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sábado, 15 de fevereiro de 2020

AGENDA: Krisiun apresenta seus clássicos em Joinville

Nervosa, a sensação do último Rock in Rio, também está confirmada


O Armageddon Metal Fest de 2.020 já tem data marcada e atrações idem. E a maioria, pelo menos, é adepta dos estilos mais pesados do metal. Ou seja, pode preparar uma Porter para a porradaria! O festival rola no Expoville, em Joinville (SC), em 30 de maio.

O principal nome do line-up é, sem dúvida, o trio gaúcho de death metal Krisiun, sucesso aqui e lá fora. Surgido na década de 1.990 e com verdadeiros clássicos de sua vertente na bagagem como Black force domain (1.995), Conquers of armageddon (2.000), segue divulgando seu último trampo, Scourge of the enthroned (2.018).

 E o evento ainda conta com a Nervosa, que foi muito comentada em virtude de sua apresentação no último Rock in Rio, no ano passado, Nervochaos, que já tive a oportunidade de entrevistar há alguns anos, Mutilator, Taurus, Hillbilly Rawhide, Miasthenia e muito mais.

domingo, 19 de janeiro de 2020

GERAL: Parte 2

Double Ipa


Chegamos, então, à segunda parte de uma geral nos lançamentos, não necessariamente de 2.019, que ainda não haviam passado pelo SP&BC. Três álbuns nacionais que, apesar de estilos diferentes, levam o desafio de serem apreciados acompanhando o mesmo estilo de cerveja. Nesse caso, uma Double Ipa faz todo sentido com mais amargor e malte que uma Ipa tradicional.


Devachan - Regeneração
O nome me soou um pouco estranho no começo, admito, pois significa algo como paraíso em sânscrito, um dialeto antigo do norte da Índia, ou morada dos deuses para os tibetanos. Pensei em se tratar de algo de temática religiosa, então. O nome do álbum, Regeneração, ratificou ainda mais. Já a capa não me remeteu a tanto e após o play percebi que estava enganado.

Trata-se de um metal progressivo extremamente técnico, de mensagens fortes e bastante significativas ("Não fique por aí culpando todo mundo daquilo que você não é capaz", por exemplo). Aliás, essa maturidade sonora, provavelmente, se deve a um certo detalhe no line-up da banda de Boituva (SP), já que trata-se de uma família literalmente falando. 

Vejamos, Daniel Dias é o pai baixista e autor da maioria das músicas - escritas no auge dos anos 1.980, também por isso, provavelmente, são em português -, Gabriel é um dos filhos, vocalista e Leandro é o outro filho, guitarrista. Completam a formação Michel Veríssimo, teclado, e Bruno Caresia, bateria. Eu não mexeria em nada, pois o som é excelente!



Maestrick - Espresso della vita - Solare
Discaço! Sim, senhor, esse trabalho demorou para estar em SP&BC, mas antes tarde do que nunca, já diria o ditado. Afinal ele saiu em 2.018 e se trata do segundo álbum do Maestrick, de São José do Rio Preto, interior de São Paulo. O debut saiu em 2.011 intitulado Unpuzzle.

Poderíamos dizer que se trata de um som voltado ao prog metal, tamanha variedade artística encontrada ao longo das 12 faixas de Espresso della vita - Solare, contudo, acredito ser uma injustiça porque percebemos que o trio bebe em diversas fontes como pop, rock e metal.

Fabio Caldeira, vocal e piano, Renato "Montanha" Somera, baixo e vocal, e Heitor Matos bateria, respondem pelo Maestrick, que não conta com um guitarrista fixo, o que poderia soar estranho para uma banda de metal. Porém aqui vira detalhe. O disco igualmente foi lançado no exterior, assim o Brasil segue bem representado lá fora.



Psychotic Eyes - Olhos Vermelhos
Já conhecia uma banda com som hard rock e vocal baseado no gutural, o Tiger Cult. Agora uma banda gravar death metal acústico ainda não havia visto. Mais ou menos isso encontramos nesse EP do Psychotic Eyes, outro nome paulista da vez, Olhos vermelhos. Como eles dizem, um progressive death metal.

Lançado apenas digitalmente, o trabalho apresenta uma música nova, a faixa-título e única em português, uma nova versão para The hand of fate, do primeiro CD autointitulado (2.007), Life e Dying grief, ambas de I only smile behind the mask (2.011). Procura por originalidade? Escolha este sem medo!

segunda-feira, 12 de março de 2018

Heavenless: Metal do Rio Grande do Norte pede passagem

(FOTO: Divulgação) Lançar em todos os formatos é importante

Disco novo já tem o título de Cursed



Surpresa geral no SP&BC. Sim, tenho certeza que causou certo espanto no momento em que você leu que a banda de death metal Heavenless, de Mossoró (RN), a 277 quilômetros de Natal, concedeu uma entrevista ao blog. Nada mais natural, afinal, meus estilos preferidos figuram entre o hard e o heavy, com pouca variação.

Porém, para o jornalista, manter a cabeça aberta é fundamental. Então, por que não dar chance a nomes de estilos mais agressivos, desde que façam um bom trabalho? E é justamente isso que encontramos no CD de estreia Whocantbenamed (Rising Rec., Nac.), ou seja, qualidade nas composições, na gravação, enfim, um álbum digno de nota.

Vamos, então, conferir o que o baterista Vicente Andrade tem a nos dizer sobre tudo o que aconteceu com o trio nesses quase três anos e o planejamento para o futuro.

A banda é relativamente nova, formada em 2.015, e já chegou ao debut. Pode nos apresentar o grupo, projetos anteriores e como se formou o Heavenless?
Vicente Andrade - Um grande abraço aos amigos do Som Pesado & Boa Cerveja. A banda Heavenless surgiu em 2.015, mas já estamos nessa estrada musical há muito tempo. Já trabalhamos com produção musical aqui em nossa cidade, já possuímos pubs e estamos envolvidos com a cena há mais de 10 anos. A banda é formada por mim, Kalyl Lamark, voz e baixo, e Vinícius Martins, guitarra. Eu tocava em uma banda chamada Bones in Traction junto com o Vinícius e o Kalyl é ex-frontman do Monster Coyote. A cidade é pequena [N. do R.: cerca de 240 mil habitantes], todos já éramos amigos e sempre rolou um lance de parceria estre as bandas locais. Em 2.015 resolvemos entrar nessa empreitada juntos por realmente termos uma afinidade profissional e de amizade mesmo. De certa forma tínhamos convicção de que essa formação seria muito promissora porque todos estavam muito envolvidos com o projeto. Tivemos "pressa" pra lançar o CD porque acreditamos que o cartão de visita de qualquer banda é uma música bem feita e bem gravada, então antes de shows ou pegar a estrada, nos concentramos em gravar o melhor possível nossas músicas e lançar um CD de qualidade.

Mossoró carrega alguns dados interessantes, como ser a “Terra da Liberdade”, ser marcada pelo Motim das Mulheres, o primeiro voto feminino do Brasil, ter libertado seus escravos cinco anos antes da Lei Áurea, o bando de Lampião. Até que ponto isso tudo influenciou a banda? Alguma outra característica que eu não citei?
Vicente - Pois é, Mossoró é uma cidade pioneira, conhecida como a capital cultural do Estado, a terra do sal, sol e petróleo. O maior produtor de sal do Brasil, maior produção de petróleo em terra firme e sol o ano todo. Geograficamente, Mossoró está no meio do caminho entre a cidade de Natal e Fortaleza (CE), estrategicamente é um ponto de parada para todas as bandas que estão passando por aqui na região, por isso a cidade sempre esteve no mapa de grandes shows. Esse contato com esse circuito autoral de bandas independentes é uma fonte de inspiração.

E em termos musicais, quais são as influências?
Vicente -
Bom, na região o que domina é o forró e agora com a globalização todas essas músicas de moda que se difundem Brasil afora, mas como o sertanejo é muito forte, ainda resistimos e corremos na contramão difundindo nosso som pesado. Existe uma diferença de idade entra os integrantes e isso influencia muito na hora das composições. Eu curti muito metal na década de 1.990 e vi grandes shows e lançamentos de discos daquela época. Então Pantera, Sepultura, Kreator, Machine Head correm em minhas veias. Kalyl Lamarck tem influência de metal mais arrastado, mais doom e sujo como Down, Howl, High on Fire... Já Vinícius Martins é o mais jovem da banda e tem influência do new metal e metal mais moderno como Slipknot, Korn e Mastodon.

Como tem sido a recepção a Whocantbenamed, após quase um ano de lançamento?
Vicente - Recebemos muitas críticas e resenhas, a grande maioria muito favorável. O público também elogiou bastante, fizemos um trabalho bem feito de divulgação do CD físico e colocamos as músicas em todas as plataformas de áudio de acesso grátis no intuito de atingir o máximo de pessoas. O Eliton Tomasi, da Som do Darma, nos ajudou e orientou muito e acreditamos que o 2.017 foi um ano muito proveitoso.
"Somo da época de sentar com o vinil no colo"

O disco, então, foi lançado em formato físico, pela Rising Records e em streaming. Qual deles obteve a melhor resposta?
Vicente - Acreditamos no CD físico ainda, apesar de sair caro para a banda independente. Somos ainda da época de sentar com vinil no colo, ouvir o som e ficar lendo o encarte. O perfil de público que ainda acredita nisso é diferente em geral daquele pessoal mais novo que não compra mais nem o CD, tudo é virtual. Já nasceram nessa época onde tudo é virtual, então acreditamos que temos que alcançar todos. Até o Metallica se rendeu as imposições e divulgam suas músicas nessas plataformas.

Planejam lançar no exterior?
Vicente - Sim, principalmente na Europa. Como em 2.019 pretendemos fazer a primeira tour pela Europa, estamos viabilizando o lançamento lá.

Qual faixa anda fazendo mais sucesso entre o público?
Vicente - É engraçado como escuto opiniões diversas. Talvez isso se deva a mistura de gêneros nas músicas. Tem uma galera que curte a música The Reclain, que tem uma pegada mais doom. Muita gente me fala que Enter Hades é a melhor, essa é um metal mais extremo com blast, uma canseira... Já outros falam em Hopeless, que tem uma pegada mais moderna. Acho isso bom!

Depois de quase um ano de editarem Whocantbenamed, se acontecesse hoje, fariam algo diferente?
Vicente - O álbum cumpriu seu papel com excelência e refletiu bem o momento da banda. Claro que em termos de composição sempre tem alguns pontos que podemos melhorar, mas nada que faria diferença. A formação é muito sólida, somos bons amigos e nos entendemos bem musicalmente, encontramos parceiros fortes como nosso produtor Cássio Zambott, Luciano Elias da Rising Records e o Eliton do Som do Darma.

Ano passado foi muito bom em termos de shows, correto? Quantos fizeram? Como está a agenda para 2.018?
Vicente – O ano 2.017 foi um ano de muita correria, fizemos vários shows pelo Nordeste e duas turnês pelo Sudeste e também participamos de alguns festivais. Ficamos muito satisfeitos. [Para] o ano 2.018 estamos focados em gravar nosso próximo disco chamado Cursed e tocar em festivais e aproveitar a repercussão que o Whocantbenamed causou.

E de um modo geral, como estão os planos atualmente: divulgar ainda mais essa estreia ou já pensam em um trabalho novo?
Vicente - Pretendemos sempre ficar lançando novidades, não podemos parar. Esse primeiro semestre serão lançados três clipes já com músicas novas e no segundo semestre o disco completo.

Como é a cena no Rio Grande do Norte?
Vicente - Mesmo com toda dificuldade de incentivo, o Rio Grande do Norte possui grandes nomes do metal extremo, e a cada dia surgem bandas novas Primordium, Sanctifier, Son of a Witch, Expose your Hate. São bandas solidificadas com material novo e quem não conhece podem escutar. Aqui em Mossoró tem o Black Witch do nosso brother Rafaum, Reveanger e Evil Hazor. Recomendo!

Vocês gostam de cerveja artesanal? Qual o estilo preferido?
Vicente - Alcoólatras são aqueles que bebem todo dia, a gente só bebe a noite então "tá de boas" (risos gerais). IPA e Black IPA são as nossas preferidas: fortes, amargas e alcoólicas como tem que ser! Aqui em Mossoró tem duas cervejarias renomadas: Bacurin e a Malassombro.

Já imaginou um rótulo de cerveja do Heavenless, como há de Sepultura, Matanza, Ratos etc? Qual estilo seria?
Vicente - É uma ótima ideia. Não pensamos ainda a respeito, teria que ser 10% de álcool no mínimo (risos).

Para encerrar, algum recado para os fãs?
Vicente - Compareçam aos shows, comprem material das bandas, entrem na nossa página, sigam e curtam a vontade, basta isso pra fortalecer a cena.  Grande abraço a todos e nos veremos por aí pra tomar umas cervas!