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segunda-feira, 10 de setembro de 2018

RIVER ROCK: Se o rock morreu esqueceram de avisar Indaial


Andreas comandando as ações

Pilsen



Sim, senhor, Pilsen para curtir três dias, de 7 a 9 de setembro, com todas as vertentes do rock ditando o feriadão catarinense na 15ª edição do River Rock Festival, em Indaial, no Vale do Itajaí. A escolha se deve por ser a única opção de chope no evento e não só isso, mas também porque é a melhor opção para nos refrescarmos depois de tanto balançarmos cabeças e troncos. Claro que estavam disponíveis cervejas e outras bebidas.

E nós, SP&BC e o Lendas do Rock, marcamos presença no Fest. Fizemos duas entrevistas que, em breve, serão disponibilizadas. Estas rolaram com Imagos Mortis e Cartel da Cevada. Devido a outros compromissos, pudemos conferir apenas a segunda data, o sábado, dia 8, infelizmente.
Acampamento com uma vista linda

Chegamos ao evento, que este ano ocorreu no Rota KM 66, próximo à BR 470, por volta das 16 horas e tivemos um pouco de dor de cabeça para a retirada das credenciais. No entanto, com o problema resolvido, partimos para o trabalho. O clima estava agradável, sol, frio apenas à noite, ou seja, perfeito para acampar, tomar cerveja e curtir rock'n'roll.

Havia stands vendendo CDs, camisetas, acessórios em geral, e, claro, não podia faltar a alimentação do pessoal. Inclusive um "vomitório" (!) no banheiro. O palco foi montado em um barracão com capacidade para 500 pessoas, mas com enormes portões abertos em que era possível que todos no River, se fosse o caso, acompanhassem os shows.

Armum
Público, aliás, que era o mais heterogêneo possível. Punks moicanos, pessoas saindo diretamente da Sunset Strip dos anos 1.980, headbangers de todos os estilos, crianças - muitas, para felicidade da continuidade do gênero musical - e noivos. Você leu certo, no palco aconteceu um casamento com direito a baile de debutantes.

A primeira banda que assistimos foi o Affront (RJ) com um death/black que agitou os presentes. Em seguida, o trio Armum mostrou com quantas notas se faz uma boa "podreira"; técnica e feeling a toda prova. Na sequencia, com o cair do sol, a banda que é a cara do blog: Cartel da Cevada. Os gaúchos fazem rock'n'roll falando de cerveja e outros assuntos divertidos peculiares ao estilo. Mais SP&BC impossível!

Uma das atrações mais aguardadas da noite, o Imago Mortis trouxe músicas de seus quatro álbuns editados. Este foi o primeiro show da turnê do novo disco, LSD, lançado recentemente. Um trabalho conceitual que, pelas faixas apresentadas no set, mostra-se um dos grandes petardos de 2.018. Mas que faltou Prayers in the wind, do projeto Hamlet, faltou. 
Imago Mortis mostrando trabalhos conceituais

Não conseguimos ver muito dos hermanos do Reytoro, pois foi neste momento em que rolaram as duas entrevistas citadas acima. Não obstante, o pouco que vimos foi suficiente para aprovar sua inclusão no line up. Em seguida, casamento, debutantes e um recital metal com direito a uma bela versão para The evil that men do, do Iron Maiden.

Finalmente seria o momento do grande headliner do River Rock. Os shows estavam todos seguindo à risca os horários, porém o Sepultura atrasou em uma hora a subida ao palco. Polícia, dos Titãs ecoou pelo festival antes da Intro que trouxe o quarteto que gravou Machine Messiah (leia a resenha do CD aqui). Abriram com as novas I am the enemy e Phantom self. As mais velhas tiveram sua vez, como a faixa-título Kairos, de 2.011, e a clássica Territory.
Único da formação original do Sepultura

A próxima me trouxe uma verdadeira nostalgia. Jamais imaginei que ouviria alguma vez na vida o Sepultura executar na minha frente - e olha que vi muitos shows dos caras - Innerself. Sem palavras! Entretanto, essa e Ratamahata, já no encore, ganharam versões mais cadenciadas e diferentes. Após Innerself, a banda deu seu "boa noite" contando que estavam na estrada há quase dois anos, o que explica o aparente cansaço dos músicos. Andreas anunciou que por comemorarem 20 anos da entrada de Derrick Green no grupo tocariam algumas da estreia do vocalista, Against (1.998).

Mais alguns hits e Arise encerrou a primeira parte do set, antes do bis, que contou com quatro músicas. Encerraram com Roots e aí, apesar de ainda ter mais três bandas a se apresentarem, devido ao avançar da madrugada, preferirmos voltar para casa. Até porque este texto ficaria ainda maior. Parabéns aos organizadores e que continuem trazendo eventos como esse a todos os roqueiros de Santa Catarina.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Sepultura de novo álbum a filme: a relevância do gigante

Reprodução

WEISSBIER


A sugestão desse tipo de cerveja para acompanhar esse som se deve aos maltes de trigo que parecem combinar com as batidas pulsantes da bateria e nos envolvem por completo. E, claro, a necessidade de se refrescar um pouco, pois o disco é porrada após porrada.

Décimo quarto álbum de estúdio do Sepultura, Machine Messiah (Nuclear Blast, Nac.) é muito diferente de seu antecessor, The mediator between head and hands must be the heart, editado em 2013. Este foi mais voltado ao lado brutal do quarteto. Agora, a pedida é um pouco mais de groove.

A banda nunca lançou dois trabalhos iguais. Assim, mais uma vez podemos ouvir um CD cheio de ideias, novos elementos, como passagens com violinos, enfim, o Sepultura se reinventa a cada lançamento. Ponto para o grupo.

Tanto que a faixa-título que abre o disco não é aquela típica música de abertura. Problema? Evidentemente que não, pois a mesma se desenvolve muito bem, inclusive com uma linha vocal mais melódica.

O conceito do álbum chama a atenção desde o título até a capa, inspirados pela robotização da sociedade atualmente. Segundo o release, a “Máquina Divina” criou a humanidade e agora com o aparente fechar do ciclo, retornaremos ao ponto de partida.

“Viemos das máquinas e estamos indo de volta. O Messias, quando voltar, vai ser um robô ou um humanoide, nosso salvador biomecânico”, completa o texto extraído do site oficial do grupo.

Andreas Kisser (guitarra) já tinha o nome e o conceito do projeto quando iniciou a pesquisa para a ilustração da capa. A escolhida foi “Deus Ex-Machina”, criada há seis anos por Camille Dela Rosa, das Filipinas, e coincidiu com a ideia do disco. Depois de Arise (1991), talvez seja a melhor capa da discografia do quarteto.

Não vou destacar nenhuma música, pois em minha opinião não há nenhuma faixa ruim. É um CD coeso e bem produzido pela banda e por Jens Bogren (Soilwork e outros). Curiosidade: desde 1993, com Chaos A.D., não gravavam na Europa. A volta ao continente para esse registro ocorreu na Suécia.

Além de Andreas, completam o line-up atual o vocalista Derrick Green, o baixista Paulo Júnior, único integrante da formação original, e o baterista Eloy Casagrande (ex-André Matos e Gloria).

Filme

Mesmo depois de mais de 30 anos de estrada, o Sepultura ainda é a banda de metal, incluindo todas as vertentes, mais conhecida do Brasil lá fora e dentro do país. Só isso já é motivo suficiente para o documentário Endurance, que conta essa rica história, em cartaz desde 14 de junho em algumas cidades brasileiras.

Ainda não o assisti, até porque não chegou a Blumenau (SC), mas desde já lamento que os irmãos Max e Iggor Cavalera não permitiram que as músicas co-escritas por eles estivessem na trilha. Uma tremenda bobagem.


De qualquer forma, torço para que um dia, se perdoem. Não pela música. Não pela oportunidade de uma reunião. Mas sim pelo lado das pessoas, o mais importante.