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domingo, 21 de fevereiro de 2021

Que aposentadoria, que nada - Fabiano Negri mais ativo que nunca


Munich Helles

Bem maltada, cor dourada, amargor equilibrado e sutil, a Munich Helles foi escolhida para essa audição pois, como surgiu em 1895, claro, na Alemanha, para concorrer com a Pilsen, da Bohemia, não deixa de representar uma certa tradição. Tradição essa que acaba configurando o novo trabalho de Fabiano Negri, o EP Reborn, via Big Can Productions (EUA). 

Em 2.020, noticiamos que o músico campineiro estava se despedindo da carreira (leia aqui). "Eu estava realmente cansado de produzir novo material e não sair do lugar", explica no release que acompanha o material promocional do lançamento. Entretanto, para nossa sorte, surgiu um novo selo no meio do caminho. Só que dos Estados Unidos.

É uma pena que o reconhecimento, tardio, diga-se, venha da Terra do Tio Sam. Porém, o que importa é que ela veio e cá estamos nós diante da primeira parte de Reborn. Sim, teremos mais, ainda bem! A segunda é prometida para meados de 2.021. A divisão serve "para que as pessoas tenham mais tempo de assimilar o trabalho", conta Negri. 

São 6 faixas no total, sendo que a faixa-título ganhou uma versão acústica e encerra o track list. O período conturbado pelo qual passou o multi-instrumentista desde antes do início das composições rederam temas "positivos, reflexivos e diretos", segundo o próprio. O som é aquele hard rock já característico - daí a tradição do início do texto -, levemente mais pesado que o anterior, The Fool's Path (2.020).

Desta vez, Negri gravou todos os instrumentos em seu estúdio caseiro, no interior paulista, além de mixar e masterizar no mesmo local. A única participação externa, digamos assim, foi a de seu filho, Ian, tocando baixo e percussão na excelente Gazing. Todas são boas, mas a minha favorita é justamente o primeiro single, Inside out.

Quem sabe agora, com o interesse de fora, os fãs da boa música no Brasil não abram os olhos e valorizem mais nossos artistas independentes. Apoie a música nacional. O rock nunca vai morrer e sem essa de que não há boas músicas novas. Basta procurar!

Serviço:

Site: www.fabianonegri.com

Facebook: www.facebook.com/fabianonegrisolo.com


domingo, 24 de janeiro de 2021

RETROSPECTIVA 2.020: O que rolou e o que podemos esperar de 2.021



Mesmo não havendo shows, músicos trabalharam bastante em ótimos lançamentos

Acredito que em nenhum outro ano fazer um apanhado do que chegou até o público foi tão importante como agora. Isso porque... bem, todos sabemos como foi 2.020. Existem até anúncios de shows em 2.021, inclusive um Rock in Rio, porém, sinceramente, não acho que role até que estejamos bem seguros quanto a essa pandemia.

Contudo, há de se comemorar que não foi por conta de isolamento que ficamos sem curtir músicas novas. Alguns trabalhos passaram pelo SP&BC enquanto que alguns ainda não. Assim, é uma boa oportunidade para  se fazerem presentes em nosso blog - mesmo que em poucas palavras. Separei três estilos de cervejas mais do que tradicionais para acompanhar essa viagem: Witbier, Session Ipa e Pilsen, pois elas combinam com cada um dos citados aqui.

Começando com o Príncipe das Trevas, que lançou um álbum exatamente 10 anos após o anterior. Ordinary man (leia a resenha aqui) mostrou que Ozzy Osbourne tem muita lenha para queimar. Ainda. Só não gostei da participação do Post Malone. Não dá para ser perfeito.

Esse último ano quase marcou a despedida do cenário musical do campineiro Fabiano Negri. Felizmente quase, diga-se. Porque The fool's path (veja a opinião completa aqui) é, simplesmente, o melhor trabalho nacional do período e não poderia, jamais, significar o derradeiro. Aí que o selo estadunidense Big Can Production o procurou e então surgiu o convite para lançar um disco nos Estados Unidos. Reborn sai no final de janeiro, mas já tem single disponível em seu canal no YouTube, Inside out e Dying city. Outra pedrada está por vir.


Não deu tempo para comentar sobre o último CD do AC/DC, Power up, quando a banda foi homenageada no "10, 20, 30..." (veja aqui). Então, vale comentar neste momento que o álbum realmente é muito bom! Trouxe o quinteto de volta com tudo e ainda com membros antigos que estavam afastados. Grata surpresa!

Outro nome clássico que editou um novo trampo foi o inglês Deep Purple, que soltou Whoosh!. Chega a ser surpreendente como eles, após tantos anos, conseguem manter o nível nas composições.

Falando um pouco sobre singles, que estão bem na moda e que nos garante sempre a perspectiva de novas músicas, algumas bandas passaram por SP&BC neste formato, em qualquer plataforma que seja, uma das vantagens da Internet.

O Metalmad DC, por exemplo, lançou Colheita maldita, Beijo da morte e Olhos de Medusa (veja) mostrando que o futuro disco vai ser matador. E já neste ano saiu Alma seca, outra verdadeira pedrada! Procure pelos caras no canal oficial no YouTube.

Já o Voodoo Shyne veio com Unique (no mesmo texto do Metalmad DC) e A perefect match. Continua afiado e com aquela identidade característica. Também já tem outra nova, a recente, diferente e ótima Love corrupts myself to death. Nas plataformas digitais. O novo álbum, a julgar por essas faixas, promete.

O Fenrir's Scar no brindou com Curse of mankind (clique aqui), The enemy inside e Break the wheel mostrando a força do underground que não pode parar. Alias, o rock não é nada sem o underground, então, amigo roqueiro, vamos prestigiá-lo! A dupla paulista segue firme trabalhando e tomara que CD autointitulado não demore.

Também recomendo o grande King Bird, que veio com Alive, revisited and isolated, mostrando um pouco do que produziu durante os anos em versões ao vivo. Imperdível! 

Primal Fear arrebentou em Metal Commando, enquanto que o Vanderberg surpreendeu com 2020.

E o Sepultura, então? Quadra é um dos registros mais fortes desde que Derrick Green assumiu os vocais do grupo e mostra o quarteto em ótima forma para desespero das viúvas de Max. 

Para fechar, sir Paul McCartney mandou McCartney III e só vou dizer que é difícil parar de ouvir. Sensacional! E que 2.021 deixe a todos vacinados e prontos para voltar a um bom show de rock n'roll com muita aglomeração!

Claro que o ano contou com muitos outros lançamentos. Os que não gostei, conforme a linha editorial, não foram citados. Outros faltaram espaço. Cabe a cada um fazer sua pesquisa e não deixar que o nosso estilo favorito se enfraqueça. Algumas dicas estão aí. Aponte as suas.

sábado, 19 de dezembro de 2020

10, 20, 30... Especial 1.990: O último em evidência do hard rock



Ipa Maracujá

Nem sempre consigo atingir o objetivo pleno deste quadro no blog em que apresentamos uma mesma banda com seus lançamentos em exatos 10 anos de diferença comemorando aniversários cheios. E quando for o caso, uma pincelada sobre o novo disco. Nesse caso teríamos álbuns editados em 2.010, 2.000, enfim, daí por diante. Em 2.020 já tivemos, seguindo essa risca, Ozzy Osbourne, AC/DC - uma pena eu não esperar um pouco mais para comentar sobre o belo Power up -, Judas Priest e Iron Maiden. 

Assim, como alguns nomes importantes dentro do hard/heavy se enquadram na explicação acima, mas possuem trabalhos altamente relevantes, resolvi escolher alguns títulos aleatórios. Percebi na pesquisa inicial que já havia duas publicações na coluna Classics, da Valhalla, assinadas por mim, de bolachas datadas de 1.990. Daí só escolhi um novo, que não deu tempo de fazer anteriormente, para completar, e estava feita a escolha.

Essa pesquisa aconteceu enquanto saboreava uma Ipa Maracujá, que não é exatamente uma Fruit Beer, mas sim uma breja que ganha características frutadas no aroma e sabor por conta dos tipos de insumos usados em sua fabricação. E encontramos várias Ipas com essa adição de frutas no mercado bem interessantes. Uma, inclusive, que até leva o nome de uma das bandas mais queridas do metal.

Vamos ao que interessa. A seguir confira os textos sobre Heartbreak station, do Cinderella, Tattoed millionaire, do Bruce Dickinson, ambos originalmente publicados na Rock Hard/Valhalla #28 e #44, respectivamente, e Flesh & blood, do Poison, este exclusivo do SP&BC. Curiosidade é que este foi o último ano de alta do hard rock, estilo que viveu seu auge nos anos 1.980 e que sofreu com o surgimento da onda grunge. "Ah, mas o Bruce..." Tattoed... é hard, embora não glam, mas é hard, não heavy.



CINDERELLA - Heartbreak Station

Chegou a hora de prestar homenagem a uma das melhores bandas da era hard/galm dos anos 1.980. O conto de fadas do rock deve muito a Jon Bon Jovi, que os viu em um clube na Filadélfia em meados daquela década. Mas obviamente que se o quarteto não fosse realmente bom o suficiente nada teria dado certo. Depois de Night songs (1.986), e Long cold winter (1.988), agora é a vez do country Heartbreak station. Assim como os outros anteriores possuíam uma, digamos, base distinta entre si, este é inspiradíssimo no country, o que fica claro em One for rock and roll. Quando o LP saiu, o primeiro single foi a faixa-título, uma linda balada, porém que denunciava tal inclinação. Até eu levei um – bom – tempo para aceitá-lo, entretanto, não se pode negar a veia rock em The more things change, Love’s got me doin’ time e Love gone bad, por exemplo, sem falar na viagem de Dead man’s road (não deixe de conhecer esta), a divertida Shelter Me. Enfim, vale o álbum todo!  Infelizmente, comercialmente falando, não foi um grande sucesso, talvez por ser diferente, mas turnês gigantescas não faltaram e o nome do grupo se manteve no auge ainda por um período razoável. Atualmente, o conjunto norte-americano está parado, sendo que o guitarrista Jeff LaBar e o baixista Eric Brittingham passaram pelo Naked Beggars enquanto que o líder, guitarrista e vocalista Tom Keifer está em carreira solo com dois ótimos discos lançados [N. do R.: Dados atualizados]. No Brasil, Heartbreak Station não foi lançado em CD, o que dificulta sua aquisição devido ao – salgado – preço do dólar, mas vale cada centavo. (VA)


BRUCE DICKINSON - Tattoed Millionaire

A carreira solo do vocalista do Iron Maiden começou quase que por acidente. A princípio, 1989 seria um ano de férias para os ingleses, porém perguntaram a Bruce Dickinson se ele teria alguma composição para a trilha do filme A Hora do Pesadelo V. Sem pensar muito ele respondeu afirmativamente. Como isso não condizia com a verdade, ele convidou seu antigo amigo guitarrista, Janick Gers (ex-Ian Gillan Band), para a empreitada. Não demorou muito e surgiu Bring your daughter... To the Slaughter. Com o tempo foram nascendo outras até que a dupla se deu conta que já tinha um álbum pronto nas mãos. Ironicamente, a faixa citada acabou entrando em No Prayer For The Dying, aquele que seria o então próximo disco da Donzela. Os dez temas de Tattoed millionaire não se parecem em nada com o Maiden, tendo uma linha mais hard rock e igualmente diferente do que Dickinson faria no restante de seus trabalhos solos. A "sonzeira" já começa logo na abertura com a enérgica Son Of A Gun. A segunda é a faixa-título, um dos hits do LP e a única que ainda é executada até hoje nos shows; foi uma pena ela não ter entrado no ao vivo Scream for me Brazil. Born in ‘58 foi outro hit. Gypsy road possui uma levada mais, digamos, calma e precede outro petardo, Dive! Dive! Dive! Um dos grandes momentos do disco acaba sendo o cover de All the young dudes, de David Bowie. Na seqüência, o encerramento com as interessantes Licking’ the gun, Zulu Lulu e No lies. Em 2.005, este álbum foi relançado em CD duplo, sendo que no segundo constam várias faixas raras, ao vivo, lados B de singles e a versão original de Bring Your Daughter..., que Steve Harris, o chefão do Iron Maiden, na época, proibiu que saísse nesta bolacha porque era uma música excelente para o grupo principal. (VA)




POISON - Flesh & blood

Poderíamos dizer que este é o disco que contém Something to believe in, um enorme hit aqui no Brasil, principalmente. Contudo seria pouco e injusto com uma das grandes obras do hard/glam. Primeiro que o Poison é uma das maiores referências do estilo. Depois que um play que em seu track list exibe Unskinny bop, Life goes on, Ride the wind e a faixa-título, só para escolher algumas, além da citada, já não pode ser tratado com indiferença.

O terceiro álbum do quarteto, lançado em 21 de junho de 1.990, ainda contava com a formação clássica: Bret Michaels, vocal, Bobby Dall, baixo, Riki Rocket, bateria, e C.C. Deville, guitarra. Alcançou o segundo lugar nas paradas e vendeu oito milhões de cópias ao redor do mundo. Um verdadeiro multiplatinado. Rendeu várias turnês com a participação em grandes festivais, como o Monsters of Rock daquele ano. Esse giro de dois anos serviu de base para o primeiro ao vivo dos caras, Swallow this live (1.991).

Após esse auge, um entra e sai e volta de guitarristas aconteceu, inclusive com a passagem de Richie Kotzen, que gravou Native Tongue (1.993). Mas quem comandou as seis cordas no Brasil, no saudoso Hollywood Rock, em 1.995, foi Blues Saracero. Um gigante um pouco adormecido, mas que vale a pena ser redescoberto. Fica a dica!

domingo, 25 de outubro de 2020

ARTIGO: Adeus a um dos gênios da guitarra

FOTO: Perfil oficial no Facebook Van Halen

Dark Strong Ale

Neste artigo vamos fazer uma breve homenagem a um dos maiores guitarristas que este mundo já viu. Então, nada mais justo do que uma breja de gala, uma Dark Strong Ale com seu teor alcoólico na casa dos 10%, para ouvir, aprender, reverenciar, enfim, captar tudo, ou quase, pelo menos o que se conseguir, de que Edward Lodewijk van Halen, que nos deixou no último dia 6 de outubro, produziu ao longo dos seus 65 anos.

O Van Halen foi formado... Ah, isso encontramos em qualquer endereço digno de confiança pela Internet. O que pretendo aqui é tão somente contar o estrago que a banda fez nesse então jovem aspirante a jornalista, ainda nos anos 1.980. A minha maneira de homenagear esse estupendo músico. Depois de Jimi Hendrix, possivelmente, o que mais influenciou nas seis cordas.

Meu irmão, que nem é roqueiro, até meio sem querer, foi me dando pistas ao longo do meu crescimento. Primeiro quando conheci Michael Jackson. Thriller saiu em 1.982 e não me lembro ao certo, claro, quando ouvi pela primeira vez, contudo não me esqueço de como virou febre no Brasil e, claro, a criançada delirava cantando e dançando as músicas do rei do pop.

Não tenho certeza de qual foi a primeira que ouvi - só lembrando de que eu nem sabia o que era rock na época - mas certamente me apaixonei por Beat it. Ali, talvez, o gosto pelo rock and roll já se tornava exposto, afinal o solo de Eddie deixava a música singular. Foi uma das primeiras melodias que gravei na memória.

Seguindo a vida, foi meu irmão que me alertou, assim como no caso anterior, de que aquela música que Marty McFly colocara no walkman para seu pai ouvir naquela cena em que você sabe qual é do filme De volta para o futuro, se tratava de Van Halen. E eu só perguntando: mas quem diabos é Van Halen? Pobre criança...

O tempo passou, descobri o ritmo que nortearia a minha vida na segunda metade daquela década, mas foi somente quando peguei o Van Halen I na mão, emprestado por um amigo, que eu descobri, realmente, o que todas essas referências, entre outras, significavam. Aquele disco editado em 1.978 com apoio de Gene Simmons (Kiss) explicou tudo!

A abertura com Runnin' with the devil foi até que normal, mas quando Eruption ecoou nos alto-falantes, pronto. A partir daquele momento entendi toda a idolatria em torno do guitarrista. Falar que ele revolucionou seu instrumento é chover no molhado. Todo mundo sabe disso, inclusive que ele popularizou a técnica do tapping, criada por Paganini, em que arpejos rápidos são tocados com ambas as mãos no braço da guitarra, que Ace Frehley já fazia, aliás, mas não daquela forma.

E os modelos de guitarra Frankstein, então? Virou marca registrada do quarteto. Tanto que um desenho daquele já te remete instantaneamente ao criador. Um verdadeiro influenciador de música.

Para finalizar, lembro de que ele não precisou seguir carreira solo e nem transformar sua banda, que por sinal liderava ao lado do irmão Alex (bateria), em meros coadjuvantes para que seu talento sobressaísse. A qualidade era notada igualmente com a construção das músicas.

O mundo ficou mais sem graça. R.I.P Eddie van Halen!

sábado, 26 de setembro de 2020

10, 20, 30... Judas Priest: Só 'crássicos'!



Belgian Golden Ale


Este mês de setembro, mais precisamente o dia 3, marcou a comemoração dos 30 anos do mais do que clássico Painkiller, do Judas Priest. Nada mais justo que revisemos a carreira do quinteto inglês para a entrada em nossa coluna 10, 20, 30... e, veja só, encontramos outro classicasso lançado em 1.980: British Steel.

Assim, verificando nos arquivos da saudosa Valhalla, conforme combinado, aqui vou trazer os textos sobre determinada obra como foi publicado à época (por isso, também a diagramação diferente), e encontrei a resenha do Painkiller que não deu tempo ser publicada, antes da revista encerrar as atividades. Ou seja, uma verdadeira relíquia.

Para acompanhar, uma Belgian Golden Ale com dois tipos de maltes, frutas amarelas e bem encorpada para aquele refresco enquanto destruo meu pescoço com o som no talo para poder escrever. Confira!

British Steel (1.980)

Quem teve a oportunidade de se fazer presente no Rock In Rio'01 jamais vai esquecer a multidão cantando em uníssono Breaking the law, faixa que abre o vinil lançado 21 anos antes, quando executada pela banda Halford, em carreira solo naquela noite. O vocalista não cantou uma nota sequer. Digo isso porque eu jamais esquecerei, pois  me arrepia até hoje. Acredito ser o melhor exemplo do que pode se chamar de teste do tempo no que se refere ao ramo das artes.

A banda estava afiadíssima, com sua formação clássica contando com o já citado Rob, Ian Hill, baixo, K.K Downing e Glen Tipton, nas guitarras, e Dave Holland, bateria. São desse álbum,  que alcançou o quarto lugar nas paradas britânicas, igualmente, os não menos hits Metal gods, que dispensa comentários, Living after midnight e United. Mas pode escolher qualquer uma das novo e colocar para rodar sem medo.

Sobre o sucesso da bolacha, além do citado quarto lugar no Reino Unido, abocanharam um disco de ouro nos Estados Unidos, chegando a platina em 1.989, só para ficar nesses mercados. Em 2.017, a revista Rolling Stone o elegeu como o terceiro melhor álbum de metal de todos os tempos.

Ao longo da extensa discografia do quinteto encontramos várias pisadas na bola, sobretudo durante meados os anos 1.980, contudo quando o caras acertam a mão, não tem para ninguém. Por isso continuam por aí, fazendo boa música, haja visto o mais recente, Firepower (2.018).



JUDAS PRIEST
Painkiller
(1990)
É impressionante como certos trabalhos acabam marcando uma geração. Ainda mais quando esta geração é a sua! Se eu fosse jornalista na época e tivesse a tarefa de resenhar Painkiller, lançado em setembro de 1.990, a faria da seguinte forma: “Irretocável, nota 10!” E foi justamente a turnê dessa preciosidade que trouxe esses ingleses pela primeira vez ao Brasil, no Rock In Rio II, em janeiro de 1.991. Como pouco antes de se iniciar as gravações do, então novo álbum, registrado em estúdios na França, Holanda e Inglaterra, o baterista Dave Holland deixou o Judas Priest, Scott Travis (ex-Racer X) assumiu o seu lugar. A produção é assinada por Chris Tsangarides [N. do R.: falecido em 07/01/2.018], só para situar, produtor do Fireworks, do Angra). Logo de cara a faixa-título nasceu como clássica, afinal com a introdução de Travis detonando seu instrumento em uma espécie de “apresentação” aos fãs, mostrou que ninguém iria sentir a falta do antigo membro. E Painkiller mostra um conjunto ligado na modernidade, flertando com o thrash, que dominava a cabeça da rapaziada na época, como o próprio Rob Halford (v) declarou em entrevistas daquele período. A ótima Hell patrol vem na seqüência e a pegada continua a mesma. Sem deixar a peteca cair All guns blazing e a rápida Leather rebel. Bom, na verdade, o que não falta neste LP – sim, ainda era tempo do bom e velho vinil – são temas velozes, bateria com dois bumbos e Halford se esgoelando ao microfone, como em Metal meltdown. Night crawler soa meio estranha a princípio, o que não significa um ponto negativo. Sobre a fantástica Touch of evil, lembro-me até hoje de como essa música tocou em uma rádio rock que existia na região em que moro e que hoje está a serviço dos “putz, putz” da vida. Para fechar, One shot at glory, com refrão-chiclete deixando vontade de voltar a agulha para o começo novamente – ou acionar o play, caso prefira a tecnologia. Depois da turnê, Halford pediu o boné, passou mais de uma década longe da banda e o resto da história todos nós conhecemos. O que importa é que agora o Metal God voltou de onde nunca deveria ter saído. Que o metal esteja conosco! (VA)

domingo, 30 de agosto de 2020

GERAL: Os singles de Velhas Virgens, Metalmad DC, Fenrir's Scars e Casa das Máquinas




Weissbier

Acompanhando as novas tendências do mercado fonográfico, ditado, não de agora, mas principalmente pela baixa venda de discos físicos, as bandas tem apostado suas fichas lançando singles na internet. 

Mesmo não sendo novidade, singles nunca fizeram muito sucesso no Brasil. Contudo, ultimamente, é uma das maneiras mais práticas a disponibilização de uma música nas plataformas digitais, de áudio ou de vídeo. A chance de atingir o público é bem mais fácil que no rádio.

Dessa forma, SP&BC vai dar aquela força e mandar algumas linhas de algumas coisas lançadas nesse formato ultimamente. Abri uma Weiss porque não está mais frio e assim consigo me refrescar enquanto escrevo.


Velhas Virgens - Leprechaun / Vícios e pecados

A banda das Velhas Virgens já planejava o lançamento do novo trabalho, O bar me chama, quando a pandemia chegou e atrapalhou os planos de 100% da população. Mesmo assim alguns singles chegaram para saciar a curiosidade dos fãs. 

Vícios e pecados foi a segunda escolhida, a primeira foi Fake news no longínquo janeiro e traz aquele meio blusão com teor lírico já explícito no título. Leprechaun, lançado em meados de agosto, é o costumeiro jeito de tocar de Paulão, Cavalo e Cia. A letra junta o Leprachaun, uma figura mitológica da Irlanda com personagens do nosso folclore, como saci, mula sem cabeça e outros, além da adição de instrumentos característico do folclore britânico.


Casa das Máquinas - Tão down / Brilho nos olhos / A rua

Apesar de algumas mudanças na formação significativas, ao que tudo indica, a Casa das Máquinas vai vir com um bom álbum. Dos três singles lançados, justamente o último, Tão down, é o melhor, pois tem mais a cara da banda, apesar do acento pop.

Claro que Brilho nos olhos e A rua possuem aquele teclado característico dos anos 1.970, mas são ainda mais pop. Não há problema nisso, claro, caso contrário nem seria citado no blog, mas que faltou uma pegada na guitarra, ah isso faltou.



Metalmad DC - Olhos de Medusa

O release já informa tudo: "desistir não é uma opção". Assim, Olhos de Medusa já é o segundo single do que se promete ser um EP, apesar de que eles mesmo já andam pensando em soltar um full length, o que seria algo sensacional.

Assim como o anterior, Colheita maldita (leia mais aqui), Olhos... também traz um algo a mais no quesito letras, já que aqui falam sobre a famosa da mitologia grega Medusa. A música foi escrita pela formação anterior e ganhou um maior peso agora.


Fenrir's Scar - Curse of mankind

Continuando na onda do metal, o duo campineiro (leia mais aqui) já havia soltado a excelente Heal you no ano passado e agora está de volta com Curse of mankind, editada em julho. Uma música do mesmo nível do álbum de 2.017 e que não deve nada a qualquer grande banda que lhe venha a cabeça.

A música segue aquela linha gothic metal com vocais nos contrapontos masculino e feminino. Segundo os músicos André Baida (vocal, teclado, baixo e teclados) e Desireé Rezendo (vocal), seu som segue uma linha mais alternativa, mas rótulos estão em baixa, então, o negócio é saber se é bom ou não e, para nossa sorte, é bom!

É uma pena que no underground tudo é mais difícil e mediante tantos problemas muitos nomes acabam sucumbindo. Cabe aos chamados apreciadores da boa música fazerem seu papel e colaborando para que nossa cena, que é excelente, nunca padeça.

sábado, 25 de julho de 2020

10, 20, 30... Há 4 décadas o AC/DC lançava o LP de rock mais vendido de todos os tempos


Session Ale

Uma mistura de estilos/categorias como british golden ale e juicy beers estadunidense deu origem a uma Session Ale que abri para saborear enquanto escrevia essas linhas em comemoração aos 40 anos de Back in black, da banda preferida dos catarinenses do Vale do Itajaí (Blumenau, principalmente), o AC/DC. 

De quebra ainda conseguimos revistar The razor's edge (1.990) e Stiff upper lip (2.000) para o nosso tão gostoso de fazer 10, 20, 30... Petardos assim só com um cerveja refrescante como a escolhida. Dessa forma, cumpro a promessa feita na segunda live do Coda On Line. Caso tenha perdido, clique aqui e confira, inclusive, uma participação mais do que especial de Rolando Castelo Jr., da Patrulha do Espaço.

A resenha do prato principal saiu na revista Valhalla #20, portanto, mais um dos meus textos que recupero e trago para o SP&BC. Divirta-se e não se esqueça de se cuidar sempre, não só pela pandemia. Cuidando de você, automaticamente você está cuidando de quem você ama!




AC/DC
Back In Black
(1980)
Troca de qualquer membro de uma banda sempre é algo que mexe com todo mundo, fãs e grupo, mas quando o assunto é o vocalista... Aí o negócio duplica, sendo uma situação muito delicada. Como se já não bastasse o problema de substituir o cantor, o motivo não era dos melhores, afinal Bon Scott havia partido dessa para uma melhor. O AC/DC já se encontrava em uma posição de destaque, o que aumentaria ainda mais a responsabilidade do “escolhido”. Brian Johnson ficou com a bomba na mão, se é que o caro leitor me entende. Idéias de Scott foram abandonadas por se imaginar que não seria legal usá-las naquele momento. Tanto a capa quanto o título foram em homenagem ao saudoso amigo. Porém, quando em 25 de julho de 1980, Back In Black chegou nas prateleiras o resultado foi imediato mostrando que o grupo não poderia ter feito melhor escolha. Aliando ótimas composições, muita energia e um vocal, que apesar de parecer o Pato Donald, caiu como uma luva para o mercado ianque. São deste trabalho as pedradas Hells Bells, Shoot To Thrill, a faixa-título e You Shook Me All Night Long – o maior sucesso comercial do quinteto –, todas executadas obrigatoriamente nos shows até hoje, além de Rock And Roll Ain’t Noise Pollution, que foi muito bem nas paradas de singles. É um dos mais vendidos da história da música. Obrigatório! (VA)


The razor's edge

Quando se tem a oportunidade de assistir ao DVD Live, editado em 1.992, conseguimos entender um pouco o tamanho do AC/DC para o rock. Aquela apresentação no saudoso Monsters of Rock, atual Download Festival, em 1.991, marcou uma época que não volta mais. Para nenhuma outra banda, aliás. A data fazia parte da turnê de The razor's edge, álbum que recolocou os australianos/britânicos no topo das paradas, depois de uma leve decaída na segunda metade da década anterior.

E os números do play, lançado em 24/09/1.990, foram realmente impressionantes: 2º na Billboard 200, dos Estados Unidos, 4º nos charts britânicos e 3º lugar na Austrália. Nada mal. Mas também contando com faixas como Moneytalks, Tunderstruck e Are you ready não teria como ser diferente. A formação contava, além de  Johnson e dos irmãos Young, Malcom e Angus nas guitarras, com o fiel escudeiro Cliff Williams, no baixo, e Chris Slade, na bateria. Vale lembrar que apesar de ser um excelente batera, Slade gravou apenas este trabalho de estúdio.

O quinteto estava, assim, pronto para a próxima década. Em 1.996, os caras lotaram o estádio do Pacaembu, em São Paulo, sozinhos. Eu estava lá! Porém isso é história para um outra oportunidade.


Stiff upper lip

A formação clássica, com Phil Rudd na bateria, estava de volta desde Ballbreaker (1.995) e em Stiff upper lip, editado em 25 de fevereiro de 2.000, o desfile de riffs marcantes, músicas boas e hard rock que agrada multidões continuou. Apesar de não ser nenhuma obra-prima, Stiff... alcançou disco de platina, pela venda de um milhão de cópias, nos Estados Unidos.

Também não podemos dizer que se trata de um trabalho ruim, longe disso. Contudo, é a mesma fórmula de sempre, às vezes funciona melhor que outras. E para este o resultado ficou um pouco aquém do esperado. Ainda assim, logo de cara ao apertar o play do CD a faixa-título surge nos auto falantes e é o melhor cartão de visitas que o álbum poderia proporcionar.

Depois ainda viriam mais dois discos, mudanças na formação, a morte de um dos fundadores, Malcom Young, em 2.017, problemas e mais problemas que não vamos ficar lembrando aqui. O que vale é deixar a agulha fazer o serviço dela perante nossas bolachas e o rock seguir em frente.