as pequenas e tentando barrar o crescimento das artesanais, com isso eles usam táticas de mercado não éticas e tentam confundir a cabeça do consumidor. Por isso, não bebam cervejas pseudo artesanais que fazem parte de grandes corporações.

SP&BC - A compra da Brasil Kirin pela Heineken, que vai acabar entrando no mercado artesanal com a Eisenbahn e a Baden Baden, preocupa?
Bazzo - Não, eles já tinham força com a Schin, depois Kirin; a Heineken não tem histórico de comportamento ruim com seus concorrentes.

SP&BC - Tem algum recado sobre a cultura cervejeira que gostaria de deixar?
Bazzo - Beba cerveja de cervejaria independente, brasileira. Divirta-se bebendo cerveja.

SP&BC - Vou colocar 5 bandas e gostaria que você dissesse quais tipos de cerveja você imagina que combinaria para produzir...
Bazzo - Eu teria que entender o que as bandas esperam do estilo da cerveja deles, se eles querem que combine com a historia da banda, ou com uma música, ou se querem que agrade o máximo de gente possível, ou se querem fazer algo que eles gostem de beber, ou se não querem nada disso e querem que  eu escolha sozinho.

domingo, 2 de julho de 2017

Busic: otimismo a ser seguido

(Divulgação)

Grupo leva nome dos irmãos e segue fiel ao hard rock de bandas anteriores


A nova banda do cenário nacional atende pelo nome Busic. Sim, é o sobrenome dos brothers Ivan (bateria e vocal) e Andria (baixo, guitarra e vocal), que já tocaram com Platina, Taffo, Dr. Sin e em projetos solo.

Completam a formação que gravou o debut autointitulado, editado em dezembro de 2.016, Zeca Salgueiro (ex-Mundo Cão) e Hard Alexandre (ex-Madgator), ambos comandando as seis cordas. 

Pouco tempo depois do lançamento, por divergências internas, ocorreu a primeira mudança na formação coma a saída de Alexandre. Para seu posto foram ouvidos mais de 200 guitarristas. E o escolhido foi o acreano Thiago Melo.

Começamos o bate-papo com Ivan falando sobre o clima do disco. O baterista disse que as composições estão voltadas para os anos 1970, entretanto “com a sonoridade moderna das gravações”. As influências vieram de Pink Floyd, The Who e outras da época.

Chama a atenção as letras em nossa língua, assim como no início de carreira. Seria uma volta às raízes? “Sim, voltamos às raízes, pois em nossas primeiras bandas, compúnhamos em português” responde.

Texto, aliás, que passa mensagens positivas. “Eu acho que o momento pediu isso”, explica o batera. “O mundo já tem coisas negativas o suficiente. Creio que nossa vibe estava em alta por estarmos produzindo um álbum tão grandioso no nosso modo de ver”, comemora.

Não obstante, há assuntos negativos, também, como em Ação e Reação, que fala sobre brigas entre pessoas próximas, e Cilada. “Muita gente se aproveita da inocência ou ignorância do outro para tirar vantagens” elucida Ivan sobre a última. “A ação gera reação e o efeito é sempre catastrófico. Principalmente para quem não tem condições ou cultura para escapar da cilada”.

Continuando a dissecar o assunto, Busic considera que essa época de “roubo generalizado” em que vivemos acaba afetando a população de modo geral. “Infelizmente a impunidade encoraja o crime. No caso da música [Cilada] foi mais uma menção ao cara que sempre quer levar vantagem enrolando o outro com empréstimos e coisas do tipo. O famoso 171”, conclui.

No entanto, esses ingredientes citados acima não atrapalham o sentimento do quarteto em relação à nação. Afinal, o tema derradeiro Nossa terra com versos como “Tenho orgulho dessa terra” devolvem o conceito de positivismo e superação.

Outra faixa que vale algumas linhas é a blues rock Na estrada. Ivan explica que é um estilo em que gosta de compor. O “Andria arrepia quando toca essas linhas bluesísticas no violão, então, quando a compusemos, vimos que seria uma música com um astral incrível”. E para completar, a “letra nos leva a uma atmosfera bem estradeira e tem a alma do blues. O solo de slide ficou nas mãos do grande Faíska”.

O guitarrista Faíska já tocou com grandes nomes do rock nacional como Eduardo Araújo, Rita Lee, Tokyo – primeira banda do Supla –, além de uma carreira solo e trabalhos em estúdio.

Outra influência forte é o Rush. Tanto que consta no track list uma versão para Closer to the heart, do trio canadense, que virou Junto ao coração. “Essa faz parte da nossa história”, entrega Ivan. Quando “estávamos no Prisma, que se tornou Platina, com Daril Parisi, ela já era parte do repertório e do nosso aprendizado”.

E por causa dessas apresentações, os dois conheceram os Abud. “Eles adoravam o Platina e foram nos assistir um dia na Praça do Rock e daí em diante nos tornamos melhores amigos e uma só família", conta. "De tanto adorarem ver a gente tocar a música [Closer...] a Rozana [Abud] compôs uma letra em português e sempre quis que fizéssemos uma versão. Então durante as gravações do Busic resolvemos gravar apenas para presenteá-la, mas depois [a] colocamos no CD.

A Praça do Rock era um festival que acontecia regularmente no Parque da Aclimação, em São Paulo, na década de 1980, em que se apresentavam as bandas paulistanas do período. Heróis do Rock foi outro evento contemporâneo importante.

Toca Raul!

O disco está esgotado e outra prensagem está a caminho. Com atrativos. O novo integrante, Thiago Melo, está regravando algumas partes de guitarra. Os solos “feitos pelo Andria e Faiska no CD permanecem os mesmos”, garante Ivan.Outra novidade é que essa nova versão contará com uma faixa inédita como bônus. 

O Trabalho esgotado evidencia outro lado nesses tempos de downloads e streaming, pois significa que há quem ainda compre álbuns. Para Ivan, “é sempre bom ver que ainda temos fãs adeptos ao disco. Eu particularmente gosto de poder baixar, mas amo mais ainda ter o CD físico”.

Enquanto o produto não chega às lojas, os fãs podem assistir aos vídeos produzidos para alguns temas no Youtube. No entanto, esses fatores todos fizeram com que os shows acabassem em segundo plano, dando uma “travada” na agenda a partir de maio.
Andria em ação no ano 2.000

Mas já tem show marcado para próximo dia 14 de julho, no Sesc Belenzinho, em São Paulo. De acordo com o batera, o repertório conta com “quase todas do Busic e mais outras da nossa história no Dr. Sin, Platina e Taffo, fora alguma surpresa internacional ou nacional de cover também. Como por exemplo, AC/DC ou até mesmo Raul Seixas”.

Falando um pouco sobre a cena de um modo geral, Ivan não se mostra muito empolgado com novidades, pois “infelizmente não há muita coisa nova que me faça parar de ouvir meus bons clássicos ou até mesmo os que estão quase clássicos como Stone Temple Pilots, Rage Against the Machine, Alter Bridge etc”.

Todavia, não é somente rock que eles ouvem, pois o gosto musical vai “desde Beatles, Chuck Berry, Hendrix e Van Halen até Bryan Adams e coisas de outros estilos” como jazz e country.

Uma questão sempre em voga é a possibilidade de sobreviver de música. Ainda mais no Brasil atual. “Somos filhos de músico e sempre soubemos que ela lida com altos e baixos”, comenta Ivan sobre a situação dos irmãos. “Consideramo-nos músicos de coração e graças a Deus conseguimos espaço, mesmo não tendo feito os chamados sons da moda. Sempre dei aula, gravei e toquei com outros músicos e artistas porque adoramos fazer isso. Falo com certeza por mim e pelo Andria”.

Continuando, Ivan afirma que o fato de se tornarem profissionais “de qualidade nos abriu muitas portas no mundo musical para aulas, workshops, produções, acompanhar artistas, compor para nós e para terceiros, representarmos várias marcas de instrumentos e para termos nosso estúdio de gravação”.

Esse estúdio é o Busic Produções, localizado em Moema, bairro de São Paulo. Local em que gravam e produzem diversas bandas. O resultado é que “com isso posso dizer que fomos agraciados por um destino exatamente como sonhávamos. Vivendo de música e com muita integridade desde o início. Existem dias bons e ruins, mas tudo vira música e aprendizado. Acho que é sempre bom você ter atividades que segurem sua barra quando um lado estiver mais fraco naquele momento. No nosso caso todos os lados envolvem música e só posso dar graças a Deus”, sentencia o batera.

E a cerveja?

Bem, chegou a hora de misturar um pouco o rock com breja. “Adoro cerveja”, se alegra Ivan para entregar em seguida que atualmente prefere as artesanais. “Adoro a Baden Golden. Gosto muito de ipa. Aliás, tomei a cerveja da banda Doutorzinho de um grande amigo, o dr. Marcel Vezzaro. A banda é formada só por médicos e meio que homenageia o Dr. Sin pelo nome. A cerveja é uma ipa maravilhosa. Mas também curto as mais normais, digamos assim, como Bud, Heineken etc”.

Depois da sugestão de uma cerveja mais caseira, qual seria a ideal para um rótulo com o nome Busic? “Gostaria que fosse uma no estilo da Baden Golden que leva canela, bem encorpada e que deixasse um gosto bom na boca como essa deixa”. Ou seja, uma do tipo ale

Nesse momento, nos resta aguardar pelo relançamento do álbum Busic e, quem sabe, que alguma cervejaria resolva fabricar uma cerveja sob o rótulo da banda.