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segunda-feira, 10 de setembro de 2018

RIVER ROCK: Se o rock morreu esqueceram de avisar Indaial


Andreas comandando as ações

Pilsen



Sim, senhor, Pilsen para curtir três dias, de 7 a 9 de setembro, com todas as vertentes do rock ditando o feriadão catarinense na 15ª edição do River Rock Festival, em Indaial, no Vale do Itajaí. A escolha se deve por ser a única opção de chope no evento e não só isso, mas também porque é a melhor opção para nos refrescarmos depois de tanto balançarmos cabeças e troncos. Claro que estavam disponíveis cervejas e outras bebidas.

E nós, SP&BC e o Lendas do Rock, marcamos presença no Fest. Fizemos duas entrevistas que, em breve, serão disponibilizadas. Estas rolaram com Imagos Mortis e Cartel da Cevada. Devido a outros compromissos, pudemos conferir apenas a segunda data, o sábado, dia 8, infelizmente.
Acampamento com uma vista linda

Chegamos ao evento, que este ano ocorreu no Rota KM 66, próximo à BR 470, por volta das 16 horas e tivemos um pouco de dor de cabeça para a retirada das credenciais. No entanto, com o problema resolvido, partimos para o trabalho. O clima estava agradável, sol, frio apenas à noite, ou seja, perfeito para acampar, tomar cerveja e curtir rock'n'roll.

Havia stands vendendo CDs, camisetas, acessórios em geral, e, claro, não podia faltar a alimentação do pessoal. Inclusive um "vomitório" (!) no banheiro. O palco foi montado em um barracão com capacidade para 500 pessoas, mas com enormes portões abertos em que era possível que todos no River, se fosse o caso, acompanhassem os shows.

Armum
Público, aliás, que era o mais heterogêneo possível. Punks moicanos, pessoas saindo diretamente da Sunset Strip dos anos 1.980, headbangers de todos os estilos, crianças - muitas, para felicidade da continuidade do gênero musical - e noivos. Você leu certo, no palco aconteceu um casamento com direito a baile de debutantes.

A primeira banda que assistimos foi o Affront (RJ) com um death/black que agitou os presentes. Em seguida, o trio Armum mostrou com quantas notas se faz uma boa "podreira"; técnica e feeling a toda prova. Na sequencia, com o cair do sol, a banda que é a cara do blog: Cartel da Cevada. Os gaúchos fazem rock'n'roll falando de cerveja e outros assuntos divertidos peculiares ao estilo. Mais SP&BC impossível!

Uma das atrações mais aguardadas da noite, o Imago Mortis trouxe músicas de seus quatro álbuns editados. Este foi o primeiro show da turnê do novo disco, LSD, lançado recentemente. Um trabalho conceitual que, pelas faixas apresentadas no set, mostra-se um dos grandes petardos de 2.018. Mas que faltou Prayers in the wind, do projeto Hamlet, faltou. 
Imago Mortis mostrando trabalhos conceituais

Não conseguimos ver muito dos hermanos do Reytoro, pois foi neste momento em que rolaram as duas entrevistas citadas acima. Não obstante, o pouco que vimos foi suficiente para aprovar sua inclusão no line up. Em seguida, casamento, debutantes e um recital metal com direito a uma bela versão para The evil that men do, do Iron Maiden.

Finalmente seria o momento do grande headliner do River Rock. Os shows estavam todos seguindo à risca os horários, porém o Sepultura atrasou em uma hora a subida ao palco. Polícia, dos Titãs ecoou pelo festival antes da Intro que trouxe o quarteto que gravou Machine Messiah (leia a resenha do CD aqui). Abriram com as novas I am the enemy e Phantom self. As mais velhas tiveram sua vez, como a faixa-título Kairos, de 2.011, e a clássica Territory.
Único da formação original do Sepultura

A próxima me trouxe uma verdadeira nostalgia. Jamais imaginei que ouviria alguma vez na vida o Sepultura executar na minha frente - e olha que vi muitos shows dos caras - Innerself. Sem palavras! Entretanto, essa e Ratamahata, já no encore, ganharam versões mais cadenciadas e diferentes. Após Innerself, a banda deu seu "boa noite" contando que estavam na estrada há quase dois anos, o que explica o aparente cansaço dos músicos. Andreas anunciou que por comemorarem 20 anos da entrada de Derrick Green no grupo tocariam algumas da estreia do vocalista, Against (1.998).

Mais alguns hits e Arise encerrou a primeira parte do set, antes do bis, que contou com quatro músicas. Encerraram com Roots e aí, apesar de ainda ter mais três bandas a se apresentarem, devido ao avançar da madrugada, preferirmos voltar para casa. Até porque este texto ficaria ainda maior. Parabéns aos organizadores e que continuem trazendo eventos como esse a todos os roqueiros de Santa Catarina.

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Rock gaúcho underground


Rock, cerveja, putaria e churrasco, a receita do Cartel

APA



Imagine o Tankard, banda de thrash metal alemã que fala sobre cerveja. Poderíamos até sugerir que seria uma que encara bem o espírito do blog SP&BC. Entretanto, uma formação oriunda de Porto Alegre (RS), denominada Cartel da Cevada, é a bola da vez - embora aqui ficamos somente entre cerveja e rock, bem explicado.

Com um som rasgado, sujo e adicionando elementos regionais, para situar o amigo rock'n'roll, mal comparando, seria como se o Carro Bomba ao seu estilo cantasse letras feitas pelas Velhas Virgens e adicionasse o tema churrasco.

Na estrada desde 2.004 e atualmente contando com Igor Assunção, vocal e guitarra, Nando Rosa, guitarra, Leo Bacchi, baixo, Alberto Andrade, bateria, e Santto Nerva encarando uma fantasia de "O Diabo", o Cartel da Cevada foi uma das atrações do River Rock (leia aqui), de Indaial, em setembro último.

Após o show, nós - entenda Programa Lendas do Rock - fomos bater um papo com o líder do grupo, Igor Assunção para conhecer mais sobre mais esse nome do nosso rico underground. Ah, devido às circunstâncias, as tradicionais perguntas sobre qual cerveja combina com determinada banda ficaram de fora. Porém a que recomendei, na verdade, é a opinião do entrevistado.


Fazer som autoral no Brasil.
Cara, tem que se desdobrar, não é fácil. Mas fazemos o que amamos, o que compomos. É um estilo de vida. Por que tocamos? Nem sabemos exatamente, a palavra é amor mesmo. É bem difícil, temos que nos reinventar o tempo todo, nos aperfeiçoar e conseguir recursos para conseguir gravar os discos. Nesse mais recente, Cartélico Volume 1: Fronteira, trago e querência, tivemos apoio da Secretaria de Cultura de Porto Alegre. Para isso fizemos um projeto que foi aprovado. Para lançar tivemos uma "vaquinha virtual", o crowdfunding. E todo valor de merchandising que a banda tem foram os fãs que nos ajudaram. Da mesma forma, no final do ano passado gravamos um DVD e o custo para gravá-lo foi [outra] "vaquinha virtual", afinal, o Brasil não é o pais do rock’n’roll. É um país de varias outras coisas, mas com certeza não é do rock’n’roll e nem do metal. No entanto somos felizes pelos fãs que temos.
Política é importante, mas o Cartel da Cevada é para se divertir

Letras.
Quando começamos, na época do primeiro disco, éramos uma gurizada tocando sobre festa, putaria, cerveja, churrasco, que era o que fazíamos para nos divertir. Nos outros trabalhos fomos amadurecendo e criando uma outra identidade. E sempre brincamos com o sotaque gaudério [N. do R.: algo como gaúcho de nascença], na maneira de contar as histórias, os contos, "causos" etc. E nesse álbum mais recente há alguns conflitos psicológicos. Algumas criticas que não são nem veladas à sociedade em que vivemos. Sempre prezamos pela cerva com os amigos, rock, pelo churrasco porque a vida é muito sofrida. Claro que nos importamos com a situação política, mas o som do Cartel é para as pessoas se divertirem, extravasarem.

Rock gaudério?
Nos chamam de rock bagual [N. do R.: do Sul do Brasil]. Já nos chamaram de rock gaudério, rock gaúcho. Fazemos rock’n’roll mesmo, sujo, pesado, "bagaceira"; tentamos nos divertir.

Não tocar em rádio.
Em um cenário mainstream não temos espaço. Ainda existe o jabá. O mercado é dividido assim. Querendo ou não, é um negócio e se a pessoa tem grana para investir em seu negócio, ok. No independente gaúcho a galera é muito antenada com o marketing digital, internet e trabalham bem. Tivemos que aprender, nos adaptar, pois fazíamos de um jeito, mudou, enfim. Tem rolado, sem muito investimento, afinal são os fãs que nos ajudam. E temos algumas bandas excelentes como Catarse, Ácida, do Rio Grande do Sul, que trabalham bem isso. A estrada é muito importante, haja visto o [festival] River hoje, que estava lotado. Muito bom, principalmente essa união de todas as tribos.

Cerveja.
Uma IPA ou APA bem amargas, de preferência. Inclusive produzimos duas cervejas, uma IPA, chamada A Barbada, e uma American Salt Pale Ale, a Fronteira, uma homenagem ao título do nosso novo disco que se chama Fronteira, trago e querencia. Nos aventuramos nesse universo cervejeiro fazendo umas cervas. Vou mandar umas para o blog para você provar [N. do R.: estamos esperando].

sábado, 14 de setembro de 2019

River Rock e a festa de todas as tribos

The Undead Manz: a modernidade
Ipa


Indaial, a 167 km de Florianópolis, no Vale do Itajaí, pela décima sexta vez foi a capital do rock catarinense por três dias, entre 6 e 8 de setembro, durante o River Rock Festival. Cerca de 30 bandas, das mais variadas vertentes, se revezaram no palco fazendo a alegria de mais de 500 fãs de todas as partes do estado e, também, de outras localidades. Veja a lista completa de se apresentou aqui, na Agenda do blog.

Deny Bonfante: sem exagero
Antes de continuar, vamos explicar por que a Ipa foi a escolhida para acompanhar tal evento. Primeiramente porque era um dos estilos de chope disponíveis no bar. O outro era o Pilsen. Depois por ser uma cerveja tipo clássica, vamos dizer assim. E finalmente, o SP&BC  fez duas entrevistas, com The Undead Manz e Gueppardo, e foi unânime a sugestão do estilo para curtir o som de ambas as bandas por eles mesmos. Os bate-papos você confere em postagens futuras.

Além de bebidas, naturalmente havia uma boa oferta gastronômica. E logo pensando na estrutura, o espaço para o camping era imenso, chuveiros com água quente, limpeza dos banheiros, brinquedo para as crianças e as lojas dos merchans em meio a um paisagem convidativa.
Vai uma lembrança?

Infelizmente consegui apenas estar presente por um breve período no sábado devido a outros compromissos profissionais, entre eles o Pomerode Bierfest - leia aqui. Contudo, já na chuvosa sexta, o Ratos de Porão, que a princípio havia cancelado em virtude do problema de saúde de João Gordo, repensou a decisão e tocou como trio fazendo uma excelente apresentação, segundo os presentes. Chuva ou sol, não importa, o RR rola de qualquer jeito, dizia a organização a respeito do tempo do primeiro dia.

Cheguei ao local, o Rota 66 km Centro de Eventos, somente por volta das 15 horas do segundo dia e assisti a apenas a três shows. Pouco, porém o suficiente para atestar que o festival, não à toa, foi um estrondoso sucesso, novamente. Organização, companheirismo, horários, tudo funcionou por ali.
No stress


A primeira que vi foi o The Undead Manz, de Criciúma, no sul de Santa Catarina. O som é... Bem, é um pouco difícil rotulá-los, podendo notar heavy, industrial e gótico, por exemplo, em suas músicas e visual. O vocalista Z, para não dar muitos spoilers da entrevista, disse que a ideia é justamente essa, misturar tudo. Aconselho a dar uma vasculhada pelas redes sociais da banda e conferir os vídeos no YouTube para tirar sua conclusão. Executaram músicas dos dois discos já editados, The rapture of undead's bride e The rise of the undead.

Em seguida, foi a vez dos gaúchos do Gueppardo subirem ao palco e fazerem com que todo o recinto voltasse no tempo até os anos 1.980. Farofa total! De modo geral, bebem na mesma fonte das bandas da Sunset Strip, contudo, como as letras são em português, acabam nos remetendo à galera daquela época que cantava em nossa língua nativa, como o Salário Mínimo. O set list teve faixas do debut Fronteira Final, uma cantada em espanhol e algumas novas que integrarão o novo álbum a ser lançado ainda em 2.019.
Gueppardo: anos 1.980 total

A última que assisti foi a banda solo do guitarrista Deny Bonfante, do Perpertual Dreams, fazendo um misto de rock instrumental e canções vocalizadas. E para quem ainda não conhece vale dizer que não soa nada forçado ou que tudo esteja à disposição para que a guitarra brilhe. Pelo contrário, todos trabalham para a música. Os caras divulgavam o último disco Stronger than darkness, lançado em maio. É mais uma prova de que o lema do RR, a "festa de todas as tribos", é cumprido à risca.

Tive que deixar o festival com o coração apertado, pois adoraria ter conferido os paulistas do King Bird e também os holandeses do Legion of the Damned, entre outros. Paciência. Quero registrar mais uma vez que o RR é o sucesso que é por conta das pessoas sérias que estão por trás de tudo. Só tenho que parabenizar e esperar que continue assim. Apoio não vai faltar. Para 2.020 a data está reservada, inclusive com um dia a mais no calendário. Long Live to River Rock!!

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Imago Mortis volta à ativa em grande estilo


Porter


Ah, o doom metal da melhor qualidade merece, sim, uma Porter. Pode experimentar! Aliás, não deixa de ser, também, uma forma de brindar o Imago Mortis, banda carioca que voltou à estrada depois de alguns anos inativa, e seu mais recente álbum, LSD.

A atual formação conta com Alex Voorhees, vocal, Daemon Ross, guitarra, Rafael Rassan, guitarra, Charles Soulz, teclado, Paulo Ricardo Silva, baixo, e André Delacroix, bateria. O show de lançamento do CD aconteceu no River Rock Festival, ocorrido em Indaial (SC), no início de setembro.



O guitarrista Daemon Ross bateu um papo com a equipe do Programa Lendas do Rock após a apresentação da banda e o resultado você confere a seguir.

Esse foi o primeiro show do disco novo LSD, certo?
Daemon Ross: Sim, hoje foi o primeiro show do LSD – Love, sex and death. Um CD que demorou quase tanto tempo quanto o Chinese Democracy (2.008) para sair. Gravei as guitarras desse disco há seis anos, não lembrava mais nenhuma música – não conta para ninguém (risos). Começamos a trabalhar nele por conta do River Rock e, então, esse acabou sendo o primeiro show da turnê. Este é um ano especial pra mim porque acabei lançando esse álbum e um outro com uma cantora americana, não sei se você conhece, Lether Lione, de uma banda chamada Chastain, dos anos 1.980 [N. do R.: Claro que conheço. O grupo de heavy metal Chastain fez um certo sucesso naquela década e segue na ativa]. Já fiz duas turnês com ela. Gravei o disco [solo] que saiu neste ano, o Lehter II,  sucessor do Schockwaves. Tenho dado muita sorte com esses trabalhos, tenho tocado com bons músicos, embora não seja um músico profissional que vive disso, pois sou professor universitário. Esse CD [da Leather] tem oito músicas minhas de um total de 11. Nesse do Imago Mortis há algumas contribuições minhas. Bem legal esse reconhecimento como compositor.

Esse trabalho também é conceitual?
Daemon: Sim. Ele conta a historia de um amor que começa e termina passando por todas as suas fases. Há um “que” do Vida (2.002). Cada música conta uma fase do amor, da descoberta, do amor romântico, a do let’s broke up, a do “eu não quero nunca te ver, te odeio”, enfim diversos tipos de amor. Não tem gênero definido, então, apesar de ser cantado por um homem não tem uma relação heterossexual entre os personagens principais. É aberta e geral. Esperamos que todos que leiam as letras se identifiquem passando o sentimento da música. É um disco de arte, não foi feito para vender milhões, não temos essa pretensão. É um bom recomeço. E temos um outro no forno... Serve para mostrar que temos continuidade, uma nova banda e ficar na estrada por muito tempo.

Esse hiato entre os álbuns tem haver com a parada?
Daemon: Os integrantes moram em diversos locais do Brasil, o Alex mora no Rio Grande do Sul, parte da banda mora em Macaé, no RJ, outra parte em uma região mais central da capital, então é muito difícil reunir os músicos. Porém a Internet ajudou muito e esse disco foi reconstruído recentemente a partir de um rascunho que tínhamos há seis anos quando fizemos as demos, mas faltou dinheiro para finalizá-lo, além de outras situações. O Alex insistiu em lançar para pelo menos colocar o material para fora e ver o que acontece e todos se animaram. Depois de hoje [N. do R.: River Rock Festival] acho que vamos continuar juntos para sempre, até que a morte nos separa (risos).

Com as plataformas digitais, downloads etc, ainda compensa editar o trabalho físico?
Daemon: Não compensa financeiramente porque o retorno das plataformas é muito irrelevante, já que é novo ainda. Não temos um nível de visualização muito grande, até por conta do hiato, então temos que nos provar novamente, cair na estrada, enfim, praticamente recomeçar como se fosse uma banda nova. Eu lancei um vinil, cara! Nós amamos esse negócio, é arte. Pensamos até em lançar uma música por vez nas plataformas até completar um disco e lançá-lo mais barato, talvez. Pensamos nisso, mas não fazemos música para ganhar dinheiro, não.

Próximo projeto?
Daemon: Vamos lançar em novembro o vídeo da banda, um clipe de animação de Black Window, uma música minha, uma das únicas laçadas como demo nesse hiato. Será feito por uma empresa do Rio de Janeiro, de um amigo meu. Vai ser  algo que nenhuma outra banda nacional fez. Para variar, é o Imago remando contra a corrente. Somos totalmente anticomerciais.

Por onde vai passar a turnê?
Daemon: Temos alguns contatos lá fora, até por conta de eu ter tocado com a Lether, porém por eu não viver de música, ter outra profissão, diferente do restante que é músico profissional, meu calendário é um pouco diferente, já que tenho que estar de férias para poder fazer algo assim. Mas queremos fazer nosso país primeiro e, claro, depende muito do feedback, de quem viu a banda, de apoiar e pedir a banda

quarta-feira, 13 de outubro de 2021

10, 20, 30... Sepultura do Brasil para o mundo


Andreas Kisser (g) em ação em Indaial (SC)

German Ale

Pode parecer preguiçoso ao falar de Sepultura escolher uma cerveja cujo estilo a banda já lançou sob seu nome, mas, na verdade, o blog só está corroborando com a escolha. Bom salientar que o grupo oriundo de Minas Gerais também possui outros estilos de brejas lançados com sua marca, mas a família Ale, na modesta opinião do SP&BC, é a que mais combina com o som.

Tentativas em outros estilos aconteceram, mas o German Ale venceu. Assim como o quarteto de thrash metal que se estabeleceu como um dos maiores nomes do metal mundial. E o melhor disso tudo, por ser um grupo brasileiro, os caras tocam em "n" países assim como tocam em sua cidade.

Posto isso, nada mais justo de a primeira banda tupiniquim a participar do nosso 10, 20, 30... seja o Sepultura. Poucas são as que conseguem, em nossos critérios, lançar um álbum com esse respectivo intervalo de tempo e em todas as décadas, o que nos permite constatar sua evolução e como ela se deu. Além do que cada um contou com diferentes formações.

Neste caso, temos discos editados em 1.991 (Arise), 2.001 (Nations), 2.011 (Kairos) e neste 2.021 o novo SepulQuarta. E SP&BC já comentou sobre o quarteto em outras oportunidades como em um show aqui perto, em Indaial, no River Rock (foto), e a resenha de um álbum, no caso, Mechine Messiah.Ah, e teve, também, uma citação em uma entrevista com a empresa que produz as cervejas do Sepultura.

 

Arise (1.991)

Esse recorte do grupo nos mostra uma veia muito interessante dessa discografia: a de não se repetirem. Arise é um quase ápice daquele thrashão iniciado em Schizophrenia (1.987), alcançado em Chaos A.D. (1.993) e marcado definitivamente na história da música pesada em Roots (1.996), o último com a formação clássica.

Na época do lançamento, o responsável por este blog era um recém-chegado à adolescência que já curtia Sepultura há tempos e, portanto, procurou, e muito, pelo álbum que ainda nem estava pronto, mas foi lançado com outras capa e mixagem, sem o cover de Orgamastron (Motorhead) para aproveitar a onda do Rock in Rio II. Hoje é relíquia e aquele garoto, claro, não conseguiu a sua cópia.

Todas as faixas são ótimas, mas Dead embryonic cells salta aos olhos. Uma obra incontestável de uma época que só quem viveu possui histórias incríveis para contar. Inclusive o Rock in Rio, que também estará no próximo capítulo.


Nations (2.001)

Rock in Rio. Falam tanto desse festival que parece ser o único em nosso país. É o que tem nossa assinatura pelo mundo, ok, mas por nossas terras tivemos inúmeros eventos igualmente importantes como Hollywood Rock, Monsters of Rock, Skol Rock, M2000 e por aí vai. De todo modo, o Rock in Rio continua no assunto porque além de a banda tocar em praticamente todas as edições desde 1.991, foi na de 2.001 em que SP&BC esteve presente.

E foi nesta em que foram apresentadas duas das músicas que estariam no então novo álbum Nation, editado meses depois. O show, sem comentários, claro. Mas o assunto aqui é o CD, e um bom CD! Não é nada que mude a cotação do dólar, mas é um trabalho conceitual, algo que se repetiu outras vezes, que trata da criação de uma nação, a Sepulnation, com hino e tudo. Ele veio após o necessário Against (1.998) mostrando o caminho a seguir com Derrick Green nos vocais.


Kairos (2.011)

Em relação a década anterior, outro membro diferente. Se bem que já é o último com Jean Dolabella na bateria. O que agrada neste álbum é o som. Claro que é o metal de sempre, mas aqui parece tão polido quanto sujo. Talvez pela produção de Roy Z (Bruce Dickinson).

Naturalmente as 15 faixas, incluindo o cover para Just one fix, do Ministry, formam um bom disco. De novo, não é o melhor, não marcou época, porém cumpre o seu papel de agradar aos fãs de metal em geral e evidenciar que o quarteto segue firme e forte na estrada com lenha para queimar por muitos anos ainda.

 

SepulQuarta (2.021)

Em 2.020, a banda soltou Quadra, um trabalho excelente! Porém, pouco depois veio a pandemia do novo coronavírus e nada de turnê. Sem divulgação do trabalho como se costuma fazer, o jeito foi se aventurar, como praticamente todos os artistas, pela internet. O Sepultura, então, criou a SepulQuarta, lives semanais em que recebiam convidados para altos papos, jams e o que rolasse.

Nessa vibe, surgiram 28 versões. Dessas, 15 foram escolhidas para entrarem no novo projeto homônimo. E entre as faixas, temos tanto músicas pouco executadas em shows, como Apes of God e Slaves of pain, por exemplo, como a clássica Territory e o maior destaque para Inner self.

SepulQuarta se tornou uma coletânea luxuosa e um novo produto ao mesmo tempo. Track list com novas versões, participação de outros músicos, ou seja, algo que só quem tem história pode proporcionar. Ah, para fechar, a superclássica Orgasmatron com a participação de Phil Campell, guitarrista do Motorhead.

domingo, 11 de agosto de 2019

AGENDA: River Rock traz os gringos do Legion of the Damned

Stout


No mês que vem rola o maior festival do Vale do Itajaí e um dos maiores de Santa Catarina. Entre os dias 6 e 8 de setembro rola em Indaial, vizinha de Blumenau, a 16ª edição do River Rock Festival. E com um nome internacionalmente conhecido: o grupo holandês de thrash metal Legion of the Damned, cujo som é inspirado em temas como horror e ocultismo.

No entanto, infelizmente, uma baixa será sentida. Os Ratos de Porão estavam escaldos, mas devido à internação de João Gordo em decorrência de uma pneumonia grave, sua participação, bem como todo o restante dos compromissos da banda até o final do ano, foram cancelados.

Além dos holandeses e dos também confirmados paulistas do King Bird, outro grande nome do River 2.019, a line-up conta com Justabeli (SP), Sinaya (SP), Anthares (SP), Cosmic Rover (SP), Kiko Shred Band (SP), Legacy of Kain (PR), High Butcher (PR), Lacrimae Tenebris (PR), Serpent Rise (RS), Gueppardo (RS), Carcinose (RS), Arandu Arakuaa (DF), AAV (SC), Pogo Zero Zero (SC), Cerebral Cannibal (SC), Anal Vomitation (SC), Deny Bonfante Project (SC), Apócrifos (SC) , Starshok (SC), Tengu (SC), Obscurity Vision (SC), Tosse Harmônica (SC), Homem lixo (SC), Vermouth (SC), The Undead Manz (SC), Overblack (SC), 100dogmas (SC), Balboas Punch (SC), Dark New Farm (SC), Raging War (SC), No One Spoke (SC) e mais duas bandas covers, Tributo Death - Cosmic SOUL (SC) e Tributo Pantera - Cowboys from Rio (SC).

Agora, se ainda não comprou seu ingresso, precisa se apressar, pois as vendas se encerram no próximo dia 25. Eles custam R$ 150 para as três datas do evento. Depois, só juntar a barraca, se preparar para acampar e curtir os shows.

Serviço

Pontos de venda em Indaial e nas cidades próximas, além de Curitiba, no Paraná. Os ingressos adquiridos em qualquer ponto oficial são isentos de taxas e custam R$ 150, mais um quilo de alimento a ser entregue na portaria, até o dia 25/08/2019.

Abertura dos portões: 13 Horas. Shows: 17 Horas. O local será o mesmo do ano passado, ou seja, a Rota km 66, Centro Eventos, na Rod. BR 470, Km 65, Rua Cascavel, 606 Bairro Encano do Norte, Indaial, Santa Catarina. 

Contatos: (47) 98458-1573.

domingo, 3 de setembro de 2017

River Rock em Indaial agita feriadão

PILSEN



Quem ainda procura pelo que fazer neste feriado o SP&BC tem a dica. Rola em Indaial (SC), de 8 a 10 de setembro, o River Rock Festival. Aproximadamente 30 bandas se apresentam nesses três dias. A escolha da Pilsen para acompanhar é justamente porque é o que terá para a venda. O encerramento fica por conta da Casa das Máquinas, enquanto que a banda de black metal norueguesa Ragnarok toca no sábado. Os gringos ainda cumprem outras duas datas no Brasil, 6 em Recife (PE) e 10 em São Paulo.

A line up conta com os seguintes nomes na sexta, a partir das 19 horas, pela ordem de entrada:  Division Hell, Flesh Grinder, Rhestus, Ragnarok, Horror Chamber, Die e Marys secret box. No sábado os shows começam às 10 horas: Azorrague, Syntz, Kate Crush, Asfixia Social, Metal Gods Tribute Judas Priest, Rythual, Juggernaut, Zoombie Cookbook, Capitain Cornelius, Colera, Disthraught, Khrophus, Vulcano, A Sorrowful Dream, Sodamned e Dirty Pigs.

No derradeiro dia, desde às 9 da manhã se apresentam: Divulsor One Man Band, Fearless Womann, Homicide, Rest in Chaos, Howfar e Casa das Máquinas. Os ingressos custam antecipadamente R$ 130 para todos os dias. Na hora o valor será de R$ 180. Outras informações acessem o site do festival (link no primeiro parágrafo).

domingo, 19 de agosto de 2018

Entrevista antiga com Imago Mortis



(FOTOS: DIVULGAÇÃO) Imago Mortis toca em Indaial (SC) dia 8


IPA

Conforme prometido, segue a entrevista que a banda de doom metal carioca Imago Mortis concedeu ao extinto site Stormblast, que eu e meu amigo jornalista dos tempos de faculdade Marcello Silva mantínhamos no início dos anos 2.000. O motivo dessa abertura de arquivo é a presença do grupo no festival River Rock, em Indaial, que rola entre os dias 7 e 9 de setembro, ao lado de Sepultura e Blues Etílicos e mais cerca de 40 nomes do rock de todas as vertentes.

Como a entrevista é antiga, de 2.002, lógico que Fábio Barretto não fez a tradicional relação banda/cerveja, que é tradição no SP&BC, mas eu já apontei aqui qual acredito ser a melhor opção para acompanhar esse som, ou seja, a boa e velha IPA. Divirta-se com o resgate.

A banda carioca Imago Mortis estreou em disco com “Images From The Shady Gallery”, em 1.998. De lá para cá, Fábio Barretto, baixo, Alex Voorhess, vocal, Fabrício Lopes, guitarra, Alex Guimarães, teclado e André Delacroix, bateria, seguem conquistando seu espaço. 

A participação no álbum “William Shakespeare’s Hamlet”, projeto da Die Hard Recors, atual selo do quinteto, foi um ponto alto. Mas, sem dúvida, o novo trabalho, “Vida: The Play Of Change” vai dar o que falar. Nada melhor que o próprio grupo fale a respeito de sua carreira e do novo disco e para isso batemos um papo com Fábio Barretto.

O primeiro álbum do Imago Mortis é de 1.998. Como se explica ele estar entre os melhores discos dos anos de 1.997, 1.998 e 1.999 em várias revistas?
FABIO BARRETTO: Este episódio de nosso disco ter saído durante três anos nas listas de melhores do ano foi algo realmente curioso, é um fato que só pode nos deixar orgulhosos, quer dizer, isto mostra que a galera gostou mesmo do CD. O Images... foi citado na lista de melhores de 1.997 da “Rock Press” pela votação da redação. Isto ocorreu porque, embora este CD só tenha saído na segunda metade do ano seguinte por um atraso da gravadora, ele estava previsto para ser lançado em dezembro de 1.997 e algumas pessoas da imprensa já tinham escutado a master. Já em 1.998, que foi realmente o ano do lançamento, entramos nas listas de melhores do ano pela “Roadie Crew”, “Rock Brigade” e “Showbizz”. Uma grande surpresa que tivemos foi que o Images... foi citado como um dos melhores de 1.998 também pela revista grega “Invader”, isto foi realmente um presente e tanto para nós... Já em 1.999 saímos na lista da “Metalhead”, não sei explicar como isso aconteceu, acho que a galera votou e o pessoal da redação aceitou, talvez por não termos entrado na lista deles em 1.998... Bom, o importante é que só temos a agradecer por isto!

Como foi a repercussão do trabalho de vocês no projeto Hamlet?
FABIO: Cara, foi maravilhosa... Desde o início, quando recebemos o convite para participar do Hamlet, ficamos absolutamente apaixonados pelo projeto. É claro que mergulhamos fundo para compor uma música à altura, procuramos absorver cada detalhe da tragédia de Hamlet, sentir a personalidade de cada personagem, captar os simbolismos ocultos na história... A nossa música, Prayers in the Wind, marca um momento que considero especialmente dramático no Hamlet, que é quando o Rei Claudio, que tramou o assassinato do próprio irmão para usurpar a coroa da Dinamarca, finalmente enxerga a vilania de seus atos e percebe que não há salvação para seus pecados. Esta é uma música sobre um vilão diante do espelho, e nós procuramos realmente nos colocar na pele do vilão, tentar sentir o que ele sentiu e traduzir isto em música. Quer dizer, esta música, como tudo o que fazemos, está impregnada de paixão, o nosso sangue está em cada nota, e isto acaba sendo passado para as pessoas de alguma forma. A receptividade que obtivemos com a Prayers in the Wind não poderia ter sido melhor.

Normalmente conversar com pessoas que passam por algum problema de saúde, ou até alguma deficiência física, é muito difícil, pois muitas se sentem constrangidas com o fato. Foi muito complicado fazer a pesquisa para o tema do novo CD?
FABIO: Neste disco nós procuramos traduzir em música a experiência de um encontro com a morte. Para conseguir isto, é claro que foi necessário pesquisar muito, estudar muito e, principalmente, pensar muito sobre a morte. Pode acreditar em mim, esta não é uma tarefa nada fácil. É como diz a frase do Nietzsche [N. R.: Friedrich Nietzche, filósofo alemão, 1844-1900]: “Se você olhar dentro do abismo, o abismo olhará dentro de você”. Quer dizer, isto não é algo que se faça de uma forma leviana, foi um trabalho que envolveu muita reflexão e seriedade. Foi muito bom você ter feito essa pergunta, pois assim podemos esclarecer melhor este assunto. Para fazer este disco, nós estudamos sobre pacientes portadores de doenças terminais, e até chegamos a ter contato com algumas pessoas que hoje, infelizmente, não estão mais entre nós. Mas este contato foi meramente um contato entre seres humanos, todos igualmente fadados a desaparecer algum dia. Nós jamais iríamos chegar para uma pessoa gravemente enferma e perguntar como é estar morrendo, ou algo assim, como se estivéssemos fazendo um trabalho pro colégio... isto seria algo indigno, exatamente o oposto do que buscamos construir com este disco. Esta compreensão racional do que significa estar morrendo pode ser adquirida através da leitura, há toneladas de livros sobre este assunto. Mas há também uma compreensão emocional da morte, que não se obtém através de livros ou fazendo perguntas... foi este tipo de compreensão que nós buscamos no contato com estas pessoas, pois a emoção é justamente o que é mais importante transmitir numa música.

Banda passou um tempo parada
Vida é um disco conceitual. O “trampo” que dá para fazer um disco assim é proporcional à satisfação por ele estar pronto?
FABIO: Cara, falando de uma forma muito honesta, acho que é mais adequado falar em alívio que em satisfação. É claro que há muita satisfação envolvida também, quando vemos o CD pronto, com uma produção tão esmerada, realmente é algo como a concretização de um sonho. Mas acho que o sentimento principal é de alívio, sinto que uma etapa foi cumprida, uma missão foi levada a cabo, uma longa jornada chegou ao fim. Quando começamos a fazer este disco, nem de longe suspeitávamos que as coisas iriam caminhar desta forma, as idéias foram surgindo de forma torrencial, a ponto de virar quase uma obsessão... Quando penso neste assunto, lembro do que disse Herman Hesse a respeito de um de seus melhores livros, “Viagem ao Oriente”: “Ou eu escrevia este livro ou ficava louco”... Por isto a sensação de alívio, o “Vida” saiu e eu não fiquei louco. Ou, pelo menos, não fiquei mais louco...

Você acha que as pessoas podem sentir mais dificuldade em entender um trabalho conceitual?
FABIO: No caso do “Vida”, não, de forma alguma. Ao contrário, acho que é muito fácil compreender a essência deste álbum. A nossa maior preocupação, durante a composição do “Vida”, foi a de deixar clara a mensagem. É claro que existem obras ditas conceituais que realmente são difíceis e até mesmo impossíveis de se compreender, mas acho que isto acontece porque algumas pessoas têm a concepção errônea de que quanto mais obscuro e confuso for um trabalho, mais “artístico” ele será. Em minha opinião, a arte acontece quando ocorre uma comunicação “entre corações”, entre o coração do artista e o coração de uma outra pessoa diante de sua obra. Este não é um papel meramente passivo, é claro, a pessoa precisa entrar com os seus conteúdos, é necessário algum “esforço” para desvendar a obra. Mas no caso particular da música, este processo é imensamente facilitado, porque a música penetra no corpo primeiro, e só depois vai para a cabeça. É óbvio que há muitos conteúdos e simbolismos secundários em um trabalho como o “Vida”, mas para que alguém possa “entender” a essência deste álbum, basta colocar no CD player e deixar rolar...

De quem foi a idéia do jogo The Play of Change? É possível explicá-lo?
FABIO: Este jogo foi concebido e escrito por mim e pelo Fabrício. “The Play of Change” é uma faixa multimídia onde cada uma das músicas do “Vida” foi representada por uma carta, tal como no Tarot. O jogo pode ser dividido em duas partes, basicamente. Na primeira parte, o jogador sorteia seis dentre as cartas, construindo desta forma uma versão diferente para a história contada no “Vida”. Algumas versões possuem apenas diferenças sutis, outras são radicalmente diferentes... Existem ao todo 2.985.984 combinações, ou seja, são quase três milhões de maneiras diferentes de contar a mesma história, que é a história de um encontro com a morte. A segunda parte do jogo começa com o final da história, pois ao sortear as seis cartas o jogador está ao mesmo tempo montando um hexagrama do I Ching, que responderá a uma pergunta feita no início do jogo. É possível fazer perguntas sobre o presente ou sobre o futuro, envolvendo questões pessoais ou mesmo assuntos coletivos, e a resposta é dada por um oráculo do I Ching, que é o mais antigo método divinatório conhecido.

A capa de Vida é muito bonita. Existe algum conceito nela?
FABIO: Acho que a simplicidade é o grande trunfo desta capa. Ela é super direta, mas não se esgota em uma primeira olhada, muito pelo contrário. Dá para fazer inúmeras associações entre a criança, o título do disco, o logo da banda e a caveira ao fundo... Eu até prefiro não explicitar nenhum conceito, pois acho muito mais enriquecedor que cada um faça suas próprias associações.

A idéia da ilustração foi da banda?
FABIO: Quem fez toda a parte visual foi o Rodrigo Cruz, que é realmente um artista fantástico e que se mostrou inspiradíssimo neste trabalho. Nós enviamos as letras e algumas idéias básicas para o Cruz, tais como os elementos que queríamos que entrassem em cada carta etc., mas o mérito maior foi completamente dele, pois ele soube realmente absorver e traduzir em imagens o conceito do “Vida”. Quanto à capa propriamente, foi um processo super coletivo, ficamos entre duas versões bastante diferentes, ambas igualmente bonitas, e todos deram sua opinião, desde o pessoal da Die Hard até os amigos e vizinhos! Ao final acabamos optando por esta. Cada vez mais vejo que fizemos a escolha acertada.

Sabemos que o MP3 é uma tendência. Mas você sabe me dizer se os fãs de bandas de heavy metal nacional deixam de comprar os álbuns dos artistas brasileiros em favor da troca de arquivos?
FABIO: Esta é uma tendência mundial, mas acredito que o heavy metal é menos afetado que outros estilos “da moda”, tais como pagode, funk etc. Os fãs de heavy metal são os mais fiéis, e acredito que há uma consciência maior no sentido de não prejudicar as bandas. Mas certamente o MP3 é algo que veio para ficar, por isto mesmo colocamos três músicas do CD em nosso site, pois isto acaba divulgando o trabalho da banda, mais pessoas podem conferir o som e decidir se vale a pena ou não comprar o CD.

Por que o hiato tão grande entre Images From The Shady Gallery e Vida: The Play Of Change?
FABIO: Acho que levamos o tempo necessário para lançar o segundo CD, nem mais nem menos. No logotipo do Imago utilizamos o símbolo de Plutão, não somente por sua beleza, mas também por seu simbolismo, que é muito rico. Plutão é o Senhor dos Mortos na mitologia greco-romana e, na astrologia, o planeta que representa a morte e a destruição. Um ano de Plutão equivale a mais de duzentos anos terrestres, e é justamente por este motivo que a sua influência é tão significativa. Enquanto a Lua ou Mercúrio, por exemplo, influenciam modas ou humores passageiros, a influência de Plutão se estende por toda uma geração.

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Agenda: Titãs e Raimundos em Timbó

(Divulgação: titas.net)

Helles


Outro dia já foi comentado no SP&BC que Timbó é uma cidade privilegiada em se tratando de rock. E com anúncio de que os Titãs se apresentam na cidade dia 22 de dezembro com entrada franca em evento promovido pela prefeitura não há como negar.

O show faz parte do "Natal mais encantado", programa em que o governo municipal celebra o Natal e que, no ano passado, por exemplo, teve Jota Quest. Pela cidade já passaram Angra, CPM 22 e este mês ainda terá Raimundos, dia 24, na Biereck.

A região também é forte na cena, afinal a vizinha Pomerode, a cerca de 20 quilômetros, já sediou os gringos Tim "Ripper" Owens (ex-Judas Priest), Blaze Bayley (ex-Iron Maiden), Michael Vescera (ex-Yngwie Malmsteen) e, já há quase 10 anos, Jeff Scott Soto e o grande Eric Martin, vocalista do Mr. Big, entre outros nomes importantes.

Esses exemplos são de duas cidades com população de cerca de 42 mil e 30 mil pessoas, respectivamente. Por outro lado, em Indaial, um pouco maior, conta com o festival River Rock, sempre com vários nomes importantes. E não citamos Blumenau, o verdadeiro polo da Médio Vale do Itajaí, o que torna essas realizações grandes feitos. 

Os Titãs seguem divulgando Nheengatu ao vivo e contam somente com Branco Mello (vocal e baixo), Sérgio Brito (vocal e teclado) e Tony Belloto (guitarra), da formação original. Beto Lee (guitarra) e Mário Fabre (bateria), completam o time atualmente.

Já os Raimundos, que influenciaram o estilo escolhido para curtir esses shows, lançaram em março o DVD Acústico e contam com Digão (vocal e guitarra), Cainsso (baixo), Marquim (guitarra) e Caio (bateria).

domingo, 12 de agosto de 2018

Festival estilo Wacken em Indaial

Evento conta com Sepultura no line-up


A região de Timbó e Blumenau, em Santa Catarina, tem um festival bem ao estilo do Wacken Open Air, da Alemanha. Três dias de acampamento regados com muito rock'n'roll e heavy metal em Indaial com bandas importantes do cenário nacional e internacional.


O River Rock Festival acontece nos dias 7, 8 e 9 de setembro, na Rodovia BR 470, km 66, em Indaial. Esta já é a 15ª edição. No ano passado, por exemplo, se apresentaram Casa das Máquinas, Cólera, Vulcano e Ragnarok (Noruega).

Para 2.018, o principal nome é o Sepultura,  além de Imago Mortis, Blues Etílicos e muitos outros nomes, inclusive da cena catarinense, comemorando 25 anos de estrada - veja cartaz.

Tive a oportunidade de entrevistar o Imago Mortis há um bom tempo para um site antigo que mantinha ao lado de outro colega jornalista. Daqui uns dias a publicarei aqui. Já o Sepultura dispensa comentários. Para ficar por dentro dos ingressos clique aqui. Programe-se e deixe a cerveja com a organização. Aliás, uma Weiss seria uma boa, pois vamos precisar de refresco.

quarta-feira, 2 de outubro de 2019

The Undead Manz sem fórmulas


Catarinenses planejam terceiro lançamento ainda para 2.019

Na edição de 2.019 do River Rock Festival (leia a cobertura aqui), em Indaial (SC), no início de setembro, o blog SP&BC trocou uma ideia com The Undead Manz e Gueppardo, ambas após as respectivas apresentações das bandas. A primeira delas, com a catarinense, você lê agora. A outra, com a gaúcha, estará disponível dentro de alguns dias.

Formado em 2.014 em Criciúma, ou pelo menos oficialmente, já que "é uma ideia mais antiga" do vocalista e guitarrista Z, o The Undead Manz, assim como a maioria, passou por algumas trocas de integrantes, contudo cada músico contribuiu para se chegar ao som apresentado atualmente, segundo Z. Completam o line-up Reactor, bateria, A.K., baixo, e a guitarrista Arduinnah, que não estava no momento.

"O nosso som", volta ao assunto o músico, "é uma amalgama de tudo que há dentro da vertente do metal. Temos raízes no heavy metal mais clássico, tradicional" aliado a influências diversas vindas, por exemplo, de "integrante que toca em banda de death metal, eu ja tive banda de black metal", completa. "Nossa música tem vida própria", continua, "procuramos exteriorizar aquilo que sentimos, que é o que toda banda diz. Mas nós exteriorizamos exatamente o que a música pede", seja uma acelarada ou "um groove mais black ou death" e não interessa o rótulo.

Até interessante Z tocar no assunto rótulo, pois realmente é difícil colocar o The Undead Manz dentro de um estilo específico. Para a banda seria "industrial. Queremos fazer um som mais industrial na linha de Rammstein, as bandas alemãs" afirma o vocalista. "Mas não é o que vocês estão ouvindo (risos). Criamos nossa própria identidade e vemos isso como original e estamos nesse patamar sem nos preocupar muito com rotulações", finaliza.

Nesses cinco anos de estrada, já soltaram dois trabalhos, The rise of the Undead, em 2.017, e The Rapture of Undead's bride, em 2.018, ambos igualmente disponíveis nas plataformas musicas. O próximo, um EP, está em plena produção com previsão de lançamento para até o final do ano.

Além disso, o quarteto faz questão de citar sua página no Youtube para que tanto fãs como curiosos vejam o lado mais perfomático da formação, digamos assim. "Temos cinco videoclipes", Z comenta sobre o conteúdo na plataforma digital, "além de um que possivelmente será lançado ainda este ano". Este é o vídeo para a faixa Psycho

Bebem cerveja?

Sim, confirmaram que são apreciadores da bebida mais amada dos roqueiros. SB&BC, então, pediu, já que eles mandam um som que complica para o jornalista - alguns chamam simplesmente de moderno - qual breja seria a ideal para apreciar enquanto se deixa o CD rolar.

"Uma cerveja com muita personalidade", responde A.K., achando que vai ser "meio clichê, mas talvez uma Ipa, ou a Catharina Souer, que são cervejas de alta personalidade". Z cita uma Strong, porém o baixista explica: "a Catharina Sour é a cerveja de mais personalidade no Brasil. Essa ou uma Ipa. Coisa pesada e com personalidade". Falou e disse!

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