Pesquisar este blog

segunda-feira, 15 de novembro de 2021

REVIEWS: Velha guarda mandando bem nas novidades



Tripel

A cerveja Tripel é originária do mosteiro trapista de Westmalle, a Belgian Tripel. Não à toa, é o estilo de breja mais fabricada no mundo vindo da Bélgica, país que, indiscutivelmente, produz as melhores bebidas do planeta. E aqui, no Vale do Itajaí, comercialmente conhecido como o Vale da Cerveja, há quem produza essa maravilha. 

Assim, encontramos alguns lançamentos que se enquadram nessa vibe de harmonização som/cerveja. Portanto, para falar dos novos de Iron Maiden, U.D.O., KK's Priest e Jaeder Menossi Interestelar Experience a escolhida foi uma Tripel, uma das minhas favoritas.

Iron Maiden - Senjutsu

The book of souls (2.015), o antecessor, era legal, mas o novo Senjutsu - que em japonês significa "tática e estratégia" - é realmente bom! Nada se comparado aos clássicos dos anos 1.980, naturalmente. É outra banda. Os caras já mudaram de direcionamento musical há muito tempo. Se bem que desde o início já era possível encontrar os sinais de prog que hoje representam praticamente 100% do som da Donzela.

De qualquer modo, por ser um nome consolidado no cenário mundial, espera muito do Iron Maiden. Então, é natural que o sarrafo seja colocado em uma altura alta. E quando essa barreira é ultrapassada, os fã ficam entusiasmados. É bem o caso.

Posso citar The Writing on the Wall, o primeiro single com direito a clipe, Days of Future Past e Hell on Earth como as faixas que saltam aos olhos em um primeiro momento, porém, mesmo longas (a mais curta tem 5 minutos e o CD é duplo), são faixas que formam um track list do qual no final nem percebemos que se passaram mais de 1h20. Excelente!

 

U.D.O. - Game over

Fala-se tanto de Udo Dirkschneider como ex-Accept que parece até que foi ontem mesmo que ele decidiu seguir carreira solo pela primeira vez, ainda na década de 1.980. No entanto, Game over já é o décimo sexto CD de U.D.O.

A sonoridade é a mesma de sempre, ou seja, aquele heavy metal tradicional, não muito diferente de sua antiga banda - por isso a citação anterior - só que é nas letras que a coisa muda de figura. Como exemplo, temos o tema sobre a venda de armas, sem controle, culminando em mais mortes e violência de Kings and guns. De modo geral, os assuntos são sempre nosso planeta, questões climáticas, enfim, boas reflexões.

Um bom trabalho que vai figurar certamente em muitas listas de melhores do ano. Olha aqui um nome que poderia muito bem estrear no Rock in Rio, não? SP&BC apoia essa ideia!


KK's Priest - Sermons of the sinner

Mais um novo lançamento do Judas Priest... Não, espera! Quase isso. Dois ex-integrantes do Padre inglês, o agora chefe KK Downing, que por lá tocou guitarra por várias décadas e o vocalista Tim "Ripper" Owens, que gravou Jugulator (1.997) e Domotion (2.001), resolveram apostar em uma nova banda e ao lado de Tony Newton, baixo, ex-Voodoo Six, Hostile AJ Mills, guitarra, e Sean Elg, baterista acabam de soltar o debut do KK's Priest,Sermons of the sinner.

Por figurar em SP&BC sabe-se que o álbum é acima da média. Sim, verdade. Há algumas faixas que grudam como chiclete e isso não é demérito algum, absolutamente. Porém, há de se apontar essa ideia de fazer um Judas Priest parte 2 mais modernos ainda. Por essas e outras que inúmeros fãs estão preguiçosos e não procuram por novidades, o que prejudica a cena.

Nada contra Downing e Ripper fazerem um som juntos, claro que não, mas precisava batizar o projeto com o epíteto Priest? Naturalmente, KK ajudou a forjar e criar o som do quinteto britânico, mas apenas atualizá-lo para a atualidade é "jogar para a galera". Em todo caso, só esquecer esse "porém" e curtir.


Jaeder Menossi Interestellar Experience - Idem

O guitarrista Jaeder Menossi (Javali) é um músico experiente com 30 anos de carreira e durante esse tempo todo já tocou ao lado de gente do calibre de Ivan e Andria Busic, Dr. Sin, nos tempos da banda Busic, e Paul Gilbert, do Mr. Big, entre outros.

Como havia algum material que não cabia em seu grupo, Menossi apostou em um trabalho solo e, sim, Jaeder Menossi Interestellar Experience é um disco autointitulado voltado ao seu instrumento. Entretanto, não pense em encontrar apenas exercícios e frituras das seis cordas, mas, sim, um trabalho conceitual.

Segundo o release, o "tema do álbum propõe uma viagem de 90 dias até Netuno em busca de um resgate de si mesmo, a partir de um acerto de contas definitivo com o passado". Complexo, mas vale a pena conferir. São belas harmonias, riffs e solos sem exageros e agradáveis.

O time que gravou o CD, que conta com uma capa instigante assinada pelo artista João Duarte e foi lançado pela Heavy Metal Rock, é, além de Menossi, composto por Rodrigo Barros, baixo e teclado, Jere Nery, vocal, e Loks Rasmussen, bateria, também do Javali.

quarta-feira, 13 de outubro de 2021

10, 20, 30... Sepultura do Brasil para o mundo


Andreas Kisser (g) em ação em Indaial (SC)

German Ale

Pode parecer preguiçoso ao falar de Sepultura escolher uma cerveja cujo estilo a banda já lançou sob seu nome, mas, na verdade, o blog só está corroborando com a escolha. Bom salientar que o grupo oriundo de Minas Gerais também possui outros estilos de brejas lançados com sua marca, mas a família Ale, na modesta opinião do SP&BC, é a que mais combina com o som.

Tentativas em outros estilos aconteceram, mas o German Ale venceu. Assim como o quarteto de thrash metal que se estabeleceu como um dos maiores nomes do metal mundial. E o melhor disso tudo, por ser um grupo brasileiro, os caras tocam em "n" países assim como tocam em sua cidade.

Posto isso, nada mais justo de a primeira banda tupiniquim a participar do nosso 10, 20, 30... seja o Sepultura. Poucas são as que conseguem, em nossos critérios, lançar um álbum com esse respectivo intervalo de tempo e em todas as décadas, o que nos permite constatar sua evolução e como ela se deu. Além do que cada um contou com diferentes formações.

Neste caso, temos discos editados em 1.991 (Arise), 2.001 (Nations), 2.011 (Kairos) e neste 2.021 o novo SepulQuarta. E SP&BC já comentou sobre o quarteto em outras oportunidades como em um show aqui perto, em Indaial, no River Rock (foto), e a resenha de um álbum, no caso, Mechine Messiah.Ah, e teve, também, uma citação em uma entrevista com a empresa que produz as cervejas do Sepultura.

 

Arise (1.991)

Esse recorte do grupo nos mostra uma veia muito interessante dessa discografia: a de não se repetirem. Arise é um quase ápice daquele thrashão iniciado em Schizophrenia (1.987), alcançado em Chaos A.D. (1.993) e marcado definitivamente na história da música pesada em Roots (1.996), o último com a formação clássica.

Na época do lançamento, o responsável por este blog era um recém-chegado à adolescência que já curtia Sepultura há tempos e, portanto, procurou, e muito, pelo álbum que ainda nem estava pronto, mas foi lançado com outras capa e mixagem, sem o cover de Orgamastron (Motorhead) para aproveitar a onda do Rock in Rio II. Hoje é relíquia e aquele garoto, claro, não conseguiu a sua cópia.

Todas as faixas são ótimas, mas Dead embryonic cells salta aos olhos. Uma obra incontestável de uma época que só quem viveu possui histórias incríveis para contar. Inclusive o Rock in Rio, que também estará no próximo capítulo.


Nations (2.001)

Rock in Rio. Falam tanto desse festival que parece ser o único em nosso país. É o que tem nossa assinatura pelo mundo, ok, mas por nossas terras tivemos inúmeros eventos igualmente importantes como Hollywood Rock, Monsters of Rock, Skol Rock, M2000 e por aí vai. De todo modo, o Rock in Rio continua no assunto porque além de a banda tocar em praticamente todas as edições desde 1.991, foi na de 2.001 em que SP&BC esteve presente.

E foi nesta em que foram apresentadas duas das músicas que estariam no então novo álbum Nation, editado meses depois. O show, sem comentários, claro. Mas o assunto aqui é o CD, e um bom CD! Não é nada que mude a cotação do dólar, mas é um trabalho conceitual, algo que se repetiu outras vezes, que trata da criação de uma nação, a Sepulnation, com hino e tudo. Ele veio após o necessário Against (1.998) mostrando o caminho a seguir com Derrick Green nos vocais.


Kairos (2.011)

Em relação a década anterior, outro membro diferente. Se bem que já é o último com Jean Dolabella na bateria. O que agrada neste álbum é o som. Claro que é o metal de sempre, mas aqui parece tão polido quanto sujo. Talvez pela produção de Roy Z (Bruce Dickinson).

Naturalmente as 15 faixas, incluindo o cover para Just one fix, do Ministry, formam um bom disco. De novo, não é o melhor, não marcou época, porém cumpre o seu papel de agradar aos fãs de metal em geral e evidenciar que o quarteto segue firme e forte na estrada com lenha para queimar por muitos anos ainda.

 

SepulQuarta (2.021)

Em 2.020, a banda soltou Quadra, um trabalho excelente! Porém, pouco depois veio a pandemia do novo coronavírus e nada de turnê. Sem divulgação do trabalho como se costuma fazer, o jeito foi se aventurar, como praticamente todos os artistas, pela internet. O Sepultura, então, criou a SepulQuarta, lives semanais em que recebiam convidados para altos papos, jams e o que rolasse.

Nessa vibe, surgiram 28 versões. Dessas, 15 foram escolhidas para entrarem no novo projeto homônimo. E entre as faixas, temos tanto músicas pouco executadas em shows, como Apes of God e Slaves of pain, por exemplo, como a clássica Territory e o maior destaque para Inner self.

SepulQuarta se tornou uma coletânea luxuosa e um novo produto ao mesmo tempo. Track list com novas versões, participação de outros músicos, ou seja, algo que só quem tem história pode proporcionar. Ah, para fechar, a superclássica Orgasmatron com a participação de Phil Campell, guitarrista do Motorhead.

domingo, 19 de setembro de 2021

FAIXA A FAIXA: Gueppardo, a música é a lei

FOTO: Divulgação

Strong

A breja Strong é uma cerveja complexa. Normalmente, elas são refermentadas na garrafa, muito efervescente e com uma espuma densa e cremosa. Essas qualidades combinam perfeitamente com o novo álbum dos gaúchos do Gueppardo, I am the law, com seus temas marcantes.

O disco conta com oito faixas que até não estão tão na cara dos anos 1.980 quanto os dois antecessores, mas ainda assim nos remete ao bom e velho hard/heavy dos bons tempos. Destaco a Beyond and far, When I'm gone e a faixa-título.  

SP&BC conversou com o baixista Rafael Yadek, através de um aplicativo de mensagens, em que o músico nos passou algumas informações importantes sobre o trabalho e o momento do quarteto.

Antes de continuar, é preciso esclarecer de que não se trata de uma entrevista propriamente dita, tanto que aqui contém a opinião do blog sobre o lançamento. Porém, sim, trata-se da estreia de um novo quadro por aqui, o Faixa a Faixa. E os próprios responsáveis pela obra comentam sobre as composições.

A formação do Gueppardo sofreu algumas mudanças desde a última vez deles no blog (leia aqui). "Tivemos duas mudanças de lá pra cá", explica Yadek. Thiago Gutierres registrou os vocais do recente petardo enquanto que na "bateria tivemos uma rápida passagem de Julio Sasquatt que gravou o disco", saindo pouco tempo depois. Em seu lugar, atualmente, está Lucas Rodrigues. Na guitarra, claro, segue Pery Rodriguez.

O CD saiu através de uma parceria dos selos Dr Rock, Hurricane e Metal on metal, da Espanha. E, caso o fã queira procurar os três títulos editados da banda nas plataformas digitais sentirá falta do anterior, que saiu pela Classic Metal. Pelo menos por enquanto. São "questões de direitos autorais, mas isso já foi resolvido e logo subiremos o Execução Sumária (2.019), também", disse o baixista.

"Outro motivo foi que quisemos dar ênfase ao novo trabalho que consideramos nosso melhor disco até agora", explica o músico, algo que SP&BC concorda plenamente. Afinal, as músicas se apresentam mais maduras, consistentes e com riffs mais "na cara".

Yadek comemora "os feedbacks positivos sobre a produção do Sebastian Carsin, com quem a banda sempre gravou e produziu todo seu material", além da do público que, igualmente, aprovou o álbum. 

"Temos agendadas algumas datas", responde o músico sobre os planos para o futuro próximo que reserva dois shows em Assunção, no Paraguai, "pela primeira vez", nos dias 1 e 2 de outubro. "Também filmaremos mais videoclipes para músicas do disco I Am the Law. Paralelamente a isso, seguimos trabalhando em novas composições para o álbum seguinte. E claro, somos uma banda que gosta de tocar muito ao vivo, então estamos aguardando com paciência que essa pandemia cesse para poder voltar a pegar estrada para nos apresentar por aí o máximo que der".

Faixa a Faixa - I am the law

Hora, então, de abrir nossa cerveja e conferir o Faixa a Faixa do novo trabalho da banda de Porto Alegre (RS) Gueppardo. Thiago Gutierres (v) foi quem comentou cada uma das músicas:

"Beyond and far é uma continuação de Fronteira Final (2.017) em estilística e motivo. Fala da união entre todos os rockers e as lembranças da luta diária. Juntos somos mais fortes!"

"I am the law fala sobre liderança, a força que o Metal impera. Fala também sobre o despertar de todo o poder que temos dentro de nós. Invencível, desbravador, libertador. Eu sou a lei, nós somos a lei".

"Price to pay fala da coragem e força que precisamos ter após cada queda. Às vezes, precisamos deixar que as coisas tomem seu rumo, mas não perder o controle. Cada vez nos esforçamos mais e mais, lutando cada dia. Tem ligação direta com Beyond..., mas aqui ao invés de a batalha coletiva é sobre a pessoal".

"When I’m gone trás à tona a incerteza que a paixão cria. A não reciprocidade, a rejeição, o orgulho e o medo do fogo se apagar de um dia para o outro. É o clássico momento em que notamos que amamos algo ou alguém só após ter perdido".

"Forgotten Dreams fala dos amigos perdidos mundo afora e dos sonhos não realizados. Da luta para manter a esperança viva em realizá-los e poder cruzar todas as estradas para o show continuar".

"Lights of freedom é uma carta de amor velada a beleza da noite na cidade e na estrada. Antes de um show, parar e observar as luzes das metrópoles pode ser inebriante e o brilho delas na paisagem nos liberta".

"Midnight city é o momento de apostar, de não fazer cerimônias, e lembrar que o Metal pode nos levar aos extremos, sejam eles bons ou ruins. Fala de libertar sua rebeldia, das insanidades da vida noturna, e das marcas que a estrada nos deixa".

"End of the line não é o fim da linha. É uma mensagem. É um grito de guerra para todos se levantarem e fazerem sua parte na luta contra um sistema que tenta nos controlar, sutilmente, a cada dia. Mas assim como no início do álbum Beyond... nos lembra de que somos mais fortes juntos, End.. pede para ouvirmos a voz que clama dentro de nós para não ficarmos mais parados e atacar com muito Metal".

quinta-feira, 12 de agosto de 2021

REVIEWS: Pandemia no Brasil

Russian Imperial Stout

Antes de iniciar vamos a uma breve explicação. Já faz algum tempo que não temos um texto novo aqui no SP&BC. Fato é que a vida ficou mais corrida por motivos particulares. De todo modo, o blog não vai morrer, pelo contrário, mas a periodicidade está complicada. Assim, vamos encurtar os comentários para falar de mais bandas e aproveitar o tempo. E, também, todos sabem que se é comentado aqui significa que o SP&BC aprova.

Assim como para apreciar essas obras abri uma breja Russian Imperial Stout, com aromas de cacau e café e espuma cremosa persistente. Uma cerveja forte, da família das poter, com maltes tostados, que combina perfeitamente com os CDs que vamos falar.

Começando pelo sensacional novo álbum da Dorsal Atlântica que já nasceu clássico! Pandemia, feito na base do crowdfunding, em que se arrecada verba junto aos fãs visando o lançamento, é conceitual e trata do atual momento em que vivemos aqui em nosso país, afundado não somente pela pandemia global do novo coronavírus, mas também pela política e na, digamos, falta de boa vontade de boa parte da população.

O som é aquele metal pesado com muito bom gosto e as letras, bem, mais claras impossíveis. Provocante. Rebelde. Direto. Enfim, Carlos Lopes soltou o verbo que estava entalado em sua garganta e nos refletir sobre tudo o que está a nossa volta. É para pensar, entender e curtir. O disco conta com uma arte gráfica primorosa e com capa dupla.


 

Fabiano Negri - Reborn

O multi-instrumentista campineiro de hard rock Fabiano Negri (ex-Rei Lagarto, entre outros) colocou no mercado, via Big Can, a segunda parte de Reborn e, portanto, fomos brindados a nos deliciar com mais um CD, agora completo com ambas as partes, de qualidade acima da média. Ambos estão nas plataformas digitais.

Achei a primeira parte levemente superior, no entanto, ao ouvir as 11 faixas como um trabalho único, o que de fato é, percebe-se um direcionamento coeso e que demonstra que o músico tem muita lenha para queimar ainda. Aposentadoria só aos 65 anos, hein.


Freesome - Get me goin' (single)

Keep on naked foi um bom EP editado lá em 2018 pelo Freesome. Se a pandemia não tivesse atrapalhado, possivelmente teríamos um novo disco do quinteto, contudo, mesmo com as dificuldades impostas pelo momento atual, a banda não se intimidou e soltou este single, uma música divertida, daqueles rocks tipo arena. 

Freesome
Bom pegar uma Weiss e colocar Get me goin' para rolar na sua plataforma digital favorita. E que logo venha o próximo EP. O aperitivo foi aprovado!

 

Voodoo Shyne - Instinct me / Through her womb (singles)

Já o Voodoo Shyne está com dois excelentes singles novos, Instinct me e Through Her Womb (para ouvir clique aqui), também disponíveis nas plataformas digitais. A segunda, a mais nova, é uma balada, em que o próprio música a classificou como o "Black Sabbath encontrando Pink Floyd no Planet Caravan". Acho que podemos ficar com essa descrição.

Outros trabalhos que pintaram por aqui e agradaram bastante. O já veterano Brave, com The Oracle, algo que vai na linha do power metal. A faixa título é uma das melhores do disco. Cuidado para não ficar com ela na cabeça devido a seu refrão grudento. Muto bom!

O Warshipper, faz death metal, que não é bem a minha praia, mas Barren... tem lá seus atrativos. Caso idêntico ao Hammathaz, que demonstra muita garra em The-One. Apoie nossa cena, curta, compartilhe, espalhe para os amigos. E não fique ouvindo somente os clássicos, pois ainda há novas bandas ou nomes que ainda não são conhecidos, mas que produzem excelentes títulos.

domingo, 11 de abril de 2021

10, 20, 30... Accept em 40 anos: simplesmente heavy metal

 


Bitter

Enfim, chegou a vez da banda alemã Accept figurar no 10, 20, 30..., um dos quadros mais legais do SP&BC. Com o lançamento de Too mean to die, vasculhamos a discografia do quinteto e encontramos Breaker, de 1.981, para nos ajudar a trilhar e entender a evolução dos caras.

Para nos acompanhar, em um dia abafado, diga-se, resolvi escolher uma Bitter, enquanto escrevo, lupulada, mas não tanto forte, apenas 3,9% de teor alcoólico, pois para ouvir as vozes de ambos trabalhos as bem lupuladas combinam perfeitamente!


Breaker

A ideia do 10, 20, 30... é, justamente, fazer um apanhado dos primórdios com a atualidade da carreira de determinada banda pontuando a cada 10 anos, quando há lançamentos, naturalmente.

E quando percebemos que o Accept seria uma postagem possível confessamos um sorriso de orelha a orelha. Afinal, Breaker é, de fato do início da carreira, o terceiro álbum dos alemães e, apesar de ainda estarem lapidando o som para o ápice que foram os três seguintes, Restless and Wild (1.982), Balls to the wall (1.983), e Metal Heart (1.985), este aqui não fica devendo em nada aos mecionados.

Quando adolescente, quem nunca colocou Son of a bitch no volume mais alto só para incomodar, ou "brigar" com o mundo mesmo, que atire a primeira pedra. A exceção da balada Breaking up again, todas as demais faixas apresentam as melodias fáceis e divertidas, riffs poderosos, refrãos grudentos, e um vocal inconfundível digno de Pato Donald, ou seja, tudo como manda a cartilha do bom heavy metal.

Neste LP estavam na formação Udo Dirkschneider, vocal, Wolf Hoffmann, guitarra, Jorg Fischer, guitarra, Peter Baltes, baixo, e Stefan Kaufmann, bateria. Fica a dica.


Too mean to die

O décimo sexto álbum de estúdio do Accept até parece que virou um projeto do guitarrista Hoffmann, pois foi único que permaneceu até hoje na banda. E guardadas as devidas proporções, o mais novo disco dos alemães é uma verdadeira paulada sonora. Tão bom quanto o anterior, The rise of chaos (leia resenha aqui) e, com certeza, estará em várias listas dos melhores do ano de 2.021.

É uma pena não podermos assistir aos shows como fazíamos até pouco tempo atrás, com aglomeração, pois ouvir esse novo trabalho executado em cima de um palco seria, no mínimo, gratificante.

O bom é que os músicos, ainda bem, não pararam de trabalhar e estão produzindo normalmente sons inéditos e lançando os CDs. Afinal, todo mundo precisa trabalhar, não é só o profissional que fica atrás de uma mesa, ou balcão, ou pega no pesado, mas os artistas de modo geral, que dependem de aglomeração, precisam pagar as contas também, então, fica em casa, amiguinho; vá trabalhar, mas sem "rolê". Não vá às festas clandestinas, etc. Quando tudo isso passar, todos vão ganhar!

Para finalizar, os músicos que gravaram este excelente petardo foram, além do já citado Hoffman, Mark Tornillo, nos vocais - ainda me impressiono com uma certa semelhança com Udo, mas competentíssimo - Uwe Lulis, guitarra, Philip Shouse, guitarra - sim, usaram três guitarras dessa vez -, Martin Motnik, baixo, e Christopher Williams, bateria.

domingo, 21 de fevereiro de 2021

Que aposentadoria, que nada - Fabiano Negri mais ativo que nunca


Munich Helles

Bem maltada, cor dourada, amargor equilibrado e sutil, a Munich Helles foi escolhida para essa audição pois, como surgiu em 1895, claro, na Alemanha, para concorrer com a Pilsen, da Bohemia, não deixa de representar uma certa tradição. Tradição essa que acaba configurando o novo trabalho de Fabiano Negri, o EP Reborn, via Big Can Productions (EUA). 

Em 2.020, noticiamos que o músico campineiro estava se despedindo da carreira (leia aqui). "Eu estava realmente cansado de produzir novo material e não sair do lugar", explica no release que acompanha o material promocional do lançamento. Entretanto, para nossa sorte, surgiu um novo selo no meio do caminho. Só que dos Estados Unidos.

É uma pena que o reconhecimento, tardio, diga-se, venha da Terra do Tio Sam. Porém, o que importa é que ela veio e cá estamos nós diante da primeira parte de Reborn. Sim, teremos mais, ainda bem! A segunda é prometida para meados de 2.021. A divisão serve "para que as pessoas tenham mais tempo de assimilar o trabalho", conta Negri. 

São 6 faixas no total, sendo que a faixa-título ganhou uma versão acústica e encerra o track list. O período conturbado pelo qual passou o multi-instrumentista desde antes do início das composições rederam temas "positivos, reflexivos e diretos", segundo o próprio. O som é aquele hard rock já característico - daí a tradição do início do texto -, levemente mais pesado que o anterior, The Fool's Path (2.020).

Desta vez, Negri gravou todos os instrumentos em seu estúdio caseiro, no interior paulista, além de mixar e masterizar no mesmo local. A única participação externa, digamos assim, foi a de seu filho, Ian, tocando baixo e percussão na excelente Gazing. Todas são boas, mas a minha favorita é justamente o primeiro single, Inside out.

Quem sabe agora, com o interesse de fora, os fãs da boa música no Brasil não abram os olhos e valorizem mais nossos artistas independentes. Apoie a música nacional. O rock nunca vai morrer e sem essa de que não há boas músicas novas. Basta procurar!

Serviço:

Site: www.fabianonegri.com

Facebook: www.facebook.com/fabianonegrisolo.com


domingo, 24 de janeiro de 2021

RETROSPECTIVA 2.020: O que rolou e o que podemos esperar de 2.021



Mesmo não havendo shows, músicos trabalharam bastante em ótimos lançamentos

Acredito que em nenhum outro ano fazer um apanhado do que chegou até o público foi tão importante como agora. Isso porque... bem, todos sabemos como foi 2.020. Existem até anúncios de shows em 2.021, inclusive um Rock in Rio, porém, sinceramente, não acho que role até que estejamos bem seguros quanto a essa pandemia.

Contudo, há de se comemorar que não foi por conta de isolamento que ficamos sem curtir músicas novas. Alguns trabalhos passaram pelo SP&BC enquanto que alguns ainda não. Assim, é uma boa oportunidade para  se fazerem presentes em nosso blog - mesmo que em poucas palavras. Separei três estilos de cervejas mais do que tradicionais para acompanhar essa viagem: Witbier, Session Ipa e Pilsen, pois elas combinam com cada um dos citados aqui.

Começando com o Príncipe das Trevas, que lançou um álbum exatamente 10 anos após o anterior. Ordinary man (leia a resenha aqui) mostrou que Ozzy Osbourne tem muita lenha para queimar. Ainda. Só não gostei da participação do Post Malone. Não dá para ser perfeito.

Esse último ano quase marcou a despedida do cenário musical do campineiro Fabiano Negri. Felizmente quase, diga-se. Porque The fool's path (veja a opinião completa aqui) é, simplesmente, o melhor trabalho nacional do período e não poderia, jamais, significar o derradeiro. Aí que o selo estadunidense Big Can Production o procurou e então surgiu o convite para lançar um disco nos Estados Unidos. Reborn sai no final de janeiro, mas já tem single disponível em seu canal no YouTube, Inside out e Dying city. Outra pedrada está por vir.


Não deu tempo para comentar sobre o último CD do AC/DC, Power up, quando a banda foi homenageada no "10, 20, 30..." (veja aqui). Então, vale comentar neste momento que o álbum realmente é muito bom! Trouxe o quinteto de volta com tudo e ainda com membros antigos que estavam afastados. Grata surpresa!

Outro nome clássico que editou um novo trampo foi o inglês Deep Purple, que soltou Whoosh!. Chega a ser surpreendente como eles, após tantos anos, conseguem manter o nível nas composições.

Falando um pouco sobre singles, que estão bem na moda e que nos garante sempre a perspectiva de novas músicas, algumas bandas passaram por SP&BC neste formato, em qualquer plataforma que seja, uma das vantagens da Internet.

O Metalmad DC, por exemplo, lançou Colheita maldita, Beijo da morte e Olhos de Medusa (veja) mostrando que o futuro disco vai ser matador. E já neste ano saiu Alma seca, outra verdadeira pedrada! Procure pelos caras no canal oficial no YouTube.

Já o Voodoo Shyne veio com Unique (no mesmo texto do Metalmad DC) e A perefect match. Continua afiado e com aquela identidade característica. Também já tem outra nova, a recente, diferente e ótima Love corrupts myself to death. Nas plataformas digitais. O novo álbum, a julgar por essas faixas, promete.

O Fenrir's Scar no brindou com Curse of mankind (clique aqui), The enemy inside e Break the wheel mostrando a força do underground que não pode parar. Alias, o rock não é nada sem o underground, então, amigo roqueiro, vamos prestigiá-lo! A dupla paulista segue firme trabalhando e tomara que CD autointitulado não demore.

Também recomendo o grande King Bird, que veio com Alive, revisited and isolated, mostrando um pouco do que produziu durante os anos em versões ao vivo. Imperdível! 

Primal Fear arrebentou em Metal Commando, enquanto que o Vanderberg surpreendeu com 2020.

E o Sepultura, então? Quadra é um dos registros mais fortes desde que Derrick Green assumiu os vocais do grupo e mostra o quarteto em ótima forma para desespero das viúvas de Max. 

Para fechar, sir Paul McCartney mandou McCartney III e só vou dizer que é difícil parar de ouvir. Sensacional! E que 2.021 deixe a todos vacinados e prontos para voltar a um bom show de rock n'roll com muita aglomeração!

Claro que o ano contou com muitos outros lançamentos. Os que não gostei, conforme a linha editorial, não foram citados. Outros faltaram espaço. Cabe a cada um fazer sua pesquisa e não deixar que o nosso estilo favorito se enfraqueça. Algumas dicas estão aí. Aponte as suas.