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domingo, 11 de fevereiro de 2024

PROJETO VALHALLA Deficientes na música: quem disse que eles não podem?

 

Reportagem publicada na ed. # 25 da Revista Valhalla sobre não desistir

Texto e Pesquisa: Vagner Aguiar

Entrevistas: Marcio Baraldi

Cena 1: banda em ascensão lança disco que se torna um marco na carreira. Época em que dava tudo certo! Vários hits nas paradas, fama e dinheiro alcançados ainda na chamada “flor da idade”. Cena 2: o integrante mais jovem resolve tirar férias por conta própria. Dirigindo seu próprio veículo sofre um acidente em que lhe custa o braço esquerdo. Pronto, tudo foi por água abaixo, afinal ele era o baterista e como conseguiria tocar com apenas uma mão? Cena 3: “Eu vou voltar a tocar! Eu vou conseguir!”, diz o músico para seus companheiros de grupo para espanto geral, mesmo depois da tentativa frustrada de recolocar o membro, pois seu corpo não reagiu bem a operação. Porém, o álbum seguinte chegou ao primeiro lugar nas paradas, uma prova de que a luta e a força de vontade sempre vencem.

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O estudo de caso acima se refere ao Def Leppard. Os LPs citados são Pyromania (83) e Hysteria (87), respectivamente. Claro que tratávamos do caso de Rick Allen. Isso tudo aconteceu no Reveillon de 1984 e é retratado no filme Histerya – The Def Leppard Story.

Allen não é um ato isolado na música e em se tratando de qualquer área profissional. Lembra de uma canção do conjunto alemão Helloween, do disco Better Than Raw (98), chamada “I Can”? Ela traz em seu refrão algo que ninguém deveria jamais esquecer: “I can make it all again/I don't wanna lose/I don't wanna go down”. Nunca desistir deve ser a expressão para melhor definir esses versos e todos os exemplos que o prezado leitor acompanhará a partir daqui. 

Não teria como iniciarmos sem antes nos lembrarmos do músico erudito alemão Ludwing van Beethoven (1770-1827), um dos mais importantes compositores do século XIX. Beethoven, filho de músico boêmio interessando em transformá-lo num menino-prodígio para poder explorá-lo mais tarde, mesmo depois de ficar surdo compôs obras maravilhosas, como a famigerada Nona Sinfonia.

Ian Dury & The Blockheads foi uma banda inglesa de Punk Rock cujo vocalista, o Ian Dury, sofria de poliomielite desde a infância. Porém, isto não o impediu de montar seus projetos, este conjunto inclusive, e cravar alguns hits no fim da década de 70, entre eles, “Sex, Drugs And Rock And Roll”, do primeiro álbum New Boots And Paties (77). Antes de morrer em março de 2000, Dury trabalhou em conjunto com a Unicef, sigla inglesa para Fundo das Nações Unidas para a Infância, em favor de doentes com câncer, doença, aliás, que também o acometeu.

O Lynryd Skynyrd sempre teve algo que marcou negativamente sua trajetória, apesar de ser um nome de respeito no cenário do Southern Rock. Fundado em 1964, o grupo perdeu de uma só vez três integrantes em um acidente aéreo ocorrido em outubro de 1977: o vocalista Ronnie van Zant, o guitarrista Steve Gaines e a irmã deste, a backing Cassie Gaines; além do empresário do conjunto. Isso levou o outro guitarrista, Allen Collins, a montar outros projetos. Depois de 11 anos, Collins ficou paralisado da cintura para baixo em virtude de um acidente automobilístico, no qual sua então namorada morreu. Três anos antes já havia perdido sua mulher. Em 87, uma turnê em tributo ao Lynryd Skynyrd teve o próprio Collins escolhendo o repertório, explicando sua situação atual e dando recados otimistas aos seus fãs no meio das apresentações. A pneumonia acabou por completo com o músico, que veio a falecer em janeiro de 1990.

Uma das pessoas do meio musical mais lembradas, inclusive em tributos, é Jason Becker. O guitarrista passou pelo Cacophony, ao lado de Marty Friedman (ex-Megadeth), e substituiu Steve Vai (solo, ex-Whitesnake) na banda solo de Dave Lee Roth (ex-Van Halen). Depois de gravar o terceiro álbum de Roth, A Little Ain’t Enough, Becker foi obrigado a abandonar o barco em virtude de uma esclerose lateral amiotrófica, que degenera o sistema neuro-motor. Com o tempo, seu corpo foi ficando paralisado. Entretanto, isso não o impediu de registrar seu segundo disco solo, sintomaticamente intitulado Perspective.

Falando um pouco do nosso país tropical, Arnaldo Baptista, fundador dos Mutantes – ao lado do irmão Sergio Dias e de Rita Lee – e da Patrulha do Espaço, após uma crise decorrente do abuso de drogas, em 1982, sem entender porque estava internado, tentou fugir pulando pela janela de seu quarto de hospital. O fato lhe condenou a vegetar eternamente, já que parte de sua massa encefálica ficou comprometida. Para nossa sorte, Baptista, acompanhado de sua mulher e recluso numa chácara, não só reaprendeu a fazer música como também pintura e desenho. Disco Voador (87) foi lançado pela Baratos Afins e significa um recomeço. Atualmente é possível encontrar um CD em parceria com o cantor Lobão nas bancas de jornal do país.

Falando em Patrulha do Espaço, onde Baptista permaneceu por apenas nove meses, Rolando Castelo Júnior (ex-Made In Brazil, Inox) é um exemplo de pessoa que além de ter tido “poliomielite aos dois anos de idade, o que afetou meu braço direito”, nos diz o baterista em exclusiva para a Valhalla, se adaptou à situação e levou “a vida normalmente, com exceção de uma ou outra cirurgia e fisioterapia”. “Quando resolvi tocar bateria não pensei que não poderia”, sentencia Júnior. Poucos dias após abrirem para o Van Halen no Ibirapuera, em 1983, o músico foi “baleado e um dos tiros atingiu a minha mão esquerda, me causando sérios danos”, explica. Entretanto nada disso bastou para fazê-lo parar e a Patrulha continua na ativa até hoje.

Marcelo Yuka e Herbet Vianna são casos que emocionaram o Brasil todo. Em novembro de 2000, o primeiro, que sempre lutou por um mundo justo em suas letras na banda O Rappa, na vontade de ajudar uma moça que estava sendo assaltada ao chegar em casa jogou seu carro contra os bandidos e levou a pior: oito tiros o atingiram e o deixaram paralítico. O batera não desistiu da música, apesar de não poder tocar mais seu instrumento, e passou a colaborar com outros artistas. Seus projetos sociais igualmente não pararam. No clipe da parceria entre O Rappa e o Sepultura, “Ninguém Regula A Améria”, ele aparece no início dizendo que gravar a canção com os mineiros “foi providencial”. Yuka deixou O Rappa no ano passado.

Já o segundo caiu com seu ultraleve, em fevereiro de 2001. No acidente, o guitarrista, vocalista e líder d’Os Paralamas do Sucesso perdeu sua mulher e os movimentos de suas pernas. Sua força de vontade fez até o que os médicos duvidavam, ou seja, voltar a tocar e cantar, mesmo que em uma cadeira de rodas.

Depois desses exemplos todos é preciso fazer reflexões: por que ainda assim há pessoas que ignoram quem tem problemas físicos? Será que não há um Beethoven, Arnaldo Baptista, Jason Becker, Rick Allen ou Ian Dury dentro de cada deficiente que sofre com o preconceito? A música ajudou nossos amigos a lutar e nos dar alegrias. É a vontade de viver, de trabalhar. Pense nisso! E para ajudá-lo a refletir conversamos com três pessoas que encaram a vida normalmente como qualquer outra. O resultado você pode ler em cada um dos três boxes nestas duas páginas. Dê uma oportunidade a eles.

“A sociedade não pensa no deficiente como cidadão” 

Para uma pessoa com problema físico vencer na vida é preciso batalhar zilhões de vezes a mais que uma “normal”. Entre outros motivos podemos citar preconceito e falta de oportunidade. Como escrito na matéria ao lado, qualquer indivíduo tem capacidade para alcançar seus objetivos e exemplo para isso não faltou no texto. Assim, não é preciso dar o peixe, mas dar a oportunidade de pescá-lo, como diz o ditado popular.

O primeiro motivo citado no parágrafo anterior é, provavelmente, o mais grave. Jackson Cristiano de Paula, portador de amiotrofia espinhal tipo dois, doença degenerativa que afeta sua musculatura, sofre preconceito três vezes: “por ser deficiente, roqueiro e roqueiro cristão”, denuncia o próprio. Mas isso nunca o desanimou, pois como nossos heróis, Jackson não fica parado e sempre se coloca à disposição do trabalho. E trabalho ligado ao Rock, já que “o melhor de tudo foi conhecer este estilo de cultura, de vida e de som”, organizando quatro edições do maior festival de White Metal do Brasil, o Rock In Concert (www.rockinconcert.com.br), o que o levou a fundar a produtora Heaven’s Music Produções (www.heavensshop.cjb.net) para eventos e empresariar bandas como Oráculo, Século I, Storm Master, Ressurex e outras, além de ministrar palestras.

Conheceu drogas e prostituição “que hoje servem de bagagem para lutar e ajudar as pessoas envolvidas nestas questões”, afirma Jackson. Como deve ter dado para perceber, o ex-empresário do Eterna acredita ser “um instrumento de Deus. Ele me mostrou o quanto sou útil e o quanto posso ajudar o próximo com meu trabalho”.

Recado aos promotores: “Já perdi muitos shows porque a ala reservada aos deficientes nas casas de espetáculos é a que tem o ingresso mais caro! Se tivesse acesso para deficientes nos setores mais baratos eu teria assistido a muito mais shows na minha vida”.

Como todos nós temos sonhos, este verdadeiro guerreiro também tem o seu, que “é conseguir um trabalho fixo para que eu possa manter minha família dignamente, já que o custo de vida de um deficiente é muito alto”. Nada mais justo.

Lembra das palestras mencionadas acima? Então, eis algo que Jackson tem a dizer: “Não importa sua situação financeira, social, cor, religião, jeito que se veste, opção sexual, você nunca vai ser nem pior nem melhor que ninguém, você apenas é diferente, pois você é único e isso te torna especial aos olhos do Criador. Lutem sempre pela dignidade de seus sonhos. Preservem sempre seu corpo da destruição que as drogas fazem, vivam a vida de um modo digno e real com muito Rock And Roll, lógico!

“Foi o Rock que me tirou das drogas”

Quando uma pessoa comete um equívoco, o mais fácil é condená-la pelo resto da vida. Difícil é conhecer alguém que lhe conceda uma segunda chance. E quanto a pessoa que errou, ela também precisa dar a si própria essa segunda, terceira, quarta... Foi mais ou menos assim com Eduardo Evans, vocalista do Contato Imediato, que toca pelas ruas de São Paulo as músicas de seu CD-Demo.

Criado em uma família que trabalhava no circo, Evans, além de exercer as nobres funções de “palhacinho” e trapezista, também possuía uma banda, onde tocava violão, juntamente com seu pai, na guitarra, e seu irmão, na bateria, para acompanhar os artistas que se apresentavam no seu local de trabalho. “Aos 15 anos”, conta como tudo ocorreu, “um assaltante baleou meu pai na porta do circo. Por instinto pulei em cima dele e fui baleado identicamente. Meu pai morreu e eu fiquei paraplégico”.

Evans lembra que nos primeiros 12 meses ficou revoltado e isolado, o que o levou às drogas. Quatro anos se passaram na autodestruição “até que parei sozinho, só com a fé em Deus. Sempre entendi que Deus havia me dado o Rock para ser minhas novas pernas”, esclarece o cantor.

Quando entendeu que a vida não é só ficar reclamando tudo mudou: “Recuperei a auto-estima e montei minha banda e as pessoas nos adoram! A ‘roqueirada’ (sic) nos ajuda e apóia muito e a ‘mulherada’ (sic) me dá presentes como flores e bombons”, completa nosso batalhador em meio a risos.

Claro que ele também já sofreu preconceito, inclusive de quem ele ajuda a pagar o salário, um motorista de ônibus que não o deixou subir ao veículo certa vez. Em outra situação embaraçosa, o pai de sua namorada proibiu que os dois continuassem a relação. “Mas ela me ama e me aceita do jeito que sou e nós vamos ser felizes de qualquer jeito”, conclui Evans.

Há quem ainda acha que “Rock é coisa de drogado, mas foi justamente ele que me tirou delas”, rasga o verbo o músico. “Hoje estou bem, não culpo mais ninguém pelo que me aconteceu. Só quero viver plenamente do meu grupo, gravar discos legais e fazer muitos shows”, diz Evans fazendo ponte para deixar sua mensagem aos leitores: “A música agora é minha missão, pois sei que não estou levando apenas uma boa canção para as pessoas, mas também um exemplo de luta, de coragem e amor pela vida. Enquanto eu tiver boa cabeça e pessoas boas ao meu redor serei sempre Eficiente, nunca DEficiente!

“A maior deficiência de um ser humano é a ignorância”

Toninho Iron é uma figurinha carimbada no meio Metal sem necessariamente ser músico, afinal ele é o presidente do fã-clube oficial do Sepultura. Até aí tudo bem, entretanto o que poucos sabem é que Toninho nasceu no interior de Pernambuco, “numa cidade muito pobre onde a saúde pública era muito precária e de difícil acesso”, nos conta. “Por causa disso fui acometido pela poliomielite aos cinco anos, pois não havia vacina tríplice no meu Estado. Fiquei, desde então, com a perna direita atrofiada, o que me obriga a caminhar com o auxilio de uma muleta”, revela Toninho para depois emendar uma com bom humor: “O que não me impede de levar uma vida normal. Só não posso correr, pular muros, praticar alpinismo e escalar o Monte Everest (N. do R.: O Monte Everest é o ponto mais alto do planeta Terra, com 8.848 m de altitude, e fica no Nepal/China)”.

O Sepultura entrou na vida do presidente já nos anos 80 mudando sua concepção sobre música pesada, que já conhecia há tempos graças ao trivial Aerosmith, Kiss, Iron Maiden e outros medalhões, assim como todos. “Minha religião é o Heavy Metal e minha Igreja é o Sepultura e minha família”, define Toninho para concluir a idéia: “Tudo que tenho devo a eles e quero me dedicar a ambos o máximo que puder. Foi a música, sobretudo o Metal, que abriu minha mente e me ensinou a respeitar a opinião alheia e a conquistar minha independência sem causar mal a ninguém”.

Preconceito, palavra que deveria ser execrada do dicionário, não o incomoda mais. “Hoje eu não dou mais a mínima, pois conheço meu caminho na vida e sei quem são meus verdadeiros amigos” afirma convictamente.

Autor da frase que intitula este box, Toninho também vê que “doença mesmo é a falsidade e não a deficiência física”. E fala a verdade, tendo uma “deusa e duas filhas maravilhosas” em sua vida para que reclamar? “Não consigo viver só do fã-clube e tenho que estar sempre fazendo free-lances por aí”, entrega, “mas minha dedicação ao Sepultura nunca dependeu nem dependerá de dinheiro. Fundei este, que é o primeiro e mais sólido fã-clube de uma banda de Metal nacional, puramente por respeito e por orgulho do Metal brasileiro e do Sepultura”.

Claro que ele não poderia nos deixar sem uma mensagem final: “Seja você mesmo, respeite os outros e não se preocupe com a opinião alheia, ela só tem valor quando dão valor à sua também! Longa vida a todos que têm dentro de si a luz da perseverança para lutar contra todos os obstáculos que porventura surjam no caminho”.

quarta-feira, 13 de outubro de 2021

10, 20, 30... Sepultura do Brasil para o mundo


Andreas Kisser (g) em ação em Indaial (SC)

German Ale

Pode parecer preguiçoso ao falar de Sepultura escolher uma cerveja cujo estilo a banda já lançou sob seu nome, mas, na verdade, o blog só está corroborando com a escolha. Bom salientar que o grupo oriundo de Minas Gerais também possui outros estilos de brejas lançados com sua marca, mas a família Ale, na modesta opinião do SP&BC, é a que mais combina com o som.

Tentativas em outros estilos aconteceram, mas o German Ale venceu. Assim como o quarteto de thrash metal que se estabeleceu como um dos maiores nomes do metal mundial. E o melhor disso tudo, por ser um grupo brasileiro, os caras tocam em "n" países assim como tocam em sua cidade.

Posto isso, nada mais justo de a primeira banda tupiniquim a participar do nosso 10, 20, 30... seja o Sepultura. Poucas são as que conseguem, em nossos critérios, lançar um álbum com esse respectivo intervalo de tempo e em todas as décadas, o que nos permite constatar sua evolução e como ela se deu. Além do que cada um contou com diferentes formações.

Neste caso, temos discos editados em 1.991 (Arise), 2.001 (Nations), 2.011 (Kairos) e neste 2.021 o novo SepulQuarta. E SP&BC já comentou sobre o quarteto em outras oportunidades como em um show aqui perto, em Indaial, no River Rock (foto), e a resenha de um álbum, no caso, Mechine Messiah.Ah, e teve, também, uma citação em uma entrevista com a empresa que produz as cervejas do Sepultura.

 

Arise (1.991)

Esse recorte do grupo nos mostra uma veia muito interessante dessa discografia: a de não se repetirem. Arise é um quase ápice daquele thrashão iniciado em Schizophrenia (1.987), alcançado em Chaos A.D. (1.993) e marcado definitivamente na história da música pesada em Roots (1.996), o último com a formação clássica.

Na época do lançamento, o responsável por este blog era um recém-chegado à adolescência que já curtia Sepultura há tempos e, portanto, procurou, e muito, pelo álbum que ainda nem estava pronto, mas foi lançado com outras capa e mixagem, sem o cover de Orgamastron (Motorhead) para aproveitar a onda do Rock in Rio II. Hoje é relíquia e aquele garoto, claro, não conseguiu a sua cópia.

Todas as faixas são ótimas, mas Dead embryonic cells salta aos olhos. Uma obra incontestável de uma época que só quem viveu possui histórias incríveis para contar. Inclusive o Rock in Rio, que também estará no próximo capítulo.


Nations (2.001)

Rock in Rio. Falam tanto desse festival que parece ser o único em nosso país. É o que tem nossa assinatura pelo mundo, ok, mas por nossas terras tivemos inúmeros eventos igualmente importantes como Hollywood Rock, Monsters of Rock, Skol Rock, M2000 e por aí vai. De todo modo, o Rock in Rio continua no assunto porque além de a banda tocar em praticamente todas as edições desde 1.991, foi na de 2.001 em que SP&BC esteve presente.

E foi nesta em que foram apresentadas duas das músicas que estariam no então novo álbum Nation, editado meses depois. O show, sem comentários, claro. Mas o assunto aqui é o CD, e um bom CD! Não é nada que mude a cotação do dólar, mas é um trabalho conceitual, algo que se repetiu outras vezes, que trata da criação de uma nação, a Sepulnation, com hino e tudo. Ele veio após o necessário Against (1.998) mostrando o caminho a seguir com Derrick Green nos vocais.


Kairos (2.011)

Em relação a década anterior, outro membro diferente. Se bem que já é o último com Jean Dolabella na bateria. O que agrada neste álbum é o som. Claro que é o metal de sempre, mas aqui parece tão polido quanto sujo. Talvez pela produção de Roy Z (Bruce Dickinson).

Naturalmente as 15 faixas, incluindo o cover para Just one fix, do Ministry, formam um bom disco. De novo, não é o melhor, não marcou época, porém cumpre o seu papel de agradar aos fãs de metal em geral e evidenciar que o quarteto segue firme e forte na estrada com lenha para queimar por muitos anos ainda.

 

SepulQuarta (2.021)

Em 2.020, a banda soltou Quadra, um trabalho excelente! Porém, pouco depois veio a pandemia do novo coronavírus e nada de turnê. Sem divulgação do trabalho como se costuma fazer, o jeito foi se aventurar, como praticamente todos os artistas, pela internet. O Sepultura, então, criou a SepulQuarta, lives semanais em que recebiam convidados para altos papos, jams e o que rolasse.

Nessa vibe, surgiram 28 versões. Dessas, 15 foram escolhidas para entrarem no novo projeto homônimo. E entre as faixas, temos tanto músicas pouco executadas em shows, como Apes of God e Slaves of pain, por exemplo, como a clássica Territory e o maior destaque para Inner self.

SepulQuarta se tornou uma coletânea luxuosa e um novo produto ao mesmo tempo. Track list com novas versões, participação de outros músicos, ou seja, algo que só quem tem história pode proporcionar. Ah, para fechar, a superclássica Orgasmatron com a participação de Phil Campell, guitarrista do Motorhead.

domingo, 24 de janeiro de 2021

RETROSPECTIVA 2.020: O que rolou e o que podemos esperar de 2.021



Mesmo não havendo shows, músicos trabalharam bastante em ótimos lançamentos

Acredito que em nenhum outro ano fazer um apanhado do que chegou até o público foi tão importante como agora. Isso porque... bem, todos sabemos como foi 2.020. Existem até anúncios de shows em 2.021, inclusive um Rock in Rio, porém, sinceramente, não acho que role até que estejamos bem seguros quanto a essa pandemia.

Contudo, há de se comemorar que não foi por conta de isolamento que ficamos sem curtir músicas novas. Alguns trabalhos passaram pelo SP&BC enquanto que alguns ainda não. Assim, é uma boa oportunidade para  se fazerem presentes em nosso blog - mesmo que em poucas palavras. Separei três estilos de cervejas mais do que tradicionais para acompanhar essa viagem: Witbier, Session Ipa e Pilsen, pois elas combinam com cada um dos citados aqui.

Começando com o Príncipe das Trevas, que lançou um álbum exatamente 10 anos após o anterior. Ordinary man (leia a resenha aqui) mostrou que Ozzy Osbourne tem muita lenha para queimar. Ainda. Só não gostei da participação do Post Malone. Não dá para ser perfeito.

Esse último ano quase marcou a despedida do cenário musical do campineiro Fabiano Negri. Felizmente quase, diga-se. Porque The fool's path (veja a opinião completa aqui) é, simplesmente, o melhor trabalho nacional do período e não poderia, jamais, significar o derradeiro. Aí que o selo estadunidense Big Can Production o procurou e então surgiu o convite para lançar um disco nos Estados Unidos. Reborn sai no final de janeiro, mas já tem single disponível em seu canal no YouTube, Inside out e Dying city. Outra pedrada está por vir.


Não deu tempo para comentar sobre o último CD do AC/DC, Power up, quando a banda foi homenageada no "10, 20, 30..." (veja aqui). Então, vale comentar neste momento que o álbum realmente é muito bom! Trouxe o quinteto de volta com tudo e ainda com membros antigos que estavam afastados. Grata surpresa!

Outro nome clássico que editou um novo trampo foi o inglês Deep Purple, que soltou Whoosh!. Chega a ser surpreendente como eles, após tantos anos, conseguem manter o nível nas composições.

Falando um pouco sobre singles, que estão bem na moda e que nos garante sempre a perspectiva de novas músicas, algumas bandas passaram por SP&BC neste formato, em qualquer plataforma que seja, uma das vantagens da Internet.

O Metalmad DC, por exemplo, lançou Colheita maldita, Beijo da morte e Olhos de Medusa (veja) mostrando que o futuro disco vai ser matador. E já neste ano saiu Alma seca, outra verdadeira pedrada! Procure pelos caras no canal oficial no YouTube.

Já o Voodoo Shyne veio com Unique (no mesmo texto do Metalmad DC) e A perefect match. Continua afiado e com aquela identidade característica. Também já tem outra nova, a recente, diferente e ótima Love corrupts myself to death. Nas plataformas digitais. O novo álbum, a julgar por essas faixas, promete.

O Fenrir's Scar no brindou com Curse of mankind (clique aqui), The enemy inside e Break the wheel mostrando a força do underground que não pode parar. Alias, o rock não é nada sem o underground, então, amigo roqueiro, vamos prestigiá-lo! A dupla paulista segue firme trabalhando e tomara que CD autointitulado não demore.

Também recomendo o grande King Bird, que veio com Alive, revisited and isolated, mostrando um pouco do que produziu durante os anos em versões ao vivo. Imperdível! 

Primal Fear arrebentou em Metal Commando, enquanto que o Vanderberg surpreendeu com 2020.

E o Sepultura, então? Quadra é um dos registros mais fortes desde que Derrick Green assumiu os vocais do grupo e mostra o quarteto em ótima forma para desespero das viúvas de Max. 

Para fechar, sir Paul McCartney mandou McCartney III e só vou dizer que é difícil parar de ouvir. Sensacional! E que 2.021 deixe a todos vacinados e prontos para voltar a um bom show de rock n'roll com muita aglomeração!

Claro que o ano contou com muitos outros lançamentos. Os que não gostei, conforme a linha editorial, não foram citados. Outros faltaram espaço. Cabe a cada um fazer sua pesquisa e não deixar que o nosso estilo favorito se enfraqueça. Algumas dicas estão aí. Aponte as suas.

domingo, 1 de dezembro de 2019

GERAL: Discos lançados em 2019 parte 1


Pilsen


A partir desta publicação e durante algumas, sem saber exatamente quantas, o blog SP&BC vai trazer alguns dos álbuns editados neste ano em breves palavras. Não é uma lista dos melhores do ano, apenas aqueles que por algum motivo acabaram não gerando resenha na devida época. E, também, já deu para perceber que quando não gostamos nem comentamos.

A cerveja escolhida foi uma Pilsen pelo fato de que uma certa importada alemã passou pela geladeira da redação e acabou influenciando no momento do trabalho. Ou seja, uma Pilsen bem encorpada e nada a ver com a Larger de que estamos acostumados, hein, por favor.

Stress - Devastação
Quarto álbum independente dos pioneiros paraenses. Para quem não sabe - ainda - essa banda de Belém foi a primeira a gravar um LP de heavy metal no Brasil no início do anos 1.980. O independente Devastação é excelente! Pronto, já nem precisaria falar mais nada. No entanto, como bom jornalista, vale dizer que, apesar da dificuldade em destacar uma ou outra faixa, arriscamos dizer que Motorocker, a lenda vai virar clássica no meio, isso se não alcançar o status de hino dos motociclistas. Ao todo são 11 faixas e entre elas, regravações de Coração de metal, Heavy metal é a lei e Brasil heavy metal, que aparece também em uma versão sinfônica no final. O álbum igualmente marca a estreia do guitarrista Emersom Lopes ao lado dos fundadores Roosevelt Bala (baixo e voz) e André Chamom (bateria).



Hellish War - Wine of Gods
Vindo do interior de São Paulo, mais precisamente de Campinas, o quarteto apresenta aquele heavy metal tradicional que é sua marca registrada neste novo petardo. E não é nenhum demérito, não, ao contrário, pois é feito com competência. Wine of Gods, o quarto da discografia, é um daqueles  trampos que nos faz acreditar que o metal jamais padecerá frente a qualquer modinha passageira por esses lados. Não à toa, Warbringer conta com a participação especial de Chris Bothendahl, líder do Graver Digger. Além da versão física, o CD também está disponível nas plataformas digitais, assim como os outros títulos nesta página. Confira uma entrevista com o grupo aqui.


Uganga - Servus
Minas Gerais sempre foi o berço de grandes nomes da nossa cena pesada, vide Sepultura e Sarcófago, só para ficar em dois dos mais famosos e influentes. E, justamente, pelo último passou o vocalista Manu Joker. Entretanto, o som do Uganga, já há duas décadas e meia na estrada cantando em português, não tem nada a ver com a formação lembrada (leia uma entrevista com músico aqui para saber mais). Servus, financiado pelo Wacken Fundation, é um trabalho digno de registro. Dizer que é o melhor trabalho dos cinco de estúdio é complicado, pois todos apresentam uma qualidade acima da média. Isso quer dizer que mais uma vez os mineiros não decepcionaram e entregaram um ótimo disco! Altamente recomendado.


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segunda-feira, 10 de setembro de 2018

RIVER ROCK: Se o rock morreu esqueceram de avisar Indaial


Andreas comandando as ações

Pilsen



Sim, senhor, Pilsen para curtir três dias, de 7 a 9 de setembro, com todas as vertentes do rock ditando o feriadão catarinense na 15ª edição do River Rock Festival, em Indaial, no Vale do Itajaí. A escolha se deve por ser a única opção de chope no evento e não só isso, mas também porque é a melhor opção para nos refrescarmos depois de tanto balançarmos cabeças e troncos. Claro que estavam disponíveis cervejas e outras bebidas.

E nós, SP&BC e o Lendas do Rock, marcamos presença no Fest. Fizemos duas entrevistas que, em breve, serão disponibilizadas. Estas rolaram com Imagos Mortis e Cartel da Cevada. Devido a outros compromissos, pudemos conferir apenas a segunda data, o sábado, dia 8, infelizmente.
Acampamento com uma vista linda

Chegamos ao evento, que este ano ocorreu no Rota KM 66, próximo à BR 470, por volta das 16 horas e tivemos um pouco de dor de cabeça para a retirada das credenciais. No entanto, com o problema resolvido, partimos para o trabalho. O clima estava agradável, sol, frio apenas à noite, ou seja, perfeito para acampar, tomar cerveja e curtir rock'n'roll.

Havia stands vendendo CDs, camisetas, acessórios em geral, e, claro, não podia faltar a alimentação do pessoal. Inclusive um "vomitório" (!) no banheiro. O palco foi montado em um barracão com capacidade para 500 pessoas, mas com enormes portões abertos em que era possível que todos no River, se fosse o caso, acompanhassem os shows.

Armum
Público, aliás, que era o mais heterogêneo possível. Punks moicanos, pessoas saindo diretamente da Sunset Strip dos anos 1.980, headbangers de todos os estilos, crianças - muitas, para felicidade da continuidade do gênero musical - e noivos. Você leu certo, no palco aconteceu um casamento com direito a baile de debutantes.

A primeira banda que assistimos foi o Affront (RJ) com um death/black que agitou os presentes. Em seguida, o trio Armum mostrou com quantas notas se faz uma boa "podreira"; técnica e feeling a toda prova. Na sequencia, com o cair do sol, a banda que é a cara do blog: Cartel da Cevada. Os gaúchos fazem rock'n'roll falando de cerveja e outros assuntos divertidos peculiares ao estilo. Mais SP&BC impossível!

Uma das atrações mais aguardadas da noite, o Imago Mortis trouxe músicas de seus quatro álbuns editados. Este foi o primeiro show da turnê do novo disco, LSD, lançado recentemente. Um trabalho conceitual que, pelas faixas apresentadas no set, mostra-se um dos grandes petardos de 2.018. Mas que faltou Prayers in the wind, do projeto Hamlet, faltou. 
Imago Mortis mostrando trabalhos conceituais

Não conseguimos ver muito dos hermanos do Reytoro, pois foi neste momento em que rolaram as duas entrevistas citadas acima. Não obstante, o pouco que vimos foi suficiente para aprovar sua inclusão no line up. Em seguida, casamento, debutantes e um recital metal com direito a uma bela versão para The evil that men do, do Iron Maiden.

Finalmente seria o momento do grande headliner do River Rock. Os shows estavam todos seguindo à risca os horários, porém o Sepultura atrasou em uma hora a subida ao palco. Polícia, dos Titãs ecoou pelo festival antes da Intro que trouxe o quarteto que gravou Machine Messiah (leia a resenha do CD aqui). Abriram com as novas I am the enemy e Phantom self. As mais velhas tiveram sua vez, como a faixa-título Kairos, de 2.011, e a clássica Territory.
Único da formação original do Sepultura

A próxima me trouxe uma verdadeira nostalgia. Jamais imaginei que ouviria alguma vez na vida o Sepultura executar na minha frente - e olha que vi muitos shows dos caras - Innerself. Sem palavras! Entretanto, essa e Ratamahata, já no encore, ganharam versões mais cadenciadas e diferentes. Após Innerself, a banda deu seu "boa noite" contando que estavam na estrada há quase dois anos, o que explica o aparente cansaço dos músicos. Andreas anunciou que por comemorarem 20 anos da entrada de Derrick Green no grupo tocariam algumas da estreia do vocalista, Against (1.998).

Mais alguns hits e Arise encerrou a primeira parte do set, antes do bis, que contou com quatro músicas. Encerraram com Roots e aí, apesar de ainda ter mais três bandas a se apresentarem, devido ao avançar da madrugada, preferirmos voltar para casa. Até porque este texto ficaria ainda maior. Parabéns aos organizadores e que continuem trazendo eventos como esse a todos os roqueiros de Santa Catarina.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Artigo: Rádios e streaming deveriam ser o caminho

Feiras de vinil preservam maneira antiga

Stout


O mundo mudou. Quantas vezes não ouvimos essa expressão? Incontáveis. E não tem jeito, goste ou não, precisamos acompanhar a evolução dos tempos ou corremos o risco de sermos ignorados.

Esse "nariz de cera" é apenas uma pequena introdução para a pergunta desse artigo: O que essa mudança significou para a música? Muita coisa. A começar que as gravadoras estão praticamente falidas. Quem resiste são algumas majors e alguns poucos selos menores com certa bravura.

Atualmente, é muito mais fácil e comum encontrarmos álbuns lançados de maneira independente do que há uma década. Afinal, basta que as bandas se organizem, planejem todo o trabalho e coloquem a mão na massa. Falando assim parece fácil.

Claro que nem de longe é fácil, afinal, o intermediário saiu de cena, porém alguém precisa assumir o serviço daquele. Além de compor, ensaiar e gravar, os músicos precisam agendar estúdio, contratar artista gráfico e resolver o problema da distribuição, tanto do produto físico quanto pela Internet, entre outros. Lá no final ainda resta a turnê. Ou terceirizar essa burocracia toda.

E as plataformas streaming, Deezer, Spotify, etc., são a novidade do momento, o Netflix da música. É muito mais barato e fácil distribuir músicas pela rede mundial de computadores, pois não necessita imprimir capa, fazer a mídia, se preocupar com os fretes.

Aí entram os consumidores. Quando nossos artistas favoritos lançam seus trabalhos não precisamos mais ir até as lojas de CDs - ainda existem, sabe-se lá até quando - para comprarmos a nossa cópia. Basta acessarmos pelo smartphone qualquer aplicativo musical que pronto, podemos ouvir o álbum a qualquer momento.

Aliás, abrindo um parênteses. uma tremenda pena não ter mais lojas de discos para ir. A modernidade acabou com isso. Lembro de quando em um ônibus andava cerca de 200 quilômetros, entre Aguaí (SP) e São Paulo, para comprar CDs, fazer amizades, enfim, na Galeria do Rock, na capital paulista. A modernidade matou um pouco a interação.

Na contramão, a cultura cervejeira se expande. Se boa parte dos comerciantes que vendem discos abaixou as portas, comprar cerveja artesanal está cada vez mais fácil. Gostaria que fosse diferente, ambos os segmentos se expandindo, no entanto...

Mas, voltando, e quando falamos das bandas independentes? O público consegue selecionar, garimpar nomes novos, ou busca sempre as mesma bandas? Parece bastante natural optar pela segunda. Em várias entrevistas para o SP&BC, os músicos reclamaram da "preguiça" dos fãs em relação ao artista novato e desconhecido do grande público. Daí a importância das rádios em continuar divulgando bandas novas.

Opa, sim, rádios. Elas não acabaram e nem vão desaparecer. Evidentemente que me refiro àquelas que optam pela qualidade em detrimento do lucro fácil. O trabalho delas ainda é fundamental para o surgimento de novos nomes, aliado, sem dúvida, às buscas nos streaming. Claro que esse veículo apresenta um sem número de falhas, mas existe sopros inteligentes, seja no dial ou na Internet.

O trabalho tem que ser em conjunto e o cuidado com o jabá ainda existe. Assim como tudo na vida passou por transformações, essa prática detestável se "renovou" e atingiu, igualmente, as novas maneiras de se consumir música. Facilmente se encontra quem venda cliques "para aumentar a audiência" e dessa forma adulterar o resultado e a divisão do bolo.

Caso não se dê a devida atenção à novidade, aos novos nomes da música, o que será do futuro? Ou alguém acha que Kiss, Iron Maiden, Scorpions, Rolling Stones, Angra, Sepultura ou qualquer outro medalhão vai durar a vida toda?

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Artigo: Rock in Rio é festival de música!

(Reprodução) Só por trazer The Who essa edição tem nosso respeito 

PILSEN


Desde que foi criado, em meados dos anos 1.980, o Rock in Rio é um festival de música, ponto. Simples assim. Não é porque a palavra "rock" aparece na denominação que encontramos somente esse gênero musical em seu line-up.

Pelo menos é o que argumentam Roberto Medina - o criador - e seus funcionários. Já ouço isso desde que comecei a me interessar pelo ritmo que move o SP&BC, alguns anos antes da edição de 1.991.

Certo ou errado, fato é que rock pode ser traduzido, livremente, além de rocha, como agitar, sacudir, enfim, não necessariamente se refere à música. Em toda minha vida vi o sr. Medina dizer que RIR é uma marca. E soa bem, porque não usar?

Em tempo, não estou defendendo ninguém, apenas acredito que temos que ter nossas mentes sempre abertas e não ficarmos fechados e acusando esse ou aquele disso ou daquilo.

Não devemos nos esquecer, por exemplo, de que o evento de 1.985, o primeiro, trouxe muita coisa que em nada tem a ver com rock. Mesmo assim,contribuiu, e muito, para o desenvolvimento do som pesado no Brasil. A partir dele que guardamos em nossa memória tantos outros festivais, como Hollywood Rock, Live'n'Louder, Monsters of Rock e outros.

Todos citados acima acabaram, ou acontecem ocasionalmente, por questão de baixo retorno. Nos famigerados rodeios e afins já se apresentaram alguns grupos de rock importantes. Eu mesmo assisti ao Chuck Berry em um deles e foi muito legal.

Ou seja, ambos, o próprio público e a organização são culpados por não ter nenhuma noite dedicada ao metal, visto que em outras ocasiões ocorreram até três datas dedicadas ao estilo. 

A desculpa é de que não conseguiram nenhum headliner de "peso" (perdoem-me, não resisti ao trocadilho) por questões de agenda etc. Li isso ontem no G1. Ok, mas será que não poderiam colocar os nomes do metal em uma noite encabeçada pelo Guns'n'Roses? Na segunda edição, Axl, Slash e seus amigos fecharam uma data em que tocaram Megadeth, Sepultura, Judas Priest e Quensryche.

O Aerosmith encerrou um dia no último Monsters of Rock em que estavam escaldas várias bandas de hard/glam. Portanto, faltou, sim, boa vontade em trazer um nome pelo menos do metal (heavy, thrash).

Tem mais. No Brasil, quem é garantia de vender sozinho 200 mil ingressos? São sempre os mesmos, por isso se repetem. Depois de Nirvana, System of a Down, essa turma, qual a grande sensação? Não surgiu nenhuma grande banda para ocupar esse lugar.

Basta olhar as entrevistas que estão aqui no SP&BC, ninguém se interessa pelas novidades. Das nacionais é ainda pior, pois não vai ocorrer outro Sepultura, Angra ou Krisium tão cedo. Que dirá um revolucionário como o Sarcófago.

Ficar somente reclamando não levará a cena a lugar algum. Se não mostrarmos de fato que fazemos diferença e garantimos o retorno do investimento, isso vai continuar acontecendo.

Para mim, o RIR começa hoje e eu pretendo assistir a Def Leppard, Aerosmith, Alice Cooper, The Who, Bon Jovi, The Offspring, Sepultura e talvez algum outro. Todos nomes roqueiros. Acompanharei pela TV, infelizmente, mas ao lado da minha Pilsen. Adoraria estar lá hoje, dia 21 para ver o Leopardo Surdo.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Cerveja roqueira, uma nova maneira de beber curtindo música



AB: "Não bebam cervejas pseudo artesanais" (FOTOS: Divulgação)

Mercado artesanal sofre injusta concorrência devido à tributação, segundo Bazzo


A proposta do blog é unir rock e cerveja, ou seja, curtir um bom som apreciando uma boa breja. Então nada mais natural que este mergulhe na cultura cervejeira para que a união desses mundos fique cada vez mais facilitada para o amigo que acompanha o SP&BC. Não por acaso, já existem várias brejas com rótulos de bandas roqueiras. E isso acontece desde 2.010, aproximadamente.

Dessa maneira, nada melhor que um sommelier para falar sobre o assunto. O mestre em estilos de cerveja Alexandre Bazzo, também proprietário da cervejaria artesanal Bamberg, situada em Votorantim, a cerca de 100 km de São Paulo, nos conta um pouco de uma maneira geral sobre a bebida mais amada do mundo e, claro, aquelas em que as bandas de rock estampam os rótulos.

A empresa iniciou as atividades no final de 2.005 e foi batizada com o nome da cidade alemã que forneceu o primeiro malte para o início dos trabalhos. Além dos rótulos roqueiros, a Bamberg produz outros sete tipos da bebida.

SOM PESADO & BOA CERVEJA - Certa vez em um anúncio de emprego da Bamberg, chamou a atenção uma das exigências ser que a pessoa gostasse de rock. Até que ponto esse estilo de música é fundamental em sua empresa?

Alexandre Bazzo - (risos) Era uma brincadeira no anúncio da vaga, mas garanto que quem escutava outros estilos musicais, depois que começou a trabalhar aqui, passou a curtir rock. O rock sempre vence no final (mais risos).


SP&BC - Quando começou esse lance comercial de colocar banda no rótulo de cerveja? Qual sua inspiração? Sabe qual foi a primeira banda no mundo a fazer isso?

Bazzo - Foi natural. A Bamberg sempre seguiu a ideologia punk, do faça você mesmo, de contestar a mesmice, de fazer o diferente. Em paralelo a isso, já conhecia o Sady, batera do Nenhum de Nós e grande estudioso de cerveja [N. do R. Sady Homrick é também colunista de revista sobre o assunto], e em uma conversa surgiu a ideia de homenagear a música Camila, Camila. Começamos a desenvolver o projeto, mas quando estava quase pronta a cerveja, o Paulo Xisto veio aqui na cervejaria e queria retomar a do Sepultura, que eles tinham feito anteriormente em outra cervejaria e esta havia fechado. O Paulo mesmo escolheu o estilo, Weizenbier. Daí lançamos meio que juntas a Bamberg Camila Camila e a Sepultura Weizen.

Através do Sepultura os caras do Raimundos chegaram até nós. Mais tarde o Sady me apresentou ao [baterista] João Barone [do Paralamas do Sucesso] e fizemos a cerveja deles. 
Depois conheci o Badauí num show em que realizaram aqui em Votorantim e também fizemos a cerveja CPM 22.
Para fazer a cerveja converso bastante com a banda, o que eles imaginam, o que eles querem passar para o público com o produto, daí tento encaixar essa história em algum estilo de cerveja, mas todas bandas estão totalmente envolvidas com o processo de escolha do estilo, rótulo, divulgação, etc.
Provavelmente a primeira banda no mundo a fazer cerveja foi o Sepultura, mais uma vez eles foram pioneiros.

SP&BC - Vocês produzem brejas com rótulos para as bandas Paralamas do Sucesso, Nenhum de Nós, Raimundos, CPM 22 e Sepultura, sendo este em dois tipos. Há intenção de convidar outras bandas?
Bazzo - Como contei um pouco acima, a cervejaria já usava uma linguagem rock'n'roll e eles que chegavam até nós pra propor essa parceria. Como sou fã do trabalho de todos não tinha dúvida, topava na hora.
Estamos sempre abertos para outras bandas, só fazemos cervejas de bandas que acredito no trabalho, na mensagem que eles passam e que toquem rock'n'roll. Hoje temos uma dificuldade maior, pois nossa produção está no limite, então tive que recusar excelentes bandas por conta disso.

SP&BC - Dessas, qual é a campeã de vendas?
Bazzo - Todas vendem quase que quantidades iguais, não existe uma campeã.

SP&BC Como funciona, em termos de negócios, essa parceria. As bandas recebem alguma porcentagem sobre vendas?
Bazzo - Algumas optam por receber uma porcentagem, outras não. Na verdade, claro que é um negócio tanto pra nós quanto pra eles, porém nós, a cervejaria e as bandas, entendemos que é mais uma forma de divulgar ambas as marcas do que retorno financeiro, se eu depender da banda pra fazer dinheiro, ou se a banda depender da cerveja pra fazer dinheiro algo está errado. Eu tenho que fazer grana vendendo cerveja e eles músicas. A cerveja pra eles é uma diversão e a música pra mim é uma diversão.

SP&BC - Sobre os tipos, como são feitas as escolhas para os rótulos roqueiros?
Bazzo - A principal coisa é: eles tem que gostar da cerveja deles. Daí antes da elaboração da receita conversamos sobre estilos, algumas vezes degustamos algo para entender melhor. Sempre tem um na banda que já é mais avançado sobre cerveja, então tento encaixar a bebida com a história que queremos contar.

SP&BC - As brejas de grupos não são tipos exclusivos, certo? Por exemplo, um dos tipos do Sepultura é a Weiss, mas a Bamberg tem outro rótulo desse tipo. O líquido é o mesmo ou apresenta diferença?
Bazzo - Algumas vezes é a mesma cerveja nossa com o rótulo da banda, mas a maioria das vezes são receitas exclusivas para o grupo.

SP&BC - Quem não gosta de rock também compra as brejas de bandas? E ao contrário, pessoas adeptas à cultura cervejeira adquirem essas garrafas?
Bazzo - Essa é a brincadeira. Fazer com que uma pessoa que nunca escutou o som pesado do Sepultura, chegue até o quarteto através da cerveja e quem sabe, chega ao som depois. Ou um cara que não bebe cerveja, mas é fã da banda e começa a beber cerveja boa, por causa do grupo. É claro que tem casos de restaurantes ou pessoas que dizem não comprar essa porque não quer vincular com a banda, mas é raro isso.

SP&BC - Roqueiros estão mudando seu hábito e partindo para as artesanais? Caso positivo, isso se deve, principalmente, devido a ver suas bandas favoritas nos rótulos?
Bazzo - Não tenho dúvida: a cerveja artesanal é a cerveja do rock'n'roll! Nosso público é totalmente rock'n'roll, acredito que não seja apenas por causa das bandas, mas no caso da Bamberg, temos a essência punk/rock'n'roll, é natural isso. Não estamos no mainstream, não fazemos o que todo mundo faz, temos atitude, somos independente, acho que isso ajudou até as bandas se identificarem conosco.
AB: "Nosso público é rock'n'roll"

SP&BC - Conhece outro estilo de música que se aventura em estampar um rótulo que não seja rock?
Bazzo - Não conheço, mas deveria ter; se a cervejaria tem uma identidade sertaneja ou [de] samba, manda bala. Nada contra outros estilos de musicas, desde que seja verdadeiro o projeto.

SP&BC - Sobre o evento Bebo Socialmente. Como surgiu a ideia e como funciona? A intenção é inteiramente institucional? E a escolha das bandas?
Bazzo - A ideia era trazer a comunidade local para beber, comer e se divertir com preços justos. Não concordo com a moda na cerveja artesanal de supervalorização, de preços absurdos, não praticamos isso. Daí o Bebo... acontece na rua, não paga para entrar, vendemos chopes com preços baratos e comidas de 5 a 25 reais. Não cobramos cover artístico e todos são bem vindos. Os espaços de comidas e bandas são sempre para empresas, famílias daqui da região [de Votorantim/SP].
Faz dois anos e meio do evento [sic] e ele ganhou uma proporção muito grande; estamos atraindo turistas, promovendo o comércio local, provendo cultura e entretenimento de alta qualidade.
As bandas sou eu quem escolho. O único critério que uso é eu gostar do som, priorizamos bandas autorais; e tem que ser rock'n'roll, quanto mais pesado melhor.

SP&BC - Vocês já ganharam diversos prêmios, inclusive com as cervejas roqueiras. Qual o mais significativo?
Bazzo - São mais de 160 prêmios internacionais, não tem como escolher um significativo, são vários muito importantes e nunca imaginaria que conseguiríamos chegar a ganhar esses prêmios.

SP&BC - Senti falta da Bamberg no Festival Brasileiro de Cerveja, em Blumenau (SC), deste ano. Por que não participaram?
Bazzo - Financeiramente para nós o FBC sai muito caro. Além disso, iríamos com uma equipe daqui da fábrica, o que também prejudica toda nossa rotina interna.

SP&BC - Ainda é muito difícil mostrar para o consumidor que beber menos, mas melhor é bom até para saúde ou o preço é uma barreira enorme?
Bazzo - O consumidor mudou muito de quando começamos. Vivemos um momento fantástico da cerveja artesanal no mundo, o problema maior hoje é o preço, principalmente o overprice [N. do R.: algo como majoração do preços com análise do poder aquisitivo], apenas como marketing.

SP&BC - Quais os desafios das artesanais perante as industriais, mesmo o mercado já mudando bastante?
Bazzo - O principal problema nosso é não ter igualdade de competição com as grandes cervejarias. Nós pagamos 70% de imposto, enquanto as grandes cervejarias pagam 20%. Não queremos privilégios, apenas igualdade de competição.
Outro ponto importante, algumas grandes cervejarias estão comprando as pequenas e tentando barrar o crescimento das artesanais, com isso eles usam táticas de mercado não éticas e tentam confundir a cabeça do consumidor. Por isso, não bebam cervejas pseudo artesanais que fazem parte de grandes corporações.

SP&BC - A compra da Brasil Kirin pela Heineken, que vai acabar entrando no mercado artesanal com a Eisenbahn e a Baden Baden, preocupa?
Bazzo - Não, eles já tinham força com a Schin, depois Kirin; a Heineken não tem histórico de comportamento ruim com seus concorrentes.

SP&BC - Tem algum recado sobre a cultura cervejeira que gostaria de deixar?
Bazzo - Beba cerveja de cervejaria independente, brasileira. Divirta-se bebendo cerveja.

SP&BC - Vou colocar 5 bandas e gostaria que você dissesse quais tipos de cerveja você imagina que combinaria para produzir...
Bazzo - Eu teria que entender o que as bandas esperam do estilo da cerveja deles, se eles querem que combine com a historia da banda, ou com uma música, ou se querem que agrade o máximo de gente possível, ou se querem fazer algo que eles gostem de beber, ou se não querem nada disso e querem que  eu escolha sozinho.