Pesquisar este blog

domingo, 8 de abril de 2018

Timbó beer city

Leo Maier Trio desfilando seu blues. Detalhe abaixo do palco

Cidade do Vale da Cerveja catarinense promove festival apenas com rótulos locais


Uma cidade com cerca de 40 mil habitantes distribuídos em 130,3 quilômetros quadrados sede de quatro microcervejarias é, bem provavelmente, a com o maior índice de produtor de cerveja por metro quadrado, ou por habitante, do país.

Blumenau, por volta de 30 quilômetros de distância, e com 300 mil habitantes possui, se não estou enganado, seis industrias da bebida mais amada do país e que é uma das fontes que movem o SP&BC.

Tanto assim que nesse primeiro fim de semana de abril ocorreu na Pérola do Vale, como é conhecido o município, o Festival das Cervejarias de Timbó. Blauer Berg, Borck, Hersing e Berghain se uniram a food trucks e bandas de rock/blues para proporcionar um sábado e domingo diferentes para a família.

Pena que nenhuma produza uma voltada ao bom e velho rock and roll, estampando em seus rótulos alguma banda ou título de música, como as entrevistas concedidas neste endereço por outras marcas.

Mas aí que pega. Na minha humilde opinião esse festival caberia no Pavilhão Henry Paul, um local maior que a Praça Central, onde foi realizado, lugar onde os principais eventos da cidade são realizados. Ele estava ocupado na data, mas será que não seria interessante uma mudança de agenda?

De qualquer forma, foi muito interessante observar todos reunidos curtindo um som, bebendo uma boa breja, seja IPA, Pilsen, Golden Ale ou qualquer outra disponibilizada pelas empresas, saboreando a diversidade de lanches, churros, enfim, o que foi proporcionado. Claro que eu também aproveitei.

Tomara que não fique nesse primeiro, que vire permanente e que todos os anos tenhamos novas edições sempre crescendo. Como, por exemplo, a segunda já se mudar para o Henry Paul. Para quem escolheu trocar São Paulo por Santa Catarina fica, cada vez mais evidente, a certeza de que fez a escolha certa. Cheers!!

quarta-feira, 21 de março de 2018

NEWS The Gard: experiência musical entre rock clássico e contemporâneo

Madhouse, estreia do power trio paulista, será lançado em abril com oito faixas


Formada em 2010 por Allan Oliveira (guitarra), Beck Norder (vocal) e Lucas Mandelo (bateria), a The Gard desde o princípio teve como objetivo a música autoral, embora tenham ganhado bastante relevância na região metropolitana de Campinas, de onde é originária, com seu show “Tributo ao Led Zeppelin”. Em meio ao setlist das músicas do Led, a The Gard sempre apresentou suas composições próprias. Com o tempo o interesse do público pelas canções autorais foi crescendo e o espaço para elas, no setlist, aumentando.

Madhouse, disco de estreia da The Gard, foi então uma consequência natural. Em oito faixas, o power trio paulista transcende suas referências musicais ao oferecer ao público uma experiência musical onde o rock clássico e o contemporâneo convergem, como numa coalização sonora que disponibiliza-se para o futuro, para o desconhecido.  

Produzido pelos próprios músicos em parceria com André Diniz do Estúdio 260 de Indaiatuba/SP, “Madhouse” reúne as faixas “Play Of Gods”, “Music Box”, “The Gard Song”, “Back To Rock”, “Kaiser Of The Sea”, “Madhouse” e “Panem at Circenses”. E como não poderia deixar de ser, além das sete composições autorais, “Madhouse” também vai trazer um novo arranjo para “Immigrant Song” do Led Zeppelin, a banda que, para o The Gard, sempre representou a terra de neve e gelo de onde eles vêm com seu barco rumo às novas terras desconhecidas.

"O álbum Madhouse é mais que uma compilação de nossas primeiras composições”, declara o vocalista Beck Norder. “São músicas que começaram a serem compostas em 2006 e gravadas a partir de 2011. Foram anos amadurecendo e trabalhando na produção dessas composições até que atingissem um ponto satisfatório para a banda. Madhouse trata da loucura, da insanidade da nossa sociedade atual, traz também um aspecto de fantasia com lendas e mitos nórdicos. Musicalmente nos deixamos experimentar toda uma versatilidade de vertentes do rock, do hard e blues rock (Play of Gods, Panem et Circenses e Back to rock), flertando com classic e folk metal (Madhouse, Kaiser of the sea e The Gard Song), a um rock mais moderno (Music Box). Exploramos alguns instrumentos pouco usuais no rock, e que enriqueceram os arranjos como o bandolim (The Gard Song) e o glockenspiel (Music Box)."

O disco chegará nas plataformas digitais e também em formato físico em CD no dia 26 de abril. Antes, no dia 12, o The Gard lança o videoclipe do primeiro single do álbum. A música escolhida eles preferem manter em segredo por enquanto.

TEXTO: AI

segunda-feira, 12 de março de 2018

Heavenless: Metal do Rio Grande do Norte pede passagem

(FOTO: Divulgação) Lançar em todos os formatos é importante

Disco novo já tem o título de Cursed



Surpresa geral no SP&BC. Sim, tenho certeza que causou certo espanto no momento em que você leu que a banda de death metal Heavenless, de Mossoró (RN), a 277 quilômetros de Natal, concedeu uma entrevista ao blog. Nada mais natural, afinal, meus estilos preferidos figuram entre o hard e o heavy, com pouca variação.

Porém, para o jornalista, manter a cabeça aberta é fundamental. Então, por que não dar chance a nomes de estilos mais agressivos, desde que façam um bom trabalho? E é justamente isso que encontramos no CD de estreia Whocantbenamed (Rising Rec., Nac.), ou seja, qualidade nas composições, na gravação, enfim, um álbum digno de nota.

Vamos, então, conferir o que o baterista Vicente Andrade tem a nos dizer sobre tudo o que aconteceu com o trio nesses quase três anos e o planejamento para o futuro.

A banda é relativamente nova, formada em 2.015, e já chegou ao debut. Pode nos apresentar o grupo, projetos anteriores e como se formou o Heavenless?
Vicente Andrade - Um grande abraço aos amigos do Som Pesado & Boa Cerveja. A banda Heavenless surgiu em 2.015, mas já estamos nessa estrada musical há muito tempo. Já trabalhamos com produção musical aqui em nossa cidade, já possuímos pubs e estamos envolvidos com a cena há mais de 10 anos. A banda é formada por mim, Kalyl Lamark, voz e baixo, e Vinícius Martins, guitarra. Eu tocava em uma banda chamada Bones in Traction junto com o Vinícius e o Kalyl é ex-frontman do Monster Coyote. A cidade é pequena [N. do R.: cerca de 240 mil habitantes], todos já éramos amigos e sempre rolou um lance de parceria estre as bandas locais. Em 2.015 resolvemos entrar nessa empreitada juntos por realmente termos uma afinidade profissional e de amizade mesmo. De certa forma tínhamos convicção de que essa formação seria muito promissora porque todos estavam muito envolvidos com o projeto. Tivemos "pressa" pra lançar o CD porque acreditamos que o cartão de visita de qualquer banda é uma música bem feita e bem gravada, então antes de shows ou pegar a estrada, nos concentramos em gravar o melhor possível nossas músicas e lançar um CD de qualidade.

Mossoró carrega alguns dados interessantes, como ser a “Terra da Liberdade”, ser marcada pelo Motim das Mulheres, o primeiro voto feminino do Brasil, ter libertado seus escravos cinco anos antes da Lei Áurea, o bando de Lampião. Até que ponto isso tudo influenciou a banda? Alguma outra característica que eu não citei?
Vicente - Pois é, Mossoró é uma cidade pioneira, conhecida como a capital cultural do Estado, a terra do sal, sol e petróleo. O maior produtor de sal do Brasil, maior produção de petróleo em terra firme e sol o ano todo. Geograficamente, Mossoró está no meio do caminho entre a cidade de Natal e Fortaleza (CE), estrategicamente é um ponto de parada para todas as bandas que estão passando por aqui na região, por isso a cidade sempre esteve no mapa de grandes shows. Esse contato com esse circuito autoral de bandas independentes é uma fonte de inspiração.

E em termos musicais, quais são as influências?
Vicente -
Bom, na região o que domina é o forró e agora com a globalização todas essas músicas de moda que se difundem Brasil afora, mas como o sertanejo é muito forte, ainda resistimos e corremos na contramão difundindo nosso som pesado. Existe uma diferença de idade entra os integrantes e isso influencia muito na hora das composições. Eu curti muito metal na década de 1.990 e vi grandes shows e lançamentos de discos daquela época. Então Pantera, Sepultura, Kreator, Machine Head correm em minhas veias. Kalyl Lamarck tem influência de metal mais arrastado, mais doom e sujo como Down, Howl, High on Fire... Já Vinícius Martins é o mais jovem da banda e tem influência do new metal e metal mais moderno como Slipknot, Korn e Mastodon.

Como tem sido a recepção a Whocantbenamed, após quase um ano de lançamento?
Vicente - Recebemos muitas críticas e resenhas, a grande maioria muito favorável. O público também elogiou bastante, fizemos um trabalho bem feito de divulgação do CD físico e colocamos as músicas em todas as plataformas de áudio de acesso grátis no intuito de atingir o máximo de pessoas. O Eliton Tomasi, da Som do Darma, nos ajudou e orientou muito e acreditamos que o 2.017 foi um ano muito proveitoso.
"Somo da época de sentar com o vinil no colo"

O disco, então, foi lançado em formato físico, pela Rising Records e em streaming. Qual deles obteve a melhor resposta?
Vicente - Acreditamos no CD físico ainda, apesar de sair caro para a banda independente. Somos ainda da época de sentar com vinil no colo, ouvir o som e ficar lendo o encarte. O perfil de público que ainda acredita nisso é diferente em geral daquele pessoal mais novo que não compra mais nem o CD, tudo é virtual. Já nasceram nessa época onde tudo é virtual, então acreditamos que temos que alcançar todos. Até o Metallica se rendeu as imposições e divulgam suas músicas nessas plataformas.

Planejam lançar no exterior?
Vicente - Sim, principalmente na Europa. Como em 2.019 pretendemos fazer a primeira tour pela Europa, estamos viabilizando o lançamento lá.

Qual faixa anda fazendo mais sucesso entre o público?
Vicente - É engraçado como escuto opiniões diversas. Talvez isso se deva a mistura de gêneros nas músicas. Tem uma galera que curte a música The Reclain, que tem uma pegada mais doom. Muita gente me fala que Enter Hades é a melhor, essa é um metal mais extremo com blast, uma canseira... Já outros falam em Hopeless, que tem uma pegada mais moderna. Acho isso bom!

Depois de quase um ano de editarem Whocantbenamed, se acontecesse hoje, fariam algo diferente?
Vicente - O álbum cumpriu seu papel com excelência e refletiu bem o momento da banda. Claro que em termos de composição sempre tem alguns pontos que podemos melhorar, mas nada que faria diferença. A formação é muito sólida, somos bons amigos e nos entendemos bem musicalmente, encontramos parceiros fortes como nosso produtor Cássio Zambott, Luciano Elias da Rising Records e o Eliton do Som do Darma.

Ano passado foi muito bom em termos de shows, correto? Quantos fizeram? Como está a agenda para 2.018?
Vicente – O ano 2.017 foi um ano de muita correria, fizemos vários shows pelo Nordeste e duas turnês pelo Sudeste e também participamos de alguns festivais. Ficamos muito satisfeitos. [Para] o ano 2.018 estamos focados em gravar nosso próximo disco chamado Cursed e tocar em festivais e aproveitar a repercussão que o Whocantbenamed causou.

E de um modo geral, como estão os planos atualmente: divulgar ainda mais essa estreia ou já pensam em um trabalho novo?
Vicente - Pretendemos sempre ficar lançando novidades, não podemos parar. Esse primeiro semestre serão lançados três clipes já com músicas novas e no segundo semestre o disco completo.

Como é a cena no Rio Grande do Norte?
Vicente - Mesmo com toda dificuldade de incentivo, o Rio Grande do Norte possui grandes nomes do metal extremo, e a cada dia surgem bandas novas Primordium, Sanctifier, Son of a Witch, Expose your Hate. São bandas solidificadas com material novo e quem não conhece podem escutar. Aqui em Mossoró tem o Black Witch do nosso brother Rafaum, Reveanger e Evil Hazor. Recomendo!

Vocês gostam de cerveja artesanal? Qual o estilo preferido?
Vicente - Alcoólatras são aqueles que bebem todo dia, a gente só bebe a noite então "tá de boas" (risos gerais). IPA e Black IPA são as nossas preferidas: fortes, amargas e alcoólicas como tem que ser! Aqui em Mossoró tem duas cervejarias renomadas: Bacurin e a Malassombro.

Já imaginou um rótulo de cerveja do Heavenless, como há de Sepultura, Matanza, Ratos etc? Qual estilo seria?
Vicente - É uma ótima ideia. Não pensamos ainda a respeito, teria que ser 10% de álcool no mínimo (risos).

Para encerrar, algum recado para os fãs?
Vicente - Compareçam aos shows, comprem material das bandas, entrem na nossa página, sigam e curtam a vontade, basta isso pra fortalecer a cena.  Grande abraço a todos e nos veremos por aí pra tomar umas cervas!

segunda-feira, 5 de março de 2018

Fabiano Negri, o incansável do rock

American Pale Ale



Considero que cervejas a serem apreciadas com calma perfeitas para discos que devem ser ouvidos atentamente. Tirando o lugar comum da frase, é isso que esse novo trabalho do workaholic campineiro Fabiano Negri exige: audição cuidadosa para reflexão.

Dessa forma, a escolha de uma APA para acompanhar as 10 faixas de The Lonely Ones (Independente, Nac.) em aproximadamente 40 minutos de música é a harmonização perfeita. Um pouco mais aromática que sua originária IPA, também encorpada, porém com lúpulos voltados para os gosto estadunidense.

O vigésimo segundo álbum do ex-Rei Lagarto em exatos 22 anos de carreira (!) é um disco conceitual a respeito de uma pessoa depressiva e com dificuldade de socialização e em se desenvolver dentro de uma sociedade ainda mais doente.

Talvez por ser tratar de uma visão pessoal em uma discussão extremamente pesada a inspiração veio de forma acústica, no melhor estilo intimista violão e voz. No trabalho, ele expõe sua "visão do que pude absorver sobre o mundo dessas pessoas solitárias, cujos sérios problemas ainda são vistos como frescura. Esse formato fez com que a música ficasse direta, com atenção especial para melodias e letras" explica Negri no release.

E para escrever esses temas, o trabalho de campo foi fundamental. "Tive contato com esses problemas através de alunos, amigos, família e por experiências pessoais", continua o documento que acompanha o álbum distribuído à imprensa.

O disco, gravado no estúdio Minster, em Campinas (SP), de Ricardo Palma, que também o produziu ao lado do multi-instrumentista e professor de música, será lançado no próximo dia 10, mas nas plataformas digitais já consta o single Last stand, a primeira do track list. Recomendo!

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Luthiness vence o Minha Banda é Sucesso

(FOTO: FB/Luthiness) A banda vencedora

Pilsen


Antes de qualquer coisa, é bom dizer que a escolha de uma Pilsen para acompanhar a final do festival de grupos autorais Minha Banda é Sucesso, de Timbó (SC) é, simplesmente, porque era o que eu tinha em casa. Sim, peguei meu growler cheio de cope e fui conferir rock da melhor qualidade. O evento fez parte da nona edição do Cultura Rock e contou com o encerramento do Máfia S/A, que já lançou um full length e um EP em 10 anos de carreira.

Não vou comentar sobre as as seis bandas que se apresentaram para um bom público no Pavilhão de Eventos Henry Paul na noite do último sábado, dia 24, porque, infelizmente, não vi todas as concorrentes. Como era uma disputa, seria injusto de minha parte não dar o mesmo espaço a todas.

(FB/Cultura Rock) Kate Crush
No entanto, tive o prazer de presenciar a vencedora: Luthiness, de Rio do Sul. Aliás, por favor, alguém pode me dizer o que essa cidade coloca na água? Afinal, já conheci algumas boas bandas daquela cena e não consigo me lembrar de uma outra cidade no país com até 70 mil habitantes, que eu conheça, com tantos bons nomes. Nessa final eram duas!

A premiação se deu da seguinte forma: o Luthiness levou para casa R$ 700 (todos os prêmios tiveram descontados os encargos), e o direito de gravar um clipe sem roteiro e uma música da banda na cidade sede do concurso; Regina Serafim, conterrânea da primeira, pelo vice abocanhou R$ 600, e Kate Crush, de Blumenau/Indaial, com o terceiro posto faturou  R$ 500. Também participaram da última etapa Rocket Engine, de Blumenau, Metanoia, de Indaial, e Tanger Tap, de Aurora.

E quem ficou com água na boca, o Minha Banda é Sucesso do ano que vem está confirmado. “Para as bandas não classificadas", disse Jorge Ferreira, Secretário da Fundação Cultural de Timbó, organizadora do evento, "fica o convite para inscreverem novamente seus trabalhos para o Cultura Rock 2.019. As eliminatórias estão previstas para acontecer entre agosto e setembro deste ano”. As inscrições estão disponíveis a partir de abril na página da Fundação.

Fica a dica para que mais cidades sigam o exemplo de Timbó e proporcionem para a sua região eventos como esse. Parabenizando, igualmente a prefeitura e a secretaria de cultura timboense e a figura do incansável Walda Westphal, que sempre trabalha em favor do rock autoral. O estilo de vida/música mais amado do mundo agradece!

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Stones no Rio, não apenas uma simples resenha




Larger


Lá se vão 12 anos desde aquele 18 de fevereiro de 2.006, data em que os Rolling Stones tocaram para mais de um milhão de pessoas na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. O show fazia parte da turnê do álbum A bigger bang, lançado no ano anterior. O texto foi publicado na minha coluna no Jornal A Gazeta, de Aguaí (SP). Problemas a parte, achei válido pela nostalgia. A maior fábrica de cerveja do Brasil produziu um lata  para celebrar a data, que eu guardo com maior carinho. Segue na íntegra.

Artigo


Isso mesmo, se você pensa que o que vai ler a seguir é tão somente o que você viu e ouviu na sua TV no sábado está redondamente enganado. A partir de agora, uma cobertura diferente, de quem estava lá, em pessoa, no evento. Tanto lá que um dos momentos mais engraçados foi ver um “fã” cantando algo como “chout it upi” (sic). Foi, sem dúvida, o momento mais engraçado na volta para o hotel.
Toda a movimentação começou no dia do show, dia 18, bem de manhã, com os cambistas vendendo de tudo, desde as tradicionais camisetas até chaveiros “beijados pelo próprio Mick Jackson (sic)”. O curioso é que eu imaginei que a cerveja estaria em um preço absurdo, o que não ocorreu. Talvez devido ao imenso número da “concorrência”. No domingo, por exemplo, havia um ambulante reclamando de que existiam mais vendedores do que público. Exageros à parte, não entramos no mérito da questão.
Para provar que rock não tem nada de simpatia para o diabo, até um frei, Francisco Alves Barbosa, da Igreja Nossa Senhora de Santana, popularmente conhecido como Frei Chiquinho, de 73 anos, foi buscar sua entrada vip e abençoou o local. Ele se diz admirador do grupo.
O palco desenhado especialmente para aquela noite
Para a segurança foram escalados mais de seis mil policiais, sendo só para Copacabana pouco mais de dois mil. Segundo o jornal carioca O Globo, a Polícia Militar estimou 1,2 milhão de pessoas na praia. Os Stones aumentaram o movimento financeiro da cidade em 30%, em relação ao ano passado.
Inusitado foi o Drink Jagger, com gim Bombay, tônica, “cherry brandy” e suco de limão, coisa de um hotel da Av. Atlântica. Ah sim, e teve também a Pizza dos Rolling Stones que dava direito, inclusive, à língua característica desenhada com morangos, licor de cereja, calda de chocolate e avelã. E não para por aí, não. A criatividade rolou solta por lá. Coisas unicamente para o referido fim de semana.
Faixas eram várias. E como nessa hora o que vale é chamar a atenção, dois amigos de Araraquara escreveram: “Fora Lula. Mick Jagger para presidente.” Isso sem falar nos clones do cantor britânico. E devido ao grande número de gringos, também pude exercitar meu inglês, principalmente com um casal escocês que acha que sua seleção de futebol é muito ruim (não diga).
O palco, de altura igual ao de um prédio de sete andares, com 60 metros de largura, 30 de profundidade e feito exclusivamente para o Brasil deixou os carnavalescos fluminenses impressionados, já que ele foi inspirado em nosso país tropical. Uma boa forma de tornar o DVD mais atrativo.
E se o maior show de rock da história foi realizado em uma praia, por que não assisti-lo em alto-mar? Em torno de 200 embarcações se estabeleceram no oceano para acompanhar as pedras rolando no palco. Não importava como, e sim a satisfação com que todos foram embora para suas casas. Sem mais palavras.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Full Gas e Tosse Harmônica no Split moderno

Weiss



Nada melhor do que curtir o bom e velho rock'n'roll com uma breja refrescante. Afinal, basta arrastar os móveis da sala para criarmos espaço e dançar a vontade com esse som. Dessa forma, não tem outro jeito, é preciso repor as energias e a cerveja de trigo é ótima nesse sentido.

E o CD em questão é justamente isso. Mais uma obra com apoio do louvável projeto cultural da prefeitura de Rio do Sul (SC), a 191 quilômetros de Florianópolis, o split Full Gas/Tosse Harmônica (Independente, Nac.) é a união de duas gerações, conforme consta no encarte. Cada banda aparece com cinco faixas mais um bônus. Aliás, fazia tempo que eu não via o formato, bastante comum na década de 1.980.

O Full Gas surgiu em 1.998 e apresenta aquele rock básico, letras divertidas, sobre amor, mas não melosas, fortemente influenciados por quem entende do estilo como os Rolling Stones. É uma pena que demorou para registrar seu trabalho. Tomara que continue nos brindando, pois o potencial é inegável.

Já o Tosse Harmônica, na batalha desde 2.015, também envereda pelos trilhos do classic rock da primeira (um influenciou o outro? Possivelmente), porém com um pouco de distorção. Além de letras divertidas, como em Minha cafeteira sumiu, há críticas, como em O blues da indecisão: "Mas o que dizer dos/ contratantes do rock?/ Que contratam as bandas/ E não pagam o cachê". Trata-se de outra grata surpresa.

Os times


O Full Gas é formado pelos guitarristas Guiulle Aquino, este também vocalista, e Rodrigo Fronza, Andre Odelli, baixo, e Doug Theis, bateria. O Tosse Harmônica na bolachinha contou com Marlon Nunes, vocal e baixo, Jonatan Deucher, guitarra, e Gustavo Bachmann, bateria. Este último já deixou o trio, que agora conta com Gustavo Fachin nas baquetas.