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domingo, 21 de junho de 2020

GERAL: Metalmad DC e Voodoo Shyne lançam singles com gosto de quero mais

FOTOS: Divulgação (Metalmad DC)/Facebook (Voodoo Shyne)

Hora de falar um pouco do lançamento de singles. Duas bandas originárias da região de Campinas, no interior paulista, soltaram recententemente uma música cada que que precedem seus respectivos novos trabalhos. 

Dessa vez não escolhi uma mesma cerveja para cada faixa porque um dos integrantes da Metalmad DC (primeira foto), não bebe. Então em respeito a ele deixo para cada um fazer sua escolha. Já para o Voodoo Shyne (segunda) segue a resenha.

Metalmad DC - Colheita Maldita

Na estrada desde 2.012 e com um EP homônimo, a Metalmad DC teve um hiato em suas atividades entre 2.015 e 2.018. Mesmo com o vocalista Alexandre Quadros (ex-Wild Shark) se mudando para o Paraná, resolveram retomar as atividades no ano passado; prometem um novo EP para breve.

Só que entre idas e vindas, ocorreram as tais mudanças na formação. Atualmente, o quarteto de Mogi Guaçu conta, além de Quadros com Sandro Piccolo (baixo, ex-Strauss Noise), Cristiano "Cachorrão" (bateria, Diatribe) e Alex Roque (guitarra, Disorder of Rage).

Colheita Maldita foi composta pela formação anterior, antes da parada, e, segundo o release, "ficou mais agressiva" agora. Como pode-se suspeitar, se trata de "uma homenagem ao conto de mesmo nome do mestre Stephen King", ainda de acordo com o material enviado à imprensa. 

Falando nisso, além da música ser uma verdadeira porrada, daquelas que ao se dar conta você já está bangueando a mil, com uma produção que não deve nada a nenhuma grande banda, o cuidado na divulgação é de fazer inveja a muita gente que também pede passagem em um mercado tão concorrido.

Segue os contatos e como ouvir o petardo, basta clicar na plataforma desejada:



Voodoo Shyne - Unique (Double Ipa)

Voodoo Shyne, de Jaguariúna, já esteve em SP&BC por conta de seu, então, novo álbum, Dispassion (leia resenha aqui) e ao ouvir esse novo som facilmente constatamos algo que é de fundamental importância para qualquer trabalho artístico: ao soar a primeira nota já sacamos de quem se trata.

E não é que Unique é igual ao que foi feito no disco citado, ou nos três anteriores, mas sim de identidade mesmo. Aquele hard com influência de Alice Cooper e Kiss nos anos 1.970 continuam ali e já demonstra que o quinto trabalho do músico será, ao que se indica, a continuação natural de seu antecessor.

A Double Ipa foi a escolhida porque nesse tempo de quarentena, em que na verdade não parei de trabalhar um segundo sequer - graças a Deus -, o que mais figurou em casa foram Ipas e, para escrever, abri uma que ficou com uma harmonização perfeita. 

Então, amigo, vai continuar com a mesma playlist de sempre ou vai dar chance para o underground? Lembre-se que todos começaram um dia. Ouça o artista independente! Para conhecer Unique clique nas opções abaixo:

domingo, 31 de maio de 2020

10, 20, 30.. Iron Maiden: Décadas de relevância

Foto caseira da minha discoteca


Strong Ale


O que é mais legal de se fazer nesse quado em SP&BC é verificar a evolução das bandas durante os anos e em um intervalo de tempo específico, no caso a cada 10 anos. Alguns nomes possuem um ou outro álbum em suas discografias nessas condições - não precisa ser um clássico, apenas ser lançado conforme a regra - enquanto que outras editaram um número, digamos, legal para tanto.

Difícil mesmo é como conseguiu o Iron Maiden nos anos cheios, terminados em zero. Afinal, temos trabalhos que datam em 1.980 (homônimo), 1.990 (No prayer for the dying), 2.000 (Brave new world), 2.010 (The final frontier) e só não temos neste 2.020, possivelmente, por conta da pandemia do novo corona vírus.

De qualquer modo, conseguimos com esse retrato passar por praticamente todas as fases dos ingleses e ainda constatar que músicas mesmo com 40 anos de idade não soam datadas. Para escrever essas linhas resolvi abrir uma Strong Ale, cerveja com um amargor equilibrado e um teor alcoólico de 8%. Para o debut não encaixou muito bem, mas para o restante foi a cereja do bolo. Venceu a maioria.

Falando na estreia, resgatei um texto que assinei para a "Classics", #28, nos idos de 2.005, da revista Valhalla, quando era colaborador. Por isso, também, a paginação diferente, como nas outras vezes em que isso aconteceu. Oportunamente é bom salientar que esse praticamente um mês de falta de um texto novo no blog se deve aquela tradicional correria dos afazeres de contador. Posto isso, enfim, vamos voltar um pouco no tempo. Cheers!



IRON MAIDEN
IRON MAIDEN
(1980)
Como pode uma banda conseguir emplacar tanto sucesso como a Donzela de Ferro consegue? E por tanto tempo? E mesmo com os últimos lançamentos não estando no mesmo nível de qualidade de sua chamada “época clássica”? Isso é tema de Conclusão de Curso de nível universitário! Afinal, antes até de terem gravado um mísero LP já recheavam seus shows com várias faixas assinadas pela própria banda. E estamos falando do longínquo ano de 1980. A fraca produção explica a qualidade de som do registro, entretanto em termos de criatividade este marco zero de uma nova fase para o heavy metal em geral é 10. Ou vai dizer que você não se arrepiou com Iron Maiden naquela noite de janeiro de 2.004 no Pacaembu, caso tenha ido ao show, claro, 24 anos após o disco ser editado? Que o single Running Free os levou a participar do programa britânico da BBC Top Of The Pops, que Derek Riggs, autor deste desenho que já existia em seu portfólio (pasta com trabalhos que servem para apresentar desenhistas, artistas, publicitários etc.) mesmo antes de virar a capa do play, assinou todas as capas até o fim da década e outras “curiosidades” todos estão carecas de saber. Que na época do CD, Iron Maiden foi relançado com alguns bônus, sendo que na bolacha extra havia Sanctuary e Burning Ambition, que não entraram no track list do álbum, e depois ganhou um novo relançamento com faixa multimídia também não é novidade, pois já foi comentado na #22. Ah, sim, esta ilustração possui uma cor diferente da versão em vinil. Enfim, fazer “Classics” do Maiden é tarefa complicada, porém não deixa de ser prazeroso e estimulante no sentido de tentar descobrir qual a chave do sucesso. (VA)






No prayer for the dying


Praticamente todas as bandas tem aquele chamado disco de transição. Pois bem, estamos diante de um caso desses. Aqui marca mais uma mudança na formação: Adrian Smith (guitarra) por estar descontente dos rumos musicais de volta as raízes de que a Donzela estava tomando - talvez por isso a "transição" -, cedeu seu lugar a Janick Gers (ex-Ian Gillan Band), que acabara de fazer o álbum solo de Bruce Dickinson.

Fato é que o quinteto desde o começo sempre flertou com prog metal, haja vista Strange world, da estreia, e com uma ou outra música longa, mas talvez os fãs não estivessem preparados para isso ainda. e este trabalho tem de tudo, menos heavy metal. É bem rock and roll com aquelas passagens progressivas bem características das composições do chefão Steve Harris (baixo).

No prayer... começa em alto astral com a dupla Tailgunner e Holy smoke. Apesar de ser o LP com os temas mais curtos de seus registros, inicia-se na faixa título e segue até o final  essa mistura de guitarras com sintetizadores, não tão usados aqui, é verdade, heavy e prog. Uma banda que parecia sem um rumo definido após dois petardos, Somewhere in time (1.986) e Seventh son of a seventh son (1.988), bem sucedidos com os mesmos sintetizadores.

De qualquer forma, o grande sucesso deste lançamento, que comemora 30 anos, é a assinada por Dickinson Bring your daughter... To the slaughter. Ironicamente, a melhor do álbum a princípio sairia no citado trabalho solo do vocalista, Tatooed Millionaire (1.989). Porém quando o autor a mostrou a Harris, este fez questão de que ela fosse regravada para o Maiden porque ela era a cara do grupo. O single foi primeiro lugar nas paradas britânicas, coisa rara para a banda, e causou treta com grupos religiosos.

Em resumo é um play regular com bons momentos, como toda transição. A partir dele cada vez mais a Donzela de Ferro trilhou os caminhos do prog metal, e as músicas ficaram cada vez mais maiores. Além disso, foi a última bolacha produzida por Martin Birch (Black Sabbath, AC/DC e outros pesos pesados), com eles desde Killers (1.981). Completam a formação nesta gravação Dave Murray, guitarrista presente em todas as formações, e Nicko McBrain, baterista dos caras desde 1.983.


Brave new world

O contexto histórico todos conhecem, então não vamos perder tempo com ele. Contudo, vale dizer, a passagem do cantor Blaze Bayley rendeu um trabalho bom e bem dark, The X factor (1.995), e outro mediano, Virtual XI (1.998) que deixavam clara a proposta do então quinteto. A saída de Bayley e as voltas de Dickinson e Smith, transformaram a banda em um sexteto.

Para a produção de um novo álbum foram aproveitadas três composições dos tempos do antigo vocalista: The nomad, Dream of mirros e The mercenary. As duas primeiras tem bem a levada da formação anterior. Já Blood brtohers começou até ser composta nessa época, sem ser finalizada, pelo menos é o que alega o líder e principal compositor Steve Harris. Procurando no YouTube é possível encontrar um vídeo em que Bayley canta um trechinho dessa.


Carregado pelo hit The wicker man, lembrando o Iron porradão, Brave..., que comemorou 20 anos nessa semana, conseguiu agradar a maior parte da crítica e dos fãs, sendo certificado Disco de Ouro em vários países. É o primeiro a contar com a produção de Kevin Shirley e o último de estúdio a ter a capa desenhada por Derek Riggs. Sinal dos tempos.

A turnê rendeu um ao vivo gravado no Rock in Rio, em 2.001, em um show sensacional! Eu estava lá, conferindo-os in loco pela segunda vez, a primeira com Dickinson nos vocais. Igualmente saiu um DVD da apresentação e a partir deste tornou-se comum a regra de um de estúdio e um blu-ray para atender aos desejos dos fãs.

É um bom CD, com o lado prog ainda mais aflorado, embora eu não tenha dúvidas de que se não ocorresse a mudança na formação ele seria idêntico, salvo as linhas vocais, naturalmente. Concorda? Hora de abrir outra breja para o último trampo.


The final frontier


Que capa é essa? Ou melhor, que disco é esse? Estranho no mínimo. Lá se vão 10 anos desde que The final frontier chegou às prateleiras e, apesar de premiado, não é o mais lembrado, digamos assim. Foi o primeiro que eu não comprei e esta é minha banda de cabeceira.

Sobre os feitos do CD, ele é o quarto álbum a alcançar o #1 nas paradas inglesas, os outros foram The number of the beas (1.982), Seventh... e Fear of the dark (1.992); o single da faixa título, a melhorzinha, diga-se, foi quarto lugar nos Estados Unidos, o que o Maiden conseguiu de maior posição na Billboard 200; por El dorado o grupo levou o Grammy em Melhor Performance de Metal; no Brasil ganhou disco de platina. E daí?

Para mim é um disco preguiçoso, pouco inspirado, com músicas que não terminam e com um trabalho gráfico aquém do produzido outrora. Melvyn Grant assinou a capa. Por sinal, são dele os Eddies mais "diferentes", como em Virtual XI e Fear..., por exemplo.

Enfim, vale conhecer, afinal, sua opinião pode ser outra, mas eu não salvo nenhuma.

domingo, 26 de abril de 2020

Nefasta: da mitologia romana para os copos brasileiros


"Cada rótulo é uma personagem feminina com essa 'coisa' mais rock'n'roll, sanguinolenta"

Empresa familiar une história e rock à cultura cervejeira


Que a cerveja artesanal é um produto diferenciado, todos sabem. A tendência ao rock and roll e um conceito definido, com todas as suas inspirações, são apenas algumas das características que nos fazem, entre amigos, abordar assuntos sobre a cultura cervejeira, por exemplo, entre outros.


E essa história de conceito vem desde a criação do nome para o negócio, importante para qualquer empresa, diga-se, e que, invariavelmente, influencia tanto seus estilos produzidos quanto seus rótulos. Um exemplo de tudo isso é a Nefasta, cervejaria de Florianópolis, que esteve no Festival Brasileiro da Cerveja, em março, em Blumenau.

"Somos de Florianópolis, mas a fábrica fica em São José, cidade vizinha", apresenta a sommerlier Gabriela Drehmer, em uma exclusiva ao blog SB&BC. O grupo conta com a fábrica, bares e uma "loja de insumos para quem faz cerveja em casa. Na região somos os únicos com essa estrutura", completa frisando que se trata de uma empresa familiar no mercado desde 2.016.


"Nefasta é uma deusa da mitologia romana, a deusa da destruição", conta sobre o conceito a profissional. "Ela quem guia todas as outras cervejas que são: Desertora, Condenada, Fugitiva, Foragida. Todos esses adjetivos no feminino que remetem a mulheres contraventoras, rebeldes". Ou seja, mais roqueiro impossível. Para informação, Desertora, a American Ipa, é a mais vendida do portfólio.

Contudo, nada faria sentido se os rótulos, como a capa de um disco, não seguissem essa linha. "Cada um é uma personagem com essa 'coisa' mais rock and roll, sanguinolenta. As pessoas se identificam, gostam da nossa identidade dessa pegada no feminino, ser representada na cerveja de uma maneira diferente do que sempre foi. Um feminino forte, que vai se rebelando", comemora Drehmer.

Observando um dos rótulos, aliás, nos trás uma curiosidade. "Six, Six, Six é uma American Pale Ale com seis tipos de lúpulos diferentes", explica não escondendo que, também há uma certa ligação com uma banda inglesa pouco conhecida. "Sim, não tem como não", responde a pergunta fatal sobre o Iron Maiden e a faixa-título do disco de 1.982, The number of the beast.

"É um dos poucos nomes que não seguem essa linha", conta mais sobre essa breja e inclusive que o batismo foi feito pelo cervejeiro que a criou "como alusão a esses seis lúpulos. Ela conversa com as outras porque é diabólica, é tão ardida, uma mulher com chifres de diabo, sangue escorrendo. É a mais diabólica que temos na nossa carta", finaliza.

Sobre o festival em si, em 2.020 foi a segunda edição da participação com um stand somente da empresa. "A primeira vez foi em 2.018 quando ganhamos a medalha de prata com a Exilada", na categoria Viena. "Estávamos em um stand coletivo junto com mais três cervejarias. No ano passado estávamos com o nosso próprio espaço" lembra.

Carros que já carregam chopeiras são bastante usados pelas empresas do setor. A Nefasta não abre mão do seu. "Participamos de muitos festivais, tanto em Floripa quanto na região e outras cidades do estado. E como participamos de muitos eventos, pensamos em uma maneira prática de carregar toda a parafernália", explica a ideia Drehmer. "O carro é uma solução muito legal, além de muito criativo com a Nefasta toda plotada" gerando curiosidade, o que acaba atraindo o público.

domingo, 12 de abril de 2020

Fabiano Negri: despedida no melhor estilo


Stout



Como escrevi este texto no domingo de Páscoa, depois de comer chocolates acompanhado de uma Stout, resolvi continuar com esse estilo de cerveja para ouvir e, enfim, resenhar The fool’s path, o último trabalho do artista solo campineiro de hard rock Fabiano Negri, lançado recentemente. E uma breja de alta fermentação, malte torrado e na casa do 7,5% de teor alcoólico acabou casando diretamente com a proposta do álbum. Refletir sobre nossa trajetória. Ou no caso, a dele.

O professor, músico, compositor, produtor e multi-instrumentista anunciou em suas redes sociais que este seria seu último disco. Depois de 25 anos de carreira e trinta CDs editados entre carreira solo e as bandas Rei Lagarto, Dusty Old Fingers e Unsuspected Soul Band, The fool’s path se mostra uma reflexão de tudo isso. Um trabalho conceitual que já de cara se mostra um dos melhores, se não o melhor, de sua extensa discografia.

A capa, assinada por Emerson Penerari, mostra uma pessoa, talvez, presa no topo de um penhasco, o que já nos leva a imaginar sobre o conteúdo da obra, o "caminho do tolo", em uma tradução livre. No release, Negri explica esse conceito: "O ‘tolo’ tem dois significados. Fala do tolo que insistiu 25 anos numa missão praticamente impossível e o tolo da carta do tarô, que indica uma guinada na vida, abandonando um caminho para recomeçar de forma diferente, mas sem saber se é certo ou errado”.

Dizer que quem faz arte independente no Brasil não é valorizado é chover no molhado, infelizmente. Assunto abordado diversas vezes no SP&BC, inclusive. Basta procurar pelas inúmeras entrevistas no blog. Fato é que, talvez por tudo isso, Negri achou melhor pendurar o microfone  e se dedicar a outros projetos. Quem perde é somente a cena nacional!

Falando da obra em si, são 10 músicas estupendas! Não, não estou puxando o saco do meu conterrâneo. Quem me conhece sabe que jamais faria isso. De todos os discos que resenhei para a revista Valhalla, por exemplo, concedi apenas um 10. Caso ainda estivesse lá, este seria o segundo da minha carreira.

Não vou destacar faixas, pois cada uma se encaixa perfeitamente dentro da proposta e conta uma parte importante da história. Claro que temos os riffs grudentos, refrãos de fácil assimilação em que basta uma ouvida para sairmos cantando a plenos pulmões, tudo muito bem produzido e gravado, como sempre aliás. Além de em alguns momentos lembrarmos do saudoso Rei Largato.

Uma curiosidade. Outro dia compartilhei em uma rede social uma faixa com a letra traduzida de  um dos singles, a balada Changing times, para anunciar que The fool's... figuraria por aqui. Curiosamente, minha sogra, que não gosta de rock - da minha família só eu mesmo (risos) - comentou que gostou da música e, principalmente, da letra, por ser bem verdadeira.

The crew

The fool's path foi gravado no Estúdio Minster, de propriedade do meu amigo de longa data Ricardo Palma, que tocou baixo, mixou e masterizou, enquanto que Cesar Pinheiro se encarregou da bateria. O que sobrou, que não foi pouco, ficou por conta de Fabiano Negri: composição, produção, guitarra, teclado e voz.

O álbum não estará em nenhuma prateleira de loja, até porque atualmente isso é bem raro, e, infelizmente, apenas alguns temas serão disponibilizados nas plataformas digitais. Portanto, o acesso ao CD será apenas através das redes sociais de Negri. E se apresse, pois o prazo para pedidos estava se esgotando.

Pois é, meu velho, se despedir assim, com um disco tão bom é covardia. Por outro lado, a parada é por cima, da melhor maneira que um artista pode despedir-se de seus fãs.

Serviço

quarta-feira, 8 de abril de 2020

Além da música: Iron Maiden no mercado cervejeiro do Brasil

(FOTO: Reprodução)


Empresa paranaense produz a Trooper Brasil Ipa, a primeira fora da Inglaterra



Quando se fala em heavy metal no Brasil uma das bandas que quase instantaneamente vem à nossa mente é o Iron Maiden. Claro que outros nomes clássicos disputam esse lugar no Olimpo, mas a Donzela carrega um algo a mais entre os brasileiros. Não à toa, o Brasil é o país que mais ouve a banda do mascote Eddie em todo o planeta.

E, para quem além do som, curte as cervejas que as bandas lançam com seus nomes estampados nos rótulos, as Troopers já são uma realidade. Criada pela cervejaria Robinsons, da Inglaterra, em parceria com os músicos, e usando como marca o título de uma das faixas mais famosas do grupo britânico, além do Eddie, claro, a breja já faz bastante sucesso há anos.

Esse barulho, naturalmente, chegou ao Brasil de uma maneira que pode deixar o fã, tanto de cerveja quanto de rock, como o leitor do SP&BC, orgulhoso. É que em setembro de 2.019 a curitibana Bodebrown lançou a Trooper Brasil Ipa, a primeira bebida em alusão ao sexteto produzida fora do Reino Unido.


Se engana quem pensa que se trata apenas de licenciamento. "É uma parceria, uma amizade com a banda", conta Victor Oliveira, diretor de marketing da empresa paranaense em uma exclusiva ao blog na época do Festival Brasileiro da Cerveja, em Blumenau (SC), em março.

"Começou na Inglaterra", conta como foi Oliveira, "a Bodebrown participou da produção de uma cerveja" convidada por uma empresa que conta com mais de mil bares naquele país. Essa participação se deu entre Samuel Cavalcanti, o idealizador da cervejaria, e seu irmão, Paulo, que produziram uma English Pale Ale por aqueles lados do oceano.
Essa experiência caiu no gosto dos ingleses chegando até o vocalista Bruce Dickinson. Ele comprou a ideia, já que participa ativamente do processo das Troopers. O primeiro passo estava dado. O músico "pediu para entrarem em contato conosco" explica Oliveira. "Recebemos o convite e depois de alguns meses e encontros com o próprio Bruce acertamos a parceria e a receita da cerveja para a produção aqui no Brasil".

Essas reuniões ocorreram uma vez na França e uma outra na Flórida, esta já em julho do ano passado. Ali foi batido o martelo, após a prova de algumas amostras, chegando a um consenso, ou seja, "uma cerveja com uma pegada brasileira" usando o cacau, "um fruto brasileiro. Surgiu, então a Tooper Brasil Ipa", vibra. Oliveira conta ainda que é "um desejo do próprio Bruce de que cada país tenha uma cerveja do Iron Maiden, da Trooper". 

A escolha da data do lançamento, setembro, casou justamente com as da perna da turnê "Legacy of the beast" do Maiden por estes lados, incluindo o Rock in Rio. Outro evento importante para tanto foi o festival Mondial de La Bière, também no Rio de Janeiro, no mesmo mês.

Para a empresa o mercado reagiu bem ao produto. "Grande parcela de fãs da banda está na América Latina e no Brasil", comemora Oliveira os resultados positivos. "Temos nossos fãs, mas a Trooper abriu um caminho muito maior com os da banda e para quem não conhecia a Bodebrown". 

Não é apenas Trooper

Um dos mais procurados pelo público cervejeiro/roqueiro
A cervejaria foi criada em 2.009 pelo já citado Cavalcanti. Esse tempo todo de estrada ajudou na preferência do Iron Maiden. "Escolheram uma cervejaria que já está há 10 anos no mercado da cervejaria artesanal. Temos muitos prêmios aqui e no exterior" enaltece Oliveira.

E verdade seja dita, um dos stands  mais cheios do Festival Brasileiro da Cerveja, local do bate-papo, foi da empresa. "Participamos praticamente todos os anos e [o stand] sempre foi um dos mais cheios do festival. Percebemos que o público da banda, com camiseta, vem e quer experimentar" aumentando os apreciadores, esclarece. "Claro, a tendência é que o pessoal acesse mais a cervejaria, não só pela Trooper, mas igualmente pelos nossos outros produtos".

A fábrica ganhou quatro medalhas no total no Concurso Brasileiro da Cerveja deste ano realizado na mesma cidade (leia cobertura aqui). Medalha de ouro na categoria Breet Berr e três bonzes sendo duas em categorias belgas e uma sobre Porter.

domingo, 29 de março de 2020

RedCor: a aposta em cervejas fortes

Quem pedir provinha toma essa porretada

Cervejaria paranaense se inspira no hardcore para produzir suas receitas


No Festival Brasileiro da Cerveja, na segunda quinzena de março, em Blumenau, fiz três entrevistas para o SP&BC que começam a aparecer neste endereço agora. A primeira é sobre a RedCor, de Maringá (PR), que, como entrega o nome, tem muito de hardcore em seu conceito. 

Aliás, isso é o diferencial da cerveja artesanal. Não é simplesmente abrir uma empresa, aplicar receitas e sair vendendo. Há todo uma ideia, uma inspiração e uma determinada linha a seguir. Essa é a marca que o blog leva, apresentar toda essa originalidade aos amantes da bebida que mais combina com o rock.

"A RedCor nasceu em 2.015 de um sonho de dois bobos que não aguentavam mais tomar qualquer cerveja", apresenta Diego Zaparolli (FOTO) na exclusiva ao SP&BC, que ao lado de David Redmerski Junior proclamam a cervejaria como viking. 

O nome surgiu da inspiração "em cervejas extremas como American Ipa, Double Black Rye Ipa, que se baseiam na música que escutamos, no rock and roll, na pancadaria mesmo", define Zaparolli. "Uma cerveja sem conversa fiada, é pegada, é alcoolica, é amarga", completa lembrando de toda a intensidade do punk.

O começo sempre é difícil e para eles não foi diferente. O profssional comenta que fizeram algumas parcerias, como uma cervejaria cigana, que não tem sua própria fábrica. "Chegamos a produzir na Cervejaria Araucária. Ganhamos alguns prêmios nesse período com a nossa Rye Que o Parta, que é uma Double Black Rye Ipa". Cerca de um ano após a fundação, a RedCor chegou a ser produzida na Cerveja Blumenau, sediada, naturalmente, na capital nacional das brejas. "Agora em 2.020 demos um start em nossas instalações próprias", comemora.
Stand no Festival da Cerveja

O principal rótulo do portfólio da empresa é a já citada Rye Que o Parta. Ela acumula oito medalhas em concursos tanto no Brasil quanto no exterior. Desses, podemos destacar a medalha de ouro no Concurso Brasileiro da Cerveja, de 2.016, na categoria Rye Beer, além do bronze na classificação geral. "Quem ainda não nos conhece indico tomar a Rye Que o Parta" sugere como porta de entrada. "É pancada, uma baita cerveja, tem 100 IBU, quase o nível máximo de amargor, 7% álcool".

Por falar em pancada, e esse bastão? "Trouxemos para nosso stand um porrete cheio de pregos e nele está escrito Provinha. Se você pedir provinha vai levar uma porretada, pois essa é nossa pegada, da nossa cervejaria mesmo". Ok, então. Eu nem quis saber de provinha e já tomei mesmo a Rye Que o Parta e achei sensacional!

Falando nisso, qual banda seria legal para colocar no volume máximo enquanto se aprecia essa, ou qualquer outra da carta de opções da RedCor? "Eu gosto muito de Lynyrd Skynyrd, de tomar a cerveja relaxado, tranquilo, escutando essa banda". Olha só, pensei em algo mais pesado como um Agnostic Front, por exemplo. "Também serve (risos), é que eu gosto desse estilo de rock, mas é uma puta banda. É sensacional também".

terça-feira, 17 de março de 2020

Festival reúne o melhor entre música, gastronomia e cerveja

(FOTO: Daniel Zimmermann/Divulgação)


Presença do público foi 12% menor em relação ao ano passado


Blumenau (SC) sediou a 12ª edição do Festival Brasileiro da Cerveja entre os dias 11 e 14 de março, nos setores 1 e 2 do Parque Vila Germânica. No mesmo local, porém nos setores 3 e 4, de 11 a 13, rolou a Feira Brasileira da Cerveja. E, claro, antes, de 7 a 10, antes aconteceu o Concurso Brasileiro da Cerveja. 

Enfim, uma semana em que mercado cervejeiro nacional e internacional voltou seus olhos para a terceira maior cidade catarinense. SP&BC marcou presença, naturalmente, na sexta-feira e no sábado, e conta como foi.

Iniciando pelo Concurso, um dos maiores do mundo, 3.284 amostras da bebida distribuídas em 146 estilos diferentes foram avaliadas por mais de 100 jurados do Brasil e do exterior. No total participaram 634 cervejarias que dividiram as 203 medalhas entregues. Considerando um mapa, 11 estados tiveram marcas premiadas no evento. O top 3 ficou assim: Rio Grande Sul com 54 medalhas, Santa Catarina com 45 e São Paulo arrematou 44 pódios. Este evento era fechado.

Vamos degustar?

Já sei qual chopeira usar

Chegando, então, ao que interessa ao grande público, a degustação. Cheguei ao local na sexta às 18 horas e fui conferir as novidades da feira, afinal, não tem breja de qualidade sem uma certa estrutura. Assim, 76 expositores de marcas de países como Alemanha, Espanha, França, Canadá, República Tcheca além do Brasil apresentaram seus produtos. Falando em República Tcheca, fui conhecer um pouco de sua rica história no ramo em um stand. Por lá provei uma diretamente de Pilzen. Sim, a cidade que inspirou o nome do estilo mais conhecido no planeta.

Passei por outros stands de diversos fornecedores como sistema, autosserviço de chope em bar e de torneiras. Esta em formato de guitarra (foto), por motivos óbvios foi a que mais me chamou a atenção. O corpo é o do instrumento mesmo, com cordas verídicas. A personalização é uma tendência.

Hora de conferir a cereja do bolo. Para tanto, a pauta do blog para este ano era bem específica, ou seja, abordar as empresas que tem conceitos diretamente ligados ao rock, apesar de que o produto artesanal tem essa pegada roqueira, independente da proposta da marca. Para minha surpresa apenas três delas se encaixavam no foco. Dessa forma, usei a primeira noite, portanto, para reavaliação e novo rumo no texto.

Faltou empatia

Ajustes feitos, no sábado entrevistamos responsáveis pelas três empresas e elas ficaram tão boas que virarão matérias independentes. Portanto, durante as próximas semanas podem aguardar bate-papos com Bodebrow, falando do sucesso da bebida do Iron Maidein, Red Core e Nefasta.

Apesar de o primeiro dia contar com um amento de público de 14% em relação a mesma data em 2.019, a festa do geral representou uma queda de 12% em relação ao ano passado, com 27,7 mil pessoas. Para o presidente da realizadora do evento, a Associação Blumenauense de Turismo, Eventos e Cultura (Ablutec), Develon da Rocha, a pandemia do corona vírus foi determinante para esse resultado, que foi caindo com o passar dos dias. 

"Conforme o volume de casos foi aumentando, essa diferença foi reduzindo até que chegássemos a esse resultado. Tivemos dezenas de ônibus cancelados", comentou ele através da assessoria de imprensa do festival.

Mascotes marcaram presença

De todo modo, mais de mil rótulos de 100 expositores estavam a disposição dos apreciadores. Sem falar nas mais de 60 opções gastronômicas de 12 estabelecimentos. Nem todos participantes do concurso estiveram do festival, mas vários ganhadores de medalhas marcaram presença.

Em tempos de reforma tributária...

Pausa para nos situar sobre o mercado cervejeiro. Para André Gomes, secretário executivo da Abracerva, Associação Brasileira de Cerveja Artesanal, em exclusiva ao SP&BC, o mercado segue em ascensão com implantação de novas fábricas. "Fechamos o ano [N. R.: 2.019] com 1.209 cervejarias", conforme dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Esse número é 36% comparado com 2.018.

Segundo Gomes, a aprovação da tributação Simples para as empresas "facilitou e estimulou a criação de novas microcervejarias. Além das menores, ajudou também aos brew pubs", este um bar que produz sua própria bebida. Porém, agora uma das lutas da associação é contra a ST, a Substituição Tributária. "Ela encarece demais nosso produto e penaliza a pequena indústria", explicou. "Vamos acompanhar a reforma tributária de perto", conclui.
Mais uma vez provando que rock vem de berço

Rolou música?

Pois é, vamos falar um pouco de atrações musicais. Vinte nomes de estilos diferentes passaram pelos dois palcos. Vi somente alguns, três na verdade, sendo os que tocavam rock, claro. Na sexta acompanhei a dupla Sonido Club que apresentou um set list interessante. Com várias dos Beatles, explicaram que já participaram três vezes do festival que acontece anualmente em Liverpool, a Beatleweek. A que mais agitou o público foi o cover do Rage Agiant the Machine, Killing in the name of, e quando tocaram Legião, obviamente, me retirei.

Para a segunda noite tivemos o Star Beetles, cover argentino do... Ah, você sabe. Os músicos são bons, competentes, mas muito chatos e arrogantes. Uma pena. O público gostou, naturalmente, pois as músicas são boas!

Finalizando, o melhor do cast musical: os gaúchos do Tequila Baby. Aproveitando, o SP&BC é apoiador incondicional do trabalho autoral, e a receptividade que a banda teve, entre as melhores das que vi, comprova isso. Vamos privilegiar quem faz a sua música, que tal? Com um set list que lembrou seus 25 anos na estrada do punk, destaco o petardo Melhor do que você pensa.

Fim de festa, hora então de dizer que, como sempre, o festival estava impecável, bem organizado, enfim, quem foi pode se divertir à vontade. E que venha março de 2.021 para o próximo. Estaremos lá!