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domingo, 27 de outubro de 2019

Gueppardo: Diretamente dos anos 1.980

Som da banda está, também, disponível nas plataformas digitais, naturalmente


Novo trabalho será lançado na segunda quinzena de novembro pela Classic Metal



A segunda entrevista realizada no River Rock Festival, em Indaial, em setembro chega agora ao blog SP&BCGueppardo. Nascido em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, o quarteto veio até o Vale do Itajaí, na ocasião, apresentar seu som calcado no hard'n'heavy dos vindouros anos 1.980.

Com esse nome - felino que se parece com o leopardo - e aliado à curiosidade sobre o acréscimo de uma letra "P" na grafia dos gaúchos, é inevitável imaginar a influência de um certo gupo britânico. "Na grafia não", responde o vocalista Mauricio Osório, "o som o Def Leppard é oitentista, das bandas de hard'n'heavy, mas [na grafia] não chega a ter uma relação direta, não", conclui sobre a escrita.
Influências de Ratt, Motley Crue etc.

Já o baixista Rafael Yadek Domingues explica que as letras repetidas em sequencia vieram dos dois fundadores da banda, o guitarrista Pery Rodriguez, o único que não estava no bate-papo, e seu irmão e ex-integrante Peter. "Eles colocaram os dois pês como uma assinatura deles. Muita gente pergunta sobre o lance do Def Leppard", estabelece a coincidência. Completa a formação o baterista Leo Sarmento.

"O Gueppardo está na cena desde 2.007", apresenta Osório. E nesses 12 anos de estrada os gaúchos já lançaram o EP independente Instinto animal, em 2.009, e o debut Fronteira final, em 2.015. Algumas músicas de Instinto... serão "relançadas no nosso proximo CD, Execução sumária, que sai agora em outubro", explica [N. do R.: A previsão de lançamento é dia 20 de novembro via Classic Metal Records]. O quarteto passou por um período inativo pouco depois da estreia fonográfica até primeiro full length começar a ganhar vida.

Algo que parece normal é a troca de integrantes em qualquer grupo. Difícil quem nunca passou por pelo menos uma. E aqui isso não é uma excessão. "Normal em qualquer grupo de metal" concorda o vocalista. "Eu estou há três anos, entrei em maio de 2.016, fazendo a turnê do Fronteira final". Portanto o novo lançamento será, também, sua estreia em estúdio. O único membro da formação original é Rodriguez, por sinal, o principal compositor.

"Vamos a todos os lugares do Brasil", alerta Osório sobre disponibilidade, "estivemos recentemente em São Paulo, Curitiba, Florianópolis tocamos ontem [sexta, 06/09/2019], vários festivais aqui em Santa Catarina, Rio Grande do Sul na semana que vem", destaca a agenda. Lembrando que entrevista rolou no início de setembro.

E não pensem que os caras são virgens quando o assunto é tocar na gringa. "Tivemos três passagens pela Argentina", comemora Domingues. "A cena deles é muito legal, firme e gostam do fato de cantarmos em português. Valorizam isso! São a favor de cantarmos [na nossa língua natal] porque a maioria [das bandas de lá] canta em castelhano, o idioma deles" destaca para finalizar com aquela declaração manjada: "Onde quiserem nos levar nós iremos, sem frescura".

Ainda sobre as letras em nossa língua mãe, Osório cita que "uma característica diferente das bandas de hard ou de heavy metal - nos definimos mais hard/heavy - é que o nosso som é em portugues. Temos uma música em inglês e duas em espanhol, bem por conta desse intercâmbio com nosssos amigos da Argentina e o Pery que é 'meio brasileiro, meio argentino', então essa influencia do castelhano está muito forte na banda. Gostamos bastante das bandas de lá", setencia.

Vamos sugerir uma cerveja para a galera?


Partindo para o acompanhamento tradicional do SP&BC, Osório sugere que como o "pessoal diz que o nosso som é cru, então, de repente uma Puro Malte acho que seria o mais correto. Mas em termos de variações, uma Ipa, uma Weiss", enumera para agradar a todos. 

"Gosto muito das Red", continua o vocalista, porém "aprecio as Puro Malte. É gosto de cerveja com certeza!". Ok; alguém mais? "Eu gosto mais da Ipa", se alegra Domingues, "então recomendo uma Ipa, que vai bem!"

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quarta-feira, 2 de outubro de 2019

The Undead Manz sem fórmulas


Catarinenses planejam terceiro lançamento ainda para 2.019

Na edição de 2.019 do River Rock Festival (leia a cobertura aqui), em Indaial (SC), no início de setembro, o blog SP&BC trocou uma ideia com The Undead Manz e Gueppardo, ambas após as respectivas apresentações das bandas. A primeira delas, com a catarinense, você lê agora. A outra, com a gaúcha, estará disponível dentro de alguns dias.

Formado em 2.014 em Criciúma, ou pelo menos oficialmente, já que "é uma ideia mais antiga" do vocalista e guitarrista Z, o The Undead Manz, assim como a maioria, passou por algumas trocas de integrantes, contudo cada músico contribuiu para se chegar ao som apresentado atualmente, segundo Z. Completam o line-up Reactor, bateria, A.K., baixo, e a guitarrista Arduinnah, que não estava no momento.

"O nosso som", volta ao assunto o músico, "é uma amalgama de tudo que há dentro da vertente do metal. Temos raízes no heavy metal mais clássico, tradicional" aliado a influências diversas vindas, por exemplo, de "integrante que toca em banda de death metal, eu ja tive banda de black metal", completa. "Nossa música tem vida própria", continua, "procuramos exteriorizar aquilo que sentimos, que é o que toda banda diz. Mas nós exteriorizamos exatamente o que a música pede", seja uma acelarada ou "um groove mais black ou death" e não interessa o rótulo.

Até interessante Z tocar no assunto rótulo, pois realmente é difícil colocar o The Undead Manz dentro de um estilo específico. Para a banda seria "industrial. Queremos fazer um som mais industrial na linha de Rammstein, as bandas alemãs" afirma o vocalista. "Mas não é o que vocês estão ouvindo (risos). Criamos nossa própria identidade e vemos isso como original e estamos nesse patamar sem nos preocupar muito com rotulações", finaliza.

Nesses cinco anos de estrada, já soltaram dois trabalhos, The rise of the Undead, em 2.017, e The Rapture of Undead's bride, em 2.018, ambos igualmente disponíveis nas plataformas musicas. O próximo, um EP, está em plena produção com previsão de lançamento para até o final do ano.

Além disso, o quarteto faz questão de citar sua página no Youtube para que tanto fãs como curiosos vejam o lado mais perfomático da formação, digamos assim. "Temos cinco videoclipes", Z comenta sobre o conteúdo na plataforma digital, "além de um que possivelmente será lançado ainda este ano". Este é o vídeo para a faixa Psycho

Bebem cerveja?

Sim, confirmaram que são apreciadores da bebida mais amada dos roqueiros. SB&BC, então, pediu, já que eles mandam um som que complica para o jornalista - alguns chamam simplesmente de moderno - qual breja seria a ideal para apreciar enquanto se deixa o CD rolar.

"Uma cerveja com muita personalidade", responde A.K., achando que vai ser "meio clichê, mas talvez uma Ipa, ou a Catharina Souer, que são cervejas de alta personalidade". Z cita uma Strong, porém o baixista explica: "a Catharina Sour é a cerveja de mais personalidade no Brasil. Essa ou uma Ipa. Coisa pesada e com personalidade". Falou e disse!

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sábado, 14 de setembro de 2019

River Rock e a festa de todas as tribos

The Undead Manz: a modernidade
Ipa


Indaial, a 167 km de Florianópolis, no Vale do Itajaí, pela décima sexta vez foi a capital do rock catarinense por três dias, entre 6 e 8 de setembro, durante o River Rock Festival. Cerca de 30 bandas, das mais variadas vertentes, se revezaram no palco fazendo a alegria de mais de 500 fãs de todas as partes do estado e, também, de outras localidades. Veja a lista completa de se apresentou aqui, na Agenda do blog.

Deny Bonfante: sem exagero
Antes de continuar, vamos explicar por que a Ipa foi a escolhida para acompanhar tal evento. Primeiramente porque era um dos estilos de chope disponíveis no bar. O outro era o Pilsen. Depois por ser uma cerveja tipo clássica, vamos dizer assim. E finalmente, o SP&BC  fez duas entrevistas, com The Undead Manz e Gueppardo, e foi unânime a sugestão do estilo para curtir o som de ambas as bandas por eles mesmos. Os bate-papos você confere em postagens futuras.

Além de bebidas, naturalmente havia uma boa oferta gastronômica. E logo pensando na estrutura, o espaço para o camping era imenso, chuveiros com água quente, limpeza dos banheiros, brinquedo para as crianças e as lojas dos merchans em meio a um paisagem convidativa.
Vai uma lembrança?

Infelizmente consegui apenas estar presente por um breve período no sábado devido a outros compromissos profissionais, entre eles o Pomerode Bierfest - leia aqui. Contudo, já na chuvosa sexta, o Ratos de Porão, que a princípio havia cancelado em virtude do problema de saúde de João Gordo, repensou a decisão e tocou como trio fazendo uma excelente apresentação, segundo os presentes. Chuva ou sol, não importa, o RR rola de qualquer jeito, dizia a organização a respeito do tempo do primeiro dia.

Cheguei ao local, o Rota 66 km Centro de Eventos, somente por volta das 15 horas do segundo dia e assisti a apenas a três shows. Pouco, porém o suficiente para atestar que o festival, não à toa, foi um estrondoso sucesso, novamente. Organização, companheirismo, horários, tudo funcionou por ali.
No stress


A primeira que vi foi o The Undead Manz, de Criciúma, no sul de Santa Catarina. O som é... Bem, é um pouco difícil rotulá-los, podendo notar heavy, industrial e gótico, por exemplo, em suas músicas e visual. O vocalista Z, para não dar muitos spoilers da entrevista, disse que a ideia é justamente essa, misturar tudo. Aconselho a dar uma vasculhada pelas redes sociais da banda e conferir os vídeos no YouTube para tirar sua conclusão. Executaram músicas dos dois discos já editados, The rapture of undead's bride e The rise of the undead.

Em seguida, foi a vez dos gaúchos do Gueppardo subirem ao palco e fazerem com que todo o recinto voltasse no tempo até os anos 1.980. Farofa total! De modo geral, bebem na mesma fonte das bandas da Sunset Strip, contudo, como as letras são em português, acabam nos remetendo à galera daquela época que cantava em nossa língua nativa, como o Salário Mínimo. O set list teve faixas do debut Fronteira Final, uma cantada em espanhol e algumas novas que integrarão o novo álbum a ser lançado ainda em 2.019.
Gueppardo: anos 1.980 total

A última que assisti foi a banda solo do guitarrista Deny Bonfante, do Perpertual Dreams, fazendo um misto de rock instrumental e canções vocalizadas. E para quem ainda não conhece vale dizer que não soa nada forçado ou que tudo esteja à disposição para que a guitarra brilhe. Pelo contrário, todos trabalham para a música. Os caras divulgavam o último disco Stronger than darkness, lançado em maio. É mais uma prova de que o lema do RR, a "festa de todas as tribos", é cumprido à risca.

Tive que deixar o festival com o coração apertado, pois adoraria ter conferido os paulistas do King Bird e também os holandeses do Legion of the Damned, entre outros. Paciência. Quero registrar mais uma vez que o RR é o sucesso que é por conta das pessoas sérias que estão por trás de tudo. Só tenho que parabenizar e esperar que continue assim. Apoio não vai faltar. Para 2.020 a data está reservada, inclusive com um dia a mais no calendário. Long Live to River Rock!!

domingo, 11 de agosto de 2019

AGENDA: River Rock traz os gringos do Legion of the Damned

Stout


No mês que vem rola o maior festival do Vale do Itajaí e um dos maiores de Santa Catarina. Entre os dias 6 e 8 de setembro rola em Indaial, vizinha de Blumenau, a 16ª edição do River Rock Festival. E com um nome internacionalmente conhecido: o grupo holandês de thrash metal Legion of the Damned, cujo som é inspirado em temas como horror e ocultismo.

No entanto, infelizmente, uma baixa será sentida. Os Ratos de Porão estavam escaldos, mas devido à internação de João Gordo em decorrência de uma pneumonia grave, sua participação, bem como todo o restante dos compromissos da banda até o final do ano, foram cancelados.

Além dos holandeses e dos também confirmados paulistas do King Bird, outro grande nome do River 2.019, a line-up conta com Justabeli (SP), Sinaya (SP), Anthares (SP), Cosmic Rover (SP), Kiko Shred Band (SP), Legacy of Kain (PR), High Butcher (PR), Lacrimae Tenebris (PR), Serpent Rise (RS), Gueppardo (RS), Carcinose (RS), Arandu Arakuaa (DF), AAV (SC), Pogo Zero Zero (SC), Cerebral Cannibal (SC), Anal Vomitation (SC), Deny Bonfante Project (SC), Apócrifos (SC) , Starshok (SC), Tengu (SC), Obscurity Vision (SC), Tosse Harmônica (SC), Homem lixo (SC), Vermouth (SC), The Undead Manz (SC), Overblack (SC), 100dogmas (SC), Balboas Punch (SC), Dark New Farm (SC), Raging War (SC), No One Spoke (SC) e mais duas bandas covers, Tributo Death - Cosmic SOUL (SC) e Tributo Pantera - Cowboys from Rio (SC).

Agora, se ainda não comprou seu ingresso, precisa se apressar, pois as vendas se encerram no próximo dia 25. Eles custam R$ 150 para as três datas do evento. Depois, só juntar a barraca, se preparar para acampar e curtir os shows.

Serviço

Pontos de venda em Indaial e nas cidades próximas, além de Curitiba, no Paraná. Os ingressos adquiridos em qualquer ponto oficial são isentos de taxas e custam R$ 150, mais um quilo de alimento a ser entregue na portaria, até o dia 25/08/2019.

Abertura dos portões: 13 Horas. Shows: 17 Horas. O local será o mesmo do ano passado, ou seja, a Rota km 66, Centro Eventos, na Rod. BR 470, Km 65, Rua Cascavel, 606 Bairro Encano do Norte, Indaial, Santa Catarina. 

Contatos: (47) 98458-1573.

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Imago Mortis volta à ativa em grande estilo


Porter


Ah, o doom metal da melhor qualidade merece, sim, uma Porter. Pode experimentar! Aliás, não deixa de ser, também, uma forma de brindar o Imago Mortis, banda carioca que voltou à estrada depois de alguns anos inativa, e seu mais recente álbum, LSD.

A atual formação conta com Alex Voorhees, vocal, Daemon Ross, guitarra, Rafael Rassan, guitarra, Charles Soulz, teclado, Paulo Ricardo Silva, baixo, e André Delacroix, bateria. O show de lançamento do CD aconteceu no River Rock Festival, ocorrido em Indaial (SC), no início de setembro.



O guitarrista Daemon Ross bateu um papo com a equipe do Programa Lendas do Rock após a apresentação da banda e o resultado você confere a seguir.

Esse foi o primeiro show do disco novo LSD, certo?
Daemon Ross: Sim, hoje foi o primeiro show do LSD – Love, sex and death. Um CD que demorou quase tanto tempo quanto o Chinese Democracy (2.008) para sair. Gravei as guitarras desse disco há seis anos, não lembrava mais nenhuma música – não conta para ninguém (risos). Começamos a trabalhar nele por conta do River Rock e, então, esse acabou sendo o primeiro show da turnê. Este é um ano especial pra mim porque acabei lançando esse álbum e um outro com uma cantora americana, não sei se você conhece, Lether Lione, de uma banda chamada Chastain, dos anos 1.980 [N. do R.: Claro que conheço. O grupo de heavy metal Chastain fez um certo sucesso naquela década e segue na ativa]. Já fiz duas turnês com ela. Gravei o disco [solo] que saiu neste ano, o Lehter II,  sucessor do Schockwaves. Tenho dado muita sorte com esses trabalhos, tenho tocado com bons músicos, embora não seja um músico profissional que vive disso, pois sou professor universitário. Esse CD [da Leather] tem oito músicas minhas de um total de 11. Nesse do Imago Mortis há algumas contribuições minhas. Bem legal esse reconhecimento como compositor.

Esse trabalho também é conceitual?
Daemon: Sim. Ele conta a historia de um amor que começa e termina passando por todas as suas fases. Há um “que” do Vida (2.002). Cada música conta uma fase do amor, da descoberta, do amor romântico, a do let’s broke up, a do “eu não quero nunca te ver, te odeio”, enfim diversos tipos de amor. Não tem gênero definido, então, apesar de ser cantado por um homem não tem uma relação heterossexual entre os personagens principais. É aberta e geral. Esperamos que todos que leiam as letras se identifiquem passando o sentimento da música. É um disco de arte, não foi feito para vender milhões, não temos essa pretensão. É um bom recomeço. E temos um outro no forno... Serve para mostrar que temos continuidade, uma nova banda e ficar na estrada por muito tempo.

Esse hiato entre os álbuns tem haver com a parada?
Daemon: Os integrantes moram em diversos locais do Brasil, o Alex mora no Rio Grande do Sul, parte da banda mora em Macaé, no RJ, outra parte em uma região mais central da capital, então é muito difícil reunir os músicos. Porém a Internet ajudou muito e esse disco foi reconstruído recentemente a partir de um rascunho que tínhamos há seis anos quando fizemos as demos, mas faltou dinheiro para finalizá-lo, além de outras situações. O Alex insistiu em lançar para pelo menos colocar o material para fora e ver o que acontece e todos se animaram. Depois de hoje [N. do R.: River Rock Festival] acho que vamos continuar juntos para sempre, até que a morte nos separa (risos).

Com as plataformas digitais, downloads etc, ainda compensa editar o trabalho físico?
Daemon: Não compensa financeiramente porque o retorno das plataformas é muito irrelevante, já que é novo ainda. Não temos um nível de visualização muito grande, até por conta do hiato, então temos que nos provar novamente, cair na estrada, enfim, praticamente recomeçar como se fosse uma banda nova. Eu lancei um vinil, cara! Nós amamos esse negócio, é arte. Pensamos até em lançar uma música por vez nas plataformas até completar um disco e lançá-lo mais barato, talvez. Pensamos nisso, mas não fazemos música para ganhar dinheiro, não.

Próximo projeto?
Daemon: Vamos lançar em novembro o vídeo da banda, um clipe de animação de Black Window, uma música minha, uma das únicas laçadas como demo nesse hiato. Será feito por uma empresa do Rio de Janeiro, de um amigo meu. Vai ser  algo que nenhuma outra banda nacional fez. Para variar, é o Imago remando contra a corrente. Somos totalmente anticomerciais.

Por onde vai passar a turnê?
Daemon: Temos alguns contatos lá fora, até por conta de eu ter tocado com a Lether, porém por eu não viver de música, ter outra profissão, diferente do restante que é músico profissional, meu calendário é um pouco diferente, já que tenho que estar de férias para poder fazer algo assim. Mas queremos fazer nosso país primeiro e, claro, depende muito do feedback, de quem viu a banda, de apoiar e pedir a banda

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Rock gaúcho underground


Rock, cerveja, putaria e churrasco, a receita do Cartel

APA



Imagine o Tankard, banda de thrash metal alemã que fala sobre cerveja. Poderíamos até sugerir que seria uma que encara bem o espírito do blog SP&BC. Entretanto, uma formação oriunda de Porto Alegre (RS), denominada Cartel da Cevada, é a bola da vez - embora aqui ficamos somente entre cerveja e rock, bem explicado.

Com um som rasgado, sujo e adicionando elementos regionais, para situar o amigo rock'n'roll, mal comparando, seria como se o Carro Bomba ao seu estilo cantasse letras feitas pelas Velhas Virgens e adicionasse o tema churrasco.

Na estrada desde 2.004 e atualmente contando com Igor Assunção, vocal e guitarra, Nando Rosa, guitarra, Leo Bacchi, baixo, Alberto Andrade, bateria, e Santto Nerva encarando uma fantasia de "O Diabo", o Cartel da Cevada foi uma das atrações do River Rock (leia aqui), de Indaial, em setembro último.

Após o show, nós - entenda Programa Lendas do Rock - fomos bater um papo com o líder do grupo, Igor Assunção para conhecer mais sobre mais esse nome do nosso rico underground. Ah, devido às circunstâncias, as tradicionais perguntas sobre qual cerveja combina com determinada banda ficaram de fora. Porém a que recomendei, na verdade, é a opinião do entrevistado.


Fazer som autoral no Brasil.
Cara, tem que se desdobrar, não é fácil. Mas fazemos o que amamos, o que compomos. É um estilo de vida. Por que tocamos? Nem sabemos exatamente, a palavra é amor mesmo. É bem difícil, temos que nos reinventar o tempo todo, nos aperfeiçoar e conseguir recursos para conseguir gravar os discos. Nesse mais recente, Cartélico Volume 1: Fronteira, trago e querência, tivemos apoio da Secretaria de Cultura de Porto Alegre. Para isso fizemos um projeto que foi aprovado. Para lançar tivemos uma "vaquinha virtual", o crowdfunding. E todo valor de merchandising que a banda tem foram os fãs que nos ajudaram. Da mesma forma, no final do ano passado gravamos um DVD e o custo para gravá-lo foi [outra] "vaquinha virtual", afinal, o Brasil não é o pais do rock’n’roll. É um país de varias outras coisas, mas com certeza não é do rock’n’roll e nem do metal. No entanto somos felizes pelos fãs que temos.
Política é importante, mas o Cartel da Cevada é para se divertir

Letras.
Quando começamos, na época do primeiro disco, éramos uma gurizada tocando sobre festa, putaria, cerveja, churrasco, que era o que fazíamos para nos divertir. Nos outros trabalhos fomos amadurecendo e criando uma outra identidade. E sempre brincamos com o sotaque gaudério [N. do R.: algo como gaúcho de nascença], na maneira de contar as histórias, os contos, "causos" etc. E nesse álbum mais recente há alguns conflitos psicológicos. Algumas criticas que não são nem veladas à sociedade em que vivemos. Sempre prezamos pela cerva com os amigos, rock, pelo churrasco porque a vida é muito sofrida. Claro que nos importamos com a situação política, mas o som do Cartel é para as pessoas se divertirem, extravasarem.

Rock gaudério?
Nos chamam de rock bagual [N. do R.: do Sul do Brasil]. Já nos chamaram de rock gaudério, rock gaúcho. Fazemos rock’n’roll mesmo, sujo, pesado, "bagaceira"; tentamos nos divertir.

Não tocar em rádio.
Em um cenário mainstream não temos espaço. Ainda existe o jabá. O mercado é dividido assim. Querendo ou não, é um negócio e se a pessoa tem grana para investir em seu negócio, ok. No independente gaúcho a galera é muito antenada com o marketing digital, internet e trabalham bem. Tivemos que aprender, nos adaptar, pois fazíamos de um jeito, mudou, enfim. Tem rolado, sem muito investimento, afinal são os fãs que nos ajudam. E temos algumas bandas excelentes como Catarse, Ácida, do Rio Grande do Sul, que trabalham bem isso. A estrada é muito importante, haja visto o [festival] River hoje, que estava lotado. Muito bom, principalmente essa união de todas as tribos.

Cerveja.
Uma IPA ou APA bem amargas, de preferência. Inclusive produzimos duas cervejas, uma IPA, chamada A Barbada, e uma American Salt Pale Ale, a Fronteira, uma homenagem ao título do nosso novo disco que se chama Fronteira, trago e querencia. Nos aventuramos nesse universo cervejeiro fazendo umas cervas. Vou mandar umas para o blog para você provar [N. do R.: estamos esperando].

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

RIVER ROCK: Se o rock morreu esqueceram de avisar Indaial


Andreas comandando as ações

Pilsen



Sim, senhor, Pilsen para curtir três dias, de 7 a 9 de setembro, com todas as vertentes do rock ditando o feriadão catarinense na 15ª edição do River Rock Festival, em Indaial, no Vale do Itajaí. A escolha se deve por ser a única opção de chope no evento e não só isso, mas também porque é a melhor opção para nos refrescarmos depois de tanto balançarmos cabeças e troncos. Claro que estavam disponíveis cervejas e outras bebidas.

E nós, SP&BC e o Lendas do Rock, marcamos presença no Fest. Fizemos duas entrevistas que, em breve, serão disponibilizadas. Estas rolaram com Imagos Mortis e Cartel da Cevada. Devido a outros compromissos, pudemos conferir apenas a segunda data, o sábado, dia 8, infelizmente.
Acampamento com uma vista linda

Chegamos ao evento, que este ano ocorreu no Rota KM 66, próximo à BR 470, por volta das 16 horas e tivemos um pouco de dor de cabeça para a retirada das credenciais. No entanto, com o problema resolvido, partimos para o trabalho. O clima estava agradável, sol, frio apenas à noite, ou seja, perfeito para acampar, tomar cerveja e curtir rock'n'roll.

Havia stands vendendo CDs, camisetas, acessórios em geral, e, claro, não podia faltar a alimentação do pessoal. Inclusive um "vomitório" (!) no banheiro. O palco foi montado em um barracão com capacidade para 500 pessoas, mas com enormes portões abertos em que era possível que todos no River, se fosse o caso, acompanhassem os shows.

Armum
Público, aliás, que era o mais heterogêneo possível. Punks moicanos, pessoas saindo diretamente da Sunset Strip dos anos 1.980, headbangers de todos os estilos, crianças - muitas, para felicidade da continuidade do gênero musical - e noivos. Você leu certo, no palco aconteceu um casamento com direito a baile de debutantes.

A primeira banda que assistimos foi o Affront (RJ) com um death/black que agitou os presentes. Em seguida, o trio Armum mostrou com quantas notas se faz uma boa "podreira"; técnica e feeling a toda prova. Na sequencia, com o cair do sol, a banda que é a cara do blog: Cartel da Cevada. Os gaúchos fazem rock'n'roll falando de cerveja e outros assuntos divertidos peculiares ao estilo. Mais SP&BC impossível!

Uma das atrações mais aguardadas da noite, o Imago Mortis trouxe músicas de seus quatro álbuns editados. Este foi o primeiro show da turnê do novo disco, LSD, lançado recentemente. Um trabalho conceitual que, pelas faixas apresentadas no set, mostra-se um dos grandes petardos de 2.018. Mas que faltou Prayers in the wind, do projeto Hamlet, faltou. 
Imago Mortis mostrando trabalhos conceituais

Não conseguimos ver muito dos hermanos do Reytoro, pois foi neste momento em que rolaram as duas entrevistas citadas acima. Não obstante, o pouco que vimos foi suficiente para aprovar sua inclusão no line up. Em seguida, casamento, debutantes e um recital metal com direito a uma bela versão para The evil that men do, do Iron Maiden.

Finalmente seria o momento do grande headliner do River Rock. Os shows estavam todos seguindo à risca os horários, porém o Sepultura atrasou em uma hora a subida ao palco. Polícia, dos Titãs ecoou pelo festival antes da Intro que trouxe o quarteto que gravou Machine Messiah (leia a resenha do CD aqui). Abriram com as novas I am the enemy e Phantom self. As mais velhas tiveram sua vez, como a faixa-título Kairos, de 2.011, e a clássica Territory.
Único da formação original do Sepultura

A próxima me trouxe uma verdadeira nostalgia. Jamais imaginei que ouviria alguma vez na vida o Sepultura executar na minha frente - e olha que vi muitos shows dos caras - Innerself. Sem palavras! Entretanto, essa e Ratamahata, já no encore, ganharam versões mais cadenciadas e diferentes. Após Innerself, a banda deu seu "boa noite" contando que estavam na estrada há quase dois anos, o que explica o aparente cansaço dos músicos. Andreas anunciou que por comemorarem 20 anos da entrada de Derrick Green no grupo tocariam algumas da estreia do vocalista, Against (1.998).

Mais alguns hits e Arise encerrou a primeira parte do set, antes do bis, que contou com quatro músicas. Encerraram com Roots e aí, apesar de ainda ter mais três bandas a se apresentarem, devido ao avançar da madrugada, preferirmos voltar para casa. Até porque este texto ficaria ainda maior. Parabéns aos organizadores e que continuem trazendo eventos como esse a todos os roqueiros de Santa Catarina.

domingo, 3 de setembro de 2017

River Rock em Indaial agita feriadão

PILSEN



Quem ainda procura pelo que fazer neste feriado o SP&BC tem a dica. Rola em Indaial (SC), de 8 a 10 de setembro, o River Rock Festival. Aproximadamente 30 bandas se apresentam nesses três dias. A escolha da Pilsen para acompanhar é justamente porque é o que terá para a venda. O encerramento fica por conta da Casa das Máquinas, enquanto que a banda de black metal norueguesa Ragnarok toca no sábado. Os gringos ainda cumprem outras duas datas no Brasil, 6 em Recife (PE) e 10 em São Paulo.

A line up conta com os seguintes nomes na sexta, a partir das 19 horas, pela ordem de entrada:  Division Hell, Flesh Grinder, Rhestus, Ragnarok, Horror Chamber, Die e Marys secret box. No sábado os shows começam às 10 horas: Azorrague, Syntz, Kate Crush, Asfixia Social, Metal Gods Tribute Judas Priest, Rythual, Juggernaut, Zoombie Cookbook, Capitain Cornelius, Colera, Disthraught, Khrophus, Vulcano, A Sorrowful Dream, Sodamned e Dirty Pigs.

No derradeiro dia, desde às 9 da manhã se apresentam: Divulsor One Man Band, Fearless Womann, Homicide, Rest in Chaos, Howfar e Casa das Máquinas. Os ingressos custam antecipadamente R$ 130 para todos os dias. Na hora o valor será de R$ 180. Outras informações acessem o site do festival (link no primeiro parágrafo).