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domingo, 26 de abril de 2020

Nefasta: da mitologia romana para os copos brasileiros


"Cada rótulo é uma personagem feminina com essa 'coisa' mais rock'n'roll, sanguinolenta"

Empresa familiar une história e rock à cultura cervejeira


Que a cerveja artesanal é um produto diferenciado, todos sabem. A tendência ao rock and roll e um conceito definido, com todas as suas inspirações, são apenas algumas das características que nos fazem, entre amigos, abordar assuntos sobre a cultura cervejeira, por exemplo, entre outros.


E essa história de conceito vem desde a criação do nome para o negócio, importante para qualquer empresa, diga-se, e que, invariavelmente, influencia tanto seus estilos produzidos quanto seus rótulos. Um exemplo de tudo isso é a Nefasta, cervejaria de Florianópolis, que esteve no Festival Brasileiro da Cerveja, em março, em Blumenau.

"Somos de Florianópolis, mas a fábrica fica em São José, cidade vizinha", apresenta a sommerlier Gabriela Drehmer, em uma exclusiva ao blog SB&BC. O grupo conta com a fábrica, bares e uma "loja de insumos para quem faz cerveja em casa. Na região somos os únicos com essa estrutura", completa frisando que se trata de uma empresa familiar no mercado desde 2.016.


"Nefasta é uma deusa da mitologia romana, a deusa da destruição", conta sobre o conceito a profissional. "Ela quem guia todas as outras cervejas que são: Desertora, Condenada, Fugitiva, Foragida. Todos esses adjetivos no feminino que remetem a mulheres contraventoras, rebeldes". Ou seja, mais roqueiro impossível. Para informação, Desertora, a American Ipa, é a mais vendida do portfólio.

Contudo, nada faria sentido se os rótulos, como a capa de um disco, não seguissem essa linha. "Cada um é uma personagem com essa 'coisa' mais rock and roll, sanguinolenta. As pessoas se identificam, gostam da nossa identidade dessa pegada no feminino, ser representada na cerveja de uma maneira diferente do que sempre foi. Um feminino forte, que vai se rebelando", comemora Drehmer.

Observando um dos rótulos, aliás, nos trás uma curiosidade. "Six, Six, Six é uma American Pale Ale com seis tipos de lúpulos diferentes", explica não escondendo que, também há uma certa ligação com uma banda inglesa pouco conhecida. "Sim, não tem como não", responde a pergunta fatal sobre o Iron Maiden e a faixa-título do disco de 1.982, The number of the beast.

"É um dos poucos nomes que não seguem essa linha", conta mais sobre essa breja e inclusive que o batismo foi feito pelo cervejeiro que a criou "como alusão a esses seis lúpulos. Ela conversa com as outras porque é diabólica, é tão ardida, uma mulher com chifres de diabo, sangue escorrendo. É a mais diabólica que temos na nossa carta", finaliza.

Sobre o festival em si, em 2.020 foi a segunda edição da participação com um stand somente da empresa. "A primeira vez foi em 2.018 quando ganhamos a medalha de prata com a Exilada", na categoria Viena. "Estávamos em um stand coletivo junto com mais três cervejarias. No ano passado estávamos com o nosso próprio espaço" lembra.

Carros que já carregam chopeiras são bastante usados pelas empresas do setor. A Nefasta não abre mão do seu. "Participamos de muitos festivais, tanto em Floripa quanto na região e outras cidades do estado. E como participamos de muitos eventos, pensamos em uma maneira prática de carregar toda a parafernália", explica a ideia Drehmer. "O carro é uma solução muito legal, além de muito criativo com a Nefasta toda plotada" gerando curiosidade, o que acaba atraindo o público.

domingo, 12 de abril de 2020

Fabiano Negri: despedida no melhor estilo


Stout



Como escrevi este texto no domingo de Páscoa, depois de comer chocolates acompanhado de uma Stout, resolvi continuar com esse estilo de cerveja para ouvir e, enfim, resenhar The fool’s path, o último trabalho do artista solo campineiro de hard rock Fabiano Negri, lançado recentemente. E uma breja de alta fermentação, malte torrado e na casa do 7,5% de teor alcoólico acabou casando diretamente com a proposta do álbum. Refletir sobre nossa trajetória. Ou no caso, a dele.

O professor, músico, compositor, produtor e multi-instrumentista anunciou em suas redes sociais que este seria seu último disco. Depois de 25 anos de carreira e trinta CDs editados entre carreira solo e as bandas Rei Lagarto, Dusty Old Fingers e Unsuspected Soul Band, The fool’s path se mostra uma reflexão de tudo isso. Um trabalho conceitual que já de cara se mostra um dos melhores, se não o melhor, de sua extensa discografia.

A capa, assinada por Emerson Penerari, mostra uma pessoa, talvez, presa no topo de um penhasco, o que já nos leva a imaginar sobre o conteúdo da obra, o "caminho do tolo", em uma tradução livre. No release, Negri explica esse conceito: "O ‘tolo’ tem dois significados. Fala do tolo que insistiu 25 anos numa missão praticamente impossível e o tolo da carta do tarô, que indica uma guinada na vida, abandonando um caminho para recomeçar de forma diferente, mas sem saber se é certo ou errado”.

Dizer que quem faz arte independente no Brasil não é valorizado é chover no molhado, infelizmente. Assunto abordado diversas vezes no SP&BC, inclusive. Basta procurar pelas inúmeras entrevistas no blog. Fato é que, talvez por tudo isso, Negri achou melhor pendurar o microfone  e se dedicar a outros projetos. Quem perde é somente a cena nacional!

Falando da obra em si, são 10 músicas estupendas! Não, não estou puxando o saco do meu conterrâneo. Quem me conhece sabe que jamais faria isso. De todos os discos que resenhei para a revista Valhalla, por exemplo, concedi apenas um 10. Caso ainda estivesse lá, este seria o segundo da minha carreira.

Não vou destacar faixas, pois cada uma se encaixa perfeitamente dentro da proposta e conta uma parte importante da história. Claro que temos os riffs grudentos, refrãos de fácil assimilação em que basta uma ouvida para sairmos cantando a plenos pulmões, tudo muito bem produzido e gravado, como sempre aliás. Além de em alguns momentos lembrarmos do saudoso Rei Largato.

Uma curiosidade. Outro dia compartilhei em uma rede social uma faixa com a letra traduzida de  um dos singles, a balada Changing times, para anunciar que The fool's... figuraria por aqui. Curiosamente, minha sogra, que não gosta de rock - da minha família só eu mesmo (risos) - comentou que gostou da música e, principalmente, da letra, por ser bem verdadeira.

The crew

The fool's path foi gravado no Estúdio Minster, de propriedade do meu amigo de longa data Ricardo Palma, que tocou baixo, mixou e masterizou, enquanto que Cesar Pinheiro se encarregou da bateria. O que sobrou, que não foi pouco, ficou por conta de Fabiano Negri: composição, produção, guitarra, teclado e voz.

O álbum não estará em nenhuma prateleira de loja, até porque atualmente isso é bem raro, e, infelizmente, apenas alguns temas serão disponibilizados nas plataformas digitais. Portanto, o acesso ao CD será apenas através das redes sociais de Negri. E se apresse, pois o prazo para pedidos estava se esgotando.

Pois é, meu velho, se despedir assim, com um disco tão bom é covardia. Por outro lado, a parada é por cima, da melhor maneira que um artista pode despedir-se de seus fãs.

Serviço

quarta-feira, 8 de abril de 2020

Além da música: Iron Maiden no mercado cervejeiro do Brasil

(FOTO: Reprodução)


Empresa paranaense produz a Trooper Brasil Ipa, a primeira fora da Inglaterra



Quando se fala em heavy metal no Brasil uma das bandas que quase instantaneamente vem à nossa mente é o Iron Maiden. Claro que outros nomes clássicos disputam esse lugar no Olimpo, mas a Donzela carrega um algo a mais entre os brasileiros. Não à toa, o Brasil é o país que mais ouve a banda do mascote Eddie em todo o planeta.

E, para quem além do som, curte as cervejas que as bandas lançam com seus nomes estampados nos rótulos, as Troopers já são uma realidade. Criada pela cervejaria Robinsons, da Inglaterra, em parceria com os músicos, e usando como marca o título de uma das faixas mais famosas do grupo britânico, além do Eddie, claro, a breja já faz bastante sucesso há anos.

Esse barulho, naturalmente, chegou ao Brasil de uma maneira que pode deixar o fã, tanto de cerveja quanto de rock, como o leitor do SP&BC, orgulhoso. É que em setembro de 2.019 a curitibana Bodebrown lançou a Trooper Brasil Ipa, a primeira bebida em alusão ao sexteto produzida fora do Reino Unido.


Se engana quem pensa que se trata apenas de licenciamento. "É uma parceria, uma amizade com a banda", conta Victor Oliveira, diretor de marketing da empresa paranaense em uma exclusiva ao blog na época do Festival Brasileiro da Cerveja, em Blumenau (SC), em março.

"Começou na Inglaterra", conta como foi Oliveira, "a Bodebrown participou da produção de uma cerveja" convidada por uma empresa que conta com mais de mil bares naquele país. Essa participação se deu entre Samuel Cavalcanti, o idealizador da cervejaria, e seu irmão, Paulo, que produziram uma English Pale Ale por aqueles lados do oceano.
Essa experiência caiu no gosto dos ingleses chegando até o vocalista Bruce Dickinson. Ele comprou a ideia, já que participa ativamente do processo das Troopers. O primeiro passo estava dado. O músico "pediu para entrarem em contato conosco" explica Oliveira. "Recebemos o convite e depois de alguns meses e encontros com o próprio Bruce acertamos a parceria e a receita da cerveja para a produção aqui no Brasil".

Essas reuniões ocorreram uma vez na França e uma outra na Flórida, esta já em julho do ano passado. Ali foi batido o martelo, após a prova de algumas amostras, chegando a um consenso, ou seja, "uma cerveja com uma pegada brasileira" usando o cacau, "um fruto brasileiro. Surgiu, então a Tooper Brasil Ipa", vibra. Oliveira conta ainda que é "um desejo do próprio Bruce de que cada país tenha uma cerveja do Iron Maiden, da Trooper". 

A escolha da data do lançamento, setembro, casou justamente com as da perna da turnê "Legacy of the beast" do Maiden por estes lados, incluindo o Rock in Rio. Outro evento importante para tanto foi o festival Mondial de La Bière, também no Rio de Janeiro, no mesmo mês.

Para a empresa o mercado reagiu bem ao produto. "Grande parcela de fãs da banda está na América Latina e no Brasil", comemora Oliveira os resultados positivos. "Temos nossos fãs, mas a Trooper abriu um caminho muito maior com os da banda e para quem não conhecia a Bodebrown". 

Não é apenas Trooper

Um dos mais procurados pelo público cervejeiro/roqueiro
A cervejaria foi criada em 2.009 pelo já citado Cavalcanti. Esse tempo todo de estrada ajudou na preferência do Iron Maiden. "Escolheram uma cervejaria que já está há 10 anos no mercado da cervejaria artesanal. Temos muitos prêmios aqui e no exterior" enaltece Oliveira.

E verdade seja dita, um dos stands  mais cheios do Festival Brasileiro da Cerveja, local do bate-papo, foi da empresa. "Participamos praticamente todos os anos e [o stand] sempre foi um dos mais cheios do festival. Percebemos que o público da banda, com camiseta, vem e quer experimentar" aumentando os apreciadores, esclarece. "Claro, a tendência é que o pessoal acesse mais a cervejaria, não só pela Trooper, mas igualmente pelos nossos outros produtos".

A fábrica ganhou quatro medalhas no total no Concurso Brasileiro da Cerveja deste ano realizado na mesma cidade (leia cobertura aqui). Medalha de ouro na categoria Breet Berr e três bonzes sendo duas em categorias belgas e uma sobre Porter.

domingo, 29 de março de 2020

RedCor: a aposta em cervejas fortes

Quem pedir provinha toma essa porretada

Cervejaria paranaense se inspira no hardcore para produzir suas receitas


No Festival Brasileiro da Cerveja, na segunda quinzena de março, em Blumenau, fiz três entrevistas para o SP&BC que começam a aparecer neste endereço agora. A primeira é sobre a RedCor, de Maringá (PR), que, como entrega o nome, tem muito de hardcore em seu conceito. 

Aliás, isso é o diferencial da cerveja artesanal. Não é simplesmente abrir uma empresa, aplicar receitas e sair vendendo. Há todo uma ideia, uma inspiração e uma determinada linha a seguir. Essa é a marca que o blog leva, apresentar toda essa originalidade aos amantes da bebida que mais combina com o rock.

"A RedCor nasceu em 2.015 de um sonho de dois bobos que não aguentavam mais tomar qualquer cerveja", apresenta Diego Zaparolli (FOTO) na exclusiva ao SP&BC, que ao lado de David Redmerski Junior proclamam a cervejaria como viking. 

O nome surgiu da inspiração "em cervejas extremas como American Ipa, Double Black Rye Ipa, que se baseiam na música que escutamos, no rock and roll, na pancadaria mesmo", define Zaparolli. "Uma cerveja sem conversa fiada, é pegada, é alcoolica, é amarga", completa lembrando de toda a intensidade do punk.

O começo sempre é difícil e para eles não foi diferente. O profssional comenta que fizeram algumas parcerias, como uma cervejaria cigana, que não tem sua própria fábrica. "Chegamos a produzir na Cervejaria Araucária. Ganhamos alguns prêmios nesse período com a nossa Rye Que o Parta, que é uma Double Black Rye Ipa". Cerca de um ano após a fundação, a RedCor chegou a ser produzida na Cerveja Blumenau, sediada, naturalmente, na capital nacional das brejas. "Agora em 2.020 demos um start em nossas instalações próprias", comemora.
Stand no Festival da Cerveja

O principal rótulo do portfólio da empresa é a já citada Rye Que o Parta. Ela acumula oito medalhas em concursos tanto no Brasil quanto no exterior. Desses, podemos destacar a medalha de ouro no Concurso Brasileiro da Cerveja, de 2.016, na categoria Rye Beer, além do bronze na classificação geral. "Quem ainda não nos conhece indico tomar a Rye Que o Parta" sugere como porta de entrada. "É pancada, uma baita cerveja, tem 100 IBU, quase o nível máximo de amargor, 7% álcool".

Por falar em pancada, e esse bastão? "Trouxemos para nosso stand um porrete cheio de pregos e nele está escrito Provinha. Se você pedir provinha vai levar uma porretada, pois essa é nossa pegada, da nossa cervejaria mesmo". Ok, então. Eu nem quis saber de provinha e já tomei mesmo a Rye Que o Parta e achei sensacional!

Falando nisso, qual banda seria legal para colocar no volume máximo enquanto se aprecia essa, ou qualquer outra da carta de opções da RedCor? "Eu gosto muito de Lynyrd Skynyrd, de tomar a cerveja relaxado, tranquilo, escutando essa banda". Olha só, pensei em algo mais pesado como um Agnostic Front, por exemplo. "Também serve (risos), é que eu gosto desse estilo de rock, mas é uma puta banda. É sensacional também".

terça-feira, 17 de março de 2020

Festival reúne o melhor entre música, gastronomia e cerveja

(FOTO: Daniel Zimmermann/Divulgação)


Presença do público foi 12% menor em relação ao ano passado


Blumenau (SC) sediou a 12ª edição do Festival Brasileiro da Cerveja entre os dias 11 e 14 de março, nos setores 1 e 2 do Parque Vila Germânica. No mesmo local, porém nos setores 3 e 4, de 11 a 13, rolou a Feira Brasileira da Cerveja. E, claro, antes, de 7 a 10, antes aconteceu o Concurso Brasileiro da Cerveja. 

Enfim, uma semana em que mercado cervejeiro nacional e internacional voltou seus olhos para a terceira maior cidade catarinense. SP&BC marcou presença, naturalmente, na sexta-feira e no sábado, e conta como foi.

Iniciando pelo Concurso, um dos maiores do mundo, 3.284 amostras da bebida distribuídas em 146 estilos diferentes foram avaliadas por mais de 100 jurados do Brasil e do exterior. No total participaram 634 cervejarias que dividiram as 203 medalhas entregues. Considerando um mapa, 11 estados tiveram marcas premiadas no evento. O top 3 ficou assim: Rio Grande Sul com 54 medalhas, Santa Catarina com 45 e São Paulo arrematou 44 pódios. Este evento era fechado.

Vamos degustar?

Já sei qual chopeira usar

Chegando, então, ao que interessa ao grande público, a degustação. Cheguei ao local na sexta às 18 horas e fui conferir as novidades da feira, afinal, não tem breja de qualidade sem uma certa estrutura. Assim, 76 expositores de marcas de países como Alemanha, Espanha, França, Canadá, República Tcheca além do Brasil apresentaram seus produtos. Falando em República Tcheca, fui conhecer um pouco de sua rica história no ramo em um stand. Por lá provei uma diretamente de Pilzen. Sim, a cidade que inspirou o nome do estilo mais conhecido no planeta.

Passei por outros stands de diversos fornecedores como sistema, autosserviço de chope em bar e de torneiras. Esta em formato de guitarra (foto), por motivos óbvios foi a que mais me chamou a atenção. O corpo é o do instrumento mesmo, com cordas verídicas. A personalização é uma tendência.

Hora de conferir a cereja do bolo. Para tanto, a pauta do blog para este ano era bem específica, ou seja, abordar as empresas que tem conceitos diretamente ligados ao rock, apesar de que o produto artesanal tem essa pegada roqueira, independente da proposta da marca. Para minha surpresa apenas três delas se encaixavam no foco. Dessa forma, usei a primeira noite, portanto, para reavaliação e novo rumo no texto.

Faltou empatia

Ajustes feitos, no sábado entrevistamos responsáveis pelas três empresas e elas ficaram tão boas que virarão matérias independentes. Portanto, durante as próximas semanas podem aguardar bate-papos com Bodebrow, falando do sucesso da bebida do Iron Maidein, Red Core e Nefasta.

Apesar de o primeiro dia contar com um amento de público de 14% em relação a mesma data em 2.019, a festa do geral representou uma queda de 12% em relação ao ano passado, com 27,7 mil pessoas. Para o presidente da realizadora do evento, a Associação Blumenauense de Turismo, Eventos e Cultura (Ablutec), Develon da Rocha, a pandemia do corona vírus foi determinante para esse resultado, que foi caindo com o passar dos dias. 

"Conforme o volume de casos foi aumentando, essa diferença foi reduzindo até que chegássemos a esse resultado. Tivemos dezenas de ônibus cancelados", comentou ele através da assessoria de imprensa do festival.

Mascotes marcaram presença

De todo modo, mais de mil rótulos de 100 expositores estavam a disposição dos apreciadores. Sem falar nas mais de 60 opções gastronômicas de 12 estabelecimentos. Nem todos participantes do concurso estiveram do festival, mas vários ganhadores de medalhas marcaram presença.

Em tempos de reforma tributária...

Pausa para nos situar sobre o mercado cervejeiro. Para André Gomes, secretário executivo da Abracerva, Associação Brasileira de Cerveja Artesanal, em exclusiva ao SP&BC, o mercado segue em ascensão com implantação de novas fábricas. "Fechamos o ano [N. R.: 2.019] com 1.209 cervejarias", conforme dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Esse número é 36% comparado com 2.018.

Segundo Gomes, a aprovação da tributação Simples para as empresas "facilitou e estimulou a criação de novas microcervejarias. Além das menores, ajudou também aos brew pubs", este um bar que produz sua própria bebida. Porém, agora uma das lutas da associação é contra a ST, a Substituição Tributária. "Ela encarece demais nosso produto e penaliza a pequena indústria", explicou. "Vamos acompanhar a reforma tributária de perto", conclui.
Mais uma vez provando que rock vem de berço

Rolou música?

Pois é, vamos falar um pouco de atrações musicais. Vinte nomes de estilos diferentes passaram pelos dois palcos. Vi somente alguns, três na verdade, sendo os que tocavam rock, claro. Na sexta acompanhei a dupla Sonido Club que apresentou um set list interessante. Com várias dos Beatles, explicaram que já participaram três vezes do festival que acontece anualmente em Liverpool, a Beatleweek. A que mais agitou o público foi o cover do Rage Agiant the Machine, Killing in the name of, e quando tocaram Legião, obviamente, me retirei.

Para a segunda noite tivemos o Star Beetles, cover argentino do... Ah, você sabe. Os músicos são bons, competentes, mas muito chatos e arrogantes. Uma pena. O público gostou, naturalmente, pois as músicas são boas!

Finalizando, o melhor do cast musical: os gaúchos do Tequila Baby. Aproveitando, o SP&BC é apoiador incondicional do trabalho autoral, e a receptividade que a banda teve, entre as melhores das que vi, comprova isso. Vamos privilegiar quem faz a sua música, que tal? Com um set list que lembrou seus 25 anos na estrada do punk, destaco o petardo Melhor do que você pensa.

Fim de festa, hora então de dizer que, como sempre, o festival estava impecável, bem organizado, enfim, quem foi pode se divertir à vontade. E que venha março de 2.021 para o próximo. Estaremos lá!

sábado, 7 de março de 2020

10, 20, 30... Hoje: Ozzy não combina com aposentadoria

Catharina Sour

E não é que o Madman soltou um disco novo, intitulado Ordinary man. E, além de ser 10 anos após o anterior, o petardo ainda por cima é bom! Sendo assim, aquela vasculhada básica na discografia de Ozzy Osbourne para colocar aqui seus lançamentos com 10, 20, 30 anos de história. Mas isso vem na sequência.

Talvez a Catharina Sour, reconhecido como o primeiro estilo de cerveja genuinamente brasileiro, fosse mais adequado ao som da primeira banda do cantor inglês, o Black Sabbath. Entretanto, ao fazer essa degustação conclui-se que a breja combina com esses lançamentos, principalmente os dois últimos.

Dois singles precederam Ordinary Man, Straight to hell e Under the graveyard. A primeira causou certa polêmica pela sua letra, principalmente pelo trecho "I'll make you defecate". Sinceramente, para quem achou achou estranho, você sabia que estava ouvindo rock?

Voltando ao que interessa, mais uma vez Zakk Wylde, por questões de agenda e oportunidade, não tocou no álbum, ficando a guitarra, e a produção, a cargo de Andrew Watt. Duff McKagn (baixo, Guns'n'Roses) e Chad Smith (bateria, Red Hot Chili Pepers) completam a formação, digamos fixa. Porque há uma pá de convidados. Sente só alguns deles: Slash, Elton John, que aparece em um dueto na bela faixa título, Tom Morello e muitos outros.

Já a produção tem um quê daquele tipo de que eu não sou muito fã - leia o review de Scream - e um certo exagero nas passagens calmas - baladas - como na fase Ozzmosis (1.995), embora em menor grau. Como bônus há a participação do rapper estadunidense Post Malone que deveria ser apagada da história de tão nada a ver. Sério, destoa demais, mas como é no fim mesmo.

Por outro lado a voz de Ozzy continua a mesma. E além das três faixas citadas, também destaco All my life, Goodbye, Scary little green man e Eat me Apesar dessa pisada na bola no fim, é um dos grandes lançamentos deste início de ano, com certeza!


Scream

Para a seção do SP&BC "10, 20, 30...", quando envolve um novo álbum a ordem dos discos  que aparecem no blog é invertida. Dessa forma, hora de falar de Scream, lançado há 10 anos, o antecessor de Ordinary manCurioso, não? O último e o penúltimo aqui...

O décimo primeiro trabalho de estúdio de Ozzy atingiu o quarto lugar na Billboard 200 nos Estados Unidos e o 12º posto nos charts ingleses. Contudo, isso não foi suficiente para que ele não fosse considerado uma decepção comercial, pelo menos em relação aos títulos anteriores.

A partir de 1.995, com Ozzmosis, o vocalista começou a flertar com uma produção mais moderna, influenciado pelo pessoal do new metal. Isso deixou o som um pouco diferente do seu habitual e mais pesado. 

Nada contra, claro, afinal, não se deve ficar gravando sempre o mesmo álbum, naturalmente. Mas apesar de ainda contar com grandes canções, característica peculiar do que leva sua assinatura, ao mesmo tempo as faixas se tornam enjoativas. Do tipo "não consigo ouvir duas vezes seguidas", ou algo assim.

A guitarra ficou a cargo Gus G., mais conhecido pelo seu trabalho no Dream Evil. Rob Nicholson tocou baixo, enquanto que Adam Wakeman, filho de Rick Waleman, do Yes, se encarregou dos teclados e Tommy Clufetos da bateria.

Não é um disco ruim, longe disso, tanto que Let me him you scream alcançou o primeiro lugar na parada, apenas a segunda faixa do Príncipe das Trevas a obter tal feito. Gosto muito do CD, porém não é o meu favorito.




OZZY OSBOURNE
Blizzard of Ozz
(1980)

Agora mais um dos arquivos pessoais. O texto foi originalmente publicado na revista Valhalla #44, capa do Motorhead, na seção "Classics", e é sobre o clássico debut da carreira solo do artista editado há 40 anos. A respeito da treta citada no fim, aparentemente está resolvida.

Lá se vão onze anos da última apresentação do Madman em terras brasileiras (N. do R.: texto de 2.006). Quem estava lá conferiu ao vivo clássicos eternos do metal como I don’t know, Crazy train e Mr. Crowley, entre outros. Aliás, show dele sem essas três não é show de Ozzy Osbourne! E elas fazem parte de um mesmo disco, o Blizzard of Ozz que, finalmente, dá as caras em “Classics”. Este vinil foi o primeiro trampo solo de Ozzy, recém-saído do Black Sabbath. Bem, acredito que todos saibam de cor toda essa história, assim, vamos nos ater apenas ao LP em si. Acompanhavam o vocalista nesta tarefa o baixista Bob Daisley (ex-Rainbow, Black Sabbath e uma infinidade de outros), o baterista Lee Kerslake (ex-Uriah Heep) e o guitarrista Randy Roads (ex-Quiet Riot), morto em um acidente em 1982 e que causa muita emoção no cantor até hoje. Don Airey (ex-uma pancada de gente e atual Deep Purple) foi quem gravou aquele teclado que ficou marcado na introdução de Mr. Crowley, uma homenagem a Aleister Crowley, conhecido como a besta em pessoa. Todas as faixas são extremamente fantásticas! Além das já citadas, ainda temos Goodbye to romance e Suicide Solution – esta causou uma tremenda dor de cabeça quando garotos estadunidenses se mataram enquanto a ouviam nos anos 1.980 – que completam o time das inesquecíveis. No bone movies, Revelation e Steal away não ficam atrás! Infelizmente, em 2.002, a esposa/empresária Sharon Osbourne mandou apagar os baixo e bateria originais e substituir as partes de Daisley e Kerslake pelos instrumentos de Robert Trujillo (atual Metallica) e Mike Bordin (ex-Faith No More), respectivamente, integrantes da banda do marido à época, e relançou o álbum em CD. Sem falar que Daisley é co-autor – ele alega ser o verdadeiro letrista – de todos os temas. Independente do transtorno que eles poderiam estar dando à família, segundo a própria Sharon, nada justifica tal ato. Por essas e outras que não troco minha cópia em Long Play por nada desse mundo! (VA)

sábado, 15 de fevereiro de 2020

AGENDA: Krisiun apresenta seus clássicos em Joinville

Nervosa, a sensação do último Rock in Rio, também está confirmada


O Armageddon Metal Fest de 2.020 já tem data marcada e atrações idem. E a maioria, pelo menos, é adepta dos estilos mais pesados do metal. Ou seja, pode preparar uma Porter para a porradaria! O festival rola no Expoville, em Joinville (SC), em 30 de maio.

O principal nome do line-up é, sem dúvida, o trio gaúcho de death metal Krisiun, sucesso aqui e lá fora. Surgido na década de 1.990 e com verdadeiros clássicos de sua vertente na bagagem como Black force domain (1.995), Conquers of armageddon (2.000), segue divulgando seu último trampo, Scourge of the enthroned (2.018).

 E o evento ainda conta com a Nervosa, que foi muito comentada em virtude de sua apresentação no último Rock in Rio, no ano passado, Nervochaos, que já tive a oportunidade de entrevistar há alguns anos, Mutilator, Taurus, Hillbilly Rawhide, Miasthenia e muito mais.